{"id":9745,"date":"2021-07-19T00:00:00","date_gmt":"2021-07-19T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/2021\/07\/19\/empresas-de-ex-militares-receberam-r-610-milhoes-da-defesa-desde-2018\/"},"modified":"2021-07-19T00:00:00","modified_gmt":"2021-07-19T03:00:00","slug":"empresas-de-ex-militares-receberam-r-610-milhoes-da-defesa-desde-2018","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/empresas-de-ex-militares-receberam-r-610-milhoes-da-defesa-desde-2018\/","title":{"rendered":"Empresas de ex-militares receberam R$ 610 milh\u00f5es da Defesa desde 2018"},"content":{"rendered":"<p>O Minist&eacute;rio da Defesa ou &oacute;rg&atilde;os sob seu guarda-chuva gastaram R$ 610 milh&otilde;es com empresas pertencentes a militares reformados ou da reserva entre 2018 e o primeiro semestre deste ano. Os valores foram crescendo no per&iacute;odo: R$ 169 milh&otilde;es em 2018, R$ 180 milh&otilde;es em 2019 e R$ 183 milh&otilde;es no ano passado. Em 2021, o montante j&aacute; chegou a R$ 77 milh&otilde;es.<\/p>\n<p>Para fazer o levantamento, o (M)Dados, n&uacute;cleo de an&aacute;lise de grande volume de informa&ccedil;&otilde;es do Metr&oacute;poles, fez tr&ecirc;s cruzamentos. Ap&oacute;s apura&ccedil;&atilde;o, no Siga Brasil, de todas as ordens banc&aacute;rias para pessoas jur&iacute;dicas saindo do Minist&eacute;rio da Defesa desde 2018, foram identificados os s&oacute;cios dessas companhias no banco de dados da Receita Federal disponibilizado pelo Brasil.io. Por fim, os nomes encontrados foram cruzados com a lista de militares aposentados dispon&iacute;vel no Portal da Transpar&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Os militares reformados s&atilde;o aqueles que passam definitivamente para a inatividade, seja por idade, seja por doen&ccedil;a ou licen&ccedil;a. A reserva remunerada &eacute; um direito do militar com 30 anos de servi&ccedil;o ou que entra para a quota compuls&oacute;ria. Nesse &uacute;ltimo caso, h&aacute; diminui&ccedil;&atilde;o nos proventos.<\/p>\n<p>A empresa pertencente a um militar que mais recebeu recursos no per&iacute;odo analisado foi contemplada com R$ 66 milh&otilde;es em contratos com o Fundo Aeron&aacute;utico. Ela pertence a um tenente-brigadeiro-do-ar reformado e tem sede no Rio de Janeiro (RJ). O montante &eacute; referente a tr&ecirc;s contratos firmados com inexigibilidade de licita&ccedil;&atilde;o para servi&ccedil;os t&eacute;cnicos especializados de manuten&ccedil;&atilde;o para sistema integrado de torres de controle.<\/p>\n<p>O segundo lugar &eacute; de uma empresa de Juiz de Fora (MG) que conta com um coronel da reserva no quadro social. Ela recebeu R$ 48 milh&otilde;es em tr&ecirc;s anos e meio, dos quais R$ 47 milh&otilde;es do Fundo do Ex&eacute;rcito e o restante do Comando do Ex&eacute;rcito. Tamb&eacute;m foi contratada com inexigibilidade de licita&ccedil;&atilde;o para a presta&ccedil;&atilde;o complementar de servi&ccedil;os m&eacute;dicos-hospitalares para benefici&aacute;rios do Sistema de Atendimento M&eacute;dico-hospitalar aos Militares do Ex&eacute;rcito, Pensionistas Militares e seus Dependentes (Sammed).<\/p>\n<p>Na terceira coloca&ccedil;&atilde;o, est&aacute; uma empresa de S&atilde;o Pedro da Aldeia (RJ), com R$ 47,5 milh&otilde;es em contratos com seis unidades or&ccedil;ament&aacute;rias diferentes. A maior parte vem do Fundo Aeron&aacute;utico (R$ 19 milh&otilde;es) e do Comando da Aeron&aacute;utica (R$ 15 milh&otilde;es). A companhia tem no quadro social um capit&atilde;o-de-mar-e-guerra da reserva. Nesse caso, o contrato mais recente, obtido em uma concorr&ecirc;ncia, visava a manuten&ccedil;&atilde;o e o reparo de equipamento avi&ocirc;nico.<\/p>\n<p>O levantamento n&atilde;o leva em conta funda&ccedil;&otilde;es privadas. Caso elas sejam inclu&iacute;das, o total repassado para empresas com ex-militares no quadro societ&aacute;rio sobe para R$ 886 milh&otilde;es nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos e meio. Apenas essa categoria recebeu R$ 276 milh&otilde;es no per&iacute;odo analisado.<\/p>\n<p>O gr&aacute;fico a seguir separa os recursos recebidos por empresas de ex-militares de acordo com a patente dos s&oacute;cios. Companhias comandadas por coron&eacute;is reformados ou da reserva lideram, com R$ 107,9 milh&otilde;es. O grau &eacute; o segundo maior dentro da hierarquia do Ex&eacute;rcito, ficando atr&aacute;s apenas de generais.<\/p>\n<p>O segundo lugar &eacute; de capit&atilde;es, o cargo mais alto dentre os oficiais intermedi&aacute;rios do Ex&eacute;rcito. Em terceiro, est&atilde;o tenentes-brigadeiros-do-ar, a segunda maior patente da Aeron&aacute;utica. Como &eacute; poss&iacute;vel ver, a lista parece respeitar a cadeia de comando nas For&ccedil;as Armadas, com uma maioria de oficiais superiores entre os primeiros lugares.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel separar os dados por Unidade Or&ccedil;ament&aacute;ria (UO) que emitiu a Ordem de Pagamento. A UO &eacute; a menor classifica&ccedil;&atilde;o institucional dentro do or&ccedil;amento p&uacute;blico. Todas t&ecirc;m dota&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria pr&oacute;pria e espec&iacute;fica. O primeiro lugar &eacute; do Fundo Aeron&aacute;utico, com R$ 189,2 milh&otilde;es. O gr&aacute;fico a seguir traz a lista completa.<\/p>\n<p>&ldquo;Quando o militar passa para a reserva, existem restri&ccedil;&otilde;es, mas menores do que quando ele est&aacute; na ativa. Ele pode aparecer como administrador da empresa, mas n&atilde;o pode, em tese, fazer uso das facilidades que o fato de ter sido militar traz para contratar com Ex&eacute;rcito, Aeron&aacute;utica ou Marinha&rdquo;, explica o advogado especialista em direito constitucional Ac&aacute;cio Miranda.<\/p>\n<p>Isso porque, prossegue o profissional, &ldquo;quando h&aacute; uso do cargo para obter privil&eacute;gios seria minimamente improbidade administrativa&rdquo;. Miranda aponta ainda que &ldquo;a lei de licita&ccedil;&otilde;es e a l&oacute;gica da concorr&ecirc;ncia no poder p&uacute;blico proporcionam igualdade de oportunidades&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;A partir do momento que o militar tem acesso a pessoas que trabalhavam com ele, que inclusive eram hierarquicamente inferiores, a gente pode, a depender da an&aacute;lise das circunst&acirc;ncias, entender que h&aacute; tr&aacute;fico de influ&ecirc;ncia&rdquo;, prosseguiu.<\/p>\n<p>Para chegar &agrave; conclus&atilde;o de que houve crime na contrata&ccedil;&atilde;o, contudo, a an&aacute;lise deve ser feita caso a caso. &ldquo;&Eacute; uma linha t&ecirc;nue. A gente sabe que existe uma facilidade decorrente, mas, sem que exista lei que pro&iacute;ba efetivamente, a gente fica nos campos das ideias&rdquo;, assinalou.<\/p>\n<p><em>Fonte: Metr&oacute;poles<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minist&eacute;rio da Defesa ou &oacute;rg&atilde;os sob seu guarda-chuva gastaram R$ 610 milh&otilde;es com empresas pertencentes a militares reformados ou da reserva entre 2018 e o primeiro semestre deste ano. Os valores foram crescendo no per&iacute;odo: R$ 169 milh&otilde;es em 2018, R$ 180 milh&otilde;es em 2019 e R$ 183 milh&otilde;es no ano passado. 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