{"id":9627,"date":"2011-01-05T00:00:00","date_gmt":"2011-01-05T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/2021\/12\/13\/zeca-dirceu-inaugura-escola-nova-em-tuneiras-do-oeste\/"},"modified":"2024-12-10T19:19:55","modified_gmt":"2024-12-10T22:19:55","slug":"zeca-dirceu-inaugura-escola-nova-em-tuneiras-do-oeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/zeca-dirceu-inaugura-escola-nova-em-tuneiras-do-oeste\/","title":{"rendered":"New York Times: Sucesso do Bolsa Fam\u00edlia \u00e9 exemplo para o mundo"},"content":{"rendered":"<p><strong>New York Times: Sucesso do Bolsa Fam&iacute;lia &eacute; exemplo para o mundo<\/p>\n<p>Por Tina Rosenberg, no Opinionator do New York Times<br \/>\n<\/strong><br \/>\nA cidade do Rio de Janeiro &eacute; famosa pelo fato de que uma pessoa pode olhar de um barraco prec&aacute;rio em um morro, desde uma favela miser&aacute;vel, e ver praticamente dentro da janela de condom&iacute;nios de alto luxo. Partes do Brasil se parecem com o sul da Calif&oacute;rnia. Partes parecem com o Haiti. Muitos pa&iacute;ses mostram grande riqueza ao lado de grande pobreza. Mas at&eacute; recentemente o Brasil era o pa&iacute;s mais desigual do mundo.<\/p>\n<p>Hoje, no entanto, o n&iacute;vel de desigualdade econ&ocirc;mica no Brasil est&aacute; se reduzindo num ritmo maior que o de qualquer outro pa&iacute;s. Entre 2003 e 2009, a renda dos pobres brasileiros cresceu sete vezes mais que a renda dos brasileiros ricos. A pobreza foi reduzida neste per&iacute;odo de 22% para 7% da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Contraste isso com os Estados Unidos, onde entre 1980 e 2005, mais de 4\/5 do aumento da renda foi para o 1% no topo da escala (veja aqui &mdash; the book is on the table &mdash; uma grande s&eacute;rie sobre desigualdade nos Estados Unidos feita por Timothy Noah, da &#91;revista eletr&ocirc;nica] Slate). A produtividade entre os trabalhadores americanos de renda baixa e m&eacute;dia aumentou, mas a renda n&atilde;o. Se a tend&ecirc;ncia atual for mantida, os Estados Unidos podem em breve se tornar t&atilde;o desiguais quanto o Brasil.<\/p>\n<p>V&aacute;rios fatores contribuiram para o feito surpreendente do Brasil. Mas a maior parte &eacute; devida a um &uacute;nico programa social que agora est&aacute; transformando a forma com que os pa&iacute;ses de todo o mundo ajudam os pobres.<\/p>\n<p>O programa, chamado Bolsa Fam&iacute;lia no Brasil, recebe nomes diferentes em lugares diferentes. No M&eacute;xico, onde primeiro come&ccedil;ou em escala nacional e foi igualmente bem sucedido na redu&ccedil;&atilde;o da pobreza, &eacute; chamado Oportunidades.<\/p>\n<p>O termo gen&eacute;rico para os programas &eacute; &ldquo;transfer&ecirc;ncia condicional de renda&rdquo;. A ideia &eacute; fazer pagamentos regulares a fam&iacute;lias pobres, em dinheiro ou transfer&ecirc;ncias eletr&ocirc;nicas, se elas cumprirem certas metas.<\/p>\n<p>As exigencias variam, mas muitos pa&iacute;ses usam o que o M&eacute;xico usa: fam&iacute;lias precisam manter as crian&ccedil;as na escola e fazer exames m&eacute;dicos regulares, a m&atilde;e precisa fazer cursos sobre temas como nutri&ccedil;&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as. Os pagamentos quase sempre v&atilde;o para as mulheres, j&aacute; que elas mais provavelmente v&atilde;o gastar o dinheiro com suas fam&iacute;lias. A ideia elegante por tr&aacute;s das transfer&ecirc;ncias condicionais de renda &eacute; combater a pobreza hoje, mas quebrando o ciclo de pobreza amanh&atilde;.<\/p>\n<p>A maior parte de nossas colunas at&eacute; agora tem sido sobre ideias bem sucedidas, mas pequenas. Elas enfrentam uma dificuldade comum: como funcionar em maior escala. Esta &eacute; diferente. O Brasil est&aacute; empregando uma vers&atilde;o de uma ideia que agora est&aacute; em uso em 40 pa&iacute;ses do globo, uma ideia j&aacute; bem sucedida em uma impressionantemente enorme escala. Este &eacute; provavelmente o mais importante programa de governo antipobreza que o mundo j&aacute; viu. Vale a pena saber como funciona e porque foi capaz de ajudar tanta gente.<\/p>\n<p>No M&eacute;xico, Oportunidades hoje cobre 5,8 milh&otilde;es de fam&iacute;lias, cerca de 30% da popula&ccedil;&atilde;o. Uma fam&iacute;lia da Oportunidades com uma crian&ccedil;a na escola prim&aacute;ria e outra na escola secund&aacute;ria, que cumpre todas as exigencias, pode receber um total de 123 d&oacute;lares por m&ecirc;s. Os estudantes tamb&eacute;m podem receber dinheiro para material escolar e as crian&ccedil;as que completam o ensino m&eacute;dio dentro do tempo recebem um pagamento de 330 d&oacute;lares.<\/p>\n<p>A Bolsa Fam&iacute;lia, que tem exig&ecirc;ncias similares, &eacute; ainda maior. Os programas de transfer&ecirc;ncia condicional de renda do Brasil foram iniciados antes do governo do presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva, mas ele consolidou v&aacute;rios programas e os expandiu. Agora cobre cerca de 50 milh&otilde;es de brasileiros, um quarto dos habitantes do pa&iacute;s. Paga um valor mensal de 13 d&oacute;lares para as fam&iacute;lias pobres por crian&ccedil;a de 15 anos ou menos que estiver na escola, para at&eacute; tr&ecirc;s crian&ccedil;as. As fam&iacute;lias podem ter um valor adicional de 19 d&oacute;lares por crian&ccedil;a de 16 ou 17 anos ainda na escola, para um m&aacute;ximo de duas crian&ccedil;as. Fam&iacute;lias que vivem na extrema pobreza recebem um beneficio b&aacute;sico de 40 d&oacute;lares, sem condi&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Estas somas parecem dolorosamente pequenas? S&atilde;o. Mas uma fam&iacute;lia vivendo em extrema pobreza no Brasil dobra a sua renda quando recebe o benef&iacute;cio b&aacute;sico. Faz tempo est&aacute; claro que o Bolsa Fam&iacute;lia reduziu a pobreza no Brasil. Mas apenas pesquisas recentes revelaram o papel do programa na redu&ccedil;&atilde;o da desigualdade econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p>O Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento est&atilde;o trabalhando com governos para espalhar os programas em todo o mundo, dando ajuda t&eacute;cnica e empr&eacute;stimos. Os programas de transfer&ecirc;ncia condicional de renda s&atilde;o encontrados agora em 14 pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina e em outros 26 pa&iacute;ses, de acordo com o Banco Mundial. (Um dos programas &eacute; em Nova York, um programa piloto pequeno, financiado privadamente, chamado Opportunity NYC. Uma avalia&ccedil;&atilde;o inicial mostrou sucesso relativo, mas ainda &eacute; cedo para tirar conclus&otilde;es). Cada programa &eacute; desenhado para as condi&ccedil;&otilde;es locais. Alguns na Am&eacute;rica Latina enfatizam a nutri&ccedil;&atilde;o. O da Tanz&acirc;nia est&aacute; experimentando com pagamentos condicionais que dependem do comportamento de toda a comunidade.<\/p>\n<p>O programa combate a pobreza de duas formas. Uma, direta: d&aacute; dinheiro aos pobres. Funciona. E, n&atilde;o, o dinheiro n&atilde;o &eacute; roubado nem desviado para os mais ricos. O Brasil e o M&eacute;xico s&atilde;o muito bem sucedidos em incluir apenas os pobres. Nos dois pa&iacute;ses houve redu&ccedil;&atilde;o de pobreza, especialmente pobreza extrema, e houve redu&ccedil;&atilde;o da taxa de desigualdade.<\/p>\n<p>O outro objetivo da proposta &mdash; dar mais educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de &agrave;s crian&ccedil;as &mdash; &eacute; de longo prazo e mais dif&iacute;cil de medir. Mas tem sido medida &mdash; o Oportunidades &eacute; provavelmente o programa social mais estudado do planeta. O programa tem um grupo de avalia&ccedil;&atilde;o e publica todos os seus dados. Houve centenas de estudos de acad&ecirc;micos independentes a respeito dele.<\/p>\n<p>No M&eacute;xico houve redu&ccedil;&atilde;o de desnutri&ccedil;&atilde;o, anemia e nanismo, assim como de outras doen&ccedil;as da inf&acirc;ncia e de adultos. A mortalidade infantil e de m&atilde;es caiu. O uso de contraceptivos na zona rural aumentou e a gravidez de adolescentes caiu. Mas os efeitos mais dram&aacute;ticos foram vistos na educa&ccedil;&atilde;o. Crian&ccedil;as no Oportunidades repetiram menos de ano e ficaram mais tempo na escola. O trabalho infantil caiu. Em zonas rurais, a porcentagem de crian&ccedil;as entrando no ensino m&eacute;dio aumentou 42%. Matr&iacute;culas em escolas m&eacute;dias da zona rural aumentaram imensos 85%. Os maiores efeitos em educa&ccedil;&atilde;o se d&atilde;o em fam&iacute;lias onde as m&atilde;es t&ecirc;m o menor n&iacute;vel de educa&ccedil;&atilde;o. Fam&iacute;lias ind&iacute;genas do M&eacute;xico foram particularmente beneficiadas, com as crian&ccedil;as ficando mais tempo na escola.<\/p>\n<p>O Bolsa Fam&iacute;lia tem um impacto similar no Brasil. Um estudo recente descobriu aumentos na perman&ecirc;ncia na escola e no avan&ccedil;o escolar &mdash; particularmente no Nordeste, onde a presen&ccedil;a na escola &eacute; a menor, e particularmente para as meninas mais velhas, que correm o maior risco de abandonar os estudos. A pesquisa tamb&eacute;m descobriu que o Bolsa aumentou o peso das crian&ccedil;as, os &iacute;ndices de vacina&ccedil;&atilde;o e o uso do cuidado pr&eacute;-natal.<\/p>\n<p>Quando viajei pelo M&eacute;xico em 2008 para fazer reportagem sobre o Oportunidades, encontrei fam&iacute;lia atr&aacute;s de fam&iacute;lia com hist&oacute;rias distintas entre o antes e o depois. Pais cujo trabalho consistia em usar machetes para cortar grama tinham, gra&ccedil;as ao Oportunidades, filhos formados na escola secund&aacute;ria e que agora estavam estudando contabilidade ou enfermagem. Algumas fam&iacute;lias tinham filhos mais velhos que haviam sido maltrunidos na inf&acirc;ncia, mas as crian&ccedil;as mais jovens agora eram saud&aacute;veis porque o Oportunidades tinha chegado em tempo de ajud&aacute;-las a se alimentar melhor.<\/p>\n<p>Na cidade de Venustiano Carranza, no estado mexicano de Puebla, encontrei Hortensia Alvarez Montes, uma vi&uacute;va de 54 anos de idade cuja renda vinha de lavar roupa. Tinha parado de estudar na sexta s&eacute;rie, da mesma forma que tr&ecirc;s dos filhos dela. Mas quando o Oportunidades chegou, ela manteve as crian&ccedil;as mais novas na escola. Estavam ambos completando o ensino secund&aacute;rio quando os visitei. Um deles planejava fazer faculdade.<\/p>\n<p>Fora do Brasil e do M&eacute;xico, os programas de transfer&ecirc;ncia condicional de renda s&atilde;o mais novos e menores. De qualquer forma, h&aacute; amplas pesquisas demonstrando que tamb&eacute;m eles aumentam o consumo, reduzem a pobreza e aumentam a perman&ecirc;ncia na escola e o uso de servi&ccedil;os de sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Se programas de transfer&ecirc;ncia condicional de renda funcionarem adequadamente, muitas novas escolas e cl&iacute;nicas ser&atilde;o necess&aacute;rias. Mas os governos nem sempre podem acompanhar a demanda e algumas vezes s&oacute; podem fazer isso reduzindo drasticamente a qualidade. Se este &eacute; um problema para pa&iacute;ses de renda m&eacute;dia como o Brasil e o M&eacute;xico, imagine o desafio para Honduras ou Tanz&acirc;nia.<\/p>\n<p>Para os c&eacute;ticos, que acreditam que programas sociais nunca funcionam em pa&iacute;ses pobres e que a maior parte do que &eacute; gasto com eles &eacute; roubado, os programas de transfer&ecirc;ncia condicional de renda s&atilde;o uma resposta convincente. Aqui est&atilde;o programas que ajudam os que mais precisam de ajuda e que fazem isso com pouco desperd&iacute;cio, corrup&ccedil;&atilde;o ou interfer&ecirc;ncia pol&iacute;tica. Mesmo programas pequenos, que atendam uma &uacute;nica vila e sejam bem sucedidos, s&atilde;o motivo para celebrar. Fazer isso na escala que M&eacute;xico e Brasil fizeram &eacute; impressionante.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, no entanto, o n\u00edvel de desigualdade econ\u00f4mica no Brasil est\u00e1 se reduzindo num ritmo maior que o de qualquer outro pa\u00eds. Entre 2003 e 2009, a renda dos pobres brasileiros cresceu sete vezes mais que a renda dos brasileiros ricos. A pobreza foi reduzida neste per\u00edodo de 22% para 7% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Contraste isso com os Estados Unidos, onde entre 1980 e 2005, mais de 4\/5 do aumento da renda foi para o 1% no topo da escala (veja aqui \u2014 the book is on the table \u2014 uma grande s\u00e9rie sobre desigualdade nos Estados Unidos feita por Timothy Noah, da [revista eletr\u00f4nica] Slate).<\/p>\n<p>trecho da reportagem de Tina Rosenberg, no New York Times. 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