{"id":9567,"date":"2011-01-03T00:00:00","date_gmt":"2011-01-03T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/2022\/03\/23\/zeca-dirceu-apresenta-noticia-crime-contra-ministro-da-educacao-por-caso-de-propinas-no-mec\/"},"modified":"2024-12-10T19:20:13","modified_gmt":"2024-12-10T22:20:13","slug":"zeca-dirceu-apresenta-noticia-crime-contra-ministro-da-educacao-por-caso-de-propinas-no-mec","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/zeca-dirceu-apresenta-noticia-crime-contra-ministro-da-educacao-por-caso-de-propinas-no-mec\/","title":{"rendered":"Unila j\u00e1 integra brasileiros, argentinos, paraguaios e uruguaios"},"content":{"rendered":"<p><strong>Uma universidade para os latinos<\/p>\n<p>Institui&ccedil;&atilde;o oferece ensino e estrutura para brasileiros, argentinos, paraguaios e uruguaios. Vagas s&atilde;o priorit&aacute;rias para alunos do ensino p&uacute;blico<\/strong><\/p>\n<p><strong>Denise Paro<\/strong><\/p>\n<p>O paraguaio Rafael Portillo, 24 anos, cresceu em um mundo de conflitos. Filho de campesinos, foi obrigado a migrar para a fronteira do pa&iacute;s porque o pai era perseguido pela ditadura. Na juventude, acompanhou as disputas por terra. Hoje, cursa Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e tenta entender a pr&oacute;pria hist&oacute;ria. Portillo faz parte da primeira turma de alunos da Universidade Federal da Integra&ccedil;&atilde;o Latino-Ame&shy;ricana (Unila), em Foz do Igua&shy;&ccedil;u. Ele retrata bem o perfil do estudante da nova universidade: latino-americano vindo de col&eacute;gio p&uacute;blico. Na contram&atilde;o da maioria das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de ensino superior do Brasil, na Unila 100% dos universit&aacute;rios brasileiros fizeram o ensino m&eacute;dio em escolas p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>O &iacute;ndice &eacute; visto como uma conquista na universidade porque, de certa forma, conforme professores, corrige uma distor&ccedil;&atilde;o existente no ensino brasileiro. Hoje, segundo o reitor da Unila, Helgio Trindade, 89% dos alunos brasileiros de ensino m&eacute;dio est&atilde;o matriculados na rede p&uacute;blica, enquanto apenas 11% nas privadas. No entanto, o vestibular tradicional beneficia egressos de escolas particulares.<\/p>\n<p>Para entrar na Unila, uma uni&shy;&shy;versidade bil&iacute;ngue onde as aulas s&atilde;o ministradas em portugu&ecirc;s e espanhol, os alunos brasileiros precisam prestar o Exame Nacional do Ensino M&eacute;dio (Enem). Os estrangeiros (paraguaios, argentinos e uruguaios) s&atilde;o selecionados de acordo com crit&eacute;rios estabelecidos pelo pr&oacute;prio pa&iacute;s. No caso de brasileiros, candidatos que cursaram integralmente todo o ensino m&eacute;dio em escola p&uacute;blica, com hist&oacute;rico de aprova&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m b&ocirc;nus de 30% na nota e mais chances de ser selecionado pelo Enem em rela&ccedil;&atilde;o aos que estudaram apenas escolas particulares.<\/p>\n<p>&ldquo;Priorizamos estudantes que v&ecirc;m de classes menos favorecidas, mas n&atilde;o deixam de ter um desempenho acad&ecirc;mico razo&aacute;vel&rdquo;, diz o pr&oacute;-reitor de gradua&ccedil;&atilde;o Orlando Pilati. E o resultado &eacute; satisfat&oacute;rio. Segundo a universidade, o desempenho dos alunos no Enem foi acima da m&eacute;dia (6 ou mais).<\/p>\n<p><strong>Bom exemplo<\/strong><\/p>\n<p>A Unila n&atilde;o &eacute; a &uacute;nica universidade brasileira a adotar uma pol&iacute;tica voltada para beneficiar alunos de col&eacute;gios p&uacute;blicos. Em atividade desde o in&iacute;cio deste ano, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), com sede em Chapec&oacute; (SC) e outros quatro c&acirc;mpus, tamb&eacute;m usa crit&eacute;rio semelhante. Hoje, 91% dos alunos da UFFS s&atilde;o oriundos de escola p&uacute;blica, dos quais 79% n&atilde;o fizeram pr&eacute;-vestibular. Pelo menos 56% deles vieram de fam&iacute;lias que ganham at&eacute; tr&ecirc;s sal&aacute;rios m&iacute;nimos. A realidade &eacute; parecida com a da Unila, onde muitos estudantes n&atilde;o poderiam cursar o ensino superior, mesmo em faculdades p&uacute;blicas, caso n&atilde;o recebessem alguns dos benef&iacute;cios da universidade: moradia, alimenta&ccedil;&atilde;o e transporte.<\/p>\n<p>Dos 207 alunos da Unila, 140 moram em um alojamento bancado pela pr&oacute;pria universidade, onde n&atilde;o se paga nem sequer para comer. O local (um antigo hotel com 97 chal&eacute;s, com restaurante, &aacute;rea de conviv&ecirc;ncia, espa&ccedil;o para proje&ccedil;&atilde;o de filmes, debates e piscina) acomodou perfeitamente o grupo. A universidade comprou o espa&ccedil;o e agora procura novos im&oacute;veis em Foz para acomodar a segunda turma de universit&aacute;rios que chegar&aacute; em 2011. Entre as regras do condom&iacute;nio universit&aacute;rio, uma chama aten&ccedil;&atilde;o: um brasileiro precisa dividir o quarto com um estrangeiro. &Eacute; isso que fazem o brasileiro Alexandre Andreatta, 19 anos, e o paraguaio filho de campesinos Rafael Portillo.<\/p>\n<p>No porta do quarto, uma bandeira paraguaia e uma brasileira marcam a conviv&ecirc;ncia dos dois povos. E as primeiras impress&otilde;es j&aacute; surgiram. &ldquo;N&oacute;s n&atilde;o conhecemos nada da cultura do outros pa&iacute;ses, temos uma vis&atilde;o limitada&rdquo;, conta o brasileiro. Natural de Pato Bran&shy;co, Andreatta largou o curso de Arquitetura da Univer&shy;sidade Federal Tecnol&oacute;gica do Paran&aacute; (UFTP), em Curitiba, para estudar em Foz do Igua&ccedil;u o curso de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, com o qual sempre sonhou. E parece estar gostando.<\/p>\n<p>Com a sabedoria de quem j&aacute; viveu no campo, mas est&aacute; conectado ao mundo urbano, Portillo (cuja fam&iacute;lia vive em Presidente Franco, munic&iacute;pio vizinho a Ciudad del Este) diz que para ele a integra&ccedil;&atilde;o com demais colegas latino-americanos era um sonho. &ldquo;No Paraguai, os trabalhadores do campo t&ecirc;m conflitos com os brasiguaios (imigrantes brasileiros). Mas para mim o conflito n&atilde;o &eacute; entre paraguaios e brasileiros. Somos contra o agroneg&oacute;cio (grande produtor) e a mo&shy;&shy;nocultura da soja&rdquo;, relata. Portillo, que tem no quarto um p&ocirc;ster de Che Guevara, soube do projeto da Unila em um congresso da Uni&atilde;o Nacional dos Estudantes.<\/p>\n<p>Al&eacute;m das jornadas de estudos e debates, os alunos da Unila tamb&eacute;m j&aacute; fazem planos para as f&eacute;rias. O roteiro n&atilde;o podia ser diferente: conhecer a Am&eacute;rica Latina. &ldquo;A integra&ccedil;&atilde;o tem m&uacute;ltiplas repercuss&otilde;es. J&aacute; estamos planejando ir com os brasileiros para o Uruguai e Argentina&rdquo;, diz o uruguaio Matias Varera, 25 anos, aluno do curso de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica.<\/p>\n<p><strong>Unila inova com novo modelo de ensino<\/strong><\/p>\n<p>A quebra de paradigma da nova universidade brasileira n&atilde;o se limita aos crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o. O ensino tamb&eacute;m traz inova&ccedil;&otilde;es. O curr&iacute;culo da gradua&ccedil;&atilde;o segue um modelo de ciclos. No primeiro ciclo de estudos, aplicado no &uacute;ltimo semestre de 2010, alunos de todos os cursos tiveram disciplinas comuns adequadas a quatro &aacute;reas, tr&ecirc;s delas s&atilde;o conte&uacute;dos referentes &agrave; Am&eacute;rica Latina, metodologia de pesquisa (com &ecirc;nfase ao pensamento cient&iacute;fico) e l&iacute;nguas. Outro diferencial da universidade &eacute; o sistema de tutoria. Cada professor orienta um grupo de alunos em alguma tem&aacute;tica espec&iacute;fica relacionada a um assunto da Am&eacute;rica Latina.<\/p>\n<p>Com tantas tentativas de sair do lugar comum, a Unila tornou-se uma universidade-laborat&oacute;rio onde tudo &eacute; pass&iacute;vel de ajustes. Os resultados iniciais j&aacute; podem ser percebidos. Nos primeiros quatro meses de aula &ndash; a universidade entrou em atividade em agosto de 2010 &ndash;, os professores j&aacute; perceberam como &eacute; ensinar para paraguaios, argentinos, uruguaios e brasileiros em uma mesma sala de aula.<\/p>\n<p>&ldquo;H&aacute; um equil&iacute;brio, n&atilde;o h&aacute; algum grupo que se sobressai&rdquo;, diz o pr&oacute;-reitor de gradua&ccedil;&atilde;o Orlando Pilati. Nacionalidades &agrave; parte, como em toda universidade existem alunos com mais dificuldades tamb&eacute;m. &ldquo;Existe uma diferen&ccedil;a brutal de como os alunos vieram. Um argentino passou tr&ecirc;s anos no ensino m&eacute;dio sem professor de matem&aacute;tica e hoje apresenta dificuldades para c&aacute;lculo&rdquo;, diz o professor de F&iacute;sica, Luciano Lapas. Para suprir defici&ecirc;ncias como essa, s&atilde;o ministradas aulas de refor&ccedil;o. Apesar das dificuldades, os alunos da Unila s&atilde;o considerados mais cr&iacute;ticos e questionadores em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; m&eacute;dia, segundo relato dos pr&oacute;prios professores.<\/p>\n<p>Nas bancas para contrata&ccedil;&atilde;o de docentes, que sempre tem um avaliador estrangeiro, a exig&ecirc;ncia &eacute; grande. J&aacute; &eacute; comum nenhum professor ser aprovado para preencher uma vaga. &ldquo;O MEC nos d&aacute; a vaga, mas n&atilde;o temos que preencher a qualquer custo&rdquo;, diz o pr&oacute;-reitor de pesquisa e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, Carlos Alberto dos Santos.<\/p>\n<p>Hoje estudam na Unila 207 alunos, dos quais 117 brasileiros, 49 paraguaios, 22 argentinos e 19 uruguaios, em seis cursos: Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e Socio&shy;&shy;logia, Ci&ecirc;ncias Biol&oacute;gicas, Ci&ecirc;n&shy;&shy;&shy;&shy;cias Econ&ocirc;micas, Enge&shy;nharia de Energias Reno&shy;v&aacute;veis, Engenharia Civil e Infra&shy;estru&shy;tura, Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais e Integra&ccedil;&atilde;o. Para 2011, a Univer&shy;sidade receber&aacute; 600 novos alunos de pelo menos oito pa&iacute;ses. <br \/>\nPara entrar na Unila, uma uni&shy;&shy;versidade bil&iacute;ngue onde as aulas s&atilde;o ministradas em portugu&ecirc;s e espanhol, os alunos brasileiros precisam prestar o Exame Nacional do Ensino M&eacute;dio (Enem). Os estrangeiros (paraguaios, argentinos e uruguaios) s&atilde;o selecionados de acordo com crit&eacute;rios estabelecidos pelo pr&oacute;prio pa&iacute;s. No caso de brasileiros, candidatos que cursaram integralmente todo o ensino m&eacute;dio em escola p&uacute;blica, com hist&oacute;rico de aprova&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m b&ocirc;nus de 30% na nota e mais chances de ser selecionado pelo Enem em rela&ccedil;&atilde;o aos que estudaram apenas escolas particulares.<\/p>\n<p>&ldquo;Priorizamos estudantes que v&ecirc;m de classes menos favorecidas, mas n&atilde;o deixam de ter um desempenho acad&ecirc;mico razo&aacute;vel&rdquo;, diz o pr&oacute;-reitor de gradua&ccedil;&atilde;o Orlando Pilati. E o resultado &eacute; satisfat&oacute;rio. Segundo a universidade, o desempenho dos alunos no Enem foi acima da m&eacute;dia (6 ou mais).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3tima mat\u00e9ria da jornalista Denise Paro na edi\u00e7\u00e3o de hoje na Gazeta do Povo. Ela relata os primeiros passos da Unila Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Ame\u00adricana) em Foz do Igua\u00e7u, a integra\u00e7\u00e3o dos estudantes de quatro pa\u00edses (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e a proposta inovadora de ensino. Vale a leitura. <\/p>\n<p>Hoje estudam na Unila 207 alunos, dos quais 117 brasileiros, 49 paraguaios, 22 argentinos e 19 uruguaios, em seis cursos: Ci\u00eancia Pol\u00edtica e Socio\u00ad\u00adlogia, Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas, Ci\u00ean\u00ad\u00ad\u00ad\u00adcias Econ\u00f4micas, Enge\u00adnharia de Energias Reno\u00adv\u00e1veis, Engenharia Civil e Infra\u00adestru\u00adtura, Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e Integra\u00e7\u00e3o. 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