{"id":9363,"date":"2010-12-25T00:00:00","date_gmt":"2010-12-25T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/2022\/09\/04\/na-comunidade-sao-miguel-de-araruna-zeca-dirceu-reforca-compromisso-com-sericicultores\/"},"modified":"2024-12-10T19:21:21","modified_gmt":"2024-12-10T22:21:21","slug":"na-comunidade-sao-miguel-de-araruna-zeca-dirceu-reforca-compromisso-com-sericicultores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/na-comunidade-sao-miguel-de-araruna-zeca-dirceu-reforca-compromisso-com-sericicultores\/","title":{"rendered":"Uma d\u00e9cada essencial, por Roberto Rodrigues"},"content":{"rendered":"<p><strong>Uma d&eacute;cada essencial<\/strong><\/p>\n<p><strong>Roberto Rodrigues<\/strong><\/p>\n<p>Em novembro de 2010, a Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE) e a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para Agricultura e Alimenta&ccedil;&atilde;o (FAO) divulgaram um importante estudo sobre a demanda global por produtos agr&iacute;colas nos pr&oacute;ximos 10 anos. Segundo a pesquisa, a oferta de alimentos ter&aacute; de crescer 20% principalmente para atender o crescimento da popula&ccedil;&atilde;o e da renda per capita nos pa&iacute;ses emergentes. A amplia&ccedil;&atilde;o da oferta dever&aacute; vir de v&aacute;rias regi&otilde;es. A Uni&atilde;o Europ&eacute;ia contribuir&aacute; com crescimento de 4%; a Austr&aacute;lia, com 7%, Estados Unidos e Canad&aacute;, com no m&aacute;ximo de 15%; R&uacute;ssia, China, &Iacute;ndia e Ucr&acirc;nia, com algo em torno de 27%. A maior parte da contribui&ccedil;&atilde;o dever&aacute; vir do Brasil, com 40% do aumento na produ&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se trata de uma estimativa feita por brasileiros. &Eacute; uma previs&atilde;o de organismos multilaterais respeitados em todo o planeta.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a demanda por biocombust&iacute;veis pode crescer ainda mais, dada a crescente preocupa&ccedil;&atilde;o internacional com as emiss&otilde;es do g&aacute;s carb&ocirc;nico causadas pelos derivados de petr&oacute;leo. Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, Estados Unidos e Jap&atilde;o t&ecirc;m, somados, mais de 60 carros leves por 100 habitantes. Mas a China e &Iacute;ndia, com mais de um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o do planeta, t&ecirc;m menos de tr&ecirc;s carros por 100 habitantes. A China foi o pa&iacute;s que mais comprou autom&oacute;veis no mundo todo nos &uacute;ltimos dois anos. Como chineses e indianos j&aacute; est&atilde;o comendo, embora a renda e a popula&ccedil;&atilde;o crescentes mostrem que a demanda por alimentos dever&aacute; aumentar ainda mais, &eacute; poss&iacute;vel que a necessidade de combust&iacute;veis l&iacute;quidos cres&ccedil;a at&eacute; mais do que isso.<\/p>\n<p>Para completar esse quadro complexo, &eacute; importante destacar que o grande desafio da humanidade no s&eacute;culo XXI &eacute; exatamente compartilhar a melhor explora&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola com o uso adequado dos recursos naturais. &Eacute; a famosa sustentabilidade, palavra de ordem dos tempos modernos, pronunciada milhares de vezes, diaramente, em todos os quadrantes.<\/p>\n<p>O Brasil j&aacute; fez muito nessa rota, porque tem a mais eficiente tecnologia tropical sustent&aacute;vel em sua atividade rural. Os n&uacute;meros s&atilde;o expressivos. Nos &uacute;ltimos 20 anos, a &aacute;rea plantada com gr&atilde;os no pa&iacute;s cresceu 25%, enquanto a produ&ccedil;&atilde;o cresceu 145%. Com isso, foi poss&iacute;vel deixar de desmatar mais de 45 milh&otilde;es de hectares, dado o aumento de produtividade agr&iacute;cola. Nada mais sustent&aacute;vel do que isso.<\/p>\n<p>Com a produ&ccedil;&atilde;o de cana, principal produto para os biocombust&iacute;veis, n&atilde;o foi diferente. Tamb&eacute;m cresceu muito mais em fun&ccedil;&atilde;o do aumento da produtividade que de &aacute;rea plantada. O etanol emite apenas 11% de CO2 emitido pela gasolina, se considerarmos toda a cadeia produtiva da cana, desde seu plantio, segundo dados da Unicamp. N&atilde;o &eacute; por acaso que a Ag&ecirc;ncia Ambiental Americana concedeu ao nosso etanol de cana o galard&atilde;o de &ldquo;amig&aacute;vel&rdquo;. Finalmente, j&aacute; plantamos mais de 6 milh&otilde;es de hectares de florestas no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>As novas tecnologias desenvolvidas no Brasil nos colocaram na vanguarda da sustentabilidade global. &Eacute; o caso da integra&ccedil;&atilde;o lavoura-pecu&aacute;ria-floresta, cuja a &aacute;rea vem crescendo ano ap&oacute;s ano e servindo de modelo a todo mundo tropical. O pr&oacute;prio Minist&eacute;rio da Agricultura, Pecu&aacute;ria e Abastacimento lan&ccedil;ou neste ano um vasto programa chamado Agricultura de Baixo Carbono (ABC), com recursos vultuosos que estimulam produtores rurais a investir nessas novas tecnologias. O recente projeto lan&ccedil;ado pela COP 16 em Canc&uacute;n, pela Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional da Agricultura (CNA), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu&aacute;ria (Embrapa), para viabilizar a preserva&ccedil;&atilde;o dos nossos biomas &eacute; uma demonstra&ccedil;&atilde;o de postura preservacionista de nossos produtores rurais.<\/p>\n<p>O Brasil j&aacute; tem, portanto, um cr&eacute;dito not&aacute;vel de a&ccedil;&otilde;es em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; sustentabilidade, que o credencia a liderar a revolu&ccedil;&atilde;o da biomassa que se avizinha com a chamada &ldquo;economia verde&rdquo;. &Eacute; por isso tamb&eacute;m, que, sem nenhum avan&ccedil;o na Rodada de Doha, da OMC, sem redu&ccedil;&atilde;o alguma do protecionismo dos pa&iacute;ses ricos, estamos avan&ccedil;ando sobre os mercados mundiais. Saltamos de sexto na lista dos maiores produtores para terceiro em apenas oito anos. Em 1999, as exporta&ccedil;&otilde;es do agroneg&oacute;cio eram de US$ 21 bilh&otilde;es; em 2010, devem ter superado os US$ 75 bilh&otilde;es. Pela primeira vez na hist&oacute;ria, os emergentes ocuparam a maior fatia de nossas exporta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Fica claro que j&aacute; estamos dando as respostas que o mundo espera de n&oacute;s &ndash; e podemos fazer mais. Al&eacute;m de tecnologia tropical eficiente, temos mais terra dispon&iacute;vel que qualquer outro pa&iacute;s, al&eacute;m de um agricultor competitivo e capaz, t&eacute;cnica e gerencialmente. Mas precisamos fazer a li&ccedil;&atilde;o de casa para nos encontrar com o destino assinalado pela OCDE e pela FAO. H&aacute; seis temas essenciais.<\/p>\n<p>1.&nbsp;Um programa de renda rural, que inclua o pleno funcionamento do seguro rural, a reforma da legisla&ccedil;&atilde;o de cr&eacute;dito rural e a atualiza&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica de Garantia de Pre&ccedil;os M&iacute;nimos.<\/p>\n<p>2.&nbsp;Transformar em realidade todos os projetos de melhoria da infraestrutura e de log&iacute;stica, um dos nossos maiores gargalos, seja nas obras previstas pelo PAC, seja em programas setoriais como a das ferrovias.<\/p>\n<p>3.&nbsp;Ampliar nossas rela&ccedil;&otilde;es comerciais bilaterais, com pol&iacute;ticas p&uacute;blicas agressivas, promo&ccedil;&atilde;o comercial, acordos privados com as grandes redes de distribui&ccedil;&atilde;o no exterior. Isso nos permitir&aacute; agregar valor &agrave;s nossas mat&eacute;rias-primas; &eacute; claro que s&atilde;o indispens&aacute;veis avan&ccedil;os na encalhada Rodada de Doha, da OMC.<\/p>\n<p>4.&nbsp;Cuidar da defesa sanit&aacute;ria, um gargalo severo.<\/p>\n<p>5.&nbsp;Investir em tecnologia, um setor din&acirc;mico, que exige coordena&ccedil;&atilde;o entre os organismos de pesquisa;<\/p>\n<p>6.&nbsp;Criar uma estrat&eacute;gia de Estado para o agroneg&oacute;cio que envolva todos os &oacute;rg&atilde;os de governo, e n&atilde;o apenas os ligados &agrave; agropecu&aacute;ria.<\/p>\n<p>Em 2011, teremos um novo governo federal, novos governos estaduais e um novo Parlamento. Se todos compreenderem a extens&atilde;o desse cen&aacute;rio favor&aacute;vel, o pa&iacute;s dar&aacute; um salto formid&aacute;vel. Nos pr&oacute;ximos dez anos, o Brasil ampliar&aacute; sua produ&ccedil;&atilde;o rural, agregando valor, gerando milhares de empregos, ampliando as exporta&ccedil;&otilde;es e assumindo papel preponderante, contribuindo, por meio da agroenergia, para uma substancial reforma na geopol&iacute;tica mundial (na medida em que ser&atilde;o os pa&iacute;ses tropicais os grandes supridores dessa novidade). A d&eacute;cada que se inicia em 2011 &eacute; extremamente favor&aacute;vel ao nosso j&aacute; competitivo agroneg&oacute;cio. N&atilde;o temos o direito de perder esse trem.<\/p>\n<p>\n<strong>Roberto Rodrigues &eacute; ex-ministro da Agricultura, coordena o Centro de Agroneg&oacute;cio da FGV, &eacute; presidente do Conselho Superior de Agroneg&oacute;cio da Fiesp e professor de economia rural da Unesp-Jaboticabal.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos 20 anos, a \u00e1rea plantada com gr\u00e3os no pa\u00eds cresceu 25%, enquanto a produ\u00e7\u00e3o cresceu 145%. Com isso, foi poss\u00edvel deixar de desmatar mais de 45 milh\u00f5es de hectares, dado o aumento de produtividade agr\u00edcola (&#8230;). <\/p>\n<p>Saltamos de sexto na lista dos maiores produtores para terceiro em apenas oito anos. Em 1999, as exporta\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio eram de US$ 21 bilh\u00f5es; em 2010, devem ter superado os US$ 75 bilh\u00f5es (&#8230;). <\/p>\n<p>trechos do artigo &#8220;Uma d\u00e9cada essencial&#8221;, do ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, em que analisa as boas chances no mercado mundial de alimentos e bioenergia. Leia a seguir a \u00edntegra do artigo publicado na edi\u00e7\u00e3o desta semana da revista &#8220;\u00c9poca&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35128,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[981],"class_list":["post-9363","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9363","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9363"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9363\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}