{"id":8327,"date":"2010-11-17T00:00:00","date_gmt":"2010-11-17T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/2023\/09\/14\/pontal-do-parana-tera-agencia-da-caixa-economica-confirma-zeca-dirceu\/"},"modified":"2024-12-10T19:28:36","modified_gmt":"2024-12-10T22:28:36","slug":"pontal-do-parana-tera-agencia-da-caixa-economica-confirma-zeca-dirceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/pontal-do-parana-tera-agencia-da-caixa-economica-confirma-zeca-dirceu\/","title":{"rendered":"A frase do dia \u00e9 de Marcio Pochmann, presidente do Ipea"},"content":{"rendered":"<p><strong>Novo padr&atilde;o de mudan&ccedil;a social <\/p>\n<p>Marcio Pochmann<\/p>\n<p><\/strong><em><strong>O terceiro padr&atilde;o de mudan&ccedil;a relaciona-se &agrave; op&ccedil;&atilde;o pelo desenvolvimento da produ&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os e pela defesa do Estado de bem-estar social&nbsp;<br \/>\n<\/strong><\/em><br \/>\nDo final do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek (1956-61) ao segundo governo Lula (2006-10), o Brasil conviveu com tr&ecirc;s distintos padr&otilde;es de mudan&ccedil;as sociais, identificados por um conjunto amplo e profundo de transforma&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas (estruturas produtiva, ocupacional e distributiva) e de reorienta&ccedil;&atilde;o nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas (Estado de bem-estar social).<\/p>\n<p>Ao se considerar a evolu&ccedil;&atilde;o de indicadores-s&iacute;nteses da realidade brasileira, como os da renda per capita nacional e da desigualdade na reparti&ccedil;&atilde;o da renda pessoal, nota-se o ineditismo do momento atual, de conte&uacute;do n&atilde;o esbo&ccedil;ado plenamente no primeiro e no segundo padr&otilde;es de mudan&ccedil;as sociais.<\/p>\n<p>Entre as d&eacute;cadas de 1960 e 1970, o Brasil apresentou o primeiro padr&atilde;o de mudan&ccedil;a social, caracterizado pela forte expans&atilde;o nacional da renda per capita, acompanhada de significativo aumento no grau de desigualdade na reparti&ccedil;&atilde;o da renda pessoal, respons&aacute;vel por brutal diferencia&ccedil;&atilde;o no movimento de mobilidade social.<\/p>\n<p>Na toada do projeto de industrializa&ccedil;&atilde;o nacional, sem planejamento e sem reforma agr&aacute;ria, houve excessiva transi&ccedil;&atilde;o populacional do campo para a cidade. Al&eacute;m do excedente de m&atilde;o de obra gerado nos grandes centros urbanos, o valor real do sal&aacute;rio m&iacute;nimo registrou queda m&eacute;dia anual de 1,6%, diante da eleva&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de 4,6% ao ano do PIB per capita, entre 1960 e 1980.<\/p>\n<p>Mesmo com a presen&ccedil;a da informalidade, a cada ano a ocupa&ccedil;&atilde;o total aumentou 3,1% e a taxa nacional de pobreza decaiu 1,3%, enquanto a escolaridade dos brasileiros passou de 2,1 para 3,9 anos (3,1% de aumento anual) e o grau de desigualdade na renda pessoal cresceu 1%.<\/p>\n<p>Em s&iacute;ntese, um contraste vis&iacute;vel entre a r&aacute;pida eleva&ccedil;&atilde;o da renda nacional por habitante e o forte aumento das iniquidades, especialmente na divis&atilde;o dos frutos do crescimento econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>O segundo padr&atilde;o de mudan&ccedil;a social, ocorrido entre os anos de 1981 e 2003, foi demarcado pela estagna&ccedil;&atilde;o na evolu&ccedil;&atilde;o da renda per capita e no grau de desigualdade na reparti&ccedil;&atilde;o da renda pessoal.<br \/>\nA vig&ecirc;ncia do regime de superinfla&ccedil;&atilde;o (at&eacute; 1994) e de crises econ&ocirc;micas seguidas fez regredir a renda nacional em v&aacute;rios per&iacute;odos (1981-83, 1990-92, 1998-99 e em 2002-03).<\/p>\n<p>Sem a sustenta&ccedil;&atilde;o do crescimento da renda nacional per capita (varia&ccedil;&atilde;o de 0,2% ao ano), o grau de desigualdade praticamente n&atilde;o mudou (varia&ccedil;&atilde;o negativa de 0,1% ao ano), enquanto o desemprego cresceu fortemente (5,6% ao ano) e o valor real do sal&aacute;rio m&iacute;nimo foi reduzido 1,8% ao ano, em m&eacute;dia.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a cada ano a taxa de pobreza caiu apenas 0,8%, e a escolaridade foi ampliada somente em 2,1% (de 3,9 para 6,3 anos). Resumidamente, a interrup&ccedil;&atilde;o da mobilidade social e das oportunidades econ&ocirc;micas.<\/p>\n<p>Desde meados da d&eacute;cada de 2000, percebem-se sinais de novo padr&atilde;o de mudan&ccedil;a social no pa&iacute;s.<br \/>\nEsse terceiro padr&atilde;o possui como caracter&iacute;sticas principais a combina&ccedil;&atilde;o da expans&atilde;o m&eacute;dia anual da renda nacional per capita (de 2,9%) com a queda na desigualdade pessoal da renda (de 1,5%) desde 2004.<\/p>\n<p>Simultaneamente, registra-se a redu&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia anual nas taxas nacionais de desemprego (5,2%) e de pobreza (4,8%), com forte eleva&ccedil;&atilde;o do sal&aacute;rio m&iacute;nimo (7,1%), da ocupa&ccedil;&atilde;o total (3,2%), sobretudo formal, e dos anos de escolaridade (aumento de 3,8%).<\/p>\n<p>Em especial, o novo padr&atilde;o de mudan&ccedil;a social relaciona-se &agrave; op&ccedil;&atilde;o atual pelo desenvolvimento da produ&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os em detrimento da financeiriza&ccedil;&atilde;o da riqueza -como observado nos anos de vig&ecirc;ncia do segundo padr&atilde;o de mudan&ccedil;a social- e pela defesa do Estado de bem-estar social, ausente durante o primeiro padr&atilde;o de mudan&ccedil;a social.<\/p>\n<p><em><strong>Marcio Pochmann,&nbsp;economista, &eacute; presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada) e professor licenciado do Instituto de Economia e do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp. Foi secret&aacute;rio do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade da Prefeitura de S&atilde;o Paulo (gest&atilde;o Marta Suplicy).<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O novo padr\u00e3o de mudan\u00e7a social relaciona-se \u00e0 op\u00e7\u00e3o atual pelo desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os em detrimento da financeiriza\u00e7\u00e3o da riqueza e pela defesa do Estado de bem-estar social&#8221;.<\/p>\n<p>de Marcio Pochmann, presidente do Ipea, no artigo &#8220;Novo padr\u00e3o de mudan\u00e7a social&#8221;, publicado nesta quarta-feira, 17, na Folha de S. Paulo. Leia a seguir, a sua \u00edntegra.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":36289,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[6999],"class_list":["post-8327","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-frase"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8327","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8327"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8327\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8327"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8327"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8327"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}