{"id":8273,"date":"2010-11-14T00:00:00","date_gmt":"2010-11-14T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/2023\/10\/05\/governo-lula-vai-antecipar-aos-estados-e-municipios-repasses-do-fpe-e-fpm-e-das-perdas-do-icms\/"},"modified":"2024-12-10T19:28:59","modified_gmt":"2024-12-10T22:28:59","slug":"governo-lula-vai-antecipar-aos-estados-e-municipios-repasses-do-fpe-e-fpm-e-das-perdas-do-icms","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/governo-lula-vai-antecipar-aos-estados-e-municipios-repasses-do-fpe-e-fpm-e-das-perdas-do-icms\/","title":{"rendered":"Marcos Coimbra explica &#8220;os tons azul&#8221; de Serra no mapa do Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Os tons do azul<\/p>\n<p>por Marcos Coimbra<br \/>\n&nbsp;<\/strong><br \/>\nQuase toda a imprensa usou mapas coloridos nas representa&ccedil;&otilde;es dos resultados da elei&ccedil;&atilde;o presidencial. E, por raz&otilde;es evidentes, foi consenso pintar de vermelho os estados onde Dilma Rousseff ganhou e de azul aqueles em que Jos&eacute; Serra se saiu melhor. <br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&Eacute; um procedimento que ajuda a visualizar o que aconteceu, mas que leva a diversos equ&iacute;vocos. O mais grave &eacute; dar a impress&atilde;o de que fomos &quot;dois Brasis&quot; na elei&ccedil;&atilde;o: na metade- de baixo (Sul, Sudeste e Centro-Oeste), predominando o azul e, na de cima (Nordeste e Norte), o vermelho.<\/p>\n<p>Como todo mundo sabe que a parte azul &eacute; mais rica e moderna e a vermelha mais pobre e atrasada, a impress&atilde;o provocada por mapas desse tipo &eacute; de que o Brasil desenvolvido foi derrotado pelo subdesenvolvido. Se dependesse do primeiro, Serra seria o presidente. Inversamente, dos mapas emerge a conclus&atilde;o de que Dilma venceu &agrave; custa da pobreza.<\/p>\n<p>Mas &eacute; poss&iacute;vel ir adiante nessa cartografia, buscando os matizes de cada cor. Por meio deles podemos identificar os nichos mais t&iacute;picos de cada candidato, os lugares onde o azul &eacute; mais azul e o vermelho mais vermelho. &Eacute; neles que o serrismo e o dilmismo atingiram seu auge e sua ess&ecirc;ncia ficou mais clara.<\/p>\n<p>Os da presidente eleita s&atilde;o f&aacute;ceis de antecipar: Dilma alcan&ccedil;ou seu m&aacute;ximo nos bols&otilde;es de extrema pobreza do interior do Nordeste. L&aacute;, onde o Bolsa Fam&iacute;lia cobre quase toda a popula&ccedil;&atilde;o, ela ultrapassou 90% dos votos, esmagando o advers&aacute;rio.<\/p>\n<p>Que bela e convincente maneira de demonstrar que, quanto maior a pobreza, maior a derrota de Serra, maior a vit&oacute;ria do &quot;paternalismo&quot; sobre a &quot;modernidade&quot;, do analfabeto sobre o educado. O que deixa o quadro menos arrumado e complica a vers&atilde;o f&aacute;cil que empolga os setores conservadores &eacute; que o serrismo tem uma geografia que desafia essa explica&ccedil;&atilde;o. Pois, se o vermelho se acentua de forma previs&iacute;vel, o azul fica mais carregado em lugares inesperados. Em outras palavras, o voto Serra chegou ao &aacute;pice em munic&iacute;pios e regi&otilde;es que de modernos e educados n&atilde;o t&ecirc;m nada.<\/p>\n<p>S&atilde;o v&aacute;rias as explica&ccedil;&otilde;es para o fato de o Acre ter sido o para&iacute;so do serrismo. N&atilde;o foi em S&atilde;o Paulo, onde ningu&eacute;m estranharia que vencesse por larga margem, nem nas partes mais tradicionais do Pa&iacute;s que ele teve sua melhor performance. Foi l&aacute;, longe do &quot;Sul Maravilha&quot;, que Serra obteve mais que o dobro dos votos da petista, venceu em todos os munic&iacute;pios (salvo em Feij&oacute;) e est&aacute; o munic&iacute;pio mais serrista do Brasil, Porto Acre, cidade miser&aacute;vel e de baixos n&iacute;veis de escolaridade, onde suplantou Dilma por uma vantagem amaz&ocirc;nica.<\/p>\n<p>A vers&atilde;o mais corrente &eacute; que o petismo acriano seria respons&aacute;vel pela cat&aacute;strofe. Depois de 12 anos no poder, o eleitorado teria mostrado, pelo voto em Serra, sua insatisfa&ccedil;&atilde;o com os irm&atilde;os Viana e seu grupo. Hipot&eacute;ticas evid&ecirc;ncias s&atilde;o arroladas para sustentar a tese, desde desgastes com o funcionalismo p&uacute;blico estadual a cr&iacute;ticas ao modo como dialogam com a m&iacute;dia.<\/p>\n<p>O problema desse racioc&iacute;nio &eacute; que tanto Ti&atilde;o Viana se elegeu governador quanto Jorge Viana senador. Ou seja, os acrianos teriam se comportado de maneira totalmente esdr&uacute;xula: para protestar contra os dois, os elegeram, mas derrotaram a candidata a presidente que apoiavam. N&atilde;o seria muito mais l&oacute;gico impedir que continuassem a administrar o estado?<\/p>\n<p>Para complicar o &quot;mist&eacute;rio acriano&quot; e colocar sob suspeita as explica&ccedil;&otilde;es localistas, Marina Silva tamb&eacute;m perdeu para Serra, apesar de &quot;filha da terra&quot;. E, em outros estados do &quot;corredor do agroneg&oacute;cio&quot;, houve v&aacute;rios resultados que sugerem que a avalia&ccedil;&atilde;o de quem apoiava Dilma n&atilde;o teve efeito no voto que ela recebeu. Blairo Maggi, por exemplo, foi um dos campe&otilde;es de voto para o Senado, elegeu seu candidato ao governo do Mato Grosso, mas viu Dilma perder.<\/p>\n<p>N&atilde;o foram fatos locais que explicaram o que aconteceu no Acre e nos demais estados vencidos pelo tucano. Tamb&eacute;m n&atilde;o foi uma oposi&ccedil;&atilde;o &quot;Brasil moderno&quot; vs. &quot;Brasil arcaico&quot;, como ilustram amplamente os casos do Acre e de Porto Acre. N&atilde;o foi a educa&ccedil;&atilde;o que deu votos a Serra e a ignor&acirc;ncia a Dilma.<br \/>\nSerra venceu onde venceu por fatores ideol&oacute;gicos (exce&ccedil;&atilde;o de S&atilde;o Paulo, onde o bairrismo teve influ&ecirc;ncia). N&atilde;o foi um voto explicado pela sociologia (ou a geografia), mas pela pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>No Brasil inteiro, foi basicamente o eleitor antipetista, em muitos casos anticonservacionista, anti-indigenista e &quot;antimovimentos sociais&quot;, a favor da &quot;agenda moral&quot; e dos &quot;valores tradicionais&quot; que votou em Serra. Foi o eleitor de direita. No Sul e no Centro-Oeste, chegando ao Acre e a Roraima, ele era maioria, ainda que pequena. Por isso, Serra venceu nessas regi&otilde;es. E perdeu no Pa&iacute;s, onde esse voto &eacute; minoria.<\/p>\n<p>O predom&iacute;nio do voto de direita no Acre &eacute; algo que merece estudo. Mas o certo &eacute; que Ti&atilde;o e Jorge Viana est&atilde;o de parab&eacute;ns pela vit&oacute;ria que tiveram em um estado que se inclinou tanto nessa dire&ccedil;&atilde;o. Sua vota&ccedil;&atilde;o mostra que, apesar disso, o eleitorado do Acre reconhece o trabalho que fizeram em benef&iacute;cio do estado. <br \/>\n<strong><br \/>\nMarcos Coimbra &eacute; diretor do Instituto Vox Populi.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o foi a educa\u00e7\u00e3o que deu votos a Serra e a ignor\u00e2ncia a Dilma.<br \/>\nSerra venceu onde venceu por fatores ideol\u00f3gicos (exce\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo, onde o bairrismo teve influ\u00eancia). N\u00e3o foi um voto explicado pela sociologia (ou a geografia), mas pela pol\u00edtica.<\/p>\n<p>No Brasil inteiro, foi basicamente o eleitor antipetista, em muitos casos anticonservacionista, anti-indigenista e &#8220;antimovimentos sociais&#8221;, a favor da &#8220;agenda moral&#8221; e dos &#8220;valores tradicionais&#8221; que votou em Serra. Foi o eleitor de direita. <\/p>\n<p>Trecho do artigo &#8220;Os tons do azul&#8221;, de Marcos Coimbra. Leia a sua \u00edntegra a seguir.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":36353,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[6894],"class_list":["post-8273","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-frase-do-dia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8273\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36353"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}