{"id":8241,"date":"2010-11-13T00:00:00","date_gmt":"2010-11-13T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/2023\/10\/23\/zeca-dirceu-alerta-para-novos-prazos-dos-planos-municipais-de-mobilidade-urbana\/"},"modified":"2024-12-10T19:29:08","modified_gmt":"2024-12-10T22:29:08","slug":"zeca-dirceu-alerta-para-novos-prazos-dos-planos-municipais-de-mobilidade-urbana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/zeca-dirceu-alerta-para-novos-prazos-dos-planos-municipais-de-mobilidade-urbana\/","title":{"rendered":"A frase do dia \u00e9 Gilberto Maringoni"},"content":{"rendered":"<p><strong>A m&iacute;dia e a agenda do novo governo<\/strong><\/p>\n<p><em>Ningu&eacute;m quer tolher a livre circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es e impor a censura. A n&atilde;o ser a grande m&iacute;dia brasileira, que tenta a todo custo, sufocar e colocar uma morda&ccedil;a esse saud&aacute;vel debate que n&atilde;o tem como ser interrompido. <\/em><\/p>\n<p><em><strong>Gilberto Maringoni<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Muito mais do que a candidatura Jos&eacute; Serra e sua coaliz&atilde;o demotucana, a derrotada destas elei&ccedil;&otilde;es foi a grande m&iacute;dia. Ou o verdadeiro partido de oposi&ccedil;&atilde;o no Brasil. N&atilde;o falamos aqui de intrincados conceitos gramscianos, mas das reflex&otilde;es de Judith Brito, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornais (ANJ). Segundo ela, &agrave; falta de uma oposi&ccedil;&atilde;o estruturada no pa&iacute;s, a imprensa deve cumprir tal papel. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que sustentou Jos&eacute; Serra desde o primeiro momento.<\/p>\n<p>Pois a m&iacute;dia brasileira, mesmo derrotada, n&atilde;o passa recibo. J&aacute; est&aacute; de armas e bagagens empenhada no terceiro turno: a defini&ccedil;&atilde;o da agenda do governo Dilma.<\/p>\n<p>Logo no domingo &agrave; noite, mal anunciados os resultados eleitorais, comentaristas revezavam-se diante de c&acirc;meras e microfones para alertar o pa&iacute;s sobre a necessidade de um duro ajuste fiscal, de uma reforma da Previd&ecirc;ncia, de restri&ccedil;&otilde;es a reajustes salariais e de redu&ccedil;&atilde;o da &ldquo;gastan&ccedil;a&rdquo; governamental. Um saco de maldades estaria &agrave; caminho.<\/p>\n<p><strong>Iniciativa perdida<\/strong><\/p>\n<p>A imprensa brasileira tenta retomar a iniciativa pol&iacute;tica, perdida nos &uacute;ltimos anos. Apostou contra os interesses nacionais nos enfrentamentos que o Brasil teve na pol&iacute;tica externa, tentou desmoralizar o presidente da Rep&uacute;blica e demonizar demandas populares. Ela est&aacute; no seu direito. A novidade &eacute; que agora a m&iacute;dia enfrenta n&atilde;o apenas uma dissemina&ccedil;&atilde;o infind&aacute;vel de pequenos concorrentes pela internet, mas uma repulsa nacional &agrave;s diretrizes liberais e privatistas que apoiou em tempos recentes.<\/p>\n<p>A imprensa &eacute; personagem das disputas pol&iacute;ticas. Mais importante do que &ldquo;fazer a cabe&ccedil;a das pessoas&rdquo;, ela busca apontar os assuntos sobre os quais as pessoas devem pensar. Essa &eacute; a base da Teoria do Agendamento &ndash; ou &ldquo;Agenda setting&rdquo;, em bom portugu&ecirc;s &ndash; formulada nos anos 1970 por dois pesquisadores norteamericanos, Maxwell Mc Combs e Donald Shaw. Funciona mais ou menos assim: uma hora &eacute; o mensal&atilde;o, outra &eacute; o suposto caso do vazamento de dados, mais adiante s&atilde;o as pol&ecirc;micas religiosas e por a&iacute; vai. S&atilde;o firulas do varejo pol&iacute;tico pr&eacute; eleitoral. O que faziam anteriormente era estabelecer as normas do grande debate de rumos para o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>O mecanismo funcionou bem at&eacute; 2006. No primeiro mandato de Lula, com a inestim&aacute;vel colabora&ccedil;&atilde;o de setores ultraliberais do governo, representados pelos ministros Antonio Palocci, Paulo Bernardo e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a m&iacute;dia e os setores por ela articulados impuseram uma grande pauta continu&iacute;sta. Com a situa&ccedil;&atilde;o de desarranjo geral na economia, legado pelo governo FHC, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o viram suas diretrizes vencerem ao longo de quase todo o primeiro quadri&ecirc;nio petista, a ponto de o ajuste fiscal realizado em 2003 ter sido o mais duro desde 1990.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a crise pol&iacute;tica de 2005 e com uma evidente melhoria no quadro internacional, dois postos-chave da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica foram mudados, a Fazenda e a Casa Civil. Assumiram suas cadeiras Guido Mantega e Dilma Rousseff. Aos poucos saiu de cena a pauta liberal e tomou corpo uma orienta&ccedil;&atilde;o desenvolvimentista, cujo primeiro esbo&ccedil;o foram os maci&ccedil;os investimentos estatais sintetizados na primeira vers&atilde;o do PAC. Uma nova agenda ent&atilde;o se consolidou, a do desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>Quem d&aacute; o tom<\/strong><\/p>\n<p>Agendas pol&iacute;ticas n&atilde;o s&atilde;o estipuladas apenas pelos governos, mas fazem parte da disputa pela hegemonia na sociedade. Imp&otilde;e agenda quem tem for&ccedil;a e iniciativa pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>Assim, a pauta do in&iacute;cio dos anos 1980 n&atilde;o foi obra da ditadura, que vivia seus estertores. A orienta&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica tomou corpo de fora para dentro do governo, pelos partidos de oposi&ccedil;&atilde;o e pelos movimentos sociais, que exigiam o fim do regime de exce&ccedil;&atilde;o. Da mesma forma, na segunda metade daquela d&eacute;cada, a discuss&atilde;o central tinha como eixo norteador a quest&atilde;o do Estado.<\/p>\n<p>Os embates oriundos da sociedade se cristalizaram na Assembleia Constituinte, em 1988, ap&oacute;s acirradas contendas realizadas na fase terminal dos governos militares e no ep&iacute;logo do longo ciclo desenvolvimentista, observado entre 1930 e 1980.<\/p>\n<p>A partir de 1990, com as vit&oacute;rias de Fernando Collor e de Fernando Henrique, a agenda foi imposta a partir de cima. Com um pa&iacute;s traumatizado por quase uma d&eacute;cada de infla&ccedil;&atilde;o descontrolada, a estabilidade ganhou o centro do palco, tendo como decorr&ecirc;ncia uma redefini&ccedil;&atilde;o do papel do Estado, via privatiza&ccedil;&otilde;es e financeiriza&ccedil;&atilde;o da economia.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria posterior &eacute; conhecida. O modelo liberal se esgotou em 2005.<\/p>\n<p>O desenvolvimentismo destes &uacute;ltimos cinco anos foi marcado por uma forte caracter&iacute;stica social. Na maior parte da Am&eacute;rica do Sul se deu algo semelhante. A erradica&ccedil;&atilde;o da pobreza ganhou relev&acirc;ncia.<\/p>\n<p><strong>Nova d&eacute;cada<\/strong><\/p>\n<p>Qual seria uma agenda vi&aacute;vel para esta nova d&eacute;cada, que fortaleceria a organiza&ccedil;&atilde;o da sociedade e suplantaria os interesses das elites, vocalizadas pela m&iacute;dia?<\/p>\n<p>H&aacute; v&aacute;rias. Um ponto parece ter maioria na coaliz&atilde;o da presidenta Dilma Rousseff: o desenvolvimento continua. Mas h&aacute; um fator que precisa tamb&eacute;m estar no centro dos debates: o papel das comunica&ccedil;&otilde;es em nossa sociedade.<\/p>\n<p>A pergunta &eacute;: h&aacute; possibilidade de o Brasil construir um projeto nacional e democr&aacute;tico de desenvolvimento com uma ind&uacute;stria midi&aacute;tica antidemocr&aacute;tica, elitista, excludente e monopolizada, que tenta se legitimar como esfera p&uacute;blica e l&oacute;cus essencial da defini&ccedil;&atilde;o de rumos para o pa&iacute;s?<\/p>\n<p>As entidades populares, os partidos democr&aacute;ticos e incont&aacute;veis ativistas sociais j&aacute; t&ecirc;m um ponto de partida para entrarem nessa conversa. Trata-se das resolu&ccedil;&otilde;es da I Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, realizada em dezembro de 2009. Um tento hist&oacute;rico! Algumas das bandeiras l&aacute; definidas come&ccedil;am a se tornar realidade. Assembleias Legislativas de v&aacute;rios estados come&ccedil;am a construir Conselhos Estaduais de Comunica&ccedil;&atilde;o. O governo Lula deu in&iacute;cio ao Plano Nacional de Banda Larga para fazer frente &agrave; falta de investimentos das empresas privadas do setor. O IPEA realizar&aacute;, no final de novembro, em Bras&iacute;lia, a Confer&ecirc;ncia do Desenvolvimento, na qual o tema comunica&ccedil;&atilde;o ter&aacute; espa&ccedil;o destacado (ver em <a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\">www.ipea.gov.br<\/a>).<\/p>\n<p>Ningu&eacute;m quer tolher a livre circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es e impor a censura. A n&atilde;o ser a grande m&iacute;dia brasileira, que tenta a todo custo, sufocar e colocar uma morda&ccedil;a esse saud&aacute;vel debate que n&atilde;o tem como ser interrompido.<\/p>\n<p><em>Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, &eacute; doutor em Hist&oacute;ria pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP) e autor de &ldquo;A Venezuela que se inventa &ndash; poder, petr&oacute;leo e intriga nos tempos de Ch&aacute;vez&rdquo; (Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo).<\/em><\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Pois a m\u00eddia brasileira, mesmo derrotada, n\u00e3o passa recibo. J\u00e1 est\u00e1 de armas e bagagens empenhada no terceiro turno: a defini\u00e7\u00e3o da agenda do governo Dilma&#8221;.<\/p>\n<p>de Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, no artigo &#8220;A m\u00eddia e a agenda do novo governo&#8221; publicado no www.cartamaior.com.br. Leia a seguir o artigo na \u00edntegra.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":36385,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[6999],"class_list":["post-8241","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-frase"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8241","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8241"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8241\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36385"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}