{"id":44119,"date":"2026-03-06T10:00:00","date_gmt":"2026-03-06T13:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/?p=44119"},"modified":"2026-07-25T18:04:34","modified_gmt":"2026-07-25T21:04:34","slug":"o-petroleo-brasileiro-do-seculo-xxi-dados-como-bem-publico-e-soberania-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/o-petroleo-brasileiro-do-seculo-xxi-dados-como-bem-publico-e-soberania-nacional\/","title":{"rendered":"O Petr\u00f3leo Brasileiro do S\u00e9culo XXI: Dados como Bem P\u00fablico e Soberania Nacional"},"content":{"rendered":"<p>Por Zeca Dirceu *<\/p>\n<p>O Brasil vive hoje o que especialistas chamam de &#8220;paradoxo informacional&#8221;. Enquanto plataformas transnacionais mapeiam cada passo, compra e batimento card\u00edaco dos brasileiros em tempo real, o Estado, embora altamente informatizado, permanece, em grande medida, &#8220;cego&#8221; ou deficit\u00e1rio nas tecnologias e infraestruturas de processamento de dados para a tomada de decis\u00e3o p\u00fablica, tentando gerir a complexidade de 2026 com ferramentas estat\u00edsticas do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>Recentemente, os pesquisadores James G\u00f6rgen e Marcio Pochmann trouxeram uma provoca\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria sobre o tema: a urg\u00eancia de tratarmos os dados como um bem p\u00fablico atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de Data Trusts (Fideicomissos de Dados). Eu vou al\u00e9m: precisamos transformar essa proposta em uma Infraestrutura Digital P\u00fablica de Estado, unindo a academia e o setor p\u00fablico para garantir nossa soberania.<\/p>\n<p>Como cientista da computa\u00e7\u00e3o e o \u00fanico deputado do Paran\u00e1 a completar 16 anos de atua\u00e7\u00e3o ininterrupta na Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o, vejo que o \u201cn\u00f3 g\u00f3rdio&#8221; do desenvolvimento brasileiro n\u00e3o \u00e9 a falta de dados, mas a nossa incapacidade de process\u00e1-los com autonomia. Hoje, somos exportadores de dados brutos e importadores de intelig\u00eancia processada. Esse \u00e9 o novo colonialismo digital, e combat\u00ea-lo exige coragem pol\u00edtica e rigor t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>A proposta de criar estruturas neutras para gerir dados em setores como sa\u00fade, mobilidade e seguran\u00e7a alimentar \u00e9 brilhante, mas esbarra no eterno ceticismo sobre o custo de infraestrutura e a capacidade t\u00e9cnica do setor p\u00fablico.<\/p>\n<p>A soberania digital, da qual depende a soberania nacional na era informacional, exige autodetermina\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e tamb\u00e9m informacional, isto \u00e9, controle sobre nossas informa\u00e7\u00f5es e sobre as tecnologias que as processam. E isso envolve controle sobre tr\u00eas aspectos digitais: i. sobre conjunto de dados nacionais; ii. sobre algoritmos, os quais devem ser treinados com crit\u00e9rios de interesse p\u00fablico &#8211; dispensando a opacidade e os crit\u00e9rios comerciais de grandes conglomerados privados; e iii. sobre infraestrutura digital pr\u00f3pria &#8211; e isso inclui softwares e hardwares nacionais. \u00c9 aqui que minha trajet\u00f3ria na Vice-Presid\u00eancia da Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o e na Comiss\u00e3o Especial de IA permite apontar a solu\u00e7\u00e3o que est\u00e1 diante de nossos olhos: a pot\u00eancia das nossas universidades.<\/p>\n<p>N\u00e3o precisamos apenas de servidores bilion\u00e1rios; precisamos de c\u00e9rebros. E o Estado brasileiro j\u00e1 investe neles. Possu\u00edmos uma rede de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o vibrante, com mestrandos e doutorandos financiados por bolsas da CAPES e do CNPq que s\u00e3o verdadeiros centros de excel\u00eancia em ci\u00eancia de dados, criptografia e intelig\u00eancia artificial. Minha proposta \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de um modelo de Resid\u00eancia Tecnol\u00f3gica em Dados P\u00fablicos.<\/p>\n<p>Imagine nossos pesquisadores de alto n\u00edvel atuando nos laborat\u00f3rios de universidades federais e estaduais \u2014 das pot\u00eancias do meu Paran\u00e1 aos centros de excel\u00eancia de todo o pa\u00eds \u2014 processando de forma an\u00f4nima e segura os dados, com padr\u00f5es de interoperabilidade que favorecem a efici\u00eancia do Estado e a simplifica\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos, e, a partir deles, desenvolvendo centros de dados, softwares de processamento, modelos de intelig\u00eancia artificial e toda a infraestrutura e capacidade para a inova\u00e7\u00e3o e desenvolvimento no pa\u00eds, que orientar\u00e3o o pr\u00f3ximo Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o ou a distribui\u00e7\u00e3o de microcr\u00e9dito. Isso reduz drasticamente o custo operacional do Estado, ao mesmo tempo em que oferece aos nossos acad\u00eamicos desafios reais e patri\u00f3ticos, combatendo a cr\u00f4nica &#8220;fuga de c\u00e9rebros&#8221;.<\/p>\n<p>A infraestrutura para isso n\u00e3o deve ser um \u201cmonolito centralizado&#8221;, vulner\u00e1vel a ataques e politicamente fr\u00e1gil. Como membro da Comiss\u00e3o de IA, defendo uma arquitetura de Data Mesh (malha de dados) descentralizada, onde universidades e \u00f3rg\u00e3os setoriais funcionem como n\u00f3s de processamento integrados. \u00c9 um modelo mais seguro, mais barato e imensamente mais democr\u00e1tico. E um modelo que aponta o Brasil em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 autonomia tecnol\u00f3gica, soberania e desenvolvimento econ\u00f4mico e social.<\/p>\n<p>O chamado que fa\u00e7o ao governo, \u00e0 academia e \u00e0 sociedade \u00e9 claro: n\u00e3o podemos permitir que a intelig\u00eancia sobre o povo brasileiro seja propriedade exclusiva de corpora\u00e7\u00f5es estrangeiras. Ao dialogar com a tese de G\u00f6rgen e Pochmann, refor\u00e7o que o caminho para o &#8220;censo em tempo real&#8221; e para uma economia da informa\u00e7\u00e3o justa passa, obrigatoriamente, pela educa\u00e7\u00e3o e pela ci\u00eancia nacional.<\/p>\n<p>O futuro do Brasil n\u00e3o ser\u00e1 escrito apenas com votos, mas com algoritmos soberanos e dados a servi\u00e7o da cidadania. Temos a t\u00e9cnica, temos as mentes e, agora, temos a urg\u00eancia.<\/p>\n<p>() *Zeca Dirceu \u00e9 deputado federal pelo Paran\u00e1, vice-Presidente da Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o, Membro da Comiss\u00e3o Especial de IA e Cientista da Computa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Publicado originalmente no portal Congresso Em Foco. https:\/\/www.congressoemfoco.com.br\/artigo\/117000\/o-petroleo-brasileiro-do-seculo-xxi?s=WA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Assessoria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":44120,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-44119","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44119"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44119\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":44121,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44119\/revisions\/44121"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/44120"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}