{"id":42397,"date":"2010-08-22T00:00:00","date_gmt":"2010-08-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/os-irmaos-paranaenses-que-cuidam-da-bolsa-familia-e-do-presidente-lula\/"},"modified":"2010-08-22T00:00:00","modified_gmt":"2010-08-22T03:00:00","slug":"os-irmaos-paranaenses-que-cuidam-da-bolsa-familia-e-do-presidente-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/os-irmaos-paranaenses-que-cuidam-da-bolsa-familia-e-do-presidente-lula\/","title":{"rendered":"Os irm\u00e3os paranaenses que cuidam da Bolsa Fam\u00edlia e do presidente Lula"},"content":{"rendered":"<p><strong>Bras&iacute;lia em fam&iacute;lia<\/p>\n<p><\/strong><em><strong>A trajet&oacute;ria de M&aacute;rcia Lopes e Gilberto Carvalho, os irm&atilde;os paranaenses que cuidam hoje das duas &ldquo;joias&rdquo; da gest&atilde;o petista no governo federal<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Andr&eacute; Gon&ccedil;alves, correspondente<\/strong><\/em><strong> <br \/>\n<\/strong><br \/>\nUma cuida do Bolsa Fam&iacute;lia. O outro, do pr&oacute;prio Lula. Na reta final do atual governo, as duas &ldquo;joias&rdquo; da gest&atilde;o petista est&atilde;o sob responsabilidade dos irm&atilde;os paranaenses M&aacute;rcia Lopes, ministra do Desenvolvimento Social e Combate &agrave; Fome, e Gilberto Carvalho, chefe do gabinete da Presid&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Ela est&aacute; no cargo desde abril, enquanto ele permanece como escudeiro do presidente desde a campanha presidencial de 2002. Nas &uacute;ltimas quatro d&eacute;cadas, por&eacute;m, a hist&oacute;ria de ambos se cruzou poucas vezes at&eacute; o reencontro em Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p>Apesar de n&atilde;o ser t&atilde;o incomum &ndash; vide o caso dos senadores Alvaro e Osmar Dias &ndash;, a trajet&oacute;ria dos irm&atilde;os chama a aten&ccedil;&atilde;o. E diz muito sobre as ra&iacute;zes do PT no Paran&aacute;.<\/p>\n<p>Marcia, 53 anos, e Gilberto, 59, s&atilde;o filhos de pioneiros humildes que desembarcaram em Londrina em 1938 (dois anos depois da funda&ccedil;&atilde;o da cidade), vindos do interior de S&atilde;o Paulo. O pai foi vendedor de sapatos, gar&ccedil;om e no Natal fazia bico como Papai Noel. A m&atilde;e vendia marmitas e puxou os quatro filhos para a igreja.<\/p>\n<p><strong>Da favela ao Planalto<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; no catolicismo que come&ccedil;a a hist&oacute;ria pol&iacute;tica da fam&iacute;lia. Os dois filhos mais velhos seguiram a vida religiosa. Marilena, que faleceu aos 47 anos, foi freira. Gilberto saiu de casa aos 11 anos para o semin&aacute;rio e, em vez de virar o padre bonach&atilde;o que todos esperavam, foi parar no Pal&aacute;cio do Planalto.<\/p>\n<p>Primeiro, fez noviciado em Corn&eacute;lio Proc&oacute;pio (Norte Pioneiro) e ent&atilde;o mudou-se para Curitiba, onde terminaria a educa&ccedil;&atilde;o religiosa. Na capital, formou-se em Filosofia pela Universidade Federal do Paran&aacute; e come&ccedil;ou a estudar Teologia na Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica.<\/p>\n<p>No segundo ano do curso, descobriu que estava no caminho errado. Gilberto era membro da congrega&ccedil;&atilde;o palotina, grupo conservador de origem alem&atilde;. No come&ccedil;o dos anos 1970, entretanto, aderiu &agrave; tese de que os cat&oacute;licos deveriam optar preferencialmente pelos pobres, cerne da Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o. Desentendeu-se com os palotinos, abandonou a universidade e partiu voluntariamente para viver na mis&eacute;ria.<\/p>\n<p>Em 1976, foi morar na antiga favela da Vila S&atilde;o Paulo, no Uberaba, desalojada posteriormente devido &agrave; urbaniza&ccedil;&atilde;o do Rio Bel&eacute;m. Pouco antes, foi trabalhar como oper&aacute;rio n&atilde;o qualificado na companhia de pl&aacute;sticos Provid&ecirc;ncia. Vivia com um sal&aacute;rio m&iacute;nimo por m&ecirc;s.<\/p>\n<p>&ldquo;Na verdade, queria ser lixeiro. Quanto mais na base da pir&acirc;mide social, melhor. Mas meu corpo n&atilde;o aguentava a correria&rdquo;, lembra o &ldquo;Baixinho&rdquo;, como &eacute; chamado por Lula, ao se referir ao trabalho de catar o lixo. A inspira&ccedil;&atilde;o era padre Alfredinho, su&iacute;&ccedil;o que ganhou fama por viver em comunidades miser&aacute;veis do Norte do pa&iacute;s. A admira&ccedil;&atilde;o permanece &ndash; Gilberto mant&eacute;m uma foto do religioso na antessala do gabinete presidencial.<\/p>\n<p>Em pouco tempo o abismo entre a realidade social brasileira e a atua&ccedil;&atilde;o formal da Igreja o fez desistir de ser padre. &ldquo;Mas eu nunca perdi a f&eacute;&rdquo;, afirma. Na favela, conheceu a primeira mulher, que era professora volunt&aacute;ria, e com ela teve tr&ecirc;s filhos (Gilberto ainda adotou outros dois no segundo casamento).<\/p>\n<p>Na virada para a d&eacute;cada de 80, ingressou no movimento sindical e, por tabela, conheceu Lula. A conviv&ecirc;ncia desembocou na funda&ccedil;&atilde;o do Partido dos Trabalhadores. &ldquo;A origem do PT era um neg&oacute;cio t&atilde;o rudimentar no Paran&aacute; que eu ia para as cidades que n&atilde;o conhecia para bater de porta em porta e tentar fazer filia&ccedil;&otilde;es. Eu era como um vendedor de Avon.&rdquo; Em 1986, Gilberto concorreu a deputado federal e fez 25 mil votos. N&atilde;o se elegeu por causa da legenda &ndash; que n&atilde;o fez votos suficientes.<\/p>\n<p>Depois, presidiu o partido no estado por quatro anos e concorreu a vice-prefeito de Curitiba na chapa de Claus Germer, em 1988. Convocado por Lula, deixou o estado de vez para tocar em S&atilde;o Paulo o Instituto Cajamar, ber&ccedil;o da Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, que cuida da forma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos petistas. Galgou outros cargos no partido, como o de secret&aacute;rio nacional de Co&shy;&shy;munica&ccedil;&atilde;o, at&eacute; que, em 2002, foi assessorar Lula na quarta tentativa de ser presidente.<\/p>\n<p>Com a vit&oacute;ria, permaneceu como o &ldquo;faz-tudo&rdquo; do Pal&aacute;cio do Planalto. &ldquo;Sou o respons&aacute;vel pelo meio de campo entre Lula e todo mundo&rdquo;, explica. Cotado para ser presidente do partido no come&ccedil;o do ano, foi logo vetado pelo chefe. &ldquo;Ele quis que eu ficasse aqui at&eacute; o final do mandato. N&atilde;o quer que o governo baixe o ritmo.&rdquo;<\/p>\n<p>Gra&ccedil;as &agrave; op&ccedil;&atilde;o, viu de perto a irm&atilde; virar ministra.<\/p>\n<p><strong>De &ldquo;boneca viva&rdquo; a ministra<\/strong><\/p>\n<p>Ao come&ccedil;ar a falar sobre a pr&oacute;pria vida, a ministra do Desenvolvimento Social Marcia Lopes, frisa: &ldquo;Adoro um discurso&rdquo;. Lembra que estreou na pol&iacute;tica aos 5 anos, quando ganhou o pr&ecirc;mio de &ldquo;Boneca Viva&rdquo; da par&oacute;quia &ndash; concurso comum no interior, no qual as meninas disputavam um t&iacute;tulo de beleza, mas que geralmente era vencido por aquela que vendia mais rifas que as concorrentes.<\/p>\n<p>Mais velha, Marcia costumava acompanhar a m&atilde;e em visitas &agrave; pris&atilde;o, onde oferecia p&atilde;o-doce e rezava o ter&ccedil;o com os detentos. &ldquo;Sempre foi uma preocupa&ccedil;&atilde;o muito grande dos meus pais que tiv&eacute;ssemos esp&iacute;rito comunit&aacute;rio.&rdquo;<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m influenciada pela m&atilde;e, come&ccedil;ou a dar aulas de catequese aos 17 anos. Na &eacute;poca, fazia ao mesmo tempo pol&iacute;tica n&atilde;o partid&aacute;ria na par&oacute;quia, no grupo de jovens, no gr&ecirc;mio estudantil &ndash; em qualquer lugar. Somou todas as experi&ecirc;ncias e foi fazer o curso de Servi&ccedil;o Social na Universidade Estadual de Londrina (UEL).<\/p>\n<p>Seguiu no mesmo ritmo, no centro acad&ecirc;mico e, j&aacute; formada, no sindicato da categoria. Gra&ccedil;as ao irm&atilde;o, aderiu &agrave; Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o. Mas nunca pensou em ser freira &ndash; casou-se cedo e teve quatro filhos.<\/p>\n<p>Logo depois de formada, tornou-se professora da UEL. Tamb&eacute;m ajudou na funda&ccedil;&atilde;o e estrutura&ccedil;&atilde;o do PT no Paran&aacute;. Mas s&oacute; entrou na pol&iacute;tica para valer em 1993, quando foi secret&aacute;ria municipal de Assist&ecirc;ncia Social de Londrina, durante a gest&atilde;o do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida. No cargo, trocou experi&ecirc;ncias com o prefeitura de Belo Horizonte na &eacute;poca, Patrus Ananias.<\/p>\n<p>Em 2000, elegeu-se vereadora de Londrina. No fim do mandato, em 2004, foi convidada para ser secret&aacute;ria nacional de Assist&ecirc;ncia Social do Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Social. Em pouco tempo, virou bra&ccedil;o-direito do ent&atilde;o ministro Ananias.<\/p>\n<p>Com saudades da fam&iacute;lia, voltou para a Londrina e para a UEL em 2008. &ldquo;Al&eacute;m de sentir falta dos filhos, ela saiu do minist&eacute;rio porque se enrolou toda pagando passagem de avi&atilde;o&rdquo;, conta o irm&atilde;o, Gilberto. O ex&iacute;lio acabou em mar&ccedil;o, quando Ananias deixou o governo e convenceu Lula a coloc&aacute;-la na vaga.<\/p>\n<p>O irm&atilde;o, a pessoa mais pr&oacute;xima do presidente nos &uacute;ltimos 7 anos e meio nega ter feito lobby familiar. &ldquo;S&oacute; fui saber do convite para ela assumir o minist&eacute;rio depois que j&aacute; tinha sido feito e aceito.&rdquo;<\/p>\n<p>Sobre o futuro, nenhum dos dois &eacute; enf&aacute;tico &ndash; tudo depende da elei&ccedil;&atilde;o de outubro. O fato &eacute; que Lula deixar&aacute; a Presid&ecirc;ncia e quase certamente sair&aacute; de cena. Mas o Bolsa Fam&iacute;lia, segundo todos os presidenci&aacute;veis, seguir&aacute; em frente. S&oacute; falta saber nas m&atilde;os de quem.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma cuida do Bolsa Fam\u00edlia. O outro, do pr\u00f3prio Lula. Na reta final do atual governo, as duas \u201cjoias\u201d da gest\u00e3o petista est\u00e3o sob responsabilidade dos irm\u00e3os paranaenses M\u00e1rcia Lopes, ministra do Desenvolvimento Social e Combate \u00e0 Fome, e Gilberto Carvalho, chefe do gabinete da Presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Ela est\u00e1 no cargo desde abril, enquanto ele permanece como escudeiro do presidente desde a campanha presidencial de 2002. 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