{"id":41928,"date":"2010-04-22T00:00:00","date_gmt":"2010-04-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/leia-o-artigo-compromisso-com-o-futuro-de-dilma-rousseff\/"},"modified":"2010-04-22T00:00:00","modified_gmt":"2010-04-22T03:00:00","slug":"leia-o-artigo-compromisso-com-o-futuro-de-dilma-rousseff","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/leia-o-artigo-compromisso-com-o-futuro-de-dilma-rousseff\/","title":{"rendered":"Leia o artigo \u201cCompromisso com o futuro\u201d \u2013 de Dilma Rousseff"},"content":{"rendered":"<p><strong>&ldquo;Compromisso com o futuro&rdquo;<\/p>\n<p>Dilma Rousseff*<\/strong><\/p>\n<p>Protagonista de um extraordin&aacute;rio enredo de progresso e amadurecimento, o Brasil est&aacute; diante de um desafio imposto a poucos pa&iacute;ses. Manter a rota virtuosa tra&ccedil;ada nos &uacute;ltimos anos ou p&ocirc;r um freio &agrave;s recentes conquistas sociais e econ&ocirc;micas? Promover o salto ainda maior, esperado por uma popula&ccedil;&atilde;o que voltou a sonhar alto, ou retroceder aos passos lentos e sofr&iacute;veis das duas d&eacute;cadas anteriores? Os que me conhecem sabem que, diante dessas indaga&ccedil;&otilde;es, eu fico com as primeiras respostas.<\/p>\n<p>N&atilde;o se trata de ver o pa&iacute;s como uma escala bin&aacute;ria entre o certo e o errado, entre o bom e o mau, entre o bonito e o feio. Trata-se de reconhecer a vitalidade de um momento definidor dos rumos do Brasil. H&aacute; vinte anos batendo &agrave;s portas do clube dos pa&iacute;ses desenvolvidos, estamos a um passo de atravessar o seu umbral. Com estabilidade. Sem sobressaltos.<\/p>\n<p>Poucas na&ccedil;&otilde;es tiveram a oportunidade posta &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do Brasil. Estamos diante de uma vers&atilde;o nacional do Tratado de Kanagawa, firmado entre Jap&atilde;o e Estados Unidos, em 1854, que permitiu aos japoneses iniciar a grande virada em sua industrializa&ccedil;&atilde;o. Ou algo como a etapa seguinte &agrave; Guerra da Secess&atilde;o nos Estados Unidos, quando norte-americanos se viram sob o ac&uacute;mulo crescente de capital, expans&atilde;o territorial e revolu&ccedil;&atilde;o nos transportes, a ponto de ultrapassarem os brit&acirc;nicos como a maior economia mundial. Talvez haja semelhan&ccedil;a com o passo fundamental das reformas chinesas, iniciadas ao fim da d&eacute;cada de 1970 por Deng Xiaoping, que impulsionaram a arrancada capaz de trazer &agrave; China a marca do gigante.<\/p>\n<p>Resguardadas as circunst&acirc;ncias hist&oacute;ricas espec&iacute;ficas de cada trajet&oacute;ria de desenvolvimento, o Brasil vive o seu momento. Sem se resignar &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de c&oacute;pia melhorada, mera reprodu&ccedil;&atilde;o de modelos importados, est&aacute; construindo sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria, a partir das suas necessidades, singularidades e esperan&ccedil;as. Buscamos enterrar, de uma vez por todas, uma marca que se repetia de maneira exasperante: a enorme dist&acirc;ncia entre o falar e o fazer, entre o discurso e a realidade.<\/p>\n<p>A gigantesca incorpora&ccedil;&atilde;o de grandes contingentes do povo ao mercado de consumo, por via do controle da infla&ccedil;&atilde;o, das pol&iacute;ticas sociais agressivas e da distribui&ccedil;&atilde;o de renda, mostra que &eacute; hora de deixar o passado onde ele deve estar: para tr&aacute;s. Do mesmo modo, pode-se citar o fato de que, no governo Lula, do qual fiz parte, com muito orgulho, o Brasil rompeu a rotina hist&oacute;rica segundo a qual os pa&iacute;ses subdesenvolvidos e em desenvolvimento crescer&atilde;o quando crescerem os pa&iacute;ses ricos, e entrar&atilde;o em crise junto com eles. Fomos os &uacute;ltimos a trafegar pelo terreno pantanoso da crise financeira internacional, e os primeiros a atravess&aacute;-lo. Repita-se: com estabilidade e sem sobressaltos. E sempre sob a prote&ccedil;&atilde;o vis&iacute;vel da democracia.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; boa pol&iacute;tica ignorar o passado. &Eacute; preciso coragem para voltar os olhos aos erros cometidos, a fim de evit&aacute;-los no futuro. &Eacute; assim que se constr&oacute;i algo novo. Pol&iacute;ticos que t&ecirc;m leg&iacute;tima ambi&ccedil;&atilde;o de chegar ao poder n&atilde;o podem fingir que ca&iacute;ram de paraquedas no meio da refrega. Como se n&atilde;o tivessem pisado em outros tapetes. Devem, contudo, uma vez esclarecido o que fizeram ou deixaram de fazer em suas trajet&oacute;rias, voltar-se para o futuro e oferecer propostas ao julgamento do eleitor.<\/p>\n<p>O Brasil &eacute; um pa&iacute;s sedento de novas ideias, &aacute;vido por pol&iacute;ticas p&uacute;blicas inovadoras que atendam &agrave;s suas maiores car&ecirc;ncias. Quem aspira ao poder deve exibi-las, desde j&aacute;, em vez de se preocupar apenas em depreciar o que est&aacute; sendo feito. O salto para o futuro, em constru&ccedil;&atilde;o no presente, exige que se desatem alguns n&oacute;s que nos prendem ao passado. N&atilde;o h&aacute; exemplo mais importante dessa imposi&ccedil;&atilde;o do que o car&aacute;ter indispens&aacute;vel, fundamental, de uma educa&ccedil;&atilde;o de qualidade.<\/p>\n<p>A educa&ccedil;&atilde;o &eacute; um dos gargalos para o desenvolvimento sustentado e para a eleva&ccedil;&atilde;o definitiva do padr&atilde;o de vida dos brasileiros. O Brasil tem pressa. Enfrentar&aacute; em breve &ndash; e nesse assunto n&atilde;o medimos o tempo por d&eacute;cadas ou anos, mas por meses &ndash; os desafios da sociedade do conhecimento. Precisa superar um atraso de raiz secular e, ao mesmo tempo, saltar para um futuro de acesso pleno, democr&aacute;tico, popular, &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, ao ensino, &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. Com rapidez. Sem pestanejar.<\/p>\n<p>O governo Lula lan&ccedil;ou as bases para essa nova etapa do desenvolvimento brasileiro. Retirou a pol&iacute;tica educacional de um estado de lassid&atilde;o e a levou a uma mudan&ccedil;a de paradigma. Ainda que se deva reconhecer que no governo anterior houve significativo investimento no aumento da escolaridade, no incremento do n&uacute;mero de matr&iacute;culas e na efetiva implanta&ccedil;&atilde;o da Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o, na virada do mil&ecirc;nio esses acertos se mostraram escassos para a exig&ecirc;ncia da na&ccedil;&atilde;o. Houve neglig&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao ensino m&eacute;dio, estagna&ccedil;&atilde;o do ensino t&eacute;cnico, paralisia das universidades p&uacute;blicas &ndash; com a duvidosa contrapartida de uma concep&ccedil;&atilde;o privatista da educa&ccedil;&atilde;o, estimulando a cria&ccedil;&atilde;o desenfreada de escolas e faculdades particulares.<\/p>\n<p>Lula reconstruiu a gest&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o brasileira. Corrigiu a pol&iacute;tica da indiferen&ccedil;a e estabeleceu novas prioridades &ndash; menos te&oacute;ricas do que pr&aacute;ticas, realizadas de fato ao longo de seu governo: uma pol&iacute;tica integrada de ensino, da creche &agrave; universidade; universaliza&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica de qualidade; democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso ao ensino; garantia de perman&ecirc;ncia dos alunos na escola; supera&ccedil;&atilde;o da exclus&atilde;o por classe social, etnia ou g&ecirc;nero; fortalecimento da rela&ccedil;&atilde;o do ensino com o trabalho; e, por &uacute;ltimo, mas, no entanto, mais importante, valoriza&ccedil;&atilde;o dos profissionais da educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A revolu&ccedil;&atilde;o na educa&ccedil;&atilde;o brasileira n&atilde;o est&aacute; marcada para come&ccedil;ar no ano que vem. Come&ccedil;ou com Lula, a partir de tudo o que havia sido constru&iacute;do antes dele, e a despeito de tudo o que se deixou de fazer antes que ele chegasse &agrave; Presid&ecirc;ncia. Pol&iacute;tica educacional &ndash; boa ou m&aacute; &ndash; demora a mostrar resultados, e n&atilde;o pode ser feita aos solu&ccedil;os, mas como processo, caminhada constante. O espa&ccedil;o deste artigo, mesmo que generoso, n&atilde;o &eacute; suficiente para enumerar o que se fez nos &uacute;ltimos sete anos pela educa&ccedil;&atilde;o. A campanha eleitoral oferecer&aacute; o tempo necess&aacute;rio. O mais oportuno, aqui, &eacute; falar do pr&oacute;ximo grande passo. O pulo do gato, talvez. O movimento que pode significar a diferen&ccedil;a entre um salto para o futuro e uma volta &agrave; estagna&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Assegurada a continua&ccedil;&atilde;o das mudan&ccedil;as implantadas por Lula, a revolu&ccedil;&atilde;o evoluir&aacute; naturalmente para a ampla democracia no acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, &agrave; tecnologia, &agrave; cultura e, para usar a express&atilde;o mais contempor&acirc;nea que resume tudo isso, ao conhecimento. O pr&oacute;ximo grande passo &eacute; o pleno direito popular de acesso &agrave; internet em alta velocidade. Quanto maior a capacidade de um povo de processar informa&ccedil;&otilde;es complexas, mais conhecimento, riqueza e poder esse povo ter&aacute;. A inclus&atilde;o digital &eacute; uma exig&ecirc;ncia econ&ocirc;mica, social e cultural, imprescind&iacute;vel para a competi&ccedil;&atilde;o entre os pa&iacute;ses e para as necessidades dos cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>H&aacute; enormes desigualdades a vencer nesse campo. T&atilde;o acentuadas ou at&eacute; maiores que as que separam os brasileiros pobres e ricos em outros ramos de atividade. Mas n&oacute;s temos um compromisso: superar a exclus&atilde;o digital e, j&aacute; numa primeira etapa, democratizar e universalizar o uso da internet de maneira massiva nas escolas p&uacute;blicas de todo o pa&iacute;s. N&oacute;s temos os meios e os recursos para promover a revolu&ccedil;&atilde;o digital na educa&ccedil;&atilde;o. Teremos, inclusive, amparo legislativo, com uma lei, de autoria do senador do meu partido, Aloizio Mercadante, que prev&ecirc; o uso intensivo de banda larga e a produ&ccedil;&atilde;o de material did&aacute;tico digitalizado em todas as escolas p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>N&atilde;o vai demorar muito para que o Brasil seja, tamb&eacute;m, um pa&iacute;s democr&aacute;tico quanto ao acesso pleno &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. Essa revolu&ccedil;&atilde;o j&aacute; come&ccedil;ou nas escolas. E levar&aacute; sua riqueza para todos os professores e estudantes do pa&iacute;s.<\/p>\n<p><strong>*Dilma Rousseff &eacute; candidata do PT &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Protagonista de um extraordin\u00e1rio enredo de progresso e amadurecimento, o Brasil est\u00e1 diante de um desafio imposto a poucos pa\u00edses. 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