{"id":41880,"date":"2010-04-25T00:00:00","date_gmt":"2010-04-25T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/jamil-haddad-o-verdadeiro-pai-dos-genericos\/"},"modified":"2010-04-25T00:00:00","modified_gmt":"2010-04-25T03:00:00","slug":"jamil-haddad-o-verdadeiro-pai-dos-genericos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/jamil-haddad-o-verdadeiro-pai-dos-genericos\/","title":{"rendered":"Jamil Haddad, o verdadeiro pai dos gen\u00e9ricos"},"content":{"rendered":"<p>Est&aacute; mais do que correto o estudante de filosofia, Francisco Vitelli, quando enviou ao blog que&nbsp;o verdadeiro pai dos gen&eacute;ricos &eacute; saudoso deputado Jamil Haddad e n&atilde;o&nbsp;Jos&eacute; Serra como arvoram os tucanos. Pesquisei o tema e levantei uma &oacute;tima reportagem no site do PSB que traz um perfil desse brasileiro, lutador da sa&uacute;de&nbsp;p&uacute;blica e das causas populares que nos deixou em dezembro do ano passado.&nbsp;Sobre os gen&eacute;ricos, Jamil Haddad disse o seguinte: &quot;Eu era deputado federal quando o presidente Itamar Franco me chamou para ser Ministro da Sa&uacute;de, em 1992. Em 1993, numa briga com os laborat&oacute;rios, eu fiz um semin&aacute;rio, quando os medicamentos gen&eacute;ricos j&aacute; eram uma realidade, e preparei um decreto que levei para o presidente Itamar, iniciando a produ&ccedil;&atilde;o de medicamentos gen&eacute;ricos no Brasil&quot;. A mat&eacute;ria&nbsp;&eacute; de&nbsp;2007.<\/p>\n<p>&quot;Hoje, eles s&atilde;o uma realidade que propiciou a uma parte da popula&ccedil;&atilde;o ter condi&ccedil;&otilde;es de comprar medicamentos por pre&ccedil;os mais acess&iacute;veis. Como de filho bonito todo mundo quer ser o pai, em 1999 foi aprovada uma lei, que era praticamente uma regulamenta&ccedil;&atilde;o dos rem&eacute;dios gen&eacute;ricos, o ent&atilde;o ministro da Sa&uacute;de Jos&eacute; Serra passou a dizer que ele era o autor da lei&#8230; Mas tudo bem: o que me interessa &eacute; a consci&ecirc;ncia de ter conseguido implantar o uso de medicamentos gen&eacute;ricos no Brasil, numa luta violenta contra os laborat&oacute;rios multinacionais e, agora, ter a satisfa&ccedil;&atilde;o de ver que tamb&eacute;m eles &ndash; os grandes laborat&oacute;rios &ndash; entraram na produ&ccedil;&atilde;o desse tipo de rem&eacute;dio. Foi um fato importante na minha vida pol&iacute;tica&quot;, completou. <\/p>\n<p>Leia a seguir a reportagem na &iacute;ntegra que est&aacute; no portal do PSB.<\/p>\n<p>\n<strong>Jamil Haddad: &ldquo;O PSB &eacute; um partido limpo&quot;&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n14\/12\/2009<br \/>\n<\/strong><br \/>\nEm setembro de 2007, o presidente de honra do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e ex-ministro da sa&uacute;de, Jamil Haddad concedeu entrevista ao vice-presidente do Partido, Roberto Amaral, e ao ex-deputado federal Jos&eacute; Carlos Sab&oacute;ia, no Rio de Janeiro. Confira abaixo a entrevista e relembre os principais fatos da vida p&uacute;blica de Jamil Haddad e de sua vida pol&iacute;tica dentro do PSB.<\/p>\n<p>Pol&iacute;tico combativo, corajoso e competente, o m&eacute;dico Jamil Haddad foi um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Criador de programas de elevado alcance social, como a implanta&ccedil;&atilde;o dos medicamentos gen&eacute;ricos, atualmente era o presidente de Honra do PSB.<\/p>\n<p>Ele nasceu no Rio de Janeiro, em 1926. Elegeu-se deputado estadual pelo ent&atilde;o estado da Guanabara, na coliga&ccedil;&atilde;o formada pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro) e pelo PTB (Partido Trabalhista Brasileiro). Quando os militares tomaram o poder e instauraram o bipartidarismo, em fins de 1965, Haddad filiou-se ao Movimento Democr&aacute;tico Brasileiro (MDB), agremia&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria de oposi&ccedil;&atilde;o ao regime.<\/p>\n<p>Reelegeu-se deputado estadual em 1966, mas &ndash; no ano seguinte &ndash; teve seu mandato cassado e os direitos pol&iacute;ticos suspensos por dez anos.Com a reorganiza&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria de 1979, participou da funda&ccedil;&atilde;o do Partido Democr&aacute;tico Trabalhista (PDT). Em mar&ccedil;o de 1983 foi escolhido, pelo governador Leonel Brizola, para assumir a Prefeitura do Rio de Janeiro. Dois anos depois, em 1985, participou da reorganiza&ccedil;&atilde;o do PSB, tendo sido eleito presidente e o atual vice-presidente do Partido, Roberto Amaral, tornou-se secret&aacute;rio geral da sigla, no primeiro encontro nacional da agremia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em 1986, Jamil Haddad assumiu a vaga deixada por Saturnino Braga no Senado. Participou, ent&atilde;o, do processo da Constituinte, ocasi&atilde;o em que lutou pela inclus&atilde;o da reforma agr&aacute;ria, pelo direito de iniciativa popular no processo legislativo e por v&aacute;rios direitos trabalhistas. Grande nacionalista, votou pela prote&ccedil;&atilde;o da empresa nacional e pela nacionaliza&ccedil;&atilde;o das reservas minerais. Foi um dos recordistas na apresenta&ccedil;&atilde;o de emendas aos trabalhos dos parlamentares constituintes, tendo sempre como meta a defesa dos interesses das classes trabalhadoras e da soberania do Pa&iacute;s.<\/p>\n<p>No ano de 1990 foi eleito deputado federal, chegando a assumir depois o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de no Governo Itamar Franco (1992-1995). Sua luta pela universaliza&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o m&eacute;dico gratuito, p&uacute;blico e eficiente, pela implanta&ccedil;&atilde;o do SUS (Servi&ccedil;o &Uacute;nico de Sa&uacute;de) e pelo fortalecimento dos laborat&oacute;rios p&uacute;blicos &eacute; reconhecida por todos.<\/p>\n<p>Jamil Haddad dedicou toda sua vida p&uacute;blica &agrave;s lutas democr&aacute;ticas em favor dos trabalhadores, contra a ditadura militar e combatendo as desigualdades sociais. Como militante, trabalhou pela reconstru&ccedil;&atilde;o e afirma&ccedil;&atilde;o da utopia socialista no Brasil. As declara&ccedil;&otilde;es publicadas a seguir s&atilde;o trechos de um depoimento hist&oacute;rico, concedido recentemente a Roberto Amaral e ao ex-deputado federal Jos&eacute; Carlos Sab&oacute;ia, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Confira:<\/p>\n<p><strong>IN&Iacute;CIO <\/strong><\/p>\n<p>Jamil Haddad: Eu estava lembrando outro dia que, do antigo Partido, s&oacute; eu e o Saturnino Braga estamos vivos. N&oacute;s nos elegemos a primeira vez em 1962: Saturnino deputado federal &#91;que atualmente n&atilde;o est&aacute; mais no PSB] e eu, deputado estadual. Eu sou da &eacute;poca do velho Partido: Jo&atilde;o Mangabeira, Bayard Boiteux, Hermes Lima, Barbosa Lima, l&aacute; em Pernambuco. Em S&atilde;o Paulo, eram o Roger Ferreira e o Ant&ocirc;nio C&acirc;ndido. <br \/>\nMas o come&ccedil;o mesmo foi em S&atilde;o Paulo. Contra a ditadura Vargas, todos se uniram na antiga UDN &#91;Uni&atilde;o Democr&aacute;tica Nacional]. Mas &#91;a UDN] era um partido conservador e, ent&atilde;o, Jo&atilde;o Mangabeira fundou a Esquerda Democr&aacute;tica. Tamb&eacute;m o Evandro Lins e Silva, Chagas Freitas, Rubem Braga, Joel Silveira, Jader de Carvalho e J. G. de Ara&uacute;jo Jorge faziam parte. Da&iacute; resolveram fundar o Partido Socialista. Isto, entre 1946 e 1947. Eu entrei para o Partido em 1953. Eu era do Diret&oacute;rio Acad&ecirc;mico da Faculdade de Medicina. N&atilde;o quis entrar para o Partido Comunista, para onde foi a maioria da juventude da minha &eacute;poca: o Partido Comunista era o preferido, primeiro, pela vit&oacute;ria sobre o nazi-fascismo e, segundo, pela evolu&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica&#8230; N&atilde;o fui para o PCB porque eu nunca aceitei o centralismo democr&aacute;tico.<\/p>\n<p><strong>O GOLPE<\/strong><\/p>\n<p>Jamil Haddad: Eu me elegi em 1962 e, em 1964, veio o golpe. Estranhamente, n&atilde;o fui cassado. Diziam que eu havia sido colega de um dos irm&atilde;os do ex-presidente Jo&atilde;o Figueiredo, o Lu&iacute;s Felipe, no complementar do col&eacute;gio Lafayete. Figueiredo era do SNI &#91;Servi&ccedil;o Nacional de Informa&ccedil;&otilde;es, extinto &oacute;rg&atilde;o de intelig&ecirc;ncia do governo militar] e teria dito que eu e outros 54 pol&iacute;ticos de oposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o f&ocirc;ssemos cassados&#8230; Eu n&atilde;o fiz campanha em 1965, achando que a candidatura seria impugnada, mas isto n&atilde;o ocorreu e eu me reelegi, a&iacute; j&aacute; pelo MDB &#91;Movimento Democr&aacute;tico Brasileiro], porque o Ato Institucional n&uacute;mero 2 tinha acabado com os partidos. Mas, depois, acabei sendo cassado pelo AI-5, no MDB. J&aacute; n&atilde;o havia condi&ccedil;&otilde;es de reorganizar o Partido Socialista Brasileiro.<\/p>\n<p>\nDepois, com a Anistia, o Leonel Brizola chegou do ex&iacute;lio e chamou os antigos integrantes do PSB para participarem do PDT &#91;Partido Democr&aacute;tico Trabalhista]. Quando o Brizola se elegeu governador do Rio de Janeiro, me convidou para ser prefeito da capital do Estado e eu assumi a Prefeitura, em 1983. Lembro-me de que, nesta elei&ccedil;&atilde;o para governador do Rio de Janeiro, houve uma movimenta&ccedil;&atilde;o fraudulenta para aproveitar os votos brancos e nulos e dar a vit&oacute;ria ao Moreira Franco. Quem teve um papel influente para perceber o que estava havendo foi C&eacute;sar Maia, na &eacute;poca no PDT. Brizola chamou a imprensa internacional e foi ao Tribunal Eleitoral frustrando o esquema montado.<\/p>\n<p>Na prefeitura, eu organizei e entreguei praticamente pronto o samb&oacute;dromo, mudei os crit&eacute;rios da merenda escolar entregando direto para os diretores de escola, os CIEPs &#91;Centros Integrados de Educa&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica] come&ccedil;aram a ser constru&iacute;dos nesta &eacute;poca. Em 1983, eu entreguei o cargo ao governador Leonel Brizola, que nomeou Marcelo Alencar.<\/p>\n<p><strong>A REORGANIZA&Ccedil;&Atilde;O <\/strong><\/p>\n<p>Jamil Haddad: A possibilidade de reorganizar o PSB surgiu com uma emenda constitucional j&aacute; do governo Jos&eacute; Sarney, em 1985, possibilitando a reorganiza&ccedil;&atilde;o dos partidos.<\/p>\n<p>Roberto Amaral: Nesta &eacute;poca n&oacute;s nos conhecemos. Sebasti&atilde;o Nery havia registrado o nome Partido Socialista e eu percebi que a emenda falava em organiza&ccedil;&atilde;o e reorganiza&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria. Procurei na lista telef&ocirc;nica o nome &ldquo;Jamil Haddad&rdquo; e concordamos em reorganizar o Partido. Os remanescentes do PSB invocaram a anterioridade e, assim, retomamos a legenda deste grupo de S&atilde;o Paulo que pretendia fundar o Partido Socialista.<\/p>\n<p>Jamil Haddad: Os remanescentes foram Evandro Lins e Silva, Joel Silveira, Rubem Braga, Jader de Carvalho. Houve um problema interno, porque o Marcelo Cerqueira prop&ocirc;s que o PSB fosse uma sublegenda do MDB. Ele e o Milton Temer entraram no Partido nesta &eacute;poca. Ele era ligado ao Fernando Lyra. Havia um interesse de dar a legenda para o Jarbas Vasconcelos, que havia sido derrotado na conven&ccedil;&atilde;o do MDB para a prefeitura de Recife, em Pernambuco. Ele havia dito que qualquer que fosse o resultado da elei&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sairia do PSB. Viemos saber de sua sa&iacute;da pelos jornais e tivemos uma conversa bastante dura. Havia, ent&atilde;o, esta diverg&ecirc;ncia. Eles acabaram saindo e ficamos eu, o Roberto Amaral e o Ant&ocirc;nio Houaiss, que foi eleito o primeiro presidente. Chamamos o Ronaldo Lessa, que veio nos ajudar. Eu assumi o Senado j&aacute; no PSB.<\/p>\n<p>O Roberto Amaral correu o Brasil todo para conseguirmos o registro e o partido foi deslanchando. Primeiro, como partido habilitado e, depois, em car&aacute;ter definitivo, em 1988. Nesta &eacute;poca, entraram o M&aacute;rio Frota, do Amazonas, o Jos&eacute; Guedes, de Minas Gerais, e o Jos&eacute; Eudes, do Rio de Janeiro, que foram os primeiros com mandato de deputado federal. O Arthur Virg&iacute;lio Neto, sem mandato, tamb&eacute;m entrou. Em S&atilde;o Paulo, o Roger Ferreira voltou ao PSB. Em 1987, entrou o Jos&eacute; Carlos Sab&oacute;ia, deputado federal pelo Maranh&atilde;o.<\/p>\n<p>O Partido foi crescendo, mas, em raz&atilde;o de manter uma posi&ccedil;&atilde;o r&iacute;gida com rela&ccedil;&atilde;o a princ&iacute;pios partid&aacute;rios e &agrave; proposta pol&iacute;tica em oposi&ccedil;&atilde;o a ser uma legenda de aluguel, muitos n&atilde;o entraram. Depois que sa&iacute; do Senado, fui eleito deputado federal e em seguida deputado estadual pelo Rio. Neste contexto pol&iacute;tico, concederam-me o t&iacute;tulo de presidente de Honra do Partido.<\/p>\n<p><strong>OS GEN&Eacute;RICOS<\/strong><\/p>\n<p>Jamil Haddad: Eu era deputado federal quando o presidente Itamar Franco me chamou para ser Ministro da Sa&uacute;de, em 1992. Em 1993, numa briga com os laborat&oacute;rios, eu fiz um semin&aacute;rio, quando os medicamentos gen&eacute;ricos j&aacute; eram uma realidade, e preparei um decreto que levei para o presidente Itamar, iniciando a produ&ccedil;&atilde;o de medicamentos gen&eacute;ricos no Brasil. Hoje, eles s&atilde;o uma realidade que propiciou a uma parte da popula&ccedil;&atilde;o ter condi&ccedil;&otilde;es de comprar medicamentos por pre&ccedil;os mais acess&iacute;veis. Como de filho bonito todo mundo quer ser o pai, em 1999 foi aprovada uma lei, que era praticamente uma regulamenta&ccedil;&atilde;o dos rem&eacute;dios gen&eacute;ricos, o ent&atilde;o ministro da Sa&uacute;de Jos&eacute; Serra passou a dizer que ele era o autor da lei&#8230; Mas tudo bem: o que me interessa &eacute; a consci&ecirc;ncia de ter conseguido implantar o uso de medicamentos gen&eacute;ricos no Brasil, numa luta violenta contra os laborat&oacute;rios multinacionais e, agora, ter a satisfa&ccedil;&atilde;o de ver que tamb&eacute;m eles &ndash; os grandes laborat&oacute;rios &ndash; entraram na produ&ccedil;&atilde;o desse tipo de rem&eacute;dio. Foi um fato importante na minha vida pol&iacute;tica.<\/p>\n<p><strong>JO&Atilde;O MANGABEIRA<\/strong><\/p>\n<p>Jamil Haddad: O socialismo entrou na minha vida porque eu passei a admirar, na &eacute;poca, o Jo&atilde;o Mangabeira, que era uma figura excepcional. O irm&atilde;o dele era um grande tribuno, mas os discursos eram vazios. Jo&atilde;o Mangabeira n&atilde;o era bom orador, mas era um pol&iacute;tico de vis&atilde;o, das grandes transforma&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias ao Brasil. Se compararmos o programa do PSB de 1947 e com a realidade brasileira de hoje, perceberemos o acerto das propostas do PSB e veremos que muito pouco se fez neste pa&iacute;s para implement&aacute;-las. Quando eu dou palestras, digo: uma das causas da viol&ecirc;ncia nas megal&oacute;poles &eacute; n&atilde;o ter sido feita a reforma agr&aacute;ria naquela &eacute;poca. A falta de emprego fez com que as pessoas viessem para as grandes cidades e, quando arranjavam emprego, era ganhando muito mal, n&atilde;o tinham dinheiro para o transporte e iam morar numa favela perto do local de trabalho. Com o Estado fazendo muito pouco em termos sociais, aparece, assim, a criminalidade, chegando a um ponto que fica quase imposs&iacute;vel resolver os problemas sociais. Estamos numa situa&ccedil;&atilde;o praticamente falimentar na &aacute;rea social, com filas intermin&aacute;veis nos hospitais. Eu fui presidente do INCA (Instituto Nacional do C&acirc;ncer) e pude ver o que &eacute; um hospital de excel&ecirc;ncia no Pa&iacute;s.<\/p>\n<p><strong>O PSB<\/strong><\/p>\n<p>Jamil Haddad: Eu era m&eacute;dico num consult&oacute;rio que atendia pacientes pobres e fiquei na ilus&atilde;o de que com a entrada na pol&iacute;tica eu conseguiria melhorar a vida de um n&uacute;mero maior de pessoas do que no atendimento m&eacute;dico isolado. Depois que voc&ecirc; se engaja na pol&iacute;tica, dificilmente sai. Temos exemplos bel&iacute;ssimos: Barbosa Lima Sobrinho, Evandro Lins e Silva, Hermes Lima, Ant&ocirc;nio Houaiss. Houve uma &eacute;poca em que diziam que o partido era formado por um grupo de intelectuais altamente politizados e com a vis&atilde;o do socialismo democr&aacute;tico. Isto &eacute; que fez com que eu entrasse no Partido Socialista Brasileiro. Se n&atilde;o fosse o exerc&iacute;cio do meu mandato de senador, o apoio operacional do meu gabinete e o trabalho do Roberto Amaral na reorganiza&ccedil;&atilde;o do Partido, n&atilde;o existiria o PSB. Houve um momento em que quase o PSB se inviabiliza. Foi quando o Fernando Henrique Cardoso quis tirar a lideran&ccedil;a dos pequenos partidos. Tive um embate violento com ele, que recuou.<\/p>\n<p>Eu entrei em 1953 para o PSB. A disputa eleitoral de cargos pol&iacute;ticos come&ccedil;ou em 1960. Fui tr&ecirc;s vezes deputado estadual, cassado no segundo mandato, fui deputado federal, senador constituinte como suplente de Saturnino Braga e do Ad&atilde;o Pereira Nunes. Ao todo, foram 19 anos de mandato e um ano de prefeitura, no Rio de Janeiro. Hoje, ap&oacute;s 50 anos, o mundo todo evoluiu, na &aacute;rea tecnol&oacute;gica, mas em termos sociais n&atilde;o houve melhoria. Apesar de eu ter passado todo este tempo na pol&iacute;tica e ter deixado uma certa marca, pela coer&ecirc;ncia, sou muito pouco conhecido pela juventude. Mas, apesar de n&atilde;o ter chegado onde eu desejava, eu faria tudo novamente, esperando melhores resultados.<\/p>\n<p>Eu me sinto satisfeito por achar que eu tomei o caminho que devia ter tomado. Apesar de algumas coisas que n&atilde;o concordo, o Partido ainda &eacute; uma realidade pol&iacute;tica de coer&ecirc;ncia, &eacute; um partido limpo, que merece o respeito dos brasileiros. E &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica que, n&atilde;o tenha d&uacute;vida, com o passar dos anos, ser&aacute; vitoriosa no pa&iacute;s.<\/p>\n<p><strong>O PRESIDENTE LULA <\/strong><\/p>\n<p>Jamil Haddad: A Frente Brasil Popular foi criada no Senado. Entre outros, participaram o Jo&atilde;o Amazonas, o Lula e eu. Participei de todas as campanhas do Lula. O fato de ele ter sido um trabalhador, com o passado que teve, favorece a que ele tenha uma cabe&ccedil;a mais voltada para melhorar a &aacute;rea social. A grande decep&ccedil;&atilde;o foi o PT. N&oacute;s &eacute;ramos chamados, naquela &eacute;poca, de social-democratas e considerados uma linha auxiliar do PT e, depois que eles chegaram ao governo, a realidade era um pouco diferente. N&oacute;s nos reorganizamos depois que o PT e o PDT j&aacute; haviam se organizado e, apesar disso, fomos, lenta e progressivamente, crescendo.Justamente em raz&atilde;o da credibilidade que temos e de n&atilde;o termos aceitado ser uma sigla de aluguel.<\/p>\n<p>Imprensa Portal do PSB &#8211; 4\/9\/2007<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 mais do que correto o estudante de filosofia, Francisco Vitelli, quando enviou ao blog que o verdadeiro pai dos gen\u00e9ricos \u00e9 saudoso deputado Jamil Haddad e n\u00e3o Jos\u00e9 Serra como arvoram os tucanos. 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