{"id":41788,"date":"2010-05-01T00:00:00","date_gmt":"2010-05-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/mst-propoe-alianca-com-a-cidade-por-agricultura-sustentavel\/"},"modified":"2010-05-01T00:00:00","modified_gmt":"2010-05-01T03:00:00","slug":"mst-propoe-alianca-com-a-cidade-por-agricultura-sustentavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/mst-propoe-alianca-com-a-cidade-por-agricultura-sustentavel\/","title":{"rendered":"MST prop\u00f5e alian\u00e7a com a cidade por agricultura sustent\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p>H&aacute; cerca de 30 anos, o&nbsp;MST come&ccedil;ou a se organizar nacionalmente com um prop&oacute;sito: promover a reforma agr&aacute;ria no Brasil. Os anos passaram, o movimento se consolidou, milhares de militantes foram assentados, e o foco de aten&ccedil;&atilde;o do MST se ampliou. Em entrevista&nbsp;&agrave; Ag&ecirc;ncia Brasil, Jo&atilde;o Pedro St&eacute;dile, um dos l&iacute;deres nacionais do movimento, afirmou que &eacute; hora de os sem-terra lutarem por um agricultura mais fraterna e sustent&aacute;vel. Segundo ele, os militantes devem agora buscar diferentes alian&ccedil;as, principalmente com a popula&ccedil;&atilde;o da cidade, para alcan&ccedil;ar dois novos objetivos: a redu&ccedil;&atilde;o do uso de agrot&oacute;xicos nas lavouras e o fim do dom&iacute;nio de empresas multinacionais sobre a agricultura nacional.<\/p>\n<p>&ldquo;O MST percebeu que n&atilde;o basta voc&ecirc; ser contra o latif&uacute;ndio e a favor da distribui&ccedil;&atilde;o de terra. Voc&ecirc; tem que lutar tamb&eacute;m pela mudan&ccedil;a do modelo agr&iacute;cola.&rdquo; St&eacute;dile disse que, atualmente, tr&ecirc;s ou quatro empresas de atua&ccedil;&atilde;o global dominam o mercado nacional de sementes, insumos e fertilizantes. &ldquo;Isso subordinou a agricultura brasileira. Elas controlam o mercado mundial, controlam os pre&ccedil;o e imp&otilde;em o que querem &agrave; nossa agricultura.&rdquo;<\/p>\n<p>Ele disse tamb&eacute;m que poucas companhias incentivam os produtores rurais brasileiros a ser os que mais consomem agrot&oacute;xicos no mundo. S&atilde;o 720 milh&otilde;es de litros por ano. &ldquo;&Eacute; imposs&iacute;vel que isso tenha futuro. Os venenos destroem a fertilidade do solo, contaminam a &aacute;gua, ou ent&atilde;o ficam nos alimentos que v&atilde;o para o nosso est&ocirc;mago.&rdquo;<\/p>\n<p>Acompanhe abaixo os principais trechos da entrevista concedida por St&eacute;dile &agrave; Ag&ecirc;ncia Brasil:<\/p>\n<p><em><strong>Ag&ecirc;ncia Brasil: O MST espera conseguir o apoio de outros setores da sociedade com essa nova pol&iacute;tica de atua&ccedil;&atilde;o contra os agrot&oacute;xicos e multinacionais?<br \/>\nJo&atilde;o Pedro St&eacute;dile:<\/strong><\/em> N&oacute;s temos certeza de que a imensa maioria da sociedade brasileira tamb&eacute;m defende este programa. J&aacute;, agora, em movimentos pontuais, n&oacute;s atuamos com o Greenpeace, com o movimento ambientalista e com os setores de defesa do consumidor. O pr&oacute;prio Idec &#91;Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor] tem nos apoiado na quest&atilde;o dos agrot&oacute;xicos.<\/p>\n<p><em><strong>ABr: Essa nova pol&iacute;tica pode ajudar a mudar a imagem negativa do MST com alguns segmentos? <br \/>\nSt&eacute;dile<\/strong><\/em>: A ampla maioria da sociedade brasileira nos apoia. Se o MST n&atilde;o tivesse apoio j&aacute; teria sido destru&iacute;do. Agora, queremos dar um passo a mais. Temos que nos aliar ao povo da cidade. Veja a situa&ccedil;&atilde;o dos agrot&oacute;xicos: quem come os produtos cheios de venenos? O povo pobre da cidade. Ent&atilde;o, quando n&oacute;s vamos resolver isso? Quando as massas da cidade tomarem consci&ecirc;ncia desse problema e resolverem se mobilizar.<\/p>\n<p><em><strong>ABr: A mudan&ccedil;a de foco de aten&ccedil;&atilde;o significa a redu&ccedil;&atilde;o das ocupa&ccedil;&otilde;es de terra?<br \/>\nSt&eacute;dile<\/strong><\/em>: A ocupa&ccedil;&atilde;o faz parte da hist&oacute;ria da humanidade. Sempre que um territ&oacute;rio &eacute; apropriado apenas por uns poucos e nesse mesmo territ&oacute;rio convivem milhares de pessoas sem acesso &agrave; terra, &eacute; evidente que haver&aacute; ocupa&ccedil;&atilde;o. A pol&iacute;tica do MST &eacute; de organizar os pobres para que lutem por seus direitos. Em alguns lugares, ser&atilde;o passeatas. Em outros, ocupa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><em><strong>ABr: Essa nova pol&iacute;tica &eacute; consenso no MST? N&atilde;o seria uma proposta de parte do movimento que j&aacute; foi assentada e, por isso, n&atilde;o milita mais pela terra?<br \/>\nSt&eacute;dile<\/strong><\/em>: Consenso &eacute; a pior palavra. O consenso &eacute; burro. Em qualquer movimento social, h&aacute; opini&otilde;es diferentes. Mas essa pol&iacute;tica que eu expressei aqui &eacute; da ampla maioria. Evidentemente, por causa da natureza da nossa luta, em cada regi&atilde;o h&aacute; um grupo que prioriza um aspecto. Se um sujeito est&aacute; acampado, ele tem que lutar para conquistar terra o quanto antes. Se ele j&aacute; est&aacute; assentado h&aacute; vinte anos e est&aacute; enfrentando o problema do agrot&oacute;xico, &eacute; claro que o agrot&oacute;xico &eacute; o centro da luta dele.<\/p>\n<p><em><strong>ABr: O MST pretende apresentar essas propostas aos candidatos &agrave; Presid&ecirc;ncia?<br \/>\nSt&eacute;dile: <\/strong><\/em>N&oacute;s estamos pensando em apresentar essas propostas para todos os candidatos, n&atilde;o s&oacute; a presidente como a governos estaduais. Daqui at&eacute; maio, eu acredito que esse processo de discuss&atilde;o das sugest&otilde;es j&aacute; vai estar conclu&iacute;do e, quando come&ccedil;ar a campanha, vamos contribuir.<\/p>\n<p><em><strong>ABr: J&aacute; existem sugest&otilde;es?<br \/>\nSt&eacute;dile:<\/strong><\/em> Sim. N&oacute;s achamos que temos de transformar a Conab &#91;Companhia Nacional de Abastecimento] numa grande empresa estatal. Ela deve garantir a compra de produtos dos camponeses e abastecer mercados populares com produtos de qualidade. N&oacute;s tamb&eacute;m temos que controlar o ingresso de multinacionais no Brasil. Estes dias eu li no jornal que uma empresa chinesa quer comprar 100 hectares de terra aqui. Isso &eacute; um absurdo. N&atilde;o pode acontecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 cerca de 30 anos, o MST come\u00e7ou a se organizar nacionalmente com um prop\u00f3sito: promover a reforma agr\u00e1ria no Brasil. Os anos passaram, o movimento se consolidou, milhares de militantes foram assentados, e o foco de aten\u00e7\u00e3o do MST se ampliou. <\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil, Jo\u00e3o Pedro St\u00e9dile, um dos l\u00edderes nacionais do movimento, afirmou que \u00e9 hora de os sem-terra lutarem por um agricultura mais fraterna e sustent\u00e1vel. Segundo ele, os militantes devem agora buscar diferentes alian\u00e7as, principalmente com a popula\u00e7\u00e3o da cidade, para alcan\u00e7ar dois novos objetivos: a redu\u00e7\u00e3o do uso de agrot\u00f3xicos nas lavouras e o fim do dom\u00ednio de empresas multinacionais sobre a agricultura nacional.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":41787,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[209],"class_list":["post-41788","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-mst"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41788","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41788"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41788\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41787"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41788"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41788"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41788"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}