{"id":40673,"date":"2010-06-28T00:00:00","date_gmt":"2010-06-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/pobreza-no-pais-e-35-menor-que-estimado-diz-estudo\/"},"modified":"2010-06-28T00:00:00","modified_gmt":"2010-06-28T03:00:00","slug":"pobreza-no-pais-e-35-menor-que-estimado-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/pobreza-no-pais-e-35-menor-que-estimado-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Pobreza no Pa\u00eds \u00e9 35% menor que estimado, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p>A Pesquisa de Or&ccedil;amentos Familiares (POF) de 2008 e 2009, divulgada na semana passada, reservou uma surpresa ao economista Marcelo Neri, um dos maiores especialistas da &aacute;rea social no Brasil: o Pa&iacute;s tem 10,6 milh&otilde;es de pobres a menos do que constava nas suas &uacute;ltimas estimativas, baseadas no resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&iacute;lios (Pnad) de 2008. A diferen&ccedil;a entre as duas pesquisas deve-se basicamente &agrave; inclus&atilde;o, na POF, da economia de subsist&ecirc;ncia, a chamada &quot;renda n&atilde;o monet&aacute;ria&quot;.<\/p>\n<p>A diferen&ccedil;a &eacute; muito grande, e significa que a pobreza no Brasil &eacute; 35% menor do que se pensava. Em vez de 29,8 milh&otilde;es, resultado extra&iacute;do da Pnad, s&atilde;o 19,9 milh&otilde;es, a partir da POF. Neri, que chefia o Centro de Pol&iacute;ticas Sociais (CPS), da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, observa que a compara&ccedil;&atilde;o mais correta &eacute; do n&uacute;mero da Pnad ajustado pela estimativa da popula&ccedil;&atilde;o da POF, o que o leva para 30,5 milh&otilde;es &#8211; ou 10,6 milh&otilde;es a mais que os 19,9 milh&otilde;es revelados pela POF.<\/p>\n<p>&quot;Isso significa uma diferen&ccedil;a muito importante no custo de se acabar com a pobreza &#8211; ele cai aproximadamente pela metade&quot;, diz Neri. Na verdade, transfer&ecirc;ncias perfeitamente focalizadas de R$ 11,2 bilh&otilde;es por ano (um pouco menos do que o gasto com o Bolsa-Fam&iacute;lia) seriam capazes de acabar com a pobreza retratada pela POF. No caso do n&uacute;mero de pobres que sai da Pnad 2008, aquele custo sobe para R$ 21,8 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>A linha de pobreza utilizada pelo pesquisador foi criada pelo Centro de Pol&iacute;ticas Sociais, e equivale a uma m&eacute;dia de R$ 140 de renda familiar per capita em janeiro de 2009. O valor varia de regi&atilde;o para regi&atilde;o do Pa&iacute;s, de acordo com o custo de vida. Essa linha de pobreza, na verdade, &eacute; relativamente baixa e, por vezes, os que est&atilde;o abaixo dela s&atilde;o considerados miser&aacute;veis. Neri ressalva, entretanto, que, como linha de indig&ecirc;ncia, seria um pouco alta. A raz&atilde;o principal para a diferen&ccedil;a entre o n&uacute;mero de pobres nas duas pesquisas &eacute; o registro que a POF faz da economia de subsist&ecirc;ncia, ou &quot;economia primitiva&quot;, como se refere Neri. Basicamente, trata-se do consumo que n&atilde;o passa pelo mercado e consiste primordialmente na agricultura de subsist&ecirc;ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares de 2008 e 2009, divulgada na semana passada, reservou uma surpresa: o Pa\u00eds tem 10,6 milh\u00f5es de pobres a menos do que constava nas suas \u00faltimas estimativas, baseadas no resultado da Pnad de 2008. A diferen\u00e7a entre as duas pesquisas deve-se basicamente \u00e0 inclus\u00e3o da economia de subsist\u00eancia, a chamada &#8220;renda n\u00e3o monet\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 muito grande, e significa que a pobreza no Brasil \u00e9 35% menor do que se pensava. 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