{"id":39475,"date":"2010-08-21T00:00:00","date_gmt":"2010-08-21T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/a-classe-c-vai-ao-paraiso\/"},"modified":"2010-08-21T00:00:00","modified_gmt":"2010-08-21T03:00:00","slug":"a-classe-c-vai-ao-paraiso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/a-classe-c-vai-ao-paraiso\/","title":{"rendered":"A classe C vai ao para\u00edso"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 10pt\"><font size=\"3\" face=\"Calibri\">Eles j&aacute; s&atilde;o 90 milh&otilde;es de pessoas, respondem por quase 50% da renda nacional e n&atilde;o querem parar de subir na escada social brasileira<\/font><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 10pt\"><span style=\"line-height: 115%; font-family: &quot;Arial&quot;,&quot;sans-serif&quot;; color: black; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR\">A faxineira Raimunda da Silva Gon&ccedil;alves, 46 anos, &eacute; o estere&oacute;tipo de uma parcela da popula&ccedil;&atilde;o brasileira que vem buscando melhorar de vida h&aacute; mais de cinco d&eacute;cadas. Ela, como milh&otilde;es de seus pares, migrou de uma pobre cidade nordestina no in&iacute;cio dos anos 80 para buscar sorte melhor na riqueza do caos paulistano. Chegou sem ocupa&ccedil;&atilde;o definida, analfabeta e com pouca perspectiva de subir muitos degraus na conservadora pir&acirc;mide social brasileira. Em S&atilde;o Paulo, Raimunda casou-se com outro migrante, teve dois filhos e estacionou socialmente. De casa em casa, de faxina em faxina, permaneceu analfabeta, pobre e sem dinheiro para ter nada mais que o essencial.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 10pt\"><span style=\"line-height: 115%; font-family: &quot;Arial&quot;,&quot;sans-serif&quot;; color: black; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR\">Nos &uacute;ltimos cinco anos, no entanto, a hist&oacute;ria de Raimunda come&ccedil;ou a mudar. Seu poder de compra foi crescendo e, aos poucos, ela come&ccedil;ou a ter acesso a luxos antes impens&aacute;veis. Abriu at&eacute; uma poupan&ccedil;a e, h&aacute; dois anos, obteve sua maior conquista: conseguiu erguer uma pequena casa de alvenaria na cidade-dormit&oacute;rio de Itapecerica da Serra. Aos filhos Raimunda tem conseguido dar a chance de subirem ainda mais na vida. O mais velho deles, Rodrigo, 19 anos, est&aacute; cursando administra&ccedil;&atilde;o de empresas em uma universidade particular. O mais novo, Vitor, 11 anos, matriculou-se recentemente em um curso de ingl&ecirc;s. &ldquo;Aprendemos com a vida que sem estudo nada se consegue&rdquo;, diz ela. &ldquo;Os meninos sabem disso, eles veem isso e est&atilde;o aproveitando uma oportunidade que eu e o pai deles nunca tivemos.&rdquo; Na esteira da forma&ccedil;&atilde;o dos filhos, at&eacute; Raimunda resolveu estudar. J&aacute; deixou para tr&aacute;s o analfabetismo e, agora, sonha um dia conseguir chegar &agrave; universidade. No ano passado conquistou seu primeiro diploma: concluiu o primeiro grau, aos 46 anos de idade.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 10pt\"><span style=\"line-height: 115%; font-family: &quot;Arial&quot;,&quot;sans-serif&quot;; color: black; font-size: 12pt; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-fareast-language: PT-BR\">Raimunda conseguiu mudar seu padr&atilde;o de vida n&atilde;o s&oacute; pelos seus espetaculares esfor&ccedil;os pessoais. Sem o alicerce econ&ocirc;mico alcan&ccedil;ado pelo Pa&iacute;s nos &uacute;ltimos 15 anos, talvez pouco adiantaria seu empenho. Como muita gente, ela p&ocirc;de ganhar mais dinheiro porque o Brasil vive um momento excepcional. Em cinco anos, 32 milh&otilde;es de pessoas, o equivalente &agrave; metade da Fran&ccedil;a, ascenderam socialmente. O fen&ocirc;meno mais impressionante ocorreu com a antiga classe m&eacute;dia baixa, hoje chamada de classe C, que se multiplicou e passou a representar a metade da popula&ccedil;&atilde;o do Pa&iacute;s. Cerca de 90 milh&otilde;es de brasileiros agora possuem renda familiar mensal entre R$ 1.115 e R$ 4.807 e se tornaram uma for&ccedil;a t&atilde;o poderosa que j&aacute; &eacute; apontada por alguns especialistas como a classe dominante, no sentido econ&ocirc;mico. Com o R$ 1,3 mil que ganha fazendo faxinas nas casas de classe m&eacute;dia alta de S&atilde;o Paulo, Raimunda passou a fazer parte dessa nova for&ccedil;a econ&ocirc;mica.<o:p><\/o:p><\/span><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"margin: 0cm 0cm 10pt\"><a href=\"http:\/\/blogdofavre.ig.com.br\/2010\/08\/a-classe-c-vai-ao-paraiso\/\"><font color=\"#800080\" size=\"3\" face=\"Calibri\">http:\/\/blogdofavre.ig.com.br\/2010\/08\/a-classe-c-vai-ao-paraiso\/<\/font><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles j\u00e1 s\u00e3o 90 milh\u00f5es de pessoas, respondem por quase 50% da renda nacional e n\u00e3o querem parar de subir na escada social brasileira.<\/p>\n<p>A faxineira Raimunda da Silva Gon\u00e7alves, 46 anos, \u00e9 o estere\u00f3tipo de uma parcela da popula\u00e7\u00e3o brasileira que vem buscando melhorar de vida h\u00e1 mais de cinco d\u00e9cadas. Ela, como milh\u00f5es de seus pares, migrou de uma pobre cidade nordestina no in\u00edcio dos anos 80 para buscar sorte melhor na riqueza do caos paulistano. Chegou sem ocupa\u00e7\u00e3o definida, analfabeta e com pouca perspectiva de subir muitos degraus na conservadora pir\u00e2mide social brasileira. Em S\u00e3o Paulo, Raimunda casou-se com outro migrante, teve dois filhos e estacionou socialmente. De casa em casa, de faxina em faxina, permaneceu analfabeta, pobre e sem dinheiro para ter nada mais que o essencial.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos cinco anos, no entanto, a hist\u00f3ria de Raimunda come\u00e7ou a mudar. 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