{"id":38257,"date":"2010-09-24T00:00:00","date_gmt":"2010-09-24T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/um-balanco-dos-anos-lula\/"},"modified":"2010-09-24T00:00:00","modified_gmt":"2010-09-24T03:00:00","slug":"um-balanco-dos-anos-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/um-balanco-dos-anos-lula\/","title":{"rendered":"Um balan\u00e7o dos anos Lula"},"content":{"rendered":"<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td colspan=\"2\">&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td colspan=\"2\"><span class=\"art_texto\"><\/p>\n<p>O momento n&atilde;o poderia ser melhor para a imprensa francesa dedicar n&uacute;meros especiais ao Brasil: o segundo mandato do presidente Lula chega ao fim. Um balan&ccedil;o dos &uacute;ltimos oito anos serviu de pretexto para tr&ecirc;s revistas importantes produzirem especiais que estampam na capa t&iacute;tulos que jamais poderiam ser lidos nos jornaleiros brasileiros:<\/p>\n<p>            <font color=\"#ff0000\"><\/p>\n<p>**<\/p>\n<p>            <font color=\"#ff0000\"><\/p>\n<p>**<\/p>\n<p>            <font color=\"#ff0000\"><\/p>\n<p>**<\/p>\n<p>Os jornalistas e intelectuais franceses se mostram cada vez mais interessados por um pa&iacute;s de dimens&otilde;es continentais que aparece como uma pot&ecirc;ncia emergente do s&eacute;culo 21. Sem angelismos, com an&aacute;lises cr&iacute;ticas sobre viol&ecirc;ncia urbana, desigualdades abissais e outras mazelas, as revistas s&atilde;o un&acirc;nimes em apontar o legado positivo.<\/p>\n<p>Para explicar o pa&iacute;s e sua hist&oacute;ria aos leitores, <i>Le Monde Diplomatique<\/i> dedicou ao Brasil um especial da s&eacute;rie &quot;Mani&egrave;re de voir&quot;, de outubro-novembro, com o t&iacute;tulo (&quot;Para onde o Brasil for&#8230;&quot;), parte da frase atribu&iacute;da a Richard Nixon, que dizia: &quot;Para onde for o Brasil ir&aacute; a Am&eacute;rica Latina&quot;. Os artigos s&atilde;o uma sele&ccedil;&atilde;o de textos publicados no <i>Diplo<\/i> de 1975 a setembro de 2010 por jornalistas, economistas e professores universit&aacute;rios, al&eacute;m de uma cronologia da hist&oacute;ria recente e resumo biogr&aacute;fico dos principais candidatos &agrave; presid&ecirc;ncia e outros personagens da hist&oacute;ria recente.<\/p>\n<p>            <b><\/p>\n<p>Mercado &quot;feliz&quot;<\/p>\n<p>            <\/b><\/p>\n<p>Os textos analisam o pa&iacute;s sob diversos &acirc;ngulos. Quem conseguir ler todos ter&aacute; aprendido muito sobre o Brasil. O pen&uacute;ltimo texto, do jornalista Lamia Oualalou, publicado originalmente em janeiro de 2010, chama-se &quot;Bras&iacute;lia oublie le &lsquo;complexe du chien b&acirc;tard&rsquo;&quot; (Bras&iacute;lia esquece o &quot;compexo de vira-latas&quot;) e resume seu conte&uacute;do na abertura:<\/p>\n<p>            <dir><dir><\/p>\n<p>&quot;Tendo sofrido muito tempo do &lsquo;complexo de vira-latas&rsquo; &ndash; caracterizado pelo fato de pensar que n&atilde;o tem import&acirc;ncia &ndash; o Brasil se torna uma pot&ecirc;ncia econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica que deve ser levada em conta. Mantendo la&ccedil;os estreitos com os presidentes radicais da Am&eacute;rica Latina ou defendendo o Ir&atilde;, o Brasil de Lula n&atilde;o deixou de conservar boas rela&ccedil;&otilde;es com os Estados Unidos.&quot;<\/p>\n<p>            <\/dir><\/dir><\/p>\n<p>Na apresenta&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero especial, o artigo de Renaud Lambert &eacute; francamente favor&aacute;vel ao balan&ccedil;o do governo Lula. Ele informa que os magos do Banco Mundial predizem que at&eacute; 2014 a economia brasileira ser&aacute; a quinta do mundo (lugar atualmente ocupado pela Fran&ccedil;a). E lembra que em pleno desastre da crise financeira o Brasil emprestou 14 bilh&otilde;es de d&oacute;lares ao FMI.<\/p>\n<p>Depois de citar todos os grandes pr&ecirc;mios internacionais recebidos por Lula, entre eles o &quot;Homem do Ano de 2009&quot;, do <i>Le Monde<\/i>, o pr&ecirc;mio do Programa Alimentar Mundial (da ONU) que proclamou o brasileiro &quot;Campe&atilde;o mundial da luta contra a fome&quot; e &quot;Estadista mundial de 2010&quot;, em Davos, Lambert informa ao leitor franc&ecirc;s que o presidente brasileiro deixa o poder com quase 80% de aprova&ccedil;&atilde;o. Enquanto isso, Nicolas Sarkozy pena para passar dos 30% de aprova&ccedil;&atilde;o&#8230;<\/p>\n<p>Elogios n&atilde;o impedem, contudo, uma an&aacute;lise objetiva. No texto intitulado &quot;Os anos Lula&quot;, a revista diz que apesar de ter criado fontes de renda para um grande n&uacute;mero de pobres, &quot;o governo Lula n&atilde;o afetou as vinte mil fam&iacute;lias que dirigem o Brasil, que continuam ricas, e nem descontentou o famoso mercado que soube festejar sua convers&atilde;o ao &lsquo;realismo&rsquo;&quot;.<\/p>\n<p>            <b><\/p>\n<p>Fraude &quot;imposs&iacute;vel&quot;<\/p>\n<p>            <\/b><\/p>\n<p>Outro especial, o do <i>Le Monde hors s&eacute;rie<\/i> vai mais ou menos na mesma dire&ccedil;&atilde;o mostrando a emerg&ecirc;ncia do gigante que se imp&otilde;e na cena internacional. A capa &eacute; verde e amarela, numa explos&atilde;o de imagens do pa&iacute;s com o t&iacute;tulo&#12288;&quot;Brasil, um gigante se imp&otilde;e&quot;.<\/p>\n<p>O editorial fala de &quot;uma irresist&iacute;vel ascens&atilde;o&quot; e tr&ecirc;s entrevistas &quot;explicam&quot; o pa&iacute;s aos leitores: uma com o historiador Luiz Felipe de Alencastro, professor em Paris, outra com o ex-embaixador Alain Rouqui&eacute;, que critica o nepotismo e o clientelismo da pol&iacute;tica brasileira, e a terceira com o franco-brasileiro Carlos Ghosn, presidente-diretor-geral da Renault-Nissan, nascido em Porto Velho, Rond&ocirc;nia, que diz que o pa&iacute;s est&aacute; longe de ter explorado todo seu potencial.<\/p>\n<p>&quot;Como diz um poderoso homem de neg&oacute;cios visivelmente satisfeito: Lula sabe conciliar gregos e troianos.&quot; A frase &eacute; citada pelo correspondente do <i>Le Monde<\/i> Jean-Pierre Langellier no artigo intitulado &quot;Lula, consagra&ccedil;&atilde;o de um homem do povo&quot;. O jornalista constata que o presidente fez uma pol&iacute;tica otimista e pragm&aacute;tica e deixa o poder mais popular que quando foi eleito, &quot;mesmo que n&atilde;o tenha cumprido todas as promessas&quot;.<\/p>\n<p>Mas nem tudo &eacute; louva&ccedil;&atilde;o. Langellier dedica um outro artigo &agrave;s tiradas infelizes do presidente, que ele apresenta como um orador de talento mas que derrapa quando compara &quot;a uma rivalidade entre Flamengo e Vasco&quot; as manifesta&ccedil;&otilde;es de rua em Teer&atilde; contra uma suposta fraude nas elei&ccedil;&otilde;es de 2009. Fraude que Lula considerou &quot;imposs&iacute;vel&quot;.<\/p>\n<p>            <b><\/p>\n<p>A quem agrada<\/p>\n<p>            <\/b><\/p>\n<p>Finalmente, a &uacute;ltima das tr&ecirc;s revistas que se rendeu ao charme discreto da esquerda brasileira foi <i>Les Inrockuptibles<\/i>. No n&uacute;mero datado de 15 a 21 de setembro, a revista cultural inaugura novo projeto gr&aacute;fico e proposta de mais informa&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;tica. A capa &eacute; um presidente sorridente e o t&iacute;tulo n&atilde;o podia ser mais irritante para a imprensa brasileira que tenta a todo custo ocultar ou anular totalmente o legado de Lula: &quot;Brasil, o pa&iacute;s onde a esquerda deu certo&quot;.<\/p>\n<p>No texto em que analisa os anos Lula, Serge Kaganski diz no final:<\/p>\n<p>            <dir><dir><\/p>\n<p>&quot;O chefe de Estado oriundo da esquerda radical soube evitar as duas armadilhas habituais do poder: a dissolu&ccedil;&atilde;o no consenso sem t&ocirc;nus ou a deriva populista-ditatorial. Melhor ainda, ele soube ser eficaz economicamente, socialmente equ&acirc;nime e democraticamente impec&aacute;vel.&quot;<\/p>\n<p>            <\/dir><\/dir><\/p>\n<p>Decididamente, o presidente Lula empolga os jornalistas. Os franceses.<\/p>\n<p>            <span class=\"art_autor\">Por Leneide Duarte-Plon, de Paris em 24\/9\/2010<\/p>\n<p>            <a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=608IMQ017\">http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=608IMQ017<\/a><\/span><\/p>\n<p>            <\/font> <i>Le Monde-hors s&eacute;rie<\/i>: &quot;Br&eacute;sil, un g&eacute;ant s&rsquo;impose&quot; (Brasil, um gigante se imp&otilde;e).<\/font> <i>Les Inrockuptibles<\/i>: &quot;Br&eacute;sil, le pays o&ugrave; la gauche a r&eacute;ussi&quot; (Brasil, o pa&iacute;s onde a esquerda deu certo);<\/font> <i>Le Monde Diplomatique <\/i>+<i> Mani&egrave;re de voir<\/i>: &quot;L&agrave; o&ugrave; le Br&eacute;sil va&#8230;&quot; (Para onde o Brasil for&#8230;);<\/span><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O momento n\u00e3o poderia ser melhor para a imprensa francesa dedicar n\u00fameros especiais ao Brasil: o segundo mandato do presidente Lula chega ao fim. Um balan\u00e7o dos \u00faltimos oito anos serviu de pretexto para tr\u00eas revistas importantes produzirem especiais que estampam na capa t\u00edtulos que jamais poderiam ser lidos nos jornaleiros brasileiros: <\/p>\n<p>** Le Monde Diplomatique + Mani\u00e8re de voir: &#8220;L\u00e0 o\u00f9 le Br\u00e9sil va&#8230;&#8221; (Para onde o Brasil for&#8230;);<\/p>\n<p>** Les Inrockuptibles: &#8220;Br\u00e9sil, le pays o\u00f9 la gauche a r\u00e9ussi&#8221; (Brasil, o pa\u00eds onde a esquerda deu certo);<\/p>\n<p>** Le Monde-hors s\u00e9rie: &#8220;Br\u00e9sil, un g\u00e9ant s\u2019impose&#8221; (Brasil, um gigante se imp\u00f5e).<\/p>\n<p>Os jornalistas e intelectuais franceses se mostram cada vez mais interessados por um pa\u00eds de dimens\u00f5es continentais que aparece como uma pot\u00eancia emergente do s\u00e9culo 21. Sem angelismos, com an\u00e1lises cr\u00edticas sobre viol\u00eancia urbana, desigualdades abissais e outras mazelas, as revistas s\u00e3o un\u00e2nimes em apontar o legado positivo. <\/p>\n<p>Por Leneide Duarte-Plon, de Paris em 24\/9\/2010<br \/>\nhttp:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=608IMQ017<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":38256,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[170],"class_list":["post-38257","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-lula"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38257","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38257"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38257\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38256"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38257"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38257"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38257"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}