{"id":37651,"date":"2010-10-11T00:00:00","date_gmt":"2010-10-11T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/parentes-de-vitimas-da-ditadura-pedem-abertura-de-arquivos\/"},"modified":"2010-10-11T00:00:00","modified_gmt":"2010-10-11T03:00:00","slug":"parentes-de-vitimas-da-ditadura-pedem-abertura-de-arquivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/parentes-de-vitimas-da-ditadura-pedem-abertura-de-arquivos\/","title":{"rendered":"Parentes de v\u00edtimas da ditadura pedem abertura de arquivos"},"content":{"rendered":"<p>As pessoas perseguidas e os parentes de v&iacute;timas da ditadura militar (1964-1985) esperam que o futuro presidente da Rep&uacute;blica abra os arquivos das For&ccedil;as Armadas e revelem os documentos com as informa&ccedil;&otilde;es sobre o paradeiro dos corpos de cerca de 400 desaparecidos pol&iacute;ticos. Al&eacute;m disso, pleiteiam acesso &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es sobre as opera&ccedil;&otilde;es militares de combate &agrave; luta armada para saber como se deu a captura e a morte dos parentes.<\/p>\n<p>&quot;A expectativa &eacute; de que quem for eleito democraticamente resolva essa hist&oacute;ria. As coisas n&atilde;o podem ficar ocultas&quot;, disse Diva Santana, da comiss&atilde;o interministerial que acompanha as opera&ccedil;&otilde;es de resgate de restos mortais de pessoas envolvidas na guerrilha do Araguaia.<\/p>\n<p>A mesma esperan&ccedil;a os parentes de v&iacute;timas e perseguidos da ditadura tiveram nas elei&ccedil;&otilde;es de Fernando Henrique Cardoso (1994) e de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva (2002). Diva Santana &eacute; irm&atilde; de Dinaelza Santana Cerqueira e afirma que passados mais de 35 anos dos combates no Araguaia ainda n&atilde;o tem informa&ccedil;&otilde;es sobre a irm&atilde;. &quot;N&oacute;s sabemos dela durante a inf&acirc;ncia e a adolesc&ecirc;ncia. Sobre a vida adulta de minha irm&atilde; quem sabe s&atilde;o os militares&quot;, disse.<\/p>\n<p>As For&ccedil;as Armadas, no entanto, alegam n&atilde;o ser poss&iacute;vel resgatar a mem&oacute;ria dos combates e das pris&otilde;es porque os arquivos foram destru&iacute;dos. Para Narciso Pires, do Grupo Tortura Nunca Mais (do Paran&aacute;), o &quot;argumento &eacute; falso&quot;. Em sua avalia&ccedil;&atilde;o os militares n&atilde;o eliminariam os arquivos: &quot;informa&ccedil;&atilde;o &eacute; poder. N&atilde;o se joga fora&quot;. Para ele, a n&atilde;o abertura dos arquivos estimula a tortura at&eacute; hoje por causa da impunidade. Ele avalia que o pa&iacute;s vive atualmente a &quot;plenitude da vida democr&aacute;tica, no entanto sem consolid&aacute;-la&quot;, porque n&atilde;o esgotou a apura&ccedil;&atilde;o do que ocorreu na ditadura.<\/p>\n<p>Quem vier a ocupar o Pal&aacute;cio do Planalto dever&aacute; acompanhar a tramita&ccedil;&atilde;o do projeto de lei (PL 7376\/10) que cria a Comiss&atilde;o da Mem&oacute;ria e da Verdade e poder&aacute; herdar a condena&ccedil;&atilde;o do Estado brasileiro na Corte Interamericana de Direitos Humanos, ligada &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos (OEA), por causa das persegui&ccedil;&otilde;es, mortes e desaparecimentos for&ccedil;ados de cerca de 70 pessoas durante a guerrilha do Araguaia (1972 &#8211; 1975).<\/p>\n<p>O julgamento na OEA dever&aacute; ser conclu&iacute;do em novembro. As audi&ecirc;ncias ocorreram em maio passado, em San Jos&eacute;, na Costa Rica, quando o governo brasileiro defendeu a tese de que n&atilde;o h&aacute; necessidade de julgamento na corte interamericana, uma vez que o pa&iacute;s concede repara&ccedil;&otilde;es a anistiados e atua em favor do direito da mem&oacute;ria e da verdade.<\/p>\n<p>A delega&ccedil;&atilde;o brasileira tamb&eacute;m ponderou que a corte interamericana n&atilde;o teria como reformular decis&otilde;es tomadas em processo judicial, como ocorreu em abril no julgamento sobre a abrang&ecirc;ncia da Lei da Anistia no Supremo Tribunal Federal (STF). Naquele julgamento, para a frustra&ccedil;&atilde;o de parentes de v&iacute;timas e perseguidos da ditadura, a corte desconsiderou a possibilidade de processar quem tenha cometido crimes como de tortura durante o regime.<\/p>\n<p>&quot;O Estado democr&aacute;tico de hoje n&atilde;o pode ser conivente com aquele regime que usurpou direitos&quot;, criticou Iara Xavier Pereira, que teve a m&atilde;e presa, o pai exilado e ainda perdeu o marido e dois irm&atilde;os (ligados &agrave; Alian&ccedil;a Libertadora Nacional), mortos durante o regime.<\/p>\n<p>Para Ivan Seixas, do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (SP), a mudan&ccedil;a de atua&ccedil;&atilde;o do Estado, a abertura de arquivos e a tramita&ccedil;&atilde;o de projetos de lei no Congresso Nacional &quot;dependem da vontade popular. &quot;N&atilde;o basta a vontade do presidente&quot;. Vit&oacute;ria Grabois, presidente da se&ccedil;&atilde;o fluminense do do Grupo Tortura Nunca Mais , lembra que &eacute; a press&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica, inclusive estrangeira, que faz as coisas andarem.<\/p>\n<p>Segundo ela, foi a press&atilde;o internacional que levou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a sancionar a Lei 9.140\/1995, que reconheceu como mortas pessoas desaparecidas em raz&atilde;o de participa&ccedil;&atilde;o, ou acusa&ccedil;&atilde;o de participa&ccedil;&atilde;o, em atividades pol&iacute;ticas, no per&iacute;odo de 2 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979.<\/p>\n<p>A Ag&ecirc;ncia Brasil entrou em contato por telefone na &uacute;ltima ter&ccedil;a-feira (7\/10)e por email com a assessoria de comunica&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Defesa para saber a posi&ccedil;&atilde;o do minist&eacute;rio e das For&ccedil;as Armadas sobre a abertura de arquivos militares a &eacute;poca da repress&atilde;o sobre movimentos de luta armada durante o regime militar (1964-1985), mas n&atilde;o teve retorno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pessoas perseguidas e os parentes de v\u00edtimas da ditadura militar (1964-1985) esperam que o futuro presidente da Rep\u00fablica abra os arquivos das For\u00e7as Armadas e revelem os documentos com as informa\u00e7\u00f5es sobre o paradeiro dos corpos de cerca de 400 desaparecidos pol\u00edticos. Al\u00e9m disso, pleiteiam acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es sobre as opera\u00e7\u00f5es militares de combate \u00e0 luta armada para saber como se deu a captura e a morte dos parentes.<\/p>\n<p>&#8220;A expectativa \u00e9 de que quem for eleito democraticamente resolva essa hist\u00f3ria. As coisas n\u00e3o podem ficar ocultas&#8221;, disse Diva Santana, da comiss\u00e3o interministerial que acompanha as opera\u00e7\u00f5es de resgate de restos mortais de pessoas envolvidas na guerrilha do Araguaia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":37650,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[523],"class_list":["post-37651","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-ditadura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37651","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37651"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37651\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37650"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37651"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}