{"id":37469,"date":"2010-10-17T01:00:00","date_gmt":"2010-10-17T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/dilma-e-garantia-do-processo-democratico-por-giuseppe-cocco\/"},"modified":"2010-10-17T01:00:00","modified_gmt":"2010-10-17T03:00:00","slug":"dilma-e-garantia-do-processo-democratico-por-giuseppe-cocco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/dilma-e-garantia-do-processo-democratico-por-giuseppe-cocco\/","title":{"rendered":"Dilma \u00e9 garantia do processo democr\u00e1tico, por Giuseppe Cocco"},"content":{"rendered":"<p><strong>Dilma &eacute; garantia do processo democr&aacute;tico <\/p>\n<p>Giuseppe Cocco<\/p>\n<p><\/strong><em><strong>&Eacute; s&oacute; no governo de Dilma que poderemos continuar lutando para transformar o crescimento em um outro tipo de desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p><\/em>O med&iacute;ocre desempenho eleitoral de Jos&eacute; Serra nesse primeiro turno &eacute; consequ&ecirc;ncia do esgotamento do discurso tecnocr&aacute;tico que, durante a breve hegemonia da macroeconomia neoliberal, tinha funestamente reanimado os mornos interesses das elites brasileiras.<\/p>\n<p>Por tr&aacute;s da hipocrisia deslavada (at&eacute; com a demoniza&ccedil;&atilde;o dos direitos das mulheres), s&oacute; resta a linguagem insensata do fundamentalismo economicista: o Brasil &eacute; um &quot;custo&quot; a ser &quot;cortado&quot;. &Eacute; a apologia dos meios (cortes dos custos) contra os fins (todos os brasileiros).<\/p>\n<p>A vit&oacute;ria parcial, mas expressiva, de Dilma Rousseff cont&eacute;m muitos dos elementos inovadores desses oito anos de governo Lula: distribui&ccedil;&atilde;o de renda, pol&iacute;ticas culturais, democratiza&ccedil;&atilde;o do ensino superior, formid&aacute;vel cria&ccedil;&atilde;o de empregos formais, demarca&ccedil;&atilde;o das reservas ind&iacute;genas e, enfim, uma pol&iacute;tica externa aut&ocirc;noma.<\/p>\n<p>Contudo, na campanha do PT h&aacute; tamb&eacute;m acentos do velho ad&aacute;gio: os fins justificam os meios. O crescimento (os meios) n&atilde;o precisa ser pensado, pois &eacute; justificado pelo fim (o desenvolvimento): uma sider&uacute;rgica se justifica por si.<\/p>\n<p>A candidatura de Marina Silva foi o fato novo quando ela teve a coragem de dizer que os fins e os meios devem estar juntos. Cultura (desenvolvimento) e natureza n&atilde;o devem se opor, mas qualificar-se reciprocamente, na hibridiza&ccedil;&atilde;o que eles s&atilde;o: natureza artificial e artif&iacute;cio natural!<\/p>\n<p>Mas o modo como a &quot;onda verde&quot; juntou os jovens urbanos libert&aacute;rios aos piores fundamentalismos foi dramaticamente paradoxal: os meios e os fins acabaram se opondo entre si, de maneira insustent&aacute;vel.<br \/>\nO segundo turno desenha uma n&iacute;tida alternativa. Por um lado, uma &quot;coaliz&atilde;o dos meios&quot; se apresenta como novo fundamentalismo abertamente reacion&aacute;rio. Seu regime discursivo &eacute; aquele do medo.<\/p>\n<p>N&atilde;o se sabe o pre&ccedil;o social que todos pagaremos pelo leil&atilde;o de paix&otilde;es tristes (machismo, sexismo, racismo) ati&ccedil;ado pelos que nada t&ecirc;m a propor, a n&atilde;o ser uma virada protofascista.<\/p>\n<p>Pelo outro lado, a &quot;coaliz&atilde;o dos fins&quot; pode se juntar aos meios e tornar-se sustent&aacute;vel diante dos novos desafios.<br \/>\nSe o capitalismo global inclui (explora) os pobres enquanto pobres fragmentos heterog&ecirc;neos em competi&ccedil;&atilde;o no mercado, os pobres se organizam cada vez mais enquanto diferen&ccedil;as: favelados, negros, mesti&ccedil;os, mulheres, ind&iacute;genas, quilombolas, gays, l&eacute;sbicas, sem terra.<\/p>\n<p>&Eacute; aqui, nos pobres, que desenvolvimento e natureza est&atilde;o juntos e o voto ecologista mant&eacute;m sua pot&ecirc;ncia. Para n&atilde;o ser capturada, a novidade da candidatura Marina deve apostar na democr&aacute;tica hibridiza&ccedil;&atilde;o do social (&quot;cultura&quot;) e da natureza (meio ambiente), ou seja, na jun&ccedil;&atilde;o da resist&ecirc;ncia contra a volta da &quot;peste neoliberal&quot; com as pol&iacute;ticas dos pobres.<\/p>\n<p>&Eacute; s&oacute; no governo de Dilma que poderemos continuar lutando para transformar a quantidade (o crescimento) em qualidade <br \/>\n(um outro tipo de desenvolvimento). A sustentabilidade &eacute; aquela da mesti&ccedil;agem das ondas vermelha e verde, para al&eacute;m de e contra os fundamentalismos.<\/p>\n<p><strong>Giuseppe Cocco,&nbsp;cientista pol&iacute;tico, doutor em hist&oacute;ria social pela Universidade de Paris, &eacute; professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. &Eacute; autor, entre outras obras, de &quot;MundoBraz: O Devir Brasil do Mundo e o Devir Mundo do Brasil&quot;.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O med\u00edocre desempenho eleitoral de Jos\u00e9 Serra nesse primeiro turno \u00e9 consequ\u00eancia do esgotamento do discurso tecnocr\u00e1tico que, durante a breve hegemonia da macroeconomia neoliberal, tinha funestamente reanimado os mornos interesses das elites brasileiras.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s da hipocrisia deslavada (at\u00e9 com a demoniza\u00e7\u00e3o dos direitos das mulheres), s\u00f3 resta a linguagem insensata do fundamentalismo economicista: o Brasil \u00e9 um &#8220;custo&#8221; a ser &#8220;cortado&#8221;. \u00c9 a apologia dos meios (cortes dos custos) contra os fins (todos os brasileiros).<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria parcial, mas expressiva, de Dilma Rousseff cont\u00e9m muitos dos elementos inovadores desses oito anos de governo Lula: distribui\u00e7\u00e3o de renda, pol\u00edticas culturais, democratiza\u00e7\u00e3o do ensino superior, formid\u00e1vel cria\u00e7\u00e3o de empregos formais, demarca\u00e7\u00e3o das reservas ind\u00edgenas e, enfim, uma pol\u00edtica externa aut\u00f4noma.<\/p>\n<p>Trecho do artigo &#8220;Dilma \u00e9 garantia do processo democr\u00e1tico&#8221;, do cientista pol\u00edtico Giseppe Cocco, publicado neste domingo, 17, na Folha de S. Paulo. Leia a seguir a sua \u00edntegra.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":37468,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[981],"class_list":["post-37469","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-artigo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37469","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37469"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37469\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37468"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37469"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37469"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37469"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}