{"id":37175,"date":"2010-10-23T00:00:00","date_gmt":"2010-10-23T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/midia-rebola-para-esconder-que-guerra-aecio-x-serra-causou-quebra-de-sigilos\/"},"modified":"2010-10-23T00:00:00","modified_gmt":"2010-10-23T02:00:00","slug":"midia-rebola-para-esconder-que-guerra-aecio-x-serra-causou-quebra-de-sigilos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/midia-rebola-para-esconder-que-guerra-aecio-x-serra-causou-quebra-de-sigilos\/","title":{"rendered":"M\u00eddia rebola para esconder que guerra A\u00e9cio x Serra causou quebra de sigilos"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"verdana13grafite\"><\/p>\n<div>A m&iacute;dia rebola para esconder o fato: a quebra do sigilo da turma de Serra &eacute; fruto de uma guerra tucana<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Apesar do esfor&ccedil;o em atribuir a culpa &agrave; campanha de Dilma Rousseff, o esc&acirc;ndalo da quebra dos sigilos fiscais de pol&iacute;ticos do PSDB e de parentes do candidato Jos&eacute; Serra que dominou boa parte do debate no primeiro turno teve mesmo a origem relatada por CartaCapital em junho: uma disputa fratricida no tucanato.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Obrigada a abrir os resultados do inqu&eacute;rito ap&oacute;s uma reportagem da Folha de S.Paulo com conclus&otilde;es distorcidas, a Pol&iacute;cia Federal revelou ter sido o jornalista Amaury Ribeiro J&uacute;nior, ent&atilde;o a servi&ccedil;o do jornal O Estado de Minas, que encomendou a despachantes de S&atilde;o Paulo a quebra dos sigilos. O servi&ccedil;o ilegal foi pago. E h&aacute;, como se ver&aacute; adiante, diverg&ecirc;ncias nos valores desembolsados (o pagamento teria variado, segundo as in&uacute;meras vers&otilde;es, de 8 mil a 13 mil reais).<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Ribeiro J&uacute;nior prestou tr&ecirc;s depoimentos &agrave; PF. No primeiro, afirmou que todos os documentos em seu poder haviam sido obtidos de forma legal, em processos p&uacute;blicos. Confrontado com as apura&ccedil;&otilde;es policiais, que indicavam o contr&aacute;rio, foi obrigado nos demais a revelar a verdade. Segundo contou o pr&oacute;prio rep&oacute;rter, a encomenda aos despachantes fazia parte de uma investiga&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica iniciada a pedido do ent&atilde;o governador de Minas Gerais, A&eacute;cio Neves, que buscava uma forma de neutralizar a arapongagem contra ele conduzida pelo deputado federal e ex-delegado Marcelo Itagiba, do PSDB. Itagiba, diz Ribeiro J&uacute;nior, agiria a mando de Serra. <\/p>\n<p>&Agrave; &eacute;poca, A&eacute;cio disputava com o colega paulista a indica&ccedil;&atilde;o como candidato &agrave; Presid&ecirc;ncia pelo partido.<\/p><\/div>\n<div>Ribeiro J&uacute;nior disse &agrave; PF ter sido escalado para o servi&ccedil;o diretamente pelo diretor de reda&ccedil;&atilde;o do jornal mineiro, Josemar Gimenez, pr&oacute;ximo &agrave; irm&atilde; de A&eacute;cio, Andr&eacute;a Neves. A apura&ccedil;&atilde;o, que visava levantar esc&acirc;ndalos a envolver Serra e seus aliados durante o processo de privatiza&ccedil;&atilde;o do governo Fernando Henrique Cardoso, foi apelidada de Opera&ccedil;&atilde;o Caribe. O nome sugestivo teria a ver com supostas remessas ilegais a para&iacute;sos fiscais.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Acuado por uma investiga&ccedil;&atilde;o tocada por Itagiba, chefe da arapongagem de Serra desde os tempos do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, A&eacute;cio temia ter a reputa&ccedil;&atilde;o assassinada nos moldes do sucedido com Roseana Sarney, atual governadora do Maranh&atilde;o, em 2002. Naquele per&iacute;odo, a dupla Itagiba-Serra articulou com a Pol&iacute;cia Federal a Opera&ccedil;&atilde;o Lunus, em S&atilde;o Lu&iacute;s (MA), que flagrou uma montanha de dinheiro sujo na empresa de Jorge Murad, marido de Roseana, ent&atilde;o no PFL. L&iacute;der nas pesquisas, Roseana acabou fora do p&aacute;reo ap&oacute;s a imagem do dinheiro ter sido exibida diuturnamente nos telejornais. Serra acabou ungido a candidato da alian&ccedil;a &agrave; Presid&ecirc;ncia, mas foi derrotado por Lula. A fam&iacute;lia Sarney jamais perdoou o tucano pelo golpe.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Influente nos dois mandatos do irm&atilde;o, Andr&eacute;a Neves foi, por sete anos, presidente do Servi&ccedil;o Volunt&aacute;rio de Assist&ecirc;ncia Social (Servas) de Minas Gerais, cargo tradicional das primeiras-damas mineiras, ocupado por ela por conta da solteirice de A&eacute;cio. Mas nunca foi sopa quente ou agasalho para os pobres a voca&ccedil;&atilde;o de Andr&eacute;a. Desde os primeiros dias do primeiro mandato do irm&atilde;o, ela foi escalada para intermediar as conversas entre o Pal&aacute;cio da Liberdade e a m&iacute;dia local. Virou coordenadora do Grupo T&eacute;cnico de Comunica&ccedil;&atilde;o do governo, formalmente criado para estabelecer as diretrizes e a execu&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas de presta&ccedil;&atilde;o de contas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. Suas rela&ccedil;&otilde;es com Gimenez se estreitaram.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Convenientemente apontado agora como &ldquo;jornalista ligado ao PT&rdquo;, Ribeiro J&uacute;nior sempre foi um franco-atirador da imprensa brasileira. E reconhecido.&not; Aos 47 anos, ganhou tr&ecirc;s pr&ecirc;mios Esso e quatro vezes o Pr&ecirc;mio Vladimir Herzog, duas das mais prestigiadas premia&ccedil;&otilde;es do jornalismo nativo. O rep&oacute;rter integra ainda o Cons&oacute;rcio Internacional de Jornalistas Investigativos e &eacute; um dos fundadores da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Entre outros ve&iacute;culos, trabalhou no Jornal do Brasil, O Globo e Isto&Eacute;. Sempre se destacou como um farejador de not&iacute;cia, sem v&iacute;nculo com pol&iacute;ticos e partidos. Tamb&eacute;m &eacute; reconhecido pela coragem pessoal. Nunca, portanto, se enquadrou no figurino de militante.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Em 19 de setembro de 2007, por exemplo, Ribeiro J&uacute;nior estava em um bar de Cidade Ocidental, em Goi&aacute;s, no violento entorno do Distrito Federal, para onde havia ido a fim de fazer uma s&eacute;rie de reportagens sobre a guerra dos traficantes locais. Enquanto tomava uma bebida, foi abordado por um garoto de bon&eacute;, bermuda, casaco azul e chinelo com uma arma em punho. O jornalista pulou em cima do rapaz e, atracado ao agressor, levou um tiro na barriga. Levado consciente ao hospital, conseguiu se recuperar e, em dois meses, estava novamente a postos para trabalhar no Correio Braziliense, do mesmo grupo controlador do Estado de Minas, os Di&aacute;rios Associados. Gimenez acumula a dire&ccedil;&atilde;o de reda&ccedil;&atilde;o dos dois jornais.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Depois de baleado, Ribeiro J&uacute;nior, contratado pelos Di&aacute;rios Associados desde 2006, foi transferido para Belo Horizonte, no in&iacute;cio de 2008, para sua pr&oacute;pria seguran&ccedil;a. A partir de ent&atilde;o, passou a ficar livre para tocar a principal pauta de interesse de Gimenez: o dossi&ecirc; de contrainforma&ccedil;&atilde;o encomendado para proteger A&eacute;cio do ass&eacute;dio da turma de Serra. O jornalista tinha viagens e despesas pagas pelo jornal mineiro e um lugar cativo na reda&ccedil;&atilde;o do Correio em Bras&iacute;lia, inclusive com um telefone particular. Aos colegas que perguntavam de suas r&aacute;pidas incurs&otilde;es na capital federal, respondia, brincalh&atilde;o: &ldquo;Vim ferrar com o Serra&rdquo;.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Na quarta-feira 20, por ordem do ministro da Justi&ccedil;a, Luiz Paulo Barreto, a c&uacute;pula da PF foi obrigada a se movimentar para colocar nos eixos a hist&oacute;ria da quebra de sigilos. A inten&ccedil;&atilde;o inicial era s&oacute; divulgar os resultados ap&oacute;s o t&eacute;rmino das elei&ccedil;&otilde;es. O objetivo era evitar que as conclus&otilde;es fossem interpretadas pelos tucanos como uma forma de tentar ajudar a campanha de Dilma Rousseff. Mas a reportagem da Folha, enviezada, obrigou o governo a mudar seus planos. E precipitou uma s&eacute;rie de vers&otilde;es e um disse n&atilde;o disse, que acabou por atingir o tucanato de modo irremedi&aacute;vel.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Em entrevista coletiva na quarta-feira 20, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corr&ecirc;a, e o delegado Alessandro Moretti, da Divis&atilde;o de Intelig&ecirc;ncia Policial (DIP), anunciaram n&atilde;o existir rela&ccedil;&atilde;o entre a quebra de sigilo em unidades paulistas da Receita Federal e a campanha presidencial de 2010. De acordo com Moretti, assim como constou de nota distribu&iacute;da aos jornalistas, as provas colhidas revelaram que Ribeiro J&uacute;nior come&ccedil;ou a fazer levantamento de informa&ccedil;&otilde;es de empresas e pessoas f&iacute;sicas ligadas a tucanos desde o fim de 2008, por conta do trabalho no Estado de Minas. A informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o convenceu boa parte da m&iacute;dia, que tem arrumado maneiras &agrave;s vezes muito criativas de manter aceso o suposto elo entre a quebra de sigilo e a campanha petista.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Em 120 dias de investiga&ccedil;&atilde;o, disse o delegado Moretti, foram ouvidas 37 testemunhas em mais de 50 depoimentos, que resultaram nos indiciamentos dos despachantes Dirceu Rodrigues Garcia e Antonio Carlos Atella, al&eacute;m do office-boy Ademir Cabral, da funcion&aacute;ria do Serpro cedida &agrave; Receita Federal Adeildda dos Santos, e Fernando Ara&uacute;jo Lopes, suspeito de pagar &agrave; servidora pela obten&ccedil;&atilde;o das declara&ccedil;&otilde;es de Imposto de Renda. Ribeiro J&uacute;nior, embora tenha confessado &agrave; PF ter encomendado os do&not;cumentos, ainda n&atilde;o foi indiciado. Seus advogados acreditam, por&eacute;m, que ele n&atilde;o escapar&aacute;. Um novo depoimento do jornalista &agrave; pol&iacute;cia j&aacute; foi agendado.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>De acordo com a investiga&ccedil;&atilde;o, a filha e o genro do candidato do PSDB, Ver&ocirc;nica Serra e Alexandre Bourgeois, tiveram os sigilos quebrados na delegacia da Receita de Santo Andr&eacute;, no ABC Paulista. Outras cinco pessoas, das quais quatro ligadas ao PSDB, tiveram o sigilo violado em 8 de outubro de 2009, numa unidade da Receita em Mau&aacute;, tamb&eacute;m na Grande S&atilde;o Paulo. Entre elas aparecem o ex-ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es do governo Fernando Henrique Cardoso, o economista Luiz Carlos Mendon&ccedil;a de Barros, e Greg&oacute;rio Preciado, ex-s&oacute;cio de Serra. O mesmo ocorreu em rela&ccedil;&atilde;o a Ricardo S&eacute;rgio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil e tesoureiro de campanhas de Serra e FHC.<br \/>\n&nbsp;<\/div>\n<div>Segundo dados da PF, todas as quebras de sigilo ocorreram entre setembro e outubro de 2009. As informa&ccedil;&otilde;es foram utilizadas para a confec&ccedil;&atilde;o de relat&oacute;rios, e todas as despesas da a&ccedil;&atilde;o do jornalista, segundo o pr&oacute;prio, foram custeadas pelo jornal mineiro. Mas o rep&oacute;rter informou aos policiais ter disposto de 12 mil reais, em dinheiro, para pagar pelos documentos &ndash; 8,4 mil reais, segundo Dirceu Garcia &ndash; e outras despesas de viagem e hospedagem. Garcia revelou ao Jornal Nacional, da TV Globo, na mesma quarta 20, ter recebido 5 mil reais de Ribeiro J&uacute;nior, entre 9 e 19 de setembro passado, como &ldquo;aux&iacute;lio&rdquo;. A PF acredita que o &ldquo;aux&iacute;lio&rdquo; &eacute;, na verdade, uma esp&eacute;cie de suborno para o despachante n&atilde;o confessar a quebra ilegal dos sigilos.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A nota da PF sobre a viola&ccedil;&atilde;o fez quest&atilde;o de frisar que &ldquo;n&atilde;o foi comprovada sua utiliza&ccedil;&atilde;o em campanha pol&iacute;tica&rdquo;, base de toda a movimenta&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia em torno de Ribeiro J&uacute;nior desde que, em abril, ele apareceu na revista Veja como integrante do tal &ldquo;grupo de intelig&ecirc;ncia&rdquo; da pr&eacute;-campanha de Dilma Rousseff. Embora seja a tese de interesse da campanha tucana e, por extens&atilde;o, dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o engajados na candidatura de Serra, a liga&ccedil;&atilde;o do jornalista com o PT n&atilde;o chegou a se consumar e &eacute; um desdobramento originado da encomenda feita por A&eacute;cio.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A vasta apura&ccedil;&atilde;o da Opera&ccedil;&atilde;o Caribe foi transformada em uma reportagem jamais publicada pelo Estado de Minas. O material, de acordo com Ribeiro J&uacute;nior, acabou por render um livro que ele supostamente pretende lan&ccedil;ar depois das elei&ccedil;&otilde;es. Intitulado Os Por&otilde;es da Privataria, a obra pretende denunciar supostos esquemas ilegais de financiamento, lavagem de dinheiro e transfer&ecirc;ncia de recursos oriundos do processo de privatiza&ccedil;&atilde;o de estatais durante o governo FHC para para&iacute;sos fiscais no exterior. De olho nessas informa&ccedil;&otilde;es, e preocupado com &ldquo;espi&otilde;es&rdquo; infiltrados no comit&ecirc;, o ent&atilde;o coordenador de comunica&ccedil;&atilde;o da pr&eacute;-campanha de Dilma, Luiz Lanzetta, decidiu procurar o jornalista.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Lanzetta conhecia Ribeiro J&uacute;nior e tamb&eacute;m sabia que o jornalista tinha entre suas fontes not&oacute;rios arapongas de Bras&iacute;lia. Foi o rep&oacute;rter quem intermediou o contato de Lanzetta com o ex-delegado On&eacute;zimo Souza e o sargento da Aeron&aacute;utica Idalberto Matias de Ara&uacute;jo, o Dad&aacute;. O quarteto encontrou-se no restaurante Fritz, localizado na Asa Sul da capital federal, em 20 de abril. Aqui, as vers&otilde;es do conte&uacute;&not;do do convescote divergem. Lanzetta e Ribeiro J&uacute;nior garantem que a inten&ccedil;&atilde;o era contratar Souza para descobrir os supostos espi&otilde;es. Segundo o delegado, al&eacute;m do monitoramento interno, a dupla queria tamb&eacute;m uma investiga&ccedil;&atilde;o contra Serra.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>O encontro no Fritz acabou por causar uma enorme confus&atilde;o na pr&eacute;-campanha de Dilma e, embora n&atilde;o tenha resultado em nada, deu muni&ccedil;&atilde;o para a oposi&ccedil;&atilde;o e fez proliferar, na m&iacute;dia, o mito do &ldquo;grupo de intelig&ecirc;ncia&rdquo; montado para fabricar dossi&ecirc;s contra Serra. A quebra dos sigilos tornou-se uma obsess&atilde;o do programa eleitoral tucano, at&eacute; que, ante a falta de dividendos eleitorais, partiu-se para um alvo mais eficiente: os esc&acirc;ndalos de nepotismo a envolver a ent&atilde;o ministra da Casa Civil Erenice Guerra.<\/div>\n<div>\nO tal &ldquo;grupo de intelig&ecirc;ncia&rdquo; que nunca chegou a atuar est&aacute; na base de outra disputa fratricida, desta vez no PT. De um lado, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte que indicou a empresa de Lanzetta, a Lanza Comunica&ccedil;&otilde;es, para o trabalho no comit&ecirc; eleitoral petista. Do outro, o deputado estadual por S&atilde;o Paulo Rui Falc&atilde;o, interessado em assumir maior protagonismo na campanha de Dilma Rousseff. Essa guerra de poder e dinheiro resultou em um esc&acirc;ndalo &agrave; moda desejada pelo PSDB.<\/div>\n<div>\nEm um dos depoimentos &agrave; pol&iacute;cia, Ribeiro J&uacute;nior acusa Falc&atilde;o de ter roubado de seu computador as informa&ccedil;&otilde;es dos sigilos fiscais dos tucanos. Segundo o jornalista, o deputado teria mandado invadir o quarto do hotel onde ele esteve hospedado em Bras&iacute;lia. Tamb&eacute;m atribuiu ao petista o vazamento de informa&ccedil;&otilde;es a Veja. O objetivo de Falc&atilde;o seria afastar Lanzetta da pr&eacute;-campanha e assumir maiores poderes. &Agrave; Veja, Falc&atilde;o teria se apresentado como o l&uacute;cido que impediu que vicejasse uma nova vers&atilde;o dos aloprados, alus&atilde;o aos petistas presos em 2006 quando iriam comprar um dossi&ecirc; contra Serra. Em nota oficial, o parlamentar rebateu as acusa&ccedil;&otilde;es. Segundo Falc&atilde;o, Ribeiro J&uacute;nior ter&aacute; de provar o que diz.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>As conclus&otilde;es do inqu&eacute;rito n&atilde;o satisfizeram a m&iacute;dia. Na quinta 21, a tese central passou a ser de que Ribeiro J&uacute;nior estava de f&eacute;rias &ndash; e n&atilde;o a servi&ccedil;o do jornal &ndash; quando veio a S&atilde;o Paulo buscar a encomenda feita ao despachante. E que pagou a viagem de Bras&iacute;lia &agrave; capital paulista em dinheiro vivo. Mais: na volta das f&eacute;rias, o jornalista teria pedido demiss&atilde;o do Estado de Minas sem &ldquo;maiores explica&ccedil;&otilde;es&rdquo;.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&Eacute; o velho apego a temas acess&oacute;rios para esconder o essencial. Por partes: A retirada dos documentos em S&atilde;o Paulo &eacute; resultado de uma apura&ccedil;&atilde;o, conduzida, v&ecirc;-se agora, por m&eacute;todos ilegais, iniciada quase um ano antes. N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vidas de que o di&aacute;&not;rio mineiro pagou a maioria das despesas do rep&oacute;rter para o levantamento das informa&ccedil;&otilde;es. Ele n&atilde;o &eacute; filiado ao PT ou trabalhou na campanha ou na pr&eacute;-campanha de Dilma.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Ribeiro J&uacute;nior pediu demiss&atilde;o, mas n&atilde;o de forma misteriosa como insinua a imprensa. O pedido ocorreu por causa da morte de seu pai, dono de uma pizzaria e uma fazenda em Mato Grosso. Sem outros parentes que &not;pudessem cuidar do neg&oacute;cio, o jornalista decidiu trocar a carreira pela vida de pequeno empres&aacute;rio. Neste ano, decidiu regressar ao jornalismo. Hoje ele trabalha na TV Record.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Quando o resultado do inqu&eacute;rito veio &agrave; tona, a primeira rea&ccedil;&atilde;o do jornal mineiro foi soltar uma nota an&oacute;dina que nem desmentia nem confirmava o teor dos depoimentos de Ribeiro J&uacute;nior. &ldquo;O Estado de Minas &eacute; citado por parte da imprensa no epis&oacute;dio de poss&iacute;vel viola&ccedil;&atilde;o de dados fiscais de pessoas ligadas &agrave; atual campanha eleitoral. Entende que isso &eacute; normal e recorrente, principalmente &agrave;s v&eacute;speras da elei&ccedil;&atilde;o, quando os debates se tornam acalorados&rdquo;, diz o texto. &ldquo;O jornalista Amaury Ribeiro J&uacute;nior trabalhou por tr&ecirc;s anos no Estado de Minas e publicou diversas reportagens. Nenhuma, absolutamente nenhuma, se referiu ao fato agora em quest&atilde;o. O Estado de Minas faz jornalismo.&rdquo;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>No momento em que o assunto tomou outra dimens&atilde;o, a vers&atilde;o mudou bastante. Passou a circular a tese de que Ribeiro J&uacute;nior agiu por conta pr&oacute;pria, durante suas f&eacute;rias. Procurado por CartaCapital, Gimenez ficou muito irritado com perguntas sobre a Opera&ccedil;&atilde;o Caribe. &ldquo;N&atilde;o sei de nada, isso &eacute; um absurdo, n&atilde;o estou lhe dando entrevista&rdquo;, disse, alterado, ao telefone celular. Sobre a origem da pauta, foi ainda mais nervoso. &ldquo;Voc&ecirc; tem de perguntar ao Amaury&rdquo;, arrematou. Antes de desligar, anunciou que iria divulgar uma nova nota p&uacute;blica, desta vez para provar que Ribeiro J&uacute;nior, funcion&aacute;rio com quem manteve uma rela&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a profissional de quase cinco anos, n&atilde;o trabalhava mais nos Di&aacute;rios Associados quando os sigilos dos tucanos foram quebrados na Receita.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A nota, ao que parece, nem precisou ser redigida. Antes da declara&ccedil;&atilde;o de Gimenez a CartaCapital, o UOL, portal na internet do Grupo Folha, deu guarida &agrave; vers&atilde;o. Em seguida, ela se espalhou pelo notici&aacute;rio. Convenientemente.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>O que Gimenez n&atilde;o pode negar &eacute; a ades&atilde;o do Estado de Minas ao governador A&eacute;cio Neves na luta contra a indica&ccedil;&atilde;o de Serra. Ela se tornou expl&iacute;cita em 3 de fevereiro deste ano, quando um editorial do jornal intitulado Minas a Reboque, N&atilde;o! soou como um grito de guerra contra o tucanato paulista. No texto, iniciado com a palavra &ldquo;indigna&ccedil;&atilde;o&rdquo;, o di&aacute;rio partiu para cima da decis&atilde;o do PSDB de negar as pr&eacute;vias e impor a candidatura de Serra contra as pretens&otilde;es de A&eacute;cio. Tamb&eacute;m pareceu uma resposta &agrave;s insinua&ccedil;&otilde;es maldosas de um articulista de O Estado de S. Paulo dirigidas ao governador de Minas.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&ldquo;Os mineiros repelem a arrog&acirc;ncia de lideran&ccedil;as pol&iacute;ticas que, temerosas do fracasso a que foram levados por seus pr&oacute;prios erros de avalia&ccedil;&atilde;o, pretendem dispor do sucesso e do reconhecimento nacional constru&iacute;do pelo governador A&eacute;cio Neves&rdquo;, tascou o editorial. Em seguida, desfiam-se as piores previs&otilde;es poss&iacute;veis para a candidatura de Serra: &ldquo;Fazem parecer obriga&ccedil;&atilde;o do l&iacute;der mineiro, a quem h&aacute; pouco negaram espa&ccedil;o e voz, cumprir papel secund&aacute;rio, apenas para injetar &acirc;nimo e simpatia &agrave; chapa que insistem ser liderada pelo governador de S&atilde;o Paulo, Jos&eacute; Serra&rdquo;. E termina, melanc&oacute;lico: &ldquo;Perplexos ante mais essa demonstra&ccedil;&atilde;o de arrog&acirc;ncia, que esconde amadorismo e inabilidade, os mineiros est&atilde;o, por&eacute;m, seguros de que o governador &lsquo;pol&iacute;tico de alta linhagem de Minas&rsquo; vai rejeitar papel subalterno que lhe oferecem. Ele sabe que, a reboque das composi&ccedil;&otilde;es que a mantiveram fora do poder central nos &uacute;ltimos 16 anos, Minas desta vez precisa dizer n&atilde;o&rdquo;.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Ao longo da semana, A&eacute;cio desmentiu mais de uma vez qualquer envolvimento com o epis&oacute;dio. &ldquo;Repudio com veem&ecirc;ncia e indigna&ccedil;&atilde;o a tentativa de vincula&ccedil;&atilde;o do meu nome &agrave;s graves a&ccedil;&otilde;es envolvendo o PT e o senhor Amaury Ribeiro Jr., a quem n&atilde;o conhe&ccedil;o e com quem jamais mantive qualquer tipo de rela&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirmou. O senador rec&eacute;m-eleito disse ainda que o Brasil sabe quem tem o DNA dos dossi&ecirc;s, em refer&ecirc;ncia ao PT.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Itagiba, derrotado nas &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es, tamb&eacute;m refutou as acusa&ccedil;&otilde;es de que teria comandado um grupo de espionagem com o intuito de atingir A&eacute;cio Neves, no meio da briga pela realiza&ccedil;&atilde;o de pr&eacute;vias no PSDB. &ldquo;N&atilde;o sou araponga. Quando fui delegado fazia investiga&ccedil;&atilde;o em inqu&eacute;rito aberto, n&atilde;o espionagem, para p&ocirc;r na cadeia criminosos do calibre desses sujeitos que formam essa camarilha inscrustada no PT.&rdquo;<\/div>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A m\u00eddia rebola para esconder o fato: a quebra do sigilo da turma de Serra \u00e9 fruto de uma guerra tucana. Apesar do esfor\u00e7o em atribuir a culpa \u00e0 campanha de Dilma Rousseff, o esc\u00e2ndalo da quebra dos sigilos fiscais de pol\u00edticos do PSDB e de parentes do candidato Jos\u00e9 Serra que dominou boa parte do debate no primeiro turno teve mesmo a origem relatada por CartaCapital em junho: uma disputa fratricida no tucanato.<\/p>\n<p>Obrigada a abrir os resultados do inqu\u00e9rito ap\u00f3s uma reportagem da Folha de S.Paulo com conclus\u00f5es distorcidas, a Pol\u00edcia Federal revelou ter sido o jornalista Amaury Ribeiro J\u00fanior, ent\u00e3o a servi\u00e7o do jornal O Estado de Minas, que encomendou a despachantes de S\u00e3o Paulo a quebra dos sigilos. O servi\u00e7o ilegal foi pago. E h\u00e1, como se ver\u00e1 adiante, diverg\u00eancias nos valores desembolsados (o pagamento teria variado, segundo as in\u00fameras vers\u00f5es, de 8 mil a 13 mil reais).<\/p>\n<p>por Leandro Fortes. Leia a seguir, a \u00edntegra da reportagem.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":37174,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[776],"class_list":["post-37175","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-midia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37175","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37175"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37175\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37174"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37175"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37175"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37175"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}