{"id":34282,"date":"2011-01-27T00:00:00","date_gmt":"2011-01-27T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/leia-o-artigo-o-ovo-da-serpente-de-ze-dirceu\/"},"modified":"2011-01-27T00:00:00","modified_gmt":"2011-01-27T02:00:00","slug":"leia-o-artigo-o-ovo-da-serpente-de-ze-dirceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/leia-o-artigo-o-ovo-da-serpente-de-ze-dirceu\/","title":{"rendered":"Leia o artigo &#8220;O ovo da serpente&#8221;, de Z\u00e9 Dirceu"},"content":{"rendered":"<p><strong>O ovo da serpente&nbsp;<\/p>\n<p>Z&eacute; Dirceu <\/strong><\/p>\n<p>Ao que tudo indica, a decis&atilde;o do Copom de elevar a taxa Selic n&atilde;o foi uma medida pontual, mas sim o tiro de largada de novo ciclo de alta dos juros, para for&ccedil;ar a infla&ccedil;&atilde;o a retroceder dos atuais 5,9% a um valor mais pr&oacute;ximo do centro da meta anual de 4,5%.<\/p>\n<p>A palavra &quot;infla&ccedil;&atilde;o&quot; tem impacto devastador na mem&oacute;ria do brasileiro e &eacute; com isso que jogam os agentes do mercado para sustentar a campanha de alta da Selic toda v&eacute;spera de reuni&atilde;o do Copom. Mas a tentativa de controlar a infla&ccedil;&atilde;o via Selic pode ser mais que um rem&eacute;dio amargo, pode ser uma escolha equivocada.<\/p>\n<p>Tenho insistido haver uma distin&ccedil;&atilde;o clara entre a infla&ccedil;&atilde;o que experimentamos, que oscila para al&eacute;m da meta, e a infla&ccedil;&atilde;o descontrolada &#8211; ocorrida nos anos 1980 e 1990, que resulta de desarranjos econ&ocirc;micos generalizados.<\/p>\n<p>No caso atual, h&aacute; forte componente sazonal, como a amplia&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o dos produtos agr&iacute;colas devido a fen&ocirc;menos clim&aacute;ticos.<\/p>\n<p>Alguns sustentam que a alta internacional das commodities n&atilde;o &eacute; tempor&aacute;ria, mas permanente.<\/p>\n<p>De todo modo, uma Selic maior n&atilde;o ter&aacute; impactos sobre essa vari&aacute;vel. Ademais, parte das press&otilde;es inflacion&aacute;rias vem do &quot;crescimento&quot; dos &uacute;ltimos 15 meses, fruto das acertadas pol&iacute;ticas antic&iacute;clicas de combate &agrave; crise de 2009, que geraram empregos, injetaram cr&eacute;dito na economia e estimularam o consumo. Os indicadores apontam que essa demanda come&ccedil;a a se arrefecer.<\/p>\n<p>Ali&aacute;s, o pr&oacute;prio Banco Central, em um de seus relat&oacute;rios, avaliou que manter os juros no patamar anterior n&atilde;o teria consequ&ecirc;ncias graves nos pr&oacute;ximos dois anos: com a taxa a 10,75% e o d&oacute;lar est&aacute;vel em torno de R$ 1,70, a infla&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;aria 5% ao fim de 2011 e 4,8% em 2012.<\/p>\n<p>Ou seja, nem o pr&oacute;prio BC trabalha com um cen&aacute;rio de descontrole inflacion&aacute;rio, o que nos faz questionar a raz&atilde;o que levou o Copom a aumentar a Selic e sinalizar novos aumentos. Parece um contrassenso tomar medidas para evitar um problema que se avalia nem existir.<\/p>\n<p>A alta dos juros se mostra desconectada da realidade. N&atilde;o dialoga com recentes medidas para limitar o cr&eacute;dito de curto prazo e a a&ccedil;&atilde;o sobre o mercado futuro.<\/p>\n<p>Causa tamb&eacute;m arrepios o impacto assustador que cada ponto percentual da Selic representa na d&iacute;vida p&uacute;blica: R$ 15 bilh&otilde;es, mais do que todo o or&ccedil;amento de um ano do Bolsa Fam&iacute;lia. Atrai ainda mais d&oacute;lares especulativos, impactando negativamente no c&acirc;mbio e criando obst&aacute;culos ao setor exportador.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos anos, vimos o Brasil fortalecer e ampliar seu mercado interno, tornando-se, de fato, uma economia emergente.<\/p>\n<p>O que nos cabe, agora, &eacute; fazer as mudan&ccedil;as estruturais para ampliar nossa produ&ccedil;&atilde;o e atender a esse mercado interno: reforma tribut&aacute;ria; est&iacute;mulo &agrave; ind&uacute;stria; desburocratiza&ccedil;&atilde;o e desindexa&ccedil;&atilde;o da economia; avan&ccedil;ar em inova&ccedil;&atilde;o e tecnologia; e promover as profundas transforma&ccedil;&otilde;es de nossa rede de infraestrutura previstas nos PACs.<\/p>\n<p>Em outras palavras, nosso caminho &eacute; crescer de forma sustentada. Elevar os juros, no entanto, cria obst&aacute;culos a esse objetivo. Estamos chocando o ovo da serpente.<\/p>\n<p><strong>Jos&eacute; Dirceu &eacute; advogado, ex-ministro da Casa Civil e membro do Diret&oacute;rio Nacional do PT&nbsp; &#8211; artigo publicado no Brasil Econ&ocirc;mico de 27 de janeiro de 2011.<br \/>\n<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao que tudo indica, a decis\u00e3o do Copom de elevar a taxa Selic n\u00e3o foi uma medida pontual, mas sim o tiro de largada de novo ciclo de alta dos juros, para for\u00e7ar a infla\u00e7\u00e3o a retroceder dos atuais 5,9% a um valor mais pr\u00f3ximo do centro da meta anual de 4,5%.<\/p>\n<p>A palavra &#8220;infla\u00e7\u00e3o&#8221; tem impacto devastador na mem\u00f3ria do brasileiro e \u00e9 com isso que jogam os agentes do mercado para sustentar a campanha de alta da Selic toda v\u00e9spera de reuni\u00e3o do Copom. Mas a tentativa de controlar a infla\u00e7\u00e3o via Selic pode ser mais que um rem\u00e9dio amargo, pode ser uma escolha equivocada. <\/p>\n<p>trecho do artigo &#8220;O ovo da serpente&#8221;, de Z\u00e9 Dirceu, publicado no Brasil Econ\u00f4mico de 27 de janeiro de 2011. Leia a seguir a sua \u00edntegra.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":34281,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[3484],"class_list":["post-34282","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-ze-dirceu"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34282","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34282"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34282\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34281"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34282"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34282"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34282"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}