{"id":33132,"date":"2011-03-07T00:00:00","date_gmt":"2011-03-07T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/gleisi-devemos-ajudar-o-paraguai-com-sensibilidade\/"},"modified":"2011-03-07T00:00:00","modified_gmt":"2011-03-07T03:00:00","slug":"gleisi-devemos-ajudar-o-paraguai-com-sensibilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/gleisi-devemos-ajudar-o-paraguai-com-sensibilidade\/","title":{"rendered":"Gleisi: &#8220;Devemos ajudar o Paraguai, com sensibilidade&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) concedeu longa entrevista ao rep&oacute;rter F&aacute;bio G&oacute;is, do site Congresso em Foco. No bate-papo, publicado nesta segunda-feira (7), Gleisi defende a revis&atilde;o do acordo de Itaipu, conferindo mais recursos ao Paraguai na sociedade com o Brasil.<\/p>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Gleisi tamb&eacute;m prop&otilde;e a cria&ccedil;&atilde;o de uma aposentadoria para donas de casa. Leia a seguir a &iacute;ntegra da entrevista:<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&ldquo;Ela tamb&eacute;m &eacute; loura e tem olhos claros. Mas, na sua avalia&ccedil;&atilde;o, param a&iacute; as semelhan&ccedil;as com a estrela de Hollywood e ex-princesa de M&ocirc;naco Grace Kelly (1929-1982). A raz&atilde;o da compara&ccedil;&atilde;o &eacute; que, por causa de Grace Kelly, a senadora paranaense se chama Gleisi. Seu pai queria fazer uma homenagem &agrave; m&atilde;e de Albert, Caroline e Stephanie, mas achava que o nome dela era grafado com &quot;l&quot;, e n&atilde;o com &quot;r&quot;. Da&iacute;, Gleisi, e n&atilde;o Grace.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A mulher do ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Paulo Bernardo, por&eacute;m, rejeita semelhan&ccedil;as e pompas de princesa. Gleisi foi a primeira mulher em 30 anos a exercer uma diretoria em Itaipu, a poderosa empresa binacional do setor el&eacute;trico. E &eacute; tamb&eacute;m a primeira mulher a eleger-se para um mandato no Senado pelo Paran&aacute;. &Eacute; com esse esp&iacute;rito pioneiro que essa paranaense de 46 anos disp&otilde;e-se a trabalhar no Congresso.&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&ldquo;Gra&ccedil;as a Deus, as mulheres est&atilde;o mudando muito, est&atilde;o mostrando o seu valor. Acho que temos de mostrar o que viemos fazer aqui, que &eacute; trabalhar bastante e mostrar resultado&rdquo;, enfatiza a senadora petista. Especialista em or&ccedil;amento, Gleisi foi chefe de gabinete de Paulo Bernardo antes de os dois se casarem. Ali, montou uma das primeiras estruturas de fiscaliza&ccedil;&atilde;o no Congresso das contas do governo atrav&eacute;s do Sistema Integrado de Administra&ccedil;&atilde;o Financeira (Siafi). Foi essa experi&ecirc;ncia de Gleisi com a an&aacute;lise das contas p&uacute;blicas que levou o ex-presidente Lula a convid&aacute;-la, em 2003, para exercer a Diretoria Executiva Financeira de Itaipu.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Para Gleisi, a Hidrel&eacute;trica de Itaipu &eacute; um empreendimento &ldquo;maravilhoso&rdquo;. E &eacute; por conta da experi&ecirc;ncia na hidrel&eacute;trica que ela defende um ponto que gera pol&ecirc;mica: a revis&atilde;o do tratado de Itaipu para conferir vantagens ao parceiro brasileiro, o Paraguai. Para ela, o Brasil, com um Produto Interno Bruto (PIB) muito maior do que o Paraguai, deve ajudar o pa&iacute;s vizinho com &ldquo;sensibilidade&rdquo;.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&ldquo;Eu defendo ardorosamente a aprova&ccedil;&atilde;o das notas reversais &#91;mecanismo que, com c&aacute;lculo alterado em eventual aprova&ccedil;&atilde;o no Congresso, triplicar&aacute; os valores recebidos pelo Paraguai referentes &agrave; energia de Itaipu] pelo Congresso Nacional. Temos quase 300 mil brasileiros que plantam naquele pa&iacute;s e criam suas fam&iacute;lias l&aacute;. Ent&atilde;o, n&oacute;s temos muita responsabilidade de ajudar o pa&iacute;s a dar certo, porque uma parcela expressiva do povo brasileiro tamb&eacute;m vai dar certo&rdquo;, disse a senadora, lembrando que o tratado, assinado em 1973, precisava de uma readequa&ccedil;&atilde;o.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&ldquo;Temos de lembrar que o Paraguai fica privado de vender sua energia para outros pa&iacute;ses at&eacute; 2023. Ent&atilde;o, &eacute; ser algoz demais fazer um tratado em que um pa&iacute;s &eacute; obrigado a comprar a nossa energia at&eacute; 2023 pelo pre&ccedil;o que n&oacute;s queremos, sem poder negociar com outros pa&iacute;ses. Acho que &eacute; de bom tom a gente ter um pouco de sensibilidade&rdquo;, acrescentou, rebatendo as cr&iacute;ticas de que os contribuintes brasileiros acabariam pagando o pre&ccedil;o. Ela diz que o valor renegociado &eacute; t&atilde;o &ldquo;residual&rdquo; para o Brasil que n&atilde;o reflete nas contas ao consumidor, enquanto que no pa&iacute;s vizinho, com PIB muito menor, o &ldquo;impacto significativo&rdquo; permitiria investimentos diversos. &nbsp;&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Gleisi iniciou a trajet&oacute;ria no movimento estudantil, em Curitiba. No curr&iacute;culo, re&uacute;ne fun&ccedil;&otilde;es como ex-presidente do PT paranaense, secret&aacute;ria extraordin&aacute;ria de Reestrutura&ccedil;&atilde;o Administrativa (Mato Grosso do Sul, 1999) e secret&aacute;ria de Gest&atilde;o P&uacute;blica da Prefeitura de Londrina (2001). Participou tamb&eacute;m da equipe de transi&ccedil;&atilde;o para o primeiro mandato do presidente Lula, quando conheceu a presidenta Dilma Rousseff &ndash; vista por ela como &ldquo;uma das profissionais mais competentes na &aacute;rea de gest&atilde;o&rdquo;. &ldquo;Eu dizia isso durante a campanha &#91;em 2010]. Muitas pessoas n&atilde;o acreditavam, achavam que ela era apenas uma cria&ccedil;&atilde;o do presidente Lula, e que n&atilde;o ia ter for&ccedil;a nem condi&ccedil;&otilde;es de fazer um bom governo. Ela est&aacute; surpreendendo muito bem todo mundo &ndash; &eacute; firme, determinada, sabe aonde quer chegar. Conduz as coisas de maneira a ter resultados, mas tamb&eacute;m tem muita sensibilidade&rdquo;, considera.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Especializada em Gest&atilde;o de Organiza&ccedil;&otilde;es P&uacute;blicas e Finan&ccedil;as P&uacute;blicas, com cursos em entidades como o Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI), Gleisi defende tamb&eacute;m a postura da equipe econ&ocirc;mica no recente corte de gastos em R$ 50 bilh&otilde;es. &ldquo;Eu vi como uma responsabilidade grande de governo. Depois de um ciclo expansionista que n&oacute;s tivemos na economia, de grandes investimentos e de est&iacute;mulo ao consumo, n&oacute;s temos de, agora, ter um contra-ciclo. Porque n&oacute;s temos uma infla&ccedil;&atilde;o que foi estimulada, por conta de todos os investimentos feitos, e que foram necess&aacute;rios e corretos. Agora n&oacute;s temos uma crise de outra ordem, e devemos ter mecanismos de outra ordem para enfrentar a crise&rdquo;, avalia.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Com tom de voz baixo, e de maneira atenciosa, Gleisi falou por quase 20 minutos &agrave; reportagem. Ela acabava de deixar a sala da Presid&ecirc;ncia do Senado, onde se reuniu com Jos&eacute; Sarney (PMDB-AP), depois de reuni&otilde;es na Esplanada dos Minist&eacute;rios. Acabada a entrevista e feitos os devidos cumprimentos, voltou-se para os servidores de seu gabinete e exclamou, em bem-humorada convoca&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Equipe econ&ocirc;mica!&rdquo;. Era uma esvaziada quinta-feira pr&eacute;-carnavalesca no Senado, sem sess&otilde;es deliberativas e n&uacute;mero diminuto de senadores na Casa.&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Confira a &iacute;ntegra da entrevista:<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Congresso em Foco &#8211; A senhora &eacute; a primeira senadora eleita pelo Paran&aacute;. Como tem sido a recep&ccedil;&atilde;o no Senado?&nbsp;<\/div>\n<div>Gleisi Hoffmann &#8211; Tenho sido muito bem recebida, tanto por parte dos senadores quanto pela dire&ccedil;&atilde;o da Casa, pelos servidores. O Senado me acolheu muito bem, com grande respeito e defer&ecirc;ncia. Para mim, &eacute; um desafio muito grande, enquanto pessoa e mulher. Desafio em dar retorno &agrave; expectativa do povo do Paran&aacute;, que me elegeu como a senadora mais votada.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Uma das suas propostas de sua campanha foi criar uma aposentadoria para donas de casa. Como seria isso?<\/div>\n<div>Inclusive, eu estou terminando o projeto, e devo apresent&aacute;-lo na semana que vem. Tamb&eacute;m vou fazer um pronunciamento em plen&aacute;rio espec&iacute;fico sobre ele. Na realidade, o projeto &eacute; a continuidade de uma a&ccedil;&atilde;o que n&oacute;s j&aacute; desenvolvemos desde 2005, junto com a &#91;ex] deputada Luci Choinacki &#91;PT-SC]. N&oacute;s fizemos uma emenda &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o reconhecendo que os trabalhadores dom&eacute;sticos tivessem aposentadoria e, portanto, teriam um regime especial simplificado. Em 2006, aprovou-se a lei complementar que estabelece o regime simplificado da Previd&ecirc;ncia. Ent&atilde;o, atende tamb&eacute;m aos chamados trabalhadores dom&eacute;sticos &ndash; que, na realidade, na maioria s&atilde;o trabalhadoras, donas de casa. E &eacute; um regime que diz o seguinte: se a mulher contribuir para a Previd&ecirc;ncia Social por 15 anos &ndash; e ela tem uma contribui&ccedil;&atilde;o diferenciada, que &eacute; a metade da contribui&ccedil;&atilde;o normal &ndash; e tiver 60 anos, ela tem direito a se aposentar. Ent&atilde;o, ela se aposenta como empregada dom&eacute;stica, dona de casa, com regime simplificado. Qual &eacute; a minha preocupa&ccedil;&atilde;o? Tem uma faixa de mulheres que n&atilde;o foi atingida por essa lei &ndash; mulheres com 58, 59, 60 anos, que n&atilde;o tiveram nem condi&ccedil;&otilde;es de pagar aposentadoria, porque ela foi prevista a partir de 2006. Elas v&atilde;o ficar prejudicadas se tiverem de pagar por mais 15 anos. Ent&atilde;o, o projeto que eu apresento &eacute; um projeto de lei de transi&ccedil;&atilde;o para atingir as mulheres dessa idade. Depois, as demais mulheres v&atilde;o continuar pagando o regime simplificado.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>O Executivo j&aacute; teve &ndash; e venceu &ndash; o primeiro embate significativo desta legislatura, com a fixa&ccedil;&atilde;o do novo sal&aacute;rio m&iacute;nimo. O governo Dilma come&ccedil;ou como a senhora imaginava?<\/div>\n<div>Sim. &Eacute; como eu imaginava. Est&aacute; come&ccedil;ando bem. Eu conheci a presidenta na equipe de transi&ccedil;&atilde;o para o governo do presidente Lula, em 2002, e sempre encontrei nela uma das mulheres, uma das profissionais mais competentes na &aacute;rea de gest&atilde;o. E dizia isso durante a campanha &#91;em 2010]. Muitas pessoas n&atilde;o acreditavam, achavam que ela era apenas uma cria&ccedil;&atilde;o do presidente Lula. E que n&atilde;o ia ter for&ccedil;a nem condi&ccedil;&otilde;es de fazer um bom governo. Ela est&aacute; surpreendendo muito bem todo mundo &ndash; &eacute; firme, determinada, sabe aonde quer chegar. Conduz as coisas de maneira a ter resultados, mas tamb&eacute;m tem muita sensibilidade. Ent&atilde;o, o governo dela est&aacute; do jeito que eu achei que tinha de estar, de acordo com as minhas expectativas. As rela&ccedil;&otilde;es que o PT tem com o governo s&atilde;o as melhores, a nossa bancada aqui no Senado &eacute; muito coesa, harm&ocirc;nica, tem uma boa interlocu&ccedil;&atilde;o com o governo, sabe do papel que tem aqui, que &eacute; defender o governo. E com os demais partidos da base aliada tamb&eacute;m &ndash; a gente procurou fazer os acordos da composi&ccedil;&atilde;o da Mesa, das comiss&otilde;es, respeitamos a todos. E, quanto ao sal&aacute;rio m&iacute;nimo, todos n&oacute;s sab&iacute;amos que era uma quest&atilde;o importante para o pa&iacute;s, para a economia. E n&oacute;s conseguimos avan&ccedil;ar muito em votar uma regra que d&aacute; previsibilidade e estabilidade aos nossos trabalhadores.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A senhora j&aacute; exerceu uma fun&ccedil;&atilde;o importante no Minist&eacute;rio da Fazenda, na gest&atilde;o de Ant&ocirc;nio Palocci. Como interpretou o recente contingenciamento or&ccedil;ament&aacute;rio de R$ 50 bilh&otilde;es?<\/div>\n<div>Eu vi como uma responsabilidade grande de governo. Depois de um ciclo expansionista que n&oacute;s tivemos na economia, de grandes investimentos e de est&iacute;mulo ao consumo, n&oacute;s temos de, agora, ter um contra-ciclo. Porque n&oacute;s temos uma infla&ccedil;&atilde;o que foi estimulada, por conta de todos os investimentos feitos, e que foram importantes, necess&aacute;rios e corretos, se n&atilde;o n&oacute;s n&atilde;o enfrentar&iacute;amos a crise &#91;financeira mundial 2008-2009]. Agora n&oacute;s temos uma crise de outra ordem, e devemos ter mecanismos de outra ordem para enfrentar a crise. Ent&atilde;o, os cortes est&atilde;o corretos: se n&oacute;s temos de enxugar gastos, demanda, n&oacute;s temos de enxugar a coloca&ccedil;&atilde;o de dinheiro tamb&eacute;m. Cortar gastos do governo &eacute; importante, porque desestimula um pouco essa liquidez, mas sobretudo porque mostra austeridade. Com menos gastos e a gente tendo a receita realizada como est&aacute; prevista, ou maior, n&oacute;s temos condi&ccedil;&otilde;es de, inclusive, reduzir a conta de juros e termos menos impacto no processo inflacion&aacute;rio. Por isso, vejo &#91;o corte] com bons olhos, vejo que o governo fez a medida certa no momento certo, com muita responsabilidade.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Mesmo com a diminui&ccedil;&atilde;o de rapasses &agrave; menina-dos-olhos do governo, o Programa Bolsa Fam&iacute;lia?<\/div>\n<div>&Eacute; importante explicitar que o Bolsa Fam&iacute;lia n&atilde;o vai sofrer nenhuma descontinuidade no projeto. O que acontece com o programa? N&oacute;s temos uma diferen&ccedil;a de tempo entre o dinheiro estar colocado &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o e os projetos serem realizados. Por exemplo: at&eacute; agora, at&eacute; abril, n&oacute;s n&atilde;o temos ainda o montante dos projetos que v&atilde;o ser realizados neste ano e est&atilde;o inscritos na Caixa. Porque as prefeituras &agrave;s vezes n&atilde;o t&ecirc;m equipes t&eacute;cnicas eficientes, n&atilde;o t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de fazer o projeto, v&atilde;o atr&aacute;s de gente para fazer. Ent&atilde;o, do dinheiro que estava programado para um ano, n&oacute;s vamos ter uma sobra. Possivelmente, a Caixa vai come&ccedil;ar a receber os projetos em abril deste ano. Ent&atilde;o, janeiro, fevereiro, mar&ccedil;o e abril s&atilde;o quatro meses em que &#91;o repasse] n&atilde;o vai ser executado. Obviamente, n&atilde;o h&aacute; porque deixar isso como cr&eacute;dito or&ccedil;ament&aacute;rio dispon&iacute;vel, para l&aacute; na frente algu&eacute;m tentar fazer uma transfer&ecirc;ncia or&ccedil;ament&aacute;ria, algu&eacute;m dizer &ldquo;tem dinheiro aqui dispon&iacute;vel, ent&atilde;o vamos trazer pra c&aacute; que a gente precisa&rdquo;. O governo agiu com responsabilidade, que &eacute; contingenciar aquilo que, realmente, n&atilde;o vai ser executado. N&atilde;o por falta de dinheiro, mas sobretudo porque os projetos n&atilde;o foram realizados no momento certo. Isso n&atilde;o prejudica, apenas fica um pouco mais para frente a realiza&ccedil;&atilde;o dos projetos, em raz&atilde;o desse problema de ordem t&eacute;cnica.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A senhora foi diretora de Itaipu, um empreendimento&#8230;<\/div>\n<div>Maravilhoso! (risos)<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Internacionalmente bem visto, inclusive. Mas h&aacute; setores da oposi&ccedil;&atilde;o que criticam a renegocia&ccedil;&atilde;o do tratado com o Paraguai, que passou a ter ampliadas as suas vantagens na explora&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica. Como a senhora responde &agrave;s cr&iacute;ticas?<\/div>\n<div>Primeiro, eu defendo ardorosamente a aprova&ccedil;&atilde;o das notas reversais &#91;mecanismo que, com c&aacute;lculo alterado em eventual aprova&ccedil;&atilde;o no Congresso, triplicar&aacute; os valores recebidos pelo Paraguai referentes &agrave; energia de Itaipu] pelo Congresso Nacional. Isso &eacute; uma quest&atilde;o de boas rela&ccedil;&otilde;es com o Paraguai, e de n&oacute;s reconhecermos que o Paraguai tem necessidades, e que o Brasil pode colaborar neste sentido. O Paraguai &eacute; um pa&iacute;s estrat&eacute;gico do ponto de vista das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. &Eacute; o segundo pa&iacute;s com mais brasileiros morando fora do territ&oacute;rio nacional depois dos Estados Unidos. N&oacute;s temos quase 300 mil brasileiros que plantam naquele pa&iacute;s e criam suas fam&iacute;lias l&aacute;. Enfim, que fazem sua vida no Paraguai. Ent&atilde;o, n&oacute;s temos muita responsabilidade de ajudar o pa&iacute;s a dar certo, porque uma parcela expressiva do povo brasileiro tamb&eacute;m vai dar certo. Nessa quest&atilde;o da adequa&ccedil;&atilde;o dos valores das notas reversais, era merecido. J&aacute; faz muito tempo que n&oacute;s assinamos o tratado &#91;26 de abril de 1973]. E o Paraguai agora vai ter condi&ccedil;&otilde;es de fazer uma utiliza&ccedil;&atilde;o maior de energia &ndash; eles est&atilde;o construindo um linh&atilde;o de transmiss&atilde;o. E n&oacute;s temos de lembrar que o Paraguai fica privado de vender sua energia para outros pa&iacute;ses at&eacute; 2023. Ent&atilde;o, &eacute; ser algoz demais fazer um tratado em que um pa&iacute;s &eacute; obrigado a comprar a nossa energia at&eacute; 2023 pelo pre&ccedil;o que n&oacute;s queremos, sem &#91;o Paraguai] poder negociar com outros pa&iacute;ses. E, agora, tendo o linh&atilde;o, tamb&eacute;m ficar com restri&ccedil;&atilde;o porque assinou &#91;o tratado]. Acho que &eacute; de bom tom a gente ter um pouco de sensibilidade e fazer essa adequa&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;o.&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A cr&iacute;tica que se faz &eacute; que os consumidores brasileiros &eacute; que ter&atilde;o de pagar a conta dessa generosidade&#8230;<\/div>\n<div>Para o Brasil, isso &eacute; quase que insignificante em termos de impacto or&ccedil;ament&aacute;rio &ndash; &#91;a cota do Paraguai] passa de cento e poucos para trezentos e poucos milh&otilde;es de d&oacute;lares, n&atilde;o &eacute; um impacto significativo. Para o Paraguai, &eacute; um impacto muito significativo. &Eacute; um recurso que eles v&atilde;o usar na infra-estrutura do pa&iacute;s &ndash; e que, portanto, vai ajudar os brasileiros que est&atilde;o morando l&aacute; &ndash;, que eles v&atilde;o usar na &aacute;rea social. Vai ajudar os paraguaios e, portanto, o povo brasileiro. E n&oacute;s n&atilde;o podemos esquecer que, na fronteira, ali em Foz do Igua&ccedil;u e em outros munic&iacute;pios, principalmente em grande parte do Paran&aacute;, n&oacute;s sofremos um impacto grande de tudo o que acontece no Paraguai. Ent&atilde;o, se o Paraguai vai mal, n&oacute;s vamos mal na fronteira tamb&eacute;m, n&atilde;o tem como separar isso. Precisamos que o Paraguai v&aacute; bem. Ent&atilde;o, eu defendo, &eacute; uma quest&atilde;o de reconhecimento, n&atilde;o estamos fazendo nenhum favor ao Paraguai. &Eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o estruturada em interesses sociais, e espero que o Congresso tenha sensibilidade e aprove logo.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>J&aacute; tivemos apag&otilde;es no pa&iacute;s em 2011. Como a senhora avalia o atual parque hidrel&eacute;trico brasileiro? A constru&ccedil;&atilde;o da usina de Belo Monte &eacute; suficiente para atender &agrave;s necessidades atuais?<\/div>\n<div>Do ponto de vista da gera&ccedil;&atilde;o de energia, n&oacute;s estamos muito avan&ccedil;ados. Conseguimos resolver os principais gargalos &ndash; n&atilde;o s&oacute; com Belo Monte, que est&aacute; para sair, mas tamb&eacute;m com outras hidrel&eacute;tricas, com gera&ccedil;&atilde;o t&eacute;rmica. Nosso grande desafio agora &eacute; na transmiss&atilde;o, tanto que as grandes obras do PAC na &aacute;rea de energia est&atilde;o nos linh&otilde;es de transmiss&atilde;o, e fazer a interliga&ccedil;&atilde;o do sistema nacionalmente. Porque, se n&atilde;o, a gente vai ter problemas. Os &uacute;ltimos acontecimentos de falta de energia n&atilde;o est&atilde;o ligados &agrave; gera&ccedil;&atilde;o, mas exatamente &agrave; &aacute;rea de transmiss&atilde;o.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A Lei Maria da Penha &eacute; celebrada como uma das mais importantes conquistas brasileiras para as mulheres. Mas encontra problemas em sua aplica&ccedil;&atilde;o na pr&aacute;tica. Como defensora da causa feminina, como a senhora avalia a situa&ccedil;&atilde;o da lei?<\/div>\n<div>A lei &eacute; muito positiva, &eacute; uma das melhores coisas que aconteceram para as mulheres nos &uacute;ltimos tempos. Depois das delegacias das mulheres, do voto feminino, foi a Lei Maria da Penha. Ainda que tenha problemas, ela trouxe para a pauta da pol&iacute;tica, da sociedade, algo que ficava escondido. Ou seja, a agress&atilde;o dom&eacute;stica &agrave;s mulheres, principalmente por seus companheiros, maridos, parceiros. E a lei &eacute; clara em dizer que todos t&ecirc;m de pagar. Acontece que n&oacute;s temos um arcabou&ccedil;o jur&iacute;dico no Brasil que &eacute; imenso. &Eacute; uma lei em cima da outra, e leis de mesma hierarquia. Ent&atilde;o, quando um juiz n&atilde;o quer aplicar aquilo que diz uma lei, ele recorre a outra para tentar justificar a sua senten&ccedil;a. Foi o que aconteceu com um juiz que deu &#91;liberdade] condicional a um agressor. Eu apresentei um projeto agora a uma lei chamada Lei dos Juizados Especiais que trata exatamente disso, porque foi exatamente com base nessa lei que o juiz deu a senten&ccedil;a. A Lei Maria Penha diz que nenhum benef&iacute;cio ser&aacute; dado ao agressor sobre a especifica&ccedil;&atilde;o que ela traz. Portanto, mesmo que a pena seja pequena, n&atilde;o caber&aacute; san&ccedil;&atilde;o condicional. S&oacute; que ela n&atilde;o revoga especificamente essas leis, e n&atilde;o revoga artigos dessa Lei de Juizados Especiais. Ent&atilde;o, a gente fez uma altera&ccedil;&atilde;o na lei dizendo que esse artigo de suspens&atilde;o de pena n&atilde;o se aplica &agrave;quilo que &eacute; disposto na Lei Maria da Penha. Esse &eacute; o nosso trabalho: tentar fechar os ralos que podem ser utilizados para prejudicar a execu&ccedil;&atilde;o da lei.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>H&aacute; at&eacute; pouco tempo havia uma vis&atilde;o curiosa sobre a presen&ccedil;a da mulher no Parlamento, em que a beleza sempre foi enfatizada. Come&ccedil;ou com a &ldquo;musa da Constituinte&rdquo;, a ex-deputada Rita Camata, e continua com parlamentares como Manuela d&rsquo;&Aacute;vila (PCdoB-RS), Bruna Furlan (PSDB-SP) e mesmo a senhora, cuja beleza tem sido reverenciada no Senado. Como a senhora encara a quest&atilde;o da &ldquo;parlamentar-musa&rdquo;?&nbsp;<\/div>\n<div>Esta &eacute; sempre uma tentativa de querer colocar a mulher no lugar que, culturalmente, diz-se que cabe a ela. A mulher como enfeite do ambiente: a bonita, a sens&iacute;vel, a elegante, a que embeleza. Ent&atilde;o, quando chegam as mulheres aqui no Parlamento, logo se quer rotular, j&aacute; dizendo: &ldquo;O lugar que lhe cabe &eacute; este&rdquo;. Gra&ccedil;as a Deus, as mulheres est&atilde;o mudando muito. Apesar de elas serem bonitas &ndash; ou feias, ou n&atilde;o bonitas; acho que n&atilde;o existe nenhuma pessoa feia, existe o ponto de vista das outras &ndash;, independentemente disso elas est&atilde;o mostrando o seu valor, e n&atilde;o est&atilde;o se deixando levar por esses r&oacute;tulos.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Nossa presidenta &eacute; um exemplo?<\/div>\n<div>Nossa pr&oacute;pria presidenta da Rep&uacute;blica, como outras mulheres que atuam no Parlamento, como a pr&oacute;pria Manuela, que voc&ecirc; citou, que &eacute; uma deputada muito combativa, capacitada. A gente tamb&eacute;m n&atilde;o tem que fazer disso uma guerra. &Eacute; levar na brincadeira, com simpatia, gostar, mas mostrar a que viemos.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A senhora n&atilde;o fica irritada, ent&atilde;o&#8230;<\/div>\n<div>N&atilde;o, n&atilde;o fico irritada. Eu s&oacute; n&atilde;o gosto de ser tratada assim, enfim, virar uma refer&ecirc;ncia disso, at&eacute; porque n&atilde;o me acho tamb&eacute;m. Mas levo numa boa. Acho que temos de mostrar o que viemos fazer aqui, que &eacute; trabalhar bastante e mostrar resultado.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A presen&ccedil;a da senadora Marta Suplicy ajuda nesse sentido?<\/div>\n<div>Com certeza. A Marta &eacute; uma pessoa por quem eu tenho muita admira&ccedil;&atilde;o. Muito do que eu sei hoje sobre g&ecirc;neros, da minha milit&acirc;ncia, eu aprendi com a Marta. Desde de o in&iacute;cio da milit&acirc;ncia eu j&aacute; era f&atilde; dela. Quando ela fazia o TV Mulher &#91;programa na Rede Globo, nos anos 1980], eu acompanhava e gostava muito do jeito com que ela tratava as coisas. Para mim, &eacute; uma honra muito grande t&ecirc;-la como companheira aqui no Senado.&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Permita-me abordar uma curiosidade, senadora. A senhora pode falar sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre o seu nome e a atriz Grace Kelly? Ali&aacute;s, h&aacute; semelhan&ccedil;as entre as duas?<\/div>\n<div>Eu adoraria, queria muito, mas n&atilde;o vejo &#91;semelhan&ccedil;a], n&atilde;o. Na verdade, minha m&atilde;e era f&atilde; da Grace Kelly e, quando eu nasci, ela queria colocar meu nome de Grace. A princ&iacute;pio seria Maria, Joana, mas ela queria Grace em homenagem &agrave; atriz, e pediu para o meu pai registrar. Como minha fam&iacute;lia &eacute; do interior, tanto a do meu pai quanto a da minha m&atilde;e, meu pai, ao registrar, achou que minha m&atilde;e poderia estar falando o nome errado. Ele tamb&eacute;m n&atilde;o era muito afeto a cinema, e resolver registrar com &ldquo;l&rdquo;. E a&iacute; ficou Gleisi.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Acabou por ficar um nome mais simp&aacute;tico, de pron&uacute;ncia mais suave&#8230;<\/div>\n<div>(risos) Ficou simp&aacute;tico, ficou Gleisi. E meu segundo nome &eacute; Helena, que &eacute; uma homenagem &agrave; minha bisav&oacute;. Poderia ter sido s&oacute; Helena, n&atilde;o &eacute;?<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Se fosse Helena, a senhora correria o risco de deixar de ser homenagem a uma estrela de Hollywood para virar personagem de novela do dramaturgo Manoel Carlos, da TV Globo&#8230;<\/div>\n<div>(Risos) &Eacute; verdade, ele gosta de Helena! (mais risos)<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) concedeu longa entrevista ao rep\u00f3rter F\u00e1bio G\u00f3is, do site Congresso em Foco. No bate-papo, publicado nesta segunda-feira (7), Gleisi defende a revis\u00e3o do acordo de Itaipu, conferindo mais recursos ao Paraguai na sociedade com o Brasil.<\/p>\n<p>Gleisi tamb\u00e9m prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de uma aposentadoria para donas de casa. Leia a seguir a \u00edntegra da entrevista:<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":33131,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[7536],"class_list":["post-33132","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-diplomacia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33132","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33132"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33132\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33132"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33132"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}