{"id":32550,"date":"2011-03-26T00:00:00","date_gmt":"2011-03-26T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/a-ausencia-de-lula-por-mino-carta\/"},"modified":"2011-03-26T00:00:00","modified_gmt":"2011-03-26T03:00:00","slug":"a-ausencia-de-lula-por-mino-carta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/a-ausencia-de-lula-por-mino-carta\/","title":{"rendered":"A aus\u00eancia de Lula &#8211; por Mino Carta"},"content":{"rendered":"<p><strong>A aus&ecirc;ncia de Lula<\/p>\n<p>Mino Carta<br \/>\n<\/strong>&nbsp;<br \/>\nO ausente foi mais presente do que os presentes. A frase n&atilde;o &eacute; minha, &eacute; do professor Delfim Netto, e diz respeito &agrave;s rea&ccedil;&otilde;es da m&iacute;dia nativa &agrave; aus&ecirc;ncia de Lula no almo&ccedil;o oferecido pela presidenta Dilma a Barack Obama. Os jornal&otilde;es mergulharam no assunto em colunas e reportagens por tr&ecirc;s dias a fio, entregues com sofreguid&atilde;o &agrave; tarefa de aduzir o porqu&ecirc; daquela cadeira vazia sem receio de provar pela en&eacute;sima vez sua voca&ccedil;&atilde;o on&iacute;rica.<\/p>\n<p>Neste espa&ccedil;o, o sonho midi&aacute;tico foi meu tema da semana passada, mas os especialistas em miragens insistem em mostrar a que v&ecirc;m, sem contar o complexo de inferioridade t&atilde;o explicitamente exposto com a visita do presidente americano apresentada como um celebrity show. As emissoras globais ficaram no ar 24 horas para contar todos os passos de Obama ou mesmo para esperar que ele os desse. A certa altura vimos um perdigueiro da informa&ccedil;&atilde;o aguardar no Gale&atilde;o, por mais de uma hora, a chegada do avi&atilde;o que levava o visitante de Bras&iacute;lia ao Rio, em proveito exclusivo de uma visita instrutiva dos telespectadores a um aeroporto &agrave;s moscas.<\/p>\n<p>&Eacute; o recalque do vira-lata, e esta defini&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; minha, j&aacute; caiu da boca de Lula. Quanto &agrave; sua aus&ecirc;ncia no almo&ccedil;o de Bras&iacute;lia, li entre as vers&otilde;es que ele n&atilde;o apareceu para &ldquo;n&atilde;o ofuscar&rdquo; a anfitri&atilde;, a mostrar toda a sua pretens&atilde;o, acompanhada pela d&uacute;vida de um colunista: &ldquo;ao recusar o convite&rdquo;, foi malandro ou z&eacute; man&eacute;? Textos de calibres diversos clamam contra &ldquo;a descortesia&rdquo;. Uma colunista do Estad&atilde;o aventa a seguinte hip&oacute;tese: o ex-presidente quis evitar o constrangimento &ldquo;de ouvir sem compreender a conversa na mesa, da qual fazia parte Fernando Henrique Cardoso&rdquo;. Ah, o pr&iacute;ncipe dos soci&oacute;logos, este &eacute; um poliglota. E n&atilde;o falta quem convoque a inveja de Lula por Dilma, que recebe Obama em lugar dele, embora o tivesse convidado em 2008.<\/p>\n<p>Segundo um colunista do Valor Econ&ocirc;mico, o ex tamb&eacute;m foi descort&ecirc;s com Obama, que j&aacute; o tratou t&atilde;o bem. A Folha localizou &ldquo;um amigo de Lula&rdquo; disposto &agrave; revela&ccedil;&atilde;o: ele est&aacute; irritado &ldquo;com os elogios excessivos da m&iacute;dia a Dilma&rdquo;. Uma colunista da Folha vislumbra na aus&ecirc;ncia de Lula a demonstra&ccedil;&atilde;o &ldquo;do contraste de estilos&rdquo; e at&eacute; a torna mais evidente. Neste esfor&ccedil;o concentrado no sentido de provocar algum desentendimento entre o ex e a atual, imbat&iacute;vel o editorial do Estad&atilde;o de domingo 20, provavelmente escrito por um aluno de Maquiavel incapaz de entender a ironia do mestre.<\/p>\n<p>Fala-se em &ldquo;mudan&ccedil;a de mentalidade que emana do Planalto&rdquo;, &ldquo;sobriedade em lugar de espalhafato&rdquo;, &ldquo;distanciamento das inevit&aacute;veis servid&otilde;es&rdquo; do of&iacute;cio presidencial. Transparente demais a manobra. N&atilde;o escapa, por&eacute;m, ao ato falho, ao discordar da presidenta no que se refere &agrave; posi&ccedil;&atilde;o de Dilma quanto &ldquo;ao atual surto inflacion&aacute;rio&rdquo;, embora formulada a obje&ccedil;&atilde;o com suave cautela, para aplaudir logo o prop&oacute;sito do governo de abrir os aeroportos &agrave; iniciativa privada em regime de concess&atilde;o.<\/p>\n<p>S&atilde;o teclas antigas de quem professa a religi&atilde;o do Deus Mercado e enxerga nas privatiza&ccedil;&otilde;es os caminhos da Gra&ccedil;a. Os praticantes brasileiros dos jogos financeiros n&atilde;o est&atilde;o sozinhos: de fato, para variar, trata-se de pontuais disc&iacute;pulos, ou imitadores. Os Estados Unidos ensinam, por l&aacute; os vil&otilde;es do neoliberalismo, respons&aacute;veis pela crise mundial, continuam a postos para ati&ccedil;ar a doen&ccedil;a. O exemplo seduz. A&iacute; se origina a tentativa, levada adiante obviamente pela m&iacute;dia, de derrubar o ministro Guido Mantega, representante da continuidade que a tigrada gostaria de ver interrompida de vez.<\/p>\n<p>As consequ&ecirc;ncias da aventura neoliberal, que deixaria o pr&oacute;prio Adam Smith em p&acirc;nico, atingem inclusive o Brasil. No ano passado crescemos 7,5%, este ano a previs&atilde;o fica bastante abaixo, entre 4% e 4,5%. Ser&aacute; um bom resultado no confronto com outros, mas dir&aacute; que ningu&eacute;m est&aacute; a salvo. CartaCapital confia na perman&ecirc;ncia de Mantega e na continuidade, ainda que, desde a posse, reconhe&ccedil;a na presidenta a capacidade de imprimir &agrave; linha do governo caracter&iacute;sticas da sua personalidade.<\/p>\n<p>&Eacute; simplesmente tolo imaginar a ruptura almejada pela m&iacute;dia, perfeita int&eacute;rprete de um sentimento que sobe das entranhas de burgueses e burguesotes contra o metal&uacute;rgico nordestino eleito &agrave; Presid&ecirc;ncia duas vezes por larga maioria e destinado a passar &agrave; hist&oacute;ria como o melhor e mais amado desde a funda&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica. Pelo menos at&eacute; hoje. Os senhores do Brazil zil zil ainda cultivam o &oacute;dio de classe. O mesmo Lula, que frequentemente mant&eacute;m contatos com a sucessora, a qual, do seu lado, sabia previamente da aus&ecirc;ncia do antecessor ao almo&ccedil;o, observa: &ldquo;Quando me elegi, me apresentaram como a continuidade de FHC, agora dizem que Dilma n&atilde;o d&aacute; continuidade ao meu governo&rdquo;.<\/p>\n<p>O ex-presidente tucano formula, ali&aacute;s,- a sua hip&oacute;tese sobre a aus&ecirc;ncia de Lula: inveja dele mesmo, FHC. Quem sabe o contr&aacute;rio se d&ecirc; de fato quando, dentro de poucos dias, Lula receber o canudo honoris causa da Universidade de Coimbra.<\/p>\n<p>Teste final: se Lula fosse ao almo&ccedil;o, que diria a m&iacute;dia? Foi para: A. N&atilde;o ficar atr&aacute;s de FHC; B. Pronunciar um discurso de improviso em louvor a Ch&aacute;vez, Fidel e Ahmadinejad. C. Ofuscar Dilma.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ausente foi mais presente do que os presentes. 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