{"id":32420,"date":"2011-03-30T00:00:00","date_gmt":"2011-03-30T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/so-vale-a-pena-o-brasil-crescer-e-ficar-mais-rico-se-os-paises-vizinhos-tambem-crescerem\/"},"modified":"2011-03-30T00:00:00","modified_gmt":"2011-03-30T03:00:00","slug":"so-vale-a-pena-o-brasil-crescer-e-ficar-mais-rico-se-os-paises-vizinhos-tambem-crescerem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/so-vale-a-pena-o-brasil-crescer-e-ficar-mais-rico-se-os-paises-vizinhos-tambem-crescerem\/","title":{"rendered":"S\u00f3 vale a pena o Brasil crescer e ficar mais rico, se os pa\u00edses vizinhos tamb\u00e9m crescerem"},"content":{"rendered":"<p>O discurso do ex-presidente Lula (PT) em Montevid&eacute;u (Uruguai), por ocasi&atilde;o do anivers&aacute;rio de 40 anos da Frente Ampla, no &uacute;ltimo dia 25 de mar&ccedil;o, &eacute; um marco na hist&oacute;ria pol&iacute;tica e social da Am&eacute;rica do Sul.<\/p>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&quot;N&atilde;o abandonamos nossas convic&ccedil;&otilde;es de base. Para n&oacute;s, as doutrinas t&ecirc;m a sua import&acirc;ncia, mas o principal &eacute; o compromisso de vida com o destino dos oprimidos. A esquerda aut&ecirc;ntica supera seus desafios participando cada vez mais nas lutas concretas do povo&rdquo;.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&ldquo;Nossa b&uacute;ssola s&atilde;o as aspira&ccedil;&otilde;es populares por uma vida digna. Por isso, fomos capazes de promover, em plena crise das ideologias, reformas sociais t&atilde;o importantes em nossos pa&iacute;ses&rdquo;.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Leia a seguir a &iacute;ntegra do discurso:<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&ldquo;Queridos companheiros e companheiras<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Estou profundamente honrado por ter sido convidado para dirigir-lhes a palavra neste ato de comemora&ccedil;&atilde;o dos 40 anos da Frente Ampla.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Quero iniciar recordando um dezembro de 1993, quando vim pela primeira vez ao Uruguai. Estava me preparando para ser, pela segunda vez, candidato a Presidente da Rep&uacute;blica. Precisei concorrer mais duas vezes para ser eleito!<\/div>\n<div>Naquele dezembro de 1993, quando tive a oportunidade de sentir de perto a afetuosa hospitalidade deste pa&iacute;s, conheci muitos companheiros frenteamplistas, que hoje aqui est&atilde;o, como os fraternos amigos Tabar&eacute; V&aacute;zques e Pepe Mujica. Mas conheci, igualmente, um grande companheiro, que n&atilde;o mais est&aacute; entre n&oacute;s. Refiro-me ao inesquec&iacute;vel L&iacute;ber Seregni, a quem presto hoje minha homenagem, como um dos maiores valores da Frente Ampla, da hist&oacute;ria do Uruguai e de toda a Am&eacute;rica Latina.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Dirigentes e militantes da Frente Ampla, nestas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, a Frente Ampla mudou o panorama da pol&iacute;tica uruguaia, at&eacute; ent&atilde;o dominado por um sistema bi-partid&aacute;rio que n&atilde;o mais correspondia &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o da sociedade. Sua presen&ccedil;a na cena nacional deu &agrave; pol&iacute;tica deste pa&iacute;s uma nova qualidade. Sei que seus militantes pagaram muitas vezes um alto pre&ccedil;o por sua coer&ecirc;ncia e determina&ccedil;&atilde;o durante o regime ditatorial, que infelicitou este pa&iacute;s nos anos setenta e oitenta. Mas sei, tamb&eacute;m, que a Frente foi fator decisivo no processo de democratiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica do Uruguai, j&aacute; muito antes de conquistar a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Suas mobiliza&ccedil;&otilde;es foram fundamentais para impedir que a onda neo-liberal, que se abateu sobre todo nosso continente, prevalecesse no Uruguai.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>N&atilde;o fosse a luta da Frente Ampla, n&atilde;o fosse a resist&ecirc;ncia do movimento sindical e dos movimentos sociais, o Estado uruguaio teria sido desmontado pelos insensatos adoradores do mercado. Aqueles senhores que, em grande parte da Am&eacute;rica Latina, conseguiram privatizar o patrim&ocirc;nio p&uacute;blico, desorganizar nossas economias, aumentar a pobreza e comprometer a soberania nacional. Aqui, felizmente, eles n&atilde;o tiveram o &ecirc;xito que esperavam. Em muitos de nossos pa&iacute;ses, eles deixaram um rastro de estagna&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e exclus&atilde;o social. Pior do que isso, agravaram a infla&ccedil;&atilde;o que pretendiam combater e aprofundaram nossa vulnerabilidade externa.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>O povo uruguaio, com a interven&ccedil;&atilde;o crucial da Frente Ampla, n&atilde;o permitiu que isso acontecesse. Que fosse entregue &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es futuras deste pa&iacute;s um Estado raqu&iacute;tico, incapaz de regular democraticamente a economia e de promover o desenvolvimento. Mas nossa regi&atilde;o mudou.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Hoje, h&aacute; uma nova Am&eacute;rica do Sul. Um continente que ergueu a cabe&ccedil;a, libertou-se das tutelas internacionais e resgatou a sua soberania. Um continente que recuperou a autoestima e voltou a acreditar em si mesmo, em sua capacidade de tornar-se cada vez mais pr&oacute;spero e justo.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Nossos pa&iacute;ses est&atilde;o demonstrando na pr&aacute;tica que &eacute; poss&iacute;vel crescer de modo vigoroso e continuado mantendo a infla&ccedil;&atilde;o baixa. Que &eacute; perfeitamente vi&aacute;vel crescer distribuindo os frutos da expans&atilde;o econ&ocirc;mica para toda a sociedade. Crescer combatendo a pobreza e a desigualdade. Que esta &eacute;, ali&aacute;s, a forma mais consistente e duradoura de desenvolver-se. A &uacute;nica justa e sustent&aacute;vel.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Voc&ecirc;s uruguaios, e n&oacute;s brasileiros, que tanto nos opusemos &agrave;s pol&iacute;ticas recessivas e excludentes do passado, temos muito o que comemorar. Hoje, vivemos uma nova realidade. Podemos, sem nenhum triunfalismo, festejar o &ecirc;xito das nossas economias, os extraordin&aacute;rios avan&ccedil;os sociais, a vitalidade de nossas democracias. N&atilde;o celebramos apenas valores &eacute;ticos e morais &ndash; que constituem obviamente um patrim&ocirc;nio irrenunci&aacute;vel &ndash; mas tamb&eacute;m o acerto de nossa estrat&eacute;gia de desenvolvimento e de nossas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas emancipadoras, que est&atilde;o mudando para melhor a vida das classes populares.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Ainda falta muito por fazer. Mas as conquistas hist&oacute;ricas dos anos recentes justificam plenamente a nossa confian&ccedil;a no futuro.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Companheiros e Companheiras, como ex-Presidente da Rep&uacute;blica, militante e dirigente do Partido dos Trabalhadores sempre tive uma enorme afinidade com a Frente Ampla. As pol&iacute;ticas que Tabar&eacute; e Mujica implementaram no Uruguai s&atilde;o muito pr&oacute;ximas daquelas que implementei no Brasil e que Dilma Rousseff est&aacute; desenvolvendo agora. Mas o PT e a Frente Ampla t&ecirc;m muito mais em comum.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Alguns j&aacute; disseram que o PT &eacute;, em realidade, uma frente e que a Frente Ampla &eacute; um partido. As duas afirma&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m um fundo de verdade. Por uma raz&atilde;o muito simples: tanto a Frente, como o PT, s&atilde;o organiza&ccedil;&otilde;es plurais, profundamente democr&aacute;ticas. Somos capazes de combinar uma indispens&aacute;vel unidade de a&ccedil;&atilde;o, com a valoriza&ccedil;&atilde;o da diversidade e da democracia interna.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Abrigamos distintas correntes de pensamento progressista. Respeitamos nossas diferen&ccedil;as ideol&oacute;gicas, mas n&atilde;o abrimos m&atilde;o, em hip&oacute;tese alguma, do compromisso com os trabalhadores e o povo pobre. Sabemos que, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, as grandes correntes de esquerda entraram em crise no mundo. Muitos ficaram &oacute;rf&atilde;os de refer&ecirc;ncias pol&iacute;tico-ideol&oacute;gicas. Nenhuma for&ccedil;a progressista esteve imune &agrave; crise. Mas nem por isso cruzamos os bra&ccedil;os, mergulhando na perplexidade ou na passividade pol&iacute;tica.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Conosco, foi diferente: n&atilde;o abandonamos nossas convic&ccedil;&otilde;es de base. Para n&oacute;s, as doutrinas t&ecirc;m a sua import&acirc;ncia, mas o principal &eacute; o compromisso de vida com o destino dos oprimidos. A esquerda aut&ecirc;ntica supera seus desafios participando cada vez mais nas lutas concretas do povo. Nossa b&uacute;ssola s&atilde;o as aspira&ccedil;&otilde;es populares por uma vida digna. Por isso, fomos capazes de promover, em plena crise das ideologias, reformas sociais t&atilde;o importantes em nossos pa&iacute;ses.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>As esquerdas no Uruguai e no Brasil souberam mudar, mas sem mudar de lado. Tamb&eacute;m por essa raz&atilde;o, nossas experi&ecirc;ncias de Governo e nossos partidos s&atilde;o hoje refer&ecirc;ncias, tanto para a Am&eacute;rica Latina como para outras regi&otilde;es do mundo. Tudo isso nos imp&otilde;e responsabilidades redobradas. Precisamos continuar e aprofundar as transforma&ccedil;&otilde;es em nossos pa&iacute;ses, tendo claro que esse &eacute; trabalho para mais de uma gera&ccedil;&atilde;o.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Mas precisamos tamb&eacute;m reconstruir o pensamento de esquerda, enfatizando, sobretudo, nosso compromisso inegoci&aacute;vel com a democracia.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>N&atilde;o queremos dar li&ccedil;&otilde;es a ningu&eacute;m. N&atilde;o buscamos construir paradigmas ou elaborar &ldquo;modelos&rdquo;. Mas temos a obriga&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e moral de explicitar para o mundo o cerne de nossa experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica. E essa experi&ecirc;ncia mostra claramente duas coisas.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Que n&atilde;o haver&aacute; socialismo se ele n&atilde;o for profunda e radicalmente democr&aacute;tico. Tampouco haver&aacute; uma aut&ecirc;ntica democracia pol&iacute;tica se n&atilde;o houver uma democracia econ&ocirc;mica e social.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Essa combina&ccedil;&atilde;o de democracia pol&iacute;tica com democracia econ&ocirc;mica e social nos d&aacute; a chave para formularmos o projeto hist&oacute;rico que queremos construir. &Eacute; nossa miss&atilde;o dar consist&ecirc;ncia te&oacute;rica e pol&iacute;tica a esse renovado ideal libert&aacute;rio. Tal consist&ecirc;ncia n&atilde;o vir&aacute; somente dos livros. Ela surgir&aacute; sobretudo da luta dos trabalhadores e de nossa capacidade de refletir sobre os rumos da hist&oacute;ria. N&atilde;o poder&aacute; ser uma reflex&atilde;o solit&aacute;ria, menos ainda confinada a um espa&ccedil;o nacional. Mais do que uma constata&ccedil;&atilde;o, cabe-nos fazer um convite, uma convocat&oacute;ria.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Nossos partidos &ndash; a Frente Ampla, o PT e outras organiza&ccedil;&otilde;es amigas da Am&eacute;rica Latina &ndash; t&ecirc;m de aprofundar sua rela&ccedil;&atilde;o, seu di&aacute;logo, para transmitir a outros movimentos o sentido de nossas experi&ecirc;ncias, com seus m&eacute;ritos, mas tamb&eacute;m com seus limites. Eu ousaria dizer que h&aacute; uma grande expectativa nesse sentido, inclusive por parte das esquerdas dos pa&iacute;ses desenvolvidos, que hoje enfrentam impasses profundos.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Aqueles que, sobretudo na Europa, observam o que est&aacute; ocorrendo em nossa Am&eacute;rica, come&ccedil;am a dar-se conta, cada vez mais, de que seu Norte pode estar no Sul.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Companheiros e companheiras, n&atilde;o poderia deixar de destacar um aspecto fundamental da trajet&oacute;ria da Frente Ampla nestes quarenta anos de sua exist&ecirc;ncia &ndash; seu compromisso com a integra&ccedil;&atilde;o sul-americana e latino-americana. Jos&eacute; Artigas, m&aacute;ximo l&iacute;der da independ&ecirc;ncia Oriental, foi um combatente pela liberdade muito al&eacute;m das fronteiras deste pa&iacute;s. Seguramente seu exemplo inspirou e continuar&aacute; inspirando todos os que lutam pela p&aacute;tria grande latino-americana.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A Frente Ampla sempre deu contribui&ccedil;&otilde;es importantes a todas as iniciativas de integra&ccedil;&atilde;o regional, por meio das quais queremos garantir que a Am&eacute;rica do Sul tenha peso decisivo neste mundo multipolar que se est&aacute; desenhando. E os resultados desse processo de integra&ccedil;&atilde;o s&atilde;o cada vez mais positivos.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>No terreno econ&ocirc;mico, vivemos um momento muito promissor. Nunca houve tanto com&eacute;rcio entre os pa&iacute;ses da Am&eacute;rica do Sul. E o Mercosul, que amanh&atilde; completa 20 anos, &eacute; a locomotiva dessa expans&atilde;o, o que s&oacute; foi poss&iacute;vel depois que conseguimos sepultar a proposta da ALCA, que n&atilde;o era de integra&ccedil;&atilde;o soberana, mas de anexa&ccedil;&atilde;o subalterna. De 2003 a 2010, o com&eacute;rcio do Mercosul mais do que triplicou.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Os investimentos produtivos conjuntos crescem de modo exponencial. E o que &eacute; mais importante: a balan&ccedil;a comercial e as rela&ccedil;&otilde;es entre os nossos pa&iacute;ses est&atilde;o cada vez mais equilibradas. A integra&ccedil;&atilde;o est&aacute; beneficiando a todos.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>N&oacute;s, brasileiros, percebemos que s&oacute; vale a pena o Brasil crescer e se tornar um pa&iacute;s mais rico se os pa&iacute;ses vizinhos, os povos irm&atilde;os tamb&eacute;m crescerem e se tornarem mais ricos. Temos consci&ecirc;ncia de que o caminho da integra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; isento de contradi&ccedil;&otilde;es e eventuais conflitos.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Mas estou certo de que saberemos construir institui&ccedil;&otilde;es aptas a resolv&ecirc;-los, porque aquilo que nos une &eacute; infinitamente mais importante do que aquilo que nos separa.&nbsp;<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>A verdadeira integra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser apenas comercial. A parceria econ&ocirc;mica &eacute; imprescind&iacute;vel, mas est&aacute; longe de ser suficiente. A unidade do continente s&oacute; ser&aacute; efetiva quando as nossas popula&ccedil;&otilde;es se conhecerem melhor, quando os sindicatos se articularem em escala regional, quando as nossas universidades tiverem um interc&acirc;mbio cotidiano, quando nossos cientistas estiverem pesquisando juntos, quando as nossas riqu&iacute;ssimas tradi&ccedil;&otilde;es culturais forem de fato compartilhadas. Quando a integra&ccedil;&atilde;o n&atilde;o for apenas dos produtos, ou dos Estados &ndash; mas dos povos.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Queridos amigos e amigas, permitam-me concluir dirigindo uma palavra &agrave; milit&acirc;ncia da Frente Ampla. Voc&ecirc;s sabem melhor do que eu que a esquerda uruguaia conta com dirigentes de grande estatura moral e pol&iacute;tica. L&iacute;deres de extraordin&aacute;ria dignidade e maturidade, de inquebrant&aacute;vel amor ao seu pa&iacute;s e ao seu povo. L&iacute;deres ouvidos e respeitados em toda a Am&eacute;rica Latina. Mas conta tamb&eacute;m com uma admir&aacute;vel milit&acirc;ncia de base, espalhada por todo o pa&iacute;s, sem a qual a trajet&oacute;ria da Frente, com certeza, n&atilde;o seria t&atilde;o vitoriosa.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Feliz do povo que pode dispor de lutadores sociais e pol&iacute;ticos t&atilde;o generosos e t&atilde;o dedicados ao bem comum. Essa espl&ecirc;ndida milit&acirc;ncia &eacute; a prova de que o sonho igualit&aacute;rio n&atilde;o acabou. De que valeu a pena o sacrif&iacute;cio das gera&ccedil;&otilde;es que nos precederam. A for&ccedil;a da Frente Ampla e de outras alian&ccedil;as populares da regi&atilde;o mostra que chegou a vez do nosso continente. O s&eacute;culo XXI tem tudo para ser o s&eacute;culo da afirma&ccedil;&atilde;o definitiva da Am&eacute;rica do Sul. Daquela Am&eacute;rica do Sul com que sonharam nossos pr&oacute;ceres e pela qual deram suas vidas. Uma comunidade de pa&iacute;ses soberanos, justos e desenvolvidos.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Viva a Frente Ampla!<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Viva a querida Rep&uacute;blica Oriental do Uruguai!<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>Viva a P&aacute;tria Grande Latino-Americana!&rdquo;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O discurso do ex-presidente Lula (PT) em Montevid\u00e9u (Uruguai), por ocasi\u00e3o do anivers\u00e1rio de 40 anos da Frente Ampla, no \u00faltimo dia 25 de mar\u00e7o, \u00e9 um marco na hist\u00f3ria pol\u00edtica e social da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o abandonamos nossas convic\u00e7\u00f5es de base. Para n\u00f3s, as doutrinas t\u00eam a sua import\u00e2ncia, mas o principal \u00e9 o compromisso de vida com o destino dos oprimidos. 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