{"id":31116,"date":"2011-05-17T00:00:00","date_gmt":"2011-05-17T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/o-consumidor-nao-vai-pagar-a-conta-diz-samek-a-carta-capital\/"},"modified":"2011-05-17T00:00:00","modified_gmt":"2011-05-17T03:00:00","slug":"o-consumidor-nao-vai-pagar-a-conta-diz-samek-a-carta-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/o-consumidor-nao-vai-pagar-a-conta-diz-samek-a-carta-capital\/","title":{"rendered":"O consumidor n\u00e3o vai pagar a conta, diz Samek \u00e0 Carta Capital"},"content":{"rendered":"<div>Bela entrevista do diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, &agrave; revista Carta Capital, a qual reproduzo na &iacute;ntegra a seguir:<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&ldquo;NA QUARTA-FEIRA 11, O Senado aprovou a revis&atilde;o do acordo de Itaipu, conforme solicitado pelo Paraguai. O novo c&aacute;lculo triplicar&aacute; o valor pago peIo Tesouro brasileiro ao governo vizinho. Em 2011, o excedente &eacute; estimado em cerca de 200 milh&otilde;es de d&oacute;lares. Segundo o diretor-geral de Itaipu, Jorge Samek, a decis&atilde;o de rever a cl&aacute;usula, cuja validade expirava em 2023, tem um vi&eacute;s t&eacute;cnico e outro pol&iacute;tico.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>&ldquo;No aspecto t&eacute;cnico, a cota&ccedil;&atilde;o do d&oacute;lar em rela&ccedil;&atilde;o ao real e ao guarani torna plenamente poss&iacute;vel atend&ecirc;-los sem que haja qualquer preju&iacute;zo &agrave; Itaipu. Sob a &oacute;tica pol&iacute;tica, temos todo o interesse no desenvolvimento do Paraguai.&rdquo; De acordo com Samek, a altera&ccedil;&atilde;o n&atilde;o provocar&aacute; aumento nas tarifas de energia el&eacute;trica.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>CartaCapital: O que muda no tratado?<\/div>\n<div>Jorge Samek: O que foi discutido &eacute; a revis&atilde;o de uma &uacute;nica cl&aacute;usula do chamado Anexo C, trata do c&aacute;lculo de valor pago pelo Brasil &agrave; energia que pertence ao Paraguai, mas n&atilde;o &eacute; consumida. Atual-mente, dos 50% a que tem direito, o Paraguai consome apenas 15% e vende ao Brasil os 35% restantes. O acordo prev&ecirc; que o excedente n&atilde;o consumido por uma das partes s&oacute; pode ser vendido &agrave; outra parte, neste caso o Brasil. Desde 1973, ano em que o tratado foi assinado, esta &eacute; a terceira altera&ccedil;&atilde;o. A primeira, em 1986, modificava o fator de corre&ccedil;&atilde;o da chamada cl&aacute;usula &ldquo;ouro&rdquo; para um &iacute;ndice t&eacute;cnico 4, em 2005, o &iacute;ndice foi alterado para 5,1 e agora ser&aacute; de 15,3. Essa mudan&ccedil;a deve resultar, em 2011, num acr&eacute;scimo adicional estimado de 200 milh&otilde;es de d&oacute;lares.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>CC: Quem vai pagar essa diferen&ccedil;a?<\/div>\n<div>JS: O Tesouro Nacional, por meio dos receb&iacute;veis provenientes da d&iacute;vida e dos juros pagos por Itaipu, como tem sido feito ao longo de todos esses anos. &Agrave; medida que o Paraguai aumenta o seu consumo de energia, o valor pago pela cess&atilde;o diminui. Mas uma coisa &eacute; certa: o consumidor brasileiro n&atilde;o ser&aacute; punido com a eleva&ccedil;&atilde;o do pre&ccedil;o da energia de sua resid&ecirc;ncia ou empresa.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>CC: Uma altera&ccedil;&atilde;o no tratado n&atilde;o abre brechas para novas demandas?<\/div>\n<div>JS: As reivindica&ccedil;&otilde;es n&atilde;o v&atilde;o parar. Tivemos tantas outras e certamente teremos mais. Mas sejamos no m&iacute;nimo racionais: o acordo entre os dois pa&iacute;ses foi assinado h&aacute; 38 anos. De l&aacute; para c&aacute;, o mundo mudou em todos os aspectos. A realidade, tanto do Brasil quanto do Paraguai, passou por profundas transforma&ccedil;&otilde;es. A quest&atilde;o energ&eacute;tica tamb&eacute;m mudou e precisamos ter bom senso para admitir que em determinados momentos, em dadas situa&ccedil;&otilde;es, podemos e devemos sentar &agrave; mesa para renegociar.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>CC: A decis&atilde;o em antecipar a revis&atilde;o foi t&eacute;cnica ou pol&iacute;tica?<\/div>\n<div>JS: Ambas. Ao Brasil interessa que o Paraguai se desenvolva. Trata-se de um parceiro fronteiri&ccedil;o de suma import&acirc;ncia sob v&aacute;rios aspectos. Hoje vivem no pa&iacute;s cerca de 400 mil brasileiros, os chamados &ldquo;bra-siguaios&rdquo;, totalmente integrados e em perfeita harmonia. Em contrapartida, o pa&iacute;s n&atilde;o possui reservas de petr&oacute;leo e tem sua economia baseada no com&eacute;rcio, na agricultura e na venda de energia.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>CC: Essa reivindica&ccedil;&atilde;o surgiu durante a campanha do presidente Lugo&hellip;<\/div>\n<div>JS: Ela intensificou-se na campanha presidencial, mas a motiva&ccedil;&atilde;o &eacute; antiga. Tanto que a ideia uniu todas as for&ccedil;as pol&iacute;ticas do pa&iacute;s no mesmo prop&oacute;sito. A quest&atilde;o &eacute; fundamental para o desenvolvimento econ&oacute;mico e social do Paraguai, principalmente pelo custo da energia no mercado internacional, que tem crescido h&aacute; d&eacute;cadas. Seja o petr&oacute;leo, seja o g&aacute;s ou o carv&atilde;o. Pois &eacute; justamente nesse modal, energia el&eacute;trica, que o Paraguai tem sua grande produ&ccedil;&atilde;o. A reivindica&ccedil;&atilde;o paraguaia &eacute; para haver um rearranjo no c&aacute;lculo da composi&ccedil;&atilde;o tarif&aacute;ria. Sob o aspecto t&eacute;cnico e levando em considera&ccedil;&atilde;o as quest&otilde;es do c&acirc;mbio, o valor do d&oacute;lar em rela&ccedil;&atilde;o ao real e ao guarani, &eacute; plenamente poss&iacute;vel atend&ecirc;-los sem qualquer preju&iacute;zo a Itaipu. Sob a &oacute;tica pol&iacute;tica, o Brasil tem todo interesse no desenvolvimento paraguaio. &Eacute; importante esclarecer que n&atilde;o estamos dando dinheiro ao Paraguai, mas discutindo uma rela&ccedil;&atilde;o entre dois parceiros de longa data. Uma coisa &eacute; certa: o casamento entre Brasil e Paraguai &eacute; indissol&uacute;vel.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>CC: Essa nova cl&aacute;usula pode trazer mudan&ccedil;as nas rela&ccedil;&otilde;es entre os dois pa&iacute;ses?<\/div>\n<div>JS: Est&aacute; em curso uma s&eacute;rie de outros projetos, como a implanta&ccedil;&atilde;o do Parlamento do Mercosul, a regulariza&ccedil;&atilde;o dos &ldquo;brasiguaios&rdquo; que vivem h&aacute; d&eacute;cadas no pa&iacute;s, a regulamenta&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio dos chamados sacoleiros na Ponte da Amizade, onde milhares de brasileiros transitam diariamente, al&eacute;m de parcerias que visam melhorar a seguran&ccedil;a e inibir o tr&aacute;fico e o contrabando na fronteira. Itaipu, por conta do tratado e pela presen&ccedil;a f&iacute;sica na regi&atilde;o, tem contribu&iacute;do sobremaneira para intensificar essa aproxima&ccedil;&atilde;o.<\/div>\n<div>&nbsp;<\/div>\n<div>CC: O acordo vence em 2023. O que muda a partir da&iacute;?<\/div>\n<div>JS: O tratado em si permanece inc&oacute;lume, sem nenhuma altera&ccedil;&atilde;o. Apenas o Anexo C, que trata da estrutura financeira, necessariamente sofrer&aacute; modifica&ccedil;&atilde;o em face da quita&ccedil;&atilde;o total dos empr&eacute;stimos. Em 2023, Itaipu ter&aacute; pago todos os seus compromissos rigorosamente em dia e o pre&ccedil;o da produ&ccedil;&atilde;o de energia ser&aacute; extremamente vantajoso e competitivo para ambos os pa&iacute;ses. O Brasil j&aacute; recebeu at&eacute; agora mais de 4,5 bilh&otilde;es de d&oacute;lares em royalties e o Paraguai outros 4,5 bilh&otilde;es, al&eacute;m de 1,6 bilh&atilde;o pela cess&atilde;o de energia. Mais do que resultados econ&ocirc;micos e financeiros, gera&ccedil;&atilde;o de renda e emprego, essa integra&ccedil;&atilde;o consolidou um sem-n&uacute;mero de programas sociais voltados ao meio ambiente, educa&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento tecnol&oacute;gico. S&atilde;o ganhos incomensur&aacute;veis que certamente ter&atilde;o desdobramentos e resultados por todo este s&eacute;culo.&rdquo;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bela entrevista do diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, \u00e0 revista Carta Capital, a qual reproduzo na \u00edntegra a seguir:<\/p>\n<p>\u201cNA QUARTA-FEIRA 11, O Senado aprovou a revis\u00e3o do acordo de Itaipu, conforme solicitado pelo Paraguai. O novo c\u00e1lculo triplicar\u00e1 o valor pago peIo Tesouro brasileiro ao governo vizinho. Em 2011, o excedente \u00e9 estimado em cerca de 200 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Segundo o diretor-geral de Itaipu, Jorge Samek, a decis\u00e3o de rever a cl\u00e1usula, cuja validade expirava em 2023, tem um vi\u00e9s t\u00e9cnico e outro pol\u00edtico.<\/p>\n<p>\u201cNo aspecto t\u00e9cnico, a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar em rela\u00e7\u00e3o ao real e ao guarani torna plenamente poss\u00edvel atend\u00ea-los sem que haja qualquer preju\u00edzo \u00e0 Itaipu. 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