{"id":30451,"date":"2011-06-11T00:00:00","date_gmt":"2011-06-11T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/queremos-medicos-pedem-prefeitos-do-interior-do-parana\/"},"modified":"2011-06-11T00:00:00","modified_gmt":"2011-06-11T03:00:00","slug":"queremos-medicos-pedem-prefeitos-do-interior-do-parana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/queremos-medicos-pedem-prefeitos-do-interior-do-parana\/","title":{"rendered":"Queremos m\u00e9dicos!, pedem prefeitos do interior do Paran\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><strong>Queremos m&eacute;dicos!<\/strong><\/p>\n<p><em><strong>Munic&iacute;pios do interior do Paran&aacute; sofrem por falta de m&eacute;dicos mesmo com oferta de &oacute;timos sal&aacute;rios <\/strong><\/em><\/p>\n<p>Na maioria dos munic&iacute;pios paranaense, o grito de prefeitos, lideran&ccedil;as e da popula&ccedil;&atilde;o &eacute; uma s&oacute;: queremos m&eacute;dicos! A procura &eacute; grande e n&atilde;o adianta oferecer bons sal&aacute;rios, casa, comida e outras condi&ccedil;&otilde;es que os m&eacute;dicos n&atilde;o aparecem e s&atilde;o raros no interior.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m pudera. Levantamento do Conselho Federal de Medicina converge com o mais recente estudo da organiza&ccedil;&atilde;o Pan-Americana da Sa&uacute;de, e mostram um cen&aacute;rio preocupante para os munic&iacute;pios pequenos, com menos de 50 mil habitantes &ndash; a maioria no Paran&aacute;.<\/p>\n<p><strong>Concentra&ccedil;&atilde;o &#8211;<\/strong> Por exemplo, a cidade Curitiba concentra 54% do n&uacute;mero total de m&eacute;dicos hoje em atividade no Paran&aacute;. Dos 16.894 m&eacute;dicos, a capital paranaense abriga 8.661 profissionais. A outra parte (46%) trabalha, principalmente, nas grandes cidades como Londrina, onde 1,7 mil m&eacute;dicos desempenham a fun&ccedil;&atilde;o. Maring&aacute;, conta com 1.093; e Cascavel, 598.&nbsp;<\/p>\n<p>Dos 399 munic&iacute;pios do estado, 68 contam com apenas um m&eacute;dico residente. Para contextualizar, a cada ano 800 novos m&eacute;dicos se formam nas nove faculdades de Medicina do Paran&aacute;. Segundo a pesquisa, h&aacute; um processo de agrupamento dos m&eacute;dicos em grandes centros urbanos.<\/p>\n<p>A grande maioria desses profissionais de sa&uacute;de prefere trabalhar em cidades de m&eacute;dio ou grande porte. Os motivos s&atilde;o v&aacute;rios e no Paran&aacute; n&atilde;o &eacute; nada diferente.<\/p>\n<p><strong>Especializa&ccedil;&atilde;o &#8211;<\/strong> O presidente da presidente da Associa&ccedil;&atilde;o M&eacute;dica do Paran&aacute;, Jos&eacute; Fernando Macedo, aponta a falta de especializa&ccedil;&atilde;o como um dos fatores respons&aacute;veis pelo desinteresse dos m&eacute;dicos em atuar em pequenos munic&iacute;pios do interior. &ldquo;Apenas 38% dos m&eacute;dicos que se formam fazem resid&ecirc;ncia em cidades do interior ou mesmo nos grandes centros&rdquo;, informa.<\/p>\n<p>Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Paran&aacute;, Miguel Hanna Sobrinho, o grande problema &eacute; a falta de recursos nas cidades do interior. &ldquo;Um m&eacute;dico n&atilde;o quer ser responsabilizado se alguma coisa acontece, se falta rem&eacute;dio ou estrutura para um exame. A culpa n&atilde;o &eacute; dele, mas ele acaba sendo cobrado por isso&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p><strong>Sal&aacute;rios &#8211;<\/strong> O desinteresse dos m&eacute;dicos para trabalhar no interior obrigou os munic&iacute;pios adotar medidas emergenciais ou mesmo dr&aacute;sticas. Prefeituras promoveram concursos p&uacute;blicos rel&acirc;mpagos, elevaram os sal&aacute;rios a patamares, em muitos casos, superior ao padr&atilde;o socioecon&ocirc;mico das cidades ou at&eacute; mudaram leis municipais.<\/p>\n<p>Tudo para despertar o desejo dos m&eacute;dicos em permanecer nas cidades. O munic&iacute;pio de Tel&ecirc;maco Borba, na regi&atilde;o central do Paran&aacute;, abriu 13 vagas para m&eacute;dicos do Programa Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia (PSF), com sal&aacute;rio de R$ 8.599.<\/p>\n<p>O sal&aacute;rio oferecido, para efeito comparativo, &eacute; maior &agrave; remunera&ccedil;&atilde;o oferecida aos agentes da Pol&iacute;cia Federal. No concurso, o munic&iacute;pio oferece ainda outras 12 vagas para m&eacute;dicos de v&aacute;rias especialidades, cujo menor sal&aacute;rio passa os R$ 5 mil.<\/p>\n<p>&ldquo;O alto sal&aacute;rio &eacute; justific&aacute;vel pela car&ecirc;ncia de profissionais na &aacute;rea de sa&uacute;de&rdquo;, salientou o secret&aacute;rio de Sa&uacute;de, Ricardo Arcanjo. O sal&aacute;rio oferecido em Tel&ecirc;maco Borba &eacute; superior aos grandes centros urbanos. Em S&atilde;o Paulo, por exemplo, com quase 11 milh&otilde;es de habitantes, o sal&aacute;rio para m&eacute;dico do PSF &eacute; de R$ 7,5 mil.<\/p>\n<p><strong>Tr&ecirc;s concursos &#8211;<\/strong> Mas o munic&iacute;pio &eacute; uma exce&ccedil;&atilde;o. A maioria das cidades pequenas n&atilde;o consegue adequar os sal&aacute;rios para atrair os profissionais m&eacute;dicos. Isso acontece em Munhoz de Melo (a 45 km de Maring&aacute;), com 3.688 habitantes. O maior vencimento &eacute; o do prefeito, cerca de R$ 4 mil mensais.<\/p>\n<p>Como sa&iacute;da, a prefeitura, em gest&otilde;es anteriores, promoveu tr&ecirc;s concursos p&uacute;blicos para contratar m&eacute;dicos, mas n&atilde;o houve candidatos. Outra tentativa, sem sucesso, foi a redu&ccedil;&atilde;o da carga hor&aacute;rio de trabalho. Por fim, a prefeitura contratou uma empresa prestadora de servi&ccedil;os m&eacute;dicos, cancelando, depois,o contrato.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s tantos problemas, Munhoz de Melo finalmente regularizou o atendimento &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. &quot;Hoje temos sete m&eacute;dicos, entre cl&iacute;nico-gerais, pediatra e ginecologista, tr&ecirc;s deles concursados&quot;, afirma o secret&aacute;rio da sa&uacute;de, Mauro S&eacute;rgio Ara&uacute;jo.<\/p>\n<p><strong>Carreira &#8211; <\/strong>A fuga e o distanciamento de m&eacute;dicos dos munic&iacute;pios do interior escondem v&aacute;rios problemas estruturais, pol&iacute;ticos e sociol&oacute;gicos. O cardiologista Ant&ocirc;nio Jos&eacute; (nome fict&iacute;cio), aposta na ado&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas de planejamento governamental e do servi&ccedil;o p&uacute;blico brasileiro, para a atra&ccedil;&atilde;o e perman&ecirc;ncia desses profissionais nos munic&iacute;pios pequenos.<\/p>\n<p>Atualmente, em Foz do Igua&ccedil;u, o m&eacute;dico considera fundamental a implanta&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de carreira do estado. Segundo ele, a medida permitiria, aos servidores p&uacute;blicos, n&atilde;o apenas os m&eacute;dicos (ju&iacute;zes, militares, professores, etc.) entre outros pontos, a elabora&ccedil;&atilde;o de um projeto de vida profissional.<\/p>\n<p>&ldquo;Desse modo, os m&eacute;dicos rec&eacute;m-formados, por exemplo, t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de projetar &agrave; carreira, al&eacute;m de garantirem um retorno e assist&ecirc;ncia social, porque sabem que passar&atilde;o apenas um per&iacute;odo nessas cidades pequenas, se assim optarem, para depois seguirem para munic&iacute;pios maiores&rdquo;, disse.<\/p>\n<p><strong>Escolha &#8211; <\/strong>Segundo Antonio Jos&eacute;, mais de 90% dos m&eacute;dicos brasileiros s&atilde;o formados em cidades m&eacute;dias e grandes, acostumados com o acesso f&aacute;cil &agrave; cultura, lazer e &agrave; educa&ccedil;&atilde;o.&nbsp; Essa forma&ccedil;&atilde;o, diz ele, influencia diretamente a escolha da cidade e o ambiente de trabalho deles.<\/p>\n<p>&ldquo;Por experi&ecirc;ncia pr&oacute;pria, pois j&aacute; trabalhei em munic&iacute;pios com menos de 50 mil habitantes, como &eacute; o caso de Eun&aacute;polis, na Bahia, os m&eacute;dicos encontram muitas dificuldades, inclusive de transporte e de desagrega&ccedil;&atilde;o familiar, pela dist&acirc;ncia dos centros urbanos. Por isso, optam pelas cidades maiores&rdquo;, analisou.<\/p>\n<p><strong>Falta generalizada &#8211;<\/strong> O problema da falta de m&eacute;dicos nos munic&iacute;pios do interior do Paran&aacute; segue a mesma ordem em n&iacute;vel nacional. N&atilde;o h&aacute; no Brasil falta de m&eacute;dicos. Pelo contr&aacute;rio. Os n&uacute;meros de m&eacute;dicos no pa&iacute;s crescem, proporcionalmente, acima dos &iacute;ndices da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Esse contingente de profissionais, segundo especialistas, seria suficiente para assegurar bom atendimento. Seria. Se n&atilde;o fosse um detalhe: existe concentra&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos nos centros urbanos e nas &aacute;reas mais ricas do pa&iacute;s, do mesmo modo no Paran&aacute;.<\/p>\n<p>Segundo estimativas do IBGE, em 2000, havia no pa&iacute;s, 260.216 m&eacute;dicos. J&aacute; em 2009 esse n&uacute;mero aumentou para 330.825, um crescimento de 27%. <br \/>\nNesse mesmo intervalo de tempo, a popula&ccedil;&atilde;o cresceu aproximadamente 12% &ndash; de 171.279.882 para 191.480.630. Com isso, a propor&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos no pa&iacute;s melhorou.<\/p>\n<p><strong>Regi&atilde;o nobre &#8211;<\/strong> Enquanto em 2000 havia um m&eacute;dico para cada grupo de 658 habitantes, em 2009 a situa&ccedil;&atilde;o passou de um m&eacute;dico para 578 pessoas, segundo n&uacute;meros divulgados pelo Conselho Federal de Medicina.<\/p>\n<p>A maior parte dos m&eacute;dicos est&aacute; na regi&atilde;o Sudeste do pa&iacute;s, que concentra 42% da popula&ccedil;&atilde;o e 55% dos m&eacute;dicos. S&atilde;o 439 habitantes por profissional.<\/p>\n<p>Somente em S&atilde;o Paulo est&atilde;o 30% dos m&eacute;dicos brasileiros &ndash; o estado abriga 21% da popula&ccedil;&atilde;o. J&aacute; na regi&atilde;o Nordeste h&aacute; um m&eacute;dico para cada 968 habitantes; e no Norte essa propor&ccedil;&atilde;o chega a um profissional para cada grupo de 1.130 pessoas.<\/p>\n<p><strong>Capital\/interior &#8211; <\/strong>A distribui&ccedil;&atilde;o entre capital e interior tamb&eacute;m &eacute; desigual nos estados. Sergipe tem 92% dos m&eacute;dicos na capital. Em Roraima, s&atilde;o 10.306 habitantes por m&eacute;dico em cidades do interior. H&aacute; apenas 15 profissionais domiciliados fora da capital.<br \/>\nO resultado de tudo isso &eacute; que, enquanto algumas cidades apresentam &iacute;ndices similares aos dos melhores pa&iacute;ses europeus, outras localidades podem ser comparadas a pa&iacute;ses pobres africanos.<\/p>\n<p>Curitiba, por exemplo, tem um m&eacute;dico para 227 habitantes, m&eacute;dia similar &agrave; de pa&iacute;ses como Alemanha, B&eacute;lgica e Su&iacute;&ccedil;a. No entanto, no interior do Amazonas h&aacute; apenas um m&eacute;dico para cada grupo de 8.944 habitantes. N&uacute;mero compar&aacute;vel ao de pa&iacute;ses como Guin&eacute;-Bissau (8.333) ou Angola (12.600).<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3tima mat\u00e9ria da \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista da AMP sobre a falta de m\u00e9dicos nas cidades do interior do Paran\u00e1. &#8220;Na maioria dos munic\u00edpios paranaense, o grito de prefeitos, lideran\u00e7as e da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma s\u00f3: queremos m\u00e9dicos! A procura \u00e9 grande e n\u00e3o adianta oferecer bons sal\u00e1rios, casa, comida e outras condi\u00e7\u00f5es que os m\u00e9dicos n\u00e3o aparecem e s\u00e3o raros no interior&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m pudera. Levantamento do Conselho Federal de Medicina converge com o mais recente estudo da organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade, e mostram um cen\u00e1rio preocupante para os munic\u00edpios pequenos, com menos de 50 mil habitantes \u2013 a maioria no Paran\u00e1&#8221;.  Leia a seguir a mat\u00e9ria na \u00edntegra.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":30450,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[3,7348],"class_list":["post-30451","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-medicos","tag-revista-da-amp"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30451"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30451\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30450"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}