{"id":30231,"date":"2011-06-19T00:00:00","date_gmt":"2011-06-19T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/paraguai-doce-lar\/"},"modified":"2011-06-19T00:00:00","modified_gmt":"2011-06-19T03:00:00","slug":"paraguai-doce-lar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/paraguai-doce-lar\/","title":{"rendered":"Paraguai, doce lar"},"content":{"rendered":"<p>&Oacute;tima reportagem produzida pela jornalista Denise Paro, da sucursal do jornal Gazeta do Povo, em Foz do Igua&ccedil;u. Denise descreveu, na mat&eacute;ria, o fluxo migrat&oacute;rio de milhares de brasileiros, a maioria moradores de Foz, ao Paraguai, em busca de trabalho, principalmente no com&eacute;rcio e na agricultura. <\/p>\n<p>&ldquo;Mais conhecido entre os brasileiros por ser um para&iacute;so de compras, o Paraguai ganhou status de porto seguro para se viver. O custo da constru&ccedil;&atilde;o civil, cerca de 30% mais em conta se comparado ao do Brasil, e a facilidade de &ldquo;fazer dinheiro&rdquo; tornaram-se chamariz para brasileiros cruzarem a fronteira de malas na m&atilde;o&rdquo;, diz a reportagem. Confiram o texto. <\/p>\n<p>Os novos o&aacute;sis para os brasileiros est&atilde;o em condom&iacute;nios de luxo que despontam em munic&iacute;pios situados pr&oacute;ximo &agrave; faixa de fronteira onde o sotaque brasileiro &eacute; uma constante: Ciudad del Este e Hernand&aacute;rias, nos limites com Foz do Igua&ccedil;u; e San Alberto e Santa Rita, que surgiram d&eacute;cadas atr&aacute;s com a chegada dos chamados brasiguaios, que buscavam terras para plantar.<\/p>\n<p>O momento econ&ocirc;mico favor&aacute;vel do Paraguai &ndash; cuja economia cresceu a uma m&eacute;dia anual de 7% entre 2003 e 2010, segundo o Centro Empresarial Brasil-Paraguai (Braspar) &ndash; tamb&eacute;m atrai uma legi&atilde;o de empres&aacute;rios brasileiros.<\/p>\n<p>Invers&atilde;o<\/p>\n<p>A maior parte dos brasileiros que opta por viver no pa&iacute;s vizinho &eacute; funcion&aacute;rio ou propriet&aacute;rio de loja. Eles come&ccedil;am a inverter uma cultura na fronteira que &eacute; ter um neg&oacute;cio no Paraguai e morar em Foz do Igua&ccedil;u.<\/p>\n<p>Marcos Fernando Lima, 40 anos, e Simone Lima, 35 anos, deixaram Maring&aacute; (Noroeste do Paran&aacute;) h&aacute; um ano e meio para tocar um restaurante em Hernand&aacute;rias. De in&iacute;cio, eles tentaram morar em Foz do Igua&ccedil;u, mas a experi&ecirc;ncia n&atilde;o deu certo porque era necess&aacute;rio fazer pelo menos tr&ecirc;s viagens di&aacute;rias de uma cidade a outra, passando pelo tr&acirc;nsito confuso da Ponte da Amizade. Hoje eles moram num apartamento a poucos minutos do restaurante &ndash; e n&atilde;o se arrependem da mudan&ccedil;a. <\/p>\n<p>&ldquo;Quando se fala do Paraguai, a primeira impress&atilde;o que se tem &eacute; a Ponte da Amizade. Mas n&atilde;o &eacute; s&oacute; a regi&atilde;o da fronteira, as oportunidades est&atilde;o por todo o pa&iacute;s. Basta que as pessoas deixem a zona de conforto e assumam responsabilidades&rdquo;, diz Lima.<\/p>\n<p>Sem volta<\/p>\n<p>A arquiteta Maria Cl&aacute;udia Toson, 30 anos, tamb&eacute;m se mudou h&aacute; um ano e meio. O marido, propriet&aacute;rio de uma loja de maquin&aacute;rio agr&iacute;cola em Ciudad del Este, levou um tempo para convenc&ecirc;-la de que viver no pa&iacute;s vizinho seria mais sensato. &ldquo;Eu tinha medo do atendimento na sa&uacute;de, das amizades, da estrutura educacional&rdquo;, conta Maria Cl&aacute;udia. Um ano foi suficiente para que ela mudasse de ideia. Hoje propriet&aacute;ria de uma loja de roupas, ela conta outra hist&oacute;ria sobre o pa&iacute;s vizinho. &ldquo;&Eacute; dif&iacute;cil um brasileiro vir para o Paraguai e voltar.&rdquo; Maria Cl&aacute;udia sente-se em casa no Paraguai. Encontra brasileiros por onde anda e elogia a escola bil&iacute;ngue onde a filha de dois anos estuda. L&aacute;, conta, a filha canta em franc&ecirc;s e fala espanhol.<\/p>\n<p>Alexandre Luiz Mella, 30 anos, mora em Ciudad del Este h&aacute; cinco anos com a esposa. Empres&aacute;rio, ele tem uma loja de m&aacute;quinas e ferramentas na cidade, onde trabalha desde 1997. A dificuldade de cruzar a fronteira todos os dias para ir ao pa&iacute;s vizinho gerenciar o pr&oacute;prio neg&oacute;cio foi um dos motivos que o levaram a viver no Paraguai.<br \/>\nSegundo ele, as pessoas resistem &agrave; ideia de viver no Paraguai por falta de conhecimento, mas, com o tempo, veem os benef&iacute;cios. &ldquo;Com a globaliza&ccedil;&atilde;o voc&ecirc; tem tudo e aqui &eacute; mais barato que no Brasil&rdquo;, diz ele. Pagar aluguel e manter um autom&oacute;vel custam muito menos &ndash; o &ldquo;IPVA&rdquo; de um carro de luxo, explica, sai por apenas R$ 200 ao ano.<\/p>\n<p><strong>Longe do agito, um supercondom&iacute;nio<\/strong><\/p>\n<p>Os lugares que os brasileiros procuram para viver no Paraguai est&atilde;o distantes do com&eacute;rcio de importados. S&atilde;o bairros arborizados, onde florescem condom&iacute;nios de alto padr&atilde;o e n&atilde;o h&aacute; reclama&ccedil;&atilde;o quanto &agrave; seguran&ccedil;a. Apesar de ainda engatinhar na constru&ccedil;&atilde;o de pr&eacute;dios e condom&iacute;nios horizontais, a regi&atilde;o de fronteira tem um empreendimento que &eacute; refer&ecirc;ncia no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>O Paran&aacute; Country Club, situado em Hernand&aacute;rias, onde fica a sede da Itaipu Binacional, &eacute; um supercondom&iacute;nio horizontal que tem similares apenas em algumas capitais brasileiras, como S&atilde;o Paulo. Distante a poucos quil&ocirc;metros do microcentro de importados, parece estar em outro pa&iacute;s. O Country Club tem uma &aacute;rea de moradia, onde h&aacute; um controle rigoroso na portaria, e uma &aacute;rea comercial externa. Nos dois ambientes, os moradores s&atilde;o vistos circulando com carros usados em campos de golfe.<\/p>\n<p>Com cerca de 1,8 mil terrenos, o condom&iacute;nio tem hoje aproximadamente mil casas, algumas de &ldquo;padr&atilde;o cinematogr&aacute;fico&rdquo;, al&eacute;m de dois hot&eacute;is, restaurante, clube de lazer com quadras de t&ecirc;nis e campos de golfe. Nos &uacute;ltimos cinco anos, com o aumento da demanda, os lotes se valorizaram exponencialmente. Um terreno que h&aacute; seis anos custava US$ 15 mil &eacute; vendido hoje por US$ 150 mil. L&aacute; moram brasileiros, paraguaios, chineses, &aacute;rabes e outros estrangeiros.<\/p>\n<p>Criado na d&eacute;cada de 1970, o Country Club desponta como um atrativo para os brasileiros por v&aacute;rios motivos: a seguran&ccedil;a, a organiza&ccedil;&atilde;o e os benef&iacute;cios. A &uacute;nica coisa que falta no condom&iacute;nio, brincam os moradores, &eacute; um hospital &ndash; h&aacute; at&eacute; uma ambul&acirc;ncia &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o deles.<\/p>\n<p>Na &aacute;rea comercial do condom&iacute;nio, os moradores t&ecirc;m praticamente tudo &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o: banco, revendedora de autom&oacute;veis, supermercado, restaurante, loja de confec&ccedil;&otilde;es e um centro comercial de luxo &ndash; alternativas que dispensam deslocamentos para outros locais.<\/p>\n<p>A realidade &eacute; parecida em San Alberto e Santa Rita, uma col&ocirc;nia brasileira situada a 70 quil&ocirc;metros de Foz do Igua&ccedil;u. L&aacute; uma casa de tr&ecirc;s quartos e 250 metros quadrados em alto padr&atilde;o vale hoje cerca de US$ 220 mil (R$ 352 mil).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3tima reportagem produzida pela jornalista Denise Paro, da sucursal do jornal Gazeta do Povo, em Foz do Igua\u00e7u. Denise descreveu, na mat\u00e9ria, o fluxo migrat\u00f3rio de milhares de brasileiros, a maioria moradores de Foz, ao Paraguai, em busca de trabalho, principalmente no com\u00e9rcio e na agricultura.<\/p>\n<p>\u201cMais conhecido entre os brasileiros por ser um para\u00edso de compras, o Paraguai ganhou status de porto seguro para se viver. O custo da constru\u00e7\u00e3o civil, cerca de 30% mais em conta se comparado ao do Brasil, e a facilidade de \u201cfazer dinheiro\u201d tornaram-se chamariz para brasileiros cruzarem a fronteira de malas na m\u00e3o\u201d, diz a reportagem. 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