{"id":30193,"date":"2011-06-21T00:00:00","date_gmt":"2011-06-21T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/marcos-coimbra-midia-se-cala-sobre-o-datafolha-favoravel-a-dilma\/"},"modified":"2011-06-21T00:00:00","modified_gmt":"2011-06-21T03:00:00","slug":"marcos-coimbra-midia-se-cala-sobre-o-datafolha-favoravel-a-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/marcos-coimbra-midia-se-cala-sobre-o-datafolha-favoravel-a-dilma\/","title":{"rendered":"Marcos Coimbra: m\u00eddia se cala sobre o Datafolha favor\u00e1vel a Dilma"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Arial,Tahoma,sans-serif; font-size: 10px;\"><\/p>\n<h2 style=\"font-size: 1.2em; font-weight: normal; color: rgb(102, 102, 102);\">No Brasil, como em  qualquer democracia contempor&acirc;nea, as pesquisas de opini&atilde;o s&atilde;o parte do  dia a dia da pol&iacute;tica. Faz tempo que &eacute; assim.<\/p>\n<p>Por Marcos Coimbra,  no&nbsp;<i>Correio Braziliense<\/i><\/h2>\n<p><span style=\"font-size: 1.2em; line-height: 19px;\">&Eacute; claro que isso come&ccedil;ou depois do fim da ditadura.  Entre 1964 e a redemocratiza&ccedil;&atilde;o, elas foram parcimoniosamente realizadas  e divulgadas. Sem elei&ccedil;&otilde;es para o executivo, a n&atilde;o ser em cidades do  interior, quase ningu&eacute;m fazia pesquisas de inten&ccedil;&atilde;o de voto. E, dado que  a opini&atilde;o p&uacute;blica &eacute; pouco (ou nada) relevante nos regimes autorit&aacute;rios,  tampouco se faziam pesquisas sobre os sentimentos e avalia&ccedil;&otilde;es da  popula&ccedil;&atilde;o a respeito de temas administrativos e governamentais.<\/p>\n<p>Foi  ao longo desses mesmos 20 anos que aumentou a import&acirc;ncia das pesquisas  mundo afora. Enquanto elas foram se incorporando ao cotidiano dos  pa&iacute;ses desenvolvidos, sendo regularmente realizadas para ve&iacute;culos de  comunica&ccedil;&atilde;o, governos, institui&ccedil;&otilde;es acad&ecirc;micas, organiza&ccedil;&otilde;es da  sociedade civil, entidades de representa&ccedil;&atilde;o de interesses, partidos  pol&iacute;ticos e candidatos, por aqui o ambiente lhes era hostil.<\/p>\n<p>Nos  atrasamos em rela&ccedil;&atilde;o a esses pa&iacute;ses, demoramos a acertar o passo, mas  conseguimos. De meados da d&eacute;cada de 1980 para c&aacute;, as pesquisas (de  opini&atilde;o, mas tamb&eacute;m de mercado &mdash; o que &eacute; outra hist&oacute;ria) se modernizaram  e consolidaram no Brasil.<\/p>\n<p>Apesar disso, nossa m&iacute;dia &eacute; uma  cliente cautelosa e limitada dos institutos. Ao contr&aacute;rio da regra nos  Estados Unidos e na Europa, onde jornais, emissoras de televis&atilde;o e  portais de internet s&atilde;o consumidores vorazes de pesquisas, seus  cong&ecirc;neres brasileiros costumam pensar na base do &ldquo;quero, desde que seja  de gra&ccedil;a&rdquo;. Todos acham &oacute;timo divulgar uma pesquisa, mas se arrepiam  perante a ideia de custe&aacute;-la.<\/p>\n<p>A &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o (que, de certa  forma, confirma a regra), &eacute; o Datafolha, departamento de pesquisa de um  jornal, que se utiliza dele na sua pol&iacute;tica comercial. Como nenhuma  outra empresa de comunica&ccedil;&atilde;o (acertadamente) achou que precisava ter  &ldquo;seu instituto&rdquo;, sequer outros semelhantes existem.<\/p>\n<p>Com isso, a  sociedade brasileira passa meses sem saber o que pensam as pessoas sobre  a conjuntura, o que sabem e consideram relevante nos acontecimentos,  que percep&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m dos personagens da pol&iacute;tica e de seus atos. At&eacute; que a  m&iacute;dia ganhe de presente alguns resultados, caso dos patrocinados por  entidades de classe, a exemplo da CNI e da CNT.<\/p>\n<p>Por alguma raz&atilde;o  misteriosa, isso muda na v&eacute;spera dos processos eleitorais, especialmente  nas elei&ccedil;&otilde;es presidenciais e de governador. Quando elas chegam, todos  os ve&iacute;culos se sentem obrigados a ter a &ldquo;sua pesquisa&rdquo;. E a dedicar uma  parte enorme da cobertura a discutir n&uacute;meros, algo que costuma  interessar apenas secundariamente a leitores e espectadores.<\/p>\n<p>Uma  das explica&ccedil;&otilde;es desse comportamento talvez seja que as pesquisas, &agrave;s  vezes, n&atilde;o dizem o que as reda&ccedil;&otilde;es esperam. E que, sem elas, &eacute; sempre  poss&iacute;vel especular sobre a opini&atilde;o p&uacute;blica, sem o inc&ocirc;modo de  consult&aacute;-la. Para que gastar dinheiro fazendo pesquisas, se vamos  ignor&aacute;-las caso n&atilde;o mostrem o que queremos?<\/p>\n<p>Tudo isso vem &agrave; mente  com a divulga&ccedil;&atilde;o da mais recente pesquisa do Datafolha sobre a  popularidade da presidente e a avalia&ccedil;&atilde;o do governo federal. Sem entrar  em detalhes, o mais relevante que ela mostrou &eacute; que ambas v&atilde;o bem. Na  verdade, muito bem, considerando que subiram &iacute;ndices que j&aacute; eram  elevados. Na pesquisa anterior, Dilma batia o recorde de aprova&ccedil;&atilde;o para  presidentes no come&ccedil;o de mandato e superou, na nova, sua pr&oacute;pria marca.<\/p>\n<p>Definitivamente,  n&atilde;o era isso que supunham os jornais. Nos dias que antecederam a  demiss&atilde;o de Palocci, o que vimos foram especula&ccedil;&otilde;es sobre a &ldquo;queda de  Dilma nas pesquisas&rdquo;, dada como t&atilde;o certa que o interessante passou a  ser as consequ&ecirc;ncias de seu hipot&eacute;tico &ldquo;desgaste de imagem&rdquo; na  governabilidade.<\/p>\n<p>Como a pesquisa n&atilde;o confirmou qualquer recuo, um  sil&ecirc;ncio sepulcral se abateu sobre ela. Foi quase ignorada e nem mesmo o  jornal que &eacute; dono do Datafolha achou que valia a pena insistir no  assunto.<\/p>\n<p>S&oacute; imaginando: o que teria acontecido se, ao inv&eacute;s de  mostrar uma subida de 2%, ela tivesse indicado uma queda, ainda que  pequena, na popularidade de Dilma? De uma coisa podemos estar certos, a  pesquisa seria um estrondo.<\/p>\n<p><i>* Marcos Coimbra &eacute; soci&oacute;logo e  presidente do Instituto Vox Populi<\/i><\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 claro que isso come\u00e7ou depois do fim da ditadura. Entre 1964 e a redemocratiza\u00e7\u00e3o, elas foram parcimoniosamente realizadas e divulgadas. Sem elei\u00e7\u00f5es para o executivo, a n\u00e3o ser em cidades do interior, quase ningu\u00e9m fazia pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto. E, dado que a opini\u00e3o p\u00fablica \u00e9 pouco (ou nada) relevante nos regimes autorit\u00e1rios, tampouco se faziam pesquisas sobre os sentimentos e avalia\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o a respeito de temas administrativos e governamentais.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":30192,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[936,601,776],"class_list":["post-30193","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-datafolha","tag-dilma","tag-midia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30193"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30193\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30192"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}