{"id":30163,"date":"2011-06-22T00:00:00","date_gmt":"2011-06-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/texto-base-da-2a-conferencia-nacional-de-juventude\/"},"modified":"2011-06-22T00:00:00","modified_gmt":"2011-06-22T03:00:00","slug":"texto-base-da-2a-conferencia-nacional-de-juventude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/texto-base-da-2a-conferencia-nacional-de-juventude\/","title":{"rendered":"Texto Base da 2\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Juventude"},"content":{"rendered":"<p>\nA id&eacute;ia de que &eacute; necess&aacute;rio garantir pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para a juventude vem se desenvolvendo<br \/>\nh&aacute; alguns anos no Brasil, principalmente a partir dos anos 90. Pol&iacute;ticas e programas para jovens<br \/>\nsempre existiram, mas o entendimento de que &eacute; necess&aacute;rio um conjunto amplo e articulado de<br \/>\npol&iacute;ticas que atentem para a singularidade e, ao mesmo tempo, para a pluralidade da juventude,<br \/>\ntomada como um segmento espec&iacute;fico, se estruturou mais recentemente.<\/p>\n<p>Esse entendimento &eacute; reflexo de profundas mudan&ccedil;as ocorridas nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas: a juventude<br \/>\nn&atilde;o se refere mais a uma breve passagem da vida infantil para a vida adulta, nem &agrave; possibilidade de<br \/>\nviv&ecirc;-la est&aacute; reduzida a um pequeno segmento da sociedade. Como etapa do ciclo de vida, se alargou<br \/>\ne comporta hoje m&uacute;ltiplas dimens&otilde;es de viv&ecirc;ncia e experimenta&ccedil;&atilde;o, para al&eacute;m da forma&ccedil;&atilde;o para a<br \/>\nvida adulta, adquirindo sentido em si mesma. Isso significa que a juventude deve ser considerada<br \/>\nsimultaneamente como um percurso para a inser&ccedil;&atilde;o e emancipa&ccedil;&atilde;o social e como um tempo pr&oacute;prio<br \/>\npara &ldquo;viver a vida juvenil&rdquo;.<\/p>\n<p>As pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, neste contexto, devem buscar a estrutura&ccedil;&atilde;o de mecanismos de suporte<br \/>\nadequados para que os jovens possam desenvolver sua forma&ccedil;&atilde;o, processar suas buscas, construir<br \/>\nseus projetos e percursos de inser&ccedil;&atilde;o na vida social. Para dar conta da multiplicidade de dimens&otilde;es<br \/>\ndessa viv&ecirc;ncia e desses processos, s&atilde;o necess&aacute;rias a&ccedil;&otilde;es das diferentes &aacute;reas de execu&ccedil;&atilde;o:<br \/>\neduca&ccedil;&atilde;o, trabalho, sa&uacute;de, cultura, lazer, esporte etc. Referem-se, portanto, a pol&iacute;ticas universais,<br \/>\ncom um enfoque adequado &agrave;s especificidades dessa fase da vida.<\/p>\n<p>No entanto, esta n&atilde;o &eacute; uma categoria uniforme nem homog&ecirc;nea; s&atilde;o muitas e &agrave;s vezes profundas as<br \/>\ndiferen&ccedil;as e desigualdades que a atravessam, impondo a necessidade de considerar a diversidade de<br \/>\nmodos como essa condi&ccedil;&atilde;o &eacute; vivida e localizar como as desigualdades afetam os jovens no acesso a<br \/>\noportunidades e direitos de acordo com sua renda familiar, g&ecirc;nero, ra&ccedil;a, orienta&ccedil;&atilde;o sexual, local de<\/p>\n<p>moradia, ter ou n&atilde;o alguma defici&ecirc;ncia, ser ou n&atilde;o de comunidades tradicionais.<\/p>\n<p>Trata-se, portanto, de pensar a juventude n&atilde;o de modo restrito a um &uacute;nico padr&atilde;o de transi&ccedil;&atilde;o<br \/>\npara a vida adulta, mas como parte de um processo mais amplo de constitui&ccedil;&atilde;o de sujeitos que<br \/>\nt&ecirc;m especificidades que marcam a trajet&oacute;ria de cada um. Ao mesmo tempo, frente aos diferentes<br \/>\nprocessos de exclus&atilde;o social que afetam os\/as jovens brasileiros\/as, &eacute; preciso combinar pol&iacute;ticas<br \/>\nestruturais, que visam efeitos duradouros, com programas e a&ccedil;&otilde;es emergenciais que resultem em<br \/>\nefeitos imediatos.<\/p>\n<p>A presen&ccedil;a da juventude na sociedade brasileira tamb&eacute;m se alargou e intensificou, nos &uacute;ltimos<br \/>\nanos, tanto em contingente como em multiplicidade de atores. S&atilde;o muitos os segmentos que<br \/>\nhoje se fazem vis&iacute;veis e presentes, atrav&eacute;s dos mais variados tipos de coletivos, organiza&ccedil;&otilde;es e<br \/>\nmovimentos, apresentando uma gama variada de demandas e cobrando participa&ccedil;&atilde;o e interfer&ecirc;ncia<br \/>\nna vida social, cultural e pol&iacute;tica do pa&iacute;s. Foram esses atores, em grande medida, com suas vozes<br \/>\ne mobiliza&ccedil;&otilde;es, que foram mostrando ao pa&iacute;s a necessidade de assumir o tema da juventude de um<br \/>\nmodo mais complexo e atualizado.<\/p>\n<p>Como afirma o documento &ldquo;Pacto pela Juventude&rdquo;, apesar de constitu&iacute;rem um grupo et&aacute;rio que<br \/>\npartilha de experi&ecirc;ncias comuns, existe nessa juventude brasileira uma pluralidade de situa&ccedil;&otilde;es<br \/>\nque confere diversidade &agrave;s &ldquo;demandas&rdquo; juvenis. Nessa juventude est&atilde;o &ldquo;jovens com defici&ecirc;ncia,<br \/>\nmulheres e homens, negros, brancos, ind&iacute;genas, urbanos, rurais, quilombolas, l&eacute;sbicas, gays,<br \/>\ntravestis, transexuais, transg&ecirc;neros, sem terra, agricultores familiares, trabalhadores precarizados<br \/>\ne desempregados, entre tantos outros, que precisam de pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas para ter acesso &agrave;<br \/>\ncidadania plena. Um grupo plural e diverso que precisa ser visto como sujeito de direitos e<br \/>\nagente estrat&eacute;gico de desenvolvimento com potencial criativo e n&atilde;o somente uma faixa et&aacute;ria de<br \/>\ntransi&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Esse modo de abordar a juventude foi ganhando for&ccedil;a, no Brasil, com a conquista do voto aos<br \/>\n16 anos na Constituinte e desde a d&eacute;cada de 1990, atrav&eacute;s da demanda e da promo&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es<br \/>\nexperimentais por parte de diferentes tipos de atores, entre movimentos sociais, pesquisadores e<br \/>\nacad&ecirc;micos, organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, organismos de coopera&ccedil;&atilde;o internacional (como os<br \/>\ndo Sistema ONU), gestores locais e, principalmente, organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos juvenis dos mais<br \/>\ndistintos tipos. A discuss&atilde;o sobre a quest&atilde;o juvenil foi se colocando cada vez mais como tema<br \/>\nnecess&aacute;rio na agenda p&uacute;blica, demandando respostas institucionais por parte dos poderes p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>&Eacute; tamb&eacute;m deste per&iacute;odo o surgimento de algumas iniciativas por parte de diferentes n&iacute;veis de<br \/>\ngoverno (federal, estadual, municipal), entre elas a cria&ccedil;&atilde;o de organismos p&uacute;blicos destinados a<br \/>\ndesenvolver e articular a&ccedil;&otilde;es para a implanta&ccedil;&atilde;o de projetos e\/ou programas dirigidos aos jovens.<br \/>\nDe l&aacute; para c&aacute;, o debate se ampliou, assim como a diversidade dos atores envolvidos e das quest&otilde;es<br \/>\nabordadas.<\/p>\n<p>Um dos grandes esfor&ccedil;os desse processo foi a busca de reverter a &oacute;tica pela qual os jovens entravam<br \/>\nno notici&aacute;rio e no &acirc;mbito da preocupa&ccedil;&atilde;o do Estado, como problema para si pr&oacute;prios e para a<br \/>\nsociedade, e afirm&aacute;-los como sujeito de direitos (reconhecidos de forma espec&iacute;fica nas a&ccedil;&otilde;es<br \/>\nda sa&uacute;de p&uacute;blica, seguran&ccedil;a, direitos humanos, cultura, comunica&ccedil;&atilde;o, meio ambiente, trabalho,<br \/>\nmobilidade, diversidade sexual, igualdade racial e de g&ecirc;nero) e como atores necess&aacute;rios na<br \/>\ndiscuss&atilde;o e formula&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es governamentais para o segmento.<\/p>\n<p>Iniciativas simult&acirc;neas na sociedade civil (entre outros eventos importantes, o Semin&aacute;rio Juventude<br \/>\nem Pauta, em 2002; a &ldquo;Agenda Jovem 2002&rdquo;; o Projeto Juventude, 2003\/2004), entre os jovens<br \/>\n(nesse per&iacute;odo ocorreram centenas de encontros, congressos e semin&aacute;rios e mobiliza&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s<br \/>\ndas quais organiza&ccedil;&otilde;es juvenis levantaram suas bandeiras e demandaram respostas do Estado), no<\/p>\n<p>parlamento (a cria&ccedil;&atilde;o de CEJUVENT &ndash; Comiss&atilde;o Especial de Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas de Juventude,<br \/>\nna C&acirc;mara dos Deputados e o processo de audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas para a realiza&ccedil;&atilde;o de um semin&aacute;rio<br \/>\nnacional de pol&iacute;ticas de juventude em 2003) e no executivo federal (a cria&ccedil;&atilde;o de um grupo<br \/>\ninterministerial encarregado de fazer um balan&ccedil;o das a&ccedil;&otilde;es dirigidas aos jovens no &acirc;mbito do<br \/>\ngoverno federal e desenvolver uma proposta de pol&iacute;tica integrada para a juventude), resultaram na<br \/>\nproposi&ccedil;&atilde;o da constitui&ccedil;&atilde;o de um arcabou&ccedil;o legal e institucional para o tratamento do tema como<br \/>\numa a&ccedil;&atilde;o articulada pelo poder p&uacute;blico ou, mais exatamente, como pol&iacute;tica de Estado.<\/p>\n<p>Esta disposi&ccedil;&atilde;o se concretizou, no primeiro mandato do presidente Lula, atrav&eacute;s da Lei 11.129, de<br \/>\n30\/06\/2005, com a cria&ccedil;&atilde;o de instrumentos que lan&ccedil;aram o embri&atilde;o de uma pol&iacute;tica nacional de<br \/>\njuventude: a Secretaria Nacional de Juventude, o Conselho Nacional de Juventude e um programa<br \/>\nnacional para a inclus&atilde;o de jovens (Projovem).<\/p>\n<p>A Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), integrada &agrave; Secretaria Geral da Presid&ecirc;ncia da<br \/>\nRep&uacute;blica, &ldquo;&eacute; respons&aacute;vel por coordenar a Pol&iacute;tica Nacional de Juventude, al&eacute;m de articular e<br \/>\npropor programas e a&ccedil;&otilde;es voltadas para o desenvolvimento integral dos jovens&rdquo;.<\/p>\n<p>O Conselho Nacional da Juventude (Conjuve) tem o papel de formular diretrizes, discutir<br \/>\nprioridades e avaliar programas e a&ccedil;&otilde;es governamentais voltadas para jovens, baseado no<br \/>\ndi&aacute;logo entre a sociedade civil e os membros do Governo. Tem car&aacute;ter consultivo, &eacute; formado por<br \/>\nrepresentantes do poder p&uacute;blico e da sociedade. Hoje, &eacute; composto por 60 conselheiros, dos quais<br \/>\n20 s&atilde;o indicados pelo poder p&uacute;blico e 40 pela sociedade civil representantes de grupos, redes e<br \/>\nmovimentos juvenis e organiza&ccedil;&otilde;es que trabalham com jovens.<\/p>\n<p>O Programa Nacional de Inclus&atilde;o de Jovens (o Projovem) foi lan&ccedil;ado como um programa de<br \/>\ncar&aacute;ter emergencial, voltado inicialmente para jovens de 18 a 24 anos, que n&atilde;o conclu&iacute;ram o ensino<br \/>\nfundamental. Programa pioneiro da pol&iacute;tica nascente, fundamentou seu desenho numa<br \/>\ncompreens&atilde;o atualizada da singularidade dos jovens e na articula&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es de diferentes<br \/>\nMinist&eacute;rios, buscando realizar uma perspectiva de pol&iacute;tica integrada; al&eacute;m disso o montante de<br \/>\nrecursos a ele destinado sinalizou a import&acirc;ncia que esse segmento assumia no governo federal,<br \/>\nbem como o compromisso com a produ&ccedil;&atilde;o de impactos reais na qualidade de vida dos e das jovens.<\/p>\n<p>Um dos momentos mais importantes desse processo foi a realiza&ccedil;&atilde;o da 1&ordf; Conferencia Nacional<br \/>\nde Juventude, em 2008. Convocada pelo CONJUVE e pela SNJ, contou com cerca de 400 mil<br \/>\nparticipantes em todo o processo, que envolveu a realiza&ccedil;&atilde;o de centenas de reuni&otilde;es preparat&oacute;rias<br \/>\n(entre conferencias municipais, estaduais, livres) e culminou com a conferencia nacional, em<br \/>\nBras&iacute;lia, com cerca de 2500 participantes, vindos de todos os cantos do pa&iacute;s e pertencentes a uma<br \/>\nimensa diversidade de segmentos, coletivos, organiza&ccedil;&otilde;es e movimentos.<\/p>\n<p>A conferencia debateu e aprovou mais de 70 proposi&ccedil;&otilde;es, 22 eleitas como priorit&aacute;rias para a pol&iacute;tica<br \/>\nnacional de juventude, abarcando m&uacute;ltiplos temas e proposi&ccedil;&otilde;es para segmentos espec&iacute;ficos,<br \/>\ndemonstrando a impossibilidade de ignorar a diversidade e a desigualdade que atravessam a<br \/>\njuventude e que as respostas a essas demandas remetem a um arco muito diversificado de direitos.<\/p>\n<p>\nO texto na &iacute;ntegra voc&ecirc;s podem conferir no link: http:\/\/www.juventude.gov.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/TextoBase_2_Conf.pdf<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leiam a introdu\u00e7\u00e3o do texto base da 2\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Juventude. O texto \u00e9 o instrumento fundamental para deflagrar o conjunto de<br \/>\ndebates em torno do tema da juventude  no processo das confer\u00eancias<br \/>\npreparat\u00f3rias \u00e0 2\u00aa Confer\u00eancia Nacional de Juventude. Aproveito para ressaltar aqui todo o meu apoio ao tema.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":30162,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[3118,852,7247],"class_list":["post-30163","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-conferencia","tag-juventude","tag-texto-base"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30163","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=30163"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/30163\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/30162"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=30163"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=30163"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=30163"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}