{"id":29895,"date":"2011-07-04T00:00:00","date_gmt":"2011-07-04T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/pais-tera-20-anos-de-crescimento-continuo\/"},"modified":"2011-07-04T00:00:00","modified_gmt":"2011-07-04T03:00:00","slug":"pais-tera-20-anos-de-crescimento-continuo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/pais-tera-20-anos-de-crescimento-continuo\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds ter\u00e1 20 anos de crescimento cont\u00ednuo"},"content":{"rendered":"<p class=\"titulo\">Entrevista: Eike Batista, presidente do grupo EBX<\/p>\n<p>Empres&aacute;rio  afirma que o pr&eacute;-sal e a classe m&eacute;dia puxam crescimento, mas defende  investimentos em infraestrutura<\/p>\n<p>O empres&aacute;rio Eike Batista,  presidente do grupo EBX, prev&ecirc; pelo menos 20 anos de crescimento  continuo no Brasil, mas ressalta a necessidade de investir na  infraestrutura. Para ele, o pr&eacute;-sal, aliado &agrave; crescente classe m&eacute;dia,  vai empurrar a economia. Ele fala tamb&eacute;m do superporto do A&ccedil;u, definido  como futura Roterd&atilde; da Am&eacute;rica do Sul.<\/p>\n<p><strong>Por que construir um  superporto?<\/strong><\/p>\n<p>Temos uma mineradora gigante e precisamos dessa  infraestrutura. Se voc&ecirc; depende de algu&eacute;m, isso pode diminuir suas  margens (de ganho). A conseq&uuml;&ecirc;ncia &eacute; (construir) todo um sistema de  log&iacute;stica. Nesse caso as minas, os dutos ou ferrovia at&eacute; o porto, e o  porto em si. O sudeste do Brasil concentra 75% do nosso PIB, e n&oacute;s n&atilde;o  temos portos eficientes. A China &eacute; a f&aacute;brica do mundo porque construiu  servi&ccedil;os portu&aacute;rios gigantescos, que ofereceram (oportunidades) de  neg&oacute;cio, conectando importantes sistemas de log&iacute;stica. A&ccedil;u ser&aacute; a  Roterd&atilde; da Am&eacute;rica do Sul.<\/p>\n<p><strong>Sobre o seu porto, alguns cr&iacute;ticos  diriam: parece &oacute;timo, mas &eacute; a velha ideia de o Brasil vender  commodities, n&atilde;o produtos com valor agregado. &Eacute; isso?<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute;  verdade. Somos o pa&iacute;s que produz o melhor min&eacute;rio de ferro do mundo. Os  chineses precisam do nosso min&eacute;rio para misturar (com os de outra  proced&ecirc;ncia). A ess&ecirc;ncia &eacute; que n&oacute;s temos produ&ccedil;&atilde;o de baixo custo. O  ferro est&aacute; a US$ 175 hoje e n&oacute;s conseguimos colocar no navio a US$ 20.  Mas o ferro &eacute; s&oacute; um dos pilares do porto do A&ccedil;u. N&oacute;s encontramos na  Bacia de Campos cinco bilh&otilde;es de barris (de petr&oacute;leo). N&oacute;s vamos  explor&aacute;-lo a US$ 18 o barril. Eu n&atilde;o tenho nenhuma preocupa&ccedil;&atilde;o se o  pre&ccedil;o do petr&oacute;leo (hoje em US$ 112) cair para US$ 35. A produ&ccedil;&atilde;o em  massa de petr&oacute;leo j&aacute; justifica a constru&ccedil;&atilde;o. Grandes estaleiros ser&atilde;o  constru&iacute;dos l&aacute;. E come&ccedil;a com investimento de US$ 30 bilh&otilde;es para  construir um estaleiro moderno.<\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc; acha que o fato de o Brasil  exportar commodities e n&atilde;o produtos de valor agregado &eacute; um problema?<\/strong><\/p>\n<p>No  passado foi. Vivemos hoje um ciclo em que a China n&atilde;o vai parar de  crescer, talvez n&atilde;o a 10% ou a 11%, mas n&atilde;o menos que 8%. Ferro e a&ccedil;o  s&atilde;o fundamentais para uma na&ccedil;&atilde;o. Se voc&ecirc; olhar para os trens de alta  velocidade, as cidades, o sistema de metr&ocirc;&#8230;<\/p>\n<p><strong>Mas eles est&atilde;o  desenvolvendo tecnologia. E as exporta&ccedil;&otilde;es chinesas no Brasil est&atilde;o  crescendo.<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil era o segundo maior produtor de navios do  mundo nos anos 1980. Acabou que tivemos 20 anos de pol&iacute;tica liberal e  pensamos: vamos comprar nossos navios fora. A&iacute; o presidente Lula criou  essa obriga&ccedil;&atilde;o de produto nacional, quando a ag&ecirc;ncia nacional de  petr&oacute;leo trabalhou (licitou a explora&ccedil;&atilde;o) com os blocos de petr&oacute;leo. Se  voc&ecirc; ganhar um bloco, ter&aacute; de empregar pelo menos 70% de produtos  brasileiros. &Eacute; uma pol&iacute;tica industrial muito bem arquitetada, baseada no  petr&oacute;leo. Sem o meu estaleiro, eu n&atilde;o conseguiria empregar 70% de  produto nacional (nas plataformas de explora&ccedil;&atilde;o). Eu at&eacute; poderia, mas  teria de usar estaleiros ineficientes, que me sairia uns 40% mais caro.  Por isso estou fazendo o porto do A&ccedil;u.<\/p>\n<p><strong>A falta de infraestrutura &eacute;  um problema no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, &eacute;. As pessoas se d&atilde;o por satisfeitas  por produzirem soja de maneira eficiente no interior, mas n&atilde;o se  importam com o fato de haver 200 km de fila de caminh&otilde;es esperando para  carreg&aacute;-la no porto de Paranagu&aacute;. Eles ent&atilde;o perdem 40% da efici&ecirc;ncia.  A&ccedil;u vai ajudar a dissolver este problema. N&oacute;s seremos capazes de lidar  com 350 milh&otilde;es de toneladas de produtos, petr&oacute;leo, min&eacute;rio de ferro,  cont&ecirc;ineres. Todas as ind&uacute;strias querem produzir l&aacute;, porque nosso  estaleiro vai atrair muitos parques de produ&ccedil;&atilde;o. E, em vez de 18% de  imposto, teremos apenas 2%, porque &eacute; considerada &aacute;rea de  desenvolvimento. A garantia de produ&ccedil;&atilde;o &eacute; baseada em custos muito baixos  de produ&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s n&atilde;o dependemos do mercado. O mercado depende do que  iremos produzir.<\/p>\n<p><strong>Com o Real t&atilde;o forte, muitos podem dizer que,  quando o senhor inaugurar sua Roterd&atilde;, j&aacute; n&atilde;o haver&aacute; o que vender.<\/strong><\/p>\n<p>Voc&ecirc;  deve se dar contar do seguinte: o mercado brasileiro &eacute; 90% do PIB. N&oacute;s  s&oacute; exportamos 11% do nosso PIB. &Eacute; o mercado interno que est&aacute; empurrando a  economia. Apenas 4% de nosso PIB s&atilde;o hipotecas. Nos EUA s&atilde;o 60%, 70%.  Esse pa&iacute;s &eacute; totalmente desalavancado. N&oacute;s estamos vivendo o ciclo que os  EUA tiveram nos anos 1960. Em 2020, apenas a nossa produ&ccedil;&atilde;o e da  Petrobras saltar&aacute; de dois milh&otilde;es de barris hoje para seis milh&otilde;es. E  n&atilde;o estou incluindo soja e min&eacute;rio de ferro. Com mais dois bilh&otilde;es de  pessoas chegando ao mercado de consumo&#8230;<\/p>\n<p><strong>Mas eles v&atilde;o comprar  produtos chineses, n&atilde;o brasileiros.<\/strong><\/p>\n<p>Mas h&aacute; uma demanda interna.  Desses dois milh&otilde;es para seis milh&otilde;es de barris, 70% v&atilde;o para a produ&ccedil;&atilde;o  de manufaturados brasileiros.<\/p>\n<p><strong>Mas isso n&atilde;o significa que as  pessoas v&atilde;o comprar 70% de produtos brasileiros nas lojas.<\/strong><\/p>\n<p>No caso  da ind&uacute;stria do petr&oacute;leo, sim. O grande motor da economia do Brasil  ser&aacute; o petr&oacute;leo. No caso da ind&uacute;stria naval, quem pensar em vir ao  Brasil ter&aacute; benef&iacute;cios fiscais. O governo est&aacute; interessado em promover a  ind&uacute;stria naval.<\/p>\n<p><strong>Se eu conversasse com um empres&aacute;rio dos EUA ou  no Reino Unido, eles diriam que querem o apoio do governo. Mas n&atilde;o  diriam que querem prote&ccedil;&atilde;o, 70% dos produtos nacionais. Este &eacute; o modelo  brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p>Cingapura &eacute; um dos pa&iacute;ses mais bem administrados do  mundo. Eles n&atilde;o tinham empreendedores. Foi o governo quem induziu as  ind&uacute;strias. No Brasil, pouco empreendedores se arriscam. Porque a China &eacute;  uma for&ccedil;a na ind&uacute;stria? Eles (governo) est&atilde;o empregando uma grande  quantidade de capital em suas empresas. At&eacute; nos EUA. Veja a Nasa&#8230; Se  h&aacute; bons c&eacute;rebros no governo e eles entendem o mercado, ent&atilde;o deixe o  governo induzir o crescimento. Para mim, &eacute; mais barato comprar, nos  pr&oacute;ximos cinco anos, na Coreia do Sul, em Cingapura&#8230; Mas eu acabo  for&ccedil;ado a comprar aqui. Se me deixarem livre, vou comprar onde for mais  barato e n&atilde;o vou criar emprego no Brasil.<\/p>\n<p><strong>&Eacute; engra&ccedil;ado o fato de o  senhor dizer: N&atilde;o quero ser livre, eu quero o governo me for&ccedil;ando a  fazer a coisa certa.<\/strong><\/p>\n<p>Se n&atilde;o tiv&eacute;ssemos um mercado interno, eu  nunca conseguiria montar meu estaleiro. A Petrobras &eacute; t&atilde;o grande que s&oacute; o  que eles compram j&aacute; induziria a instala&ccedil;&atilde;o de mais dois estaleiros.  Ser&aacute; muito dif&iacute;cil competir nos pr&oacute;ximos sete anos com os sul-coreanos,  porque eles t&ecirc;m trabalhadores muito eficientes. Mas o petr&oacute;leo &eacute; nosso.<\/p>\n<p><strong>O  seu porto me lembra a pol&iacute;tica de substitui&ccedil;&atilde;o de importa&ccedil;&otilde;es dos anos  1960. &Eacute; uma volta ao modelo?<\/strong><\/p>\n<p>Se voc&ecirc; tem um mercado interno, tem  controle da mat&eacute;ria-prima, pode agregar valor ao for&ccedil;ar a produ&ccedil;&atilde;o  local. Se eu comprar um carro da Alemanha, ser&aacute; metade do pre&ccedil;o. Mas h&aacute;  14 montadoras no pa&iacute;s, e os chineses est&atilde;o chegando. Por qu&ecirc;? Porque &eacute; a  &uacute;nica forma de ter acesso ao mercado brasileiro. &Eacute; o modelo da China.  Voc&ecirc; quer o meu mercado? Construa aqui. N&oacute;s estamos criando 2,5 milh&otilde;es  de postos de trabalho por ano.<\/p>\n<p><strong>Mas eles est&atilde;o consumindo produtos  chineses&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Por enquanto, por enquanto. O IPad est&aacute; vindo para o  Brasil. Se compro um IPad aqui, me custa 2,5 vezes o que pagaria em Nova  York.<\/p>\n<p><strong>A crise deixou desacreditada a ideia de que se deve abrir  os mercados para tudo?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que sim, porque n&oacute;s nunca poder&iacute;amos  competir (em certos setores). Meu projeto come&ccedil;a com 35% da efici&ecirc;ncia  dos sul-coreanos.<\/p>\n<p><strong>O senhor est&aacute; dizendo que n&atilde;o pode competir,  ent&atilde;o&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o, n&atilde;o&#8230; Eu preciso de investimentos, da metodologia  de constru&ccedil;&atilde;o. Vou conseguir 80% da efici&ecirc;ncia sul-coreana nos pr&oacute;ximos  cinco anos. Tudo bem. O pa&iacute;s estar&aacute; criando e preservando empregos,  porque h&aacute; 100 bilh&otilde;es de barris (no fundo do mar), e esta (naval) ser&aacute;  uma ind&uacute;stria pelos pr&oacute;ximos cem ou 150 anos.<\/p>\n<p><strong>No Brasil a  burocracia &eacute; pesada, o custo de contratar algu&eacute;m &eacute; grande&#8230; Isso tende a  mudar?<\/strong><\/p>\n<p>N&oacute;s nunca vamos chegar &agrave; efici&ecirc;ncia da Coreia do Sul, mas &eacute;  o petr&oacute;leo brasileiro quem esta pagando a conta. Nos &uacute;ltimos anos,  tivemos de tirar 120 licen&ccedil;as ambientais&#8230;Eu tenho empreendimento no  Chile e a burocracia n&atilde;o &eacute; menor, na Col&ocirc;mbia n&atilde;o &eacute; menor.<\/p>\n<p><strong>O  Brasil j&aacute; viveu tempos de bonan&ccedil;a na economia, com retra&ccedil;&atilde;o depois. O  senhor acha que desta vez ser&aacute; diferente?<\/strong><\/p>\n<p>Vejo dez ou 20 anos de  crescimento cont&iacute;nuo. A China coloca 20 milh&otilde;es de pessoas no mercado de  consumo todo ano. O Brasil coloca dois milh&otilde;es. A &Iacute;ndia coloca tr&ecirc;s  milh&otilde;es. N&oacute;s vivemos um ciclo em que o mundo &eacute; global. Os recursos do  mundo est&atilde;o mapeados, e n&oacute;s temos muito no Brasil. A natureza nos ajuda.<\/p>\n<p>\n<em>Fonte: O Estado de S&atilde;o Paulo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista: Eike Batista, presidente do grupo EBX<\/p>\n<p>Empres\u00e1rio afirma que o pr\u00e9-sal e a classe m\u00e9dia puxam crescimento, mas defende investimentos em infraestrutura<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio Eike Batista, presidente do grupo EBX, prev\u00ea pelo menos 20 anos de crescimento continuo no Brasil, mas ressalta a necessidade de investir na infraestrutura. Para ele, o pr\u00e9-sal, aliado \u00e0 crescente classe m\u00e9dia, vai empurrar a economia. 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