{"id":29461,"date":"2011-07-18T00:00:00","date_gmt":"2011-07-18T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/eu-desisti-de-tentar-mudar-o-comportamento-das-pessoas-diz-autor-do-freaknomics\/"},"modified":"2011-07-18T00:00:00","modified_gmt":"2011-07-18T03:00:00","slug":"eu-desisti-de-tentar-mudar-o-comportamento-das-pessoas-diz-autor-do-freaknomics","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/eu-desisti-de-tentar-mudar-o-comportamento-das-pessoas-diz-autor-do-freaknomics\/","title":{"rendered":"\u201cEu desisti de tentar mudar o comportamento das pessoas\u201d, diz autor do Freaknomics"},"content":{"rendered":"<p>Coautor dos bestsellers Freko&shy;nomics (2005) e Superfreakno&shy;mics (2009), em parceria com o jornalista Stephen Dubner, o economista Steven Levitt &eacute; pesquisador da chamada Economia Comporta&shy;mental. Professor da Universidade de Chicago, nos Esta&shy;dos Unidos, ele procura nos n&uacute;meros a explica&ccedil;&atilde;o para a maneira de agir da sociedade, bem como solu&ccedil;&otilde;es para uma s&eacute;rie de problemas.<\/p>\n<p>Suas pesquisas, muitas vezes emprestadas de outros economistas e estudiosos, j&aacute; mostraram o lado oculto e supreendente de v&aacute;rias quest&otilde;es. Exemplo? No segundo livro &ndash; o melhor dos dois, na opini&atilde;o do pr&oacute;prio Levitt &ndash;, o economista chega &agrave; conclus&atilde;o de que homens-bomba deveriam ter seguro de vida. Afinal, isso &eacute; o que menos se espera de um terrorista suicida; portanto, &eacute; o que mais dificultaria sua descoberta pelas for&ccedil;as de seguran&ccedil;a dos EUA.<\/p>\n<p>Mas, depois de algum tempo (e de um site e um programa de r&aacute;&shy;&shy;dio, tudo resultante dos livros), o economista revela que desistiu de mudar o comportamento das pessoas. Em entrevista &agrave; Gazeta do Povo, durante uma confer&ecirc;ncia de seguros realizada em junho, em Bras&iacute;lia, ele disse que acredita cada vez mais em novas tecnologias e cada vez menos em fatos para convencer as pessoas a fazer o certo e resolver seus problemas.<\/p>\n<p><strong>Voc&ecirc; costuma dizer que os n&uacute;meros, e apenas os n&uacute;meros, sem as emo&ccedil;&otilde;es, mostram a verdade sobre as coisas. Esse &eacute;, mais ou menos, o pano de fundo para todos os estudos exc&ecirc;ntricos de Freakonomics?<\/strong><\/p>\n<p>Pessoas podem analisar n&uacute;meros conforme seus interesses. Mas acredito realmente que eles s&atilde;o a chave para mostrar a verdade sobre alguma coisa, se &eacute; que voc&ecirc; est&aacute; buscando isso. E a maioria das pessoas est&aacute; tentando buscar a verdade, as respostas que melhor atendem seus interesses. E eu tamb&eacute;m acredito que os n&uacute;meros s&atilde;o a melhor defesa contra outros n&uacute;meros. Quanto mais simples &eacute; a forma como voc&ecirc; apresenta os dados, mais fortes eles ficam. Muito mais que qualquer t&eacute;cnica matem&aacute;tica sofisticada de faz&ecirc;-lo.<\/p>\n<p><strong>Mas mesmo assim, apresentando os n&uacute;meros, os fatos, nem sempre voc&ecirc; consegue convencer as pessoas da &ldquo;verdade&rdquo;?<\/strong><\/p>\n<p>Ah, sim, &eacute; muito dif&iacute;cil mudar o comportamento das pessoas. Eu, na verdade, desisti disso, o que &eacute; engra&ccedil;ado, porque &eacute; disso que economia se trata, de incentivos que mudam h&aacute;bitos. Recen&shy;temente travei uma discuss&atilde;o com o departamento de tr&acirc;nsito de Chicago porque analisei os n&uacute;meros de acidentes envolvendo cadeirinhas e cintos e descobri que os resultados s&atilde;o os mesmos. As cadeirinhas n&atilde;o s&atilde;o mais eficientes que os cintos para prevenir a morte de crian&ccedil;as de mais de 2 anos de idade em acidentes de carro. As cadeirinhas t&ecirc;m um &iacute;ndice de fatalidade de 18,2% e os cintos, de 18,1%. Com isso n&atilde;o quis dizer que as pessoas n&atilde;o precisam usar cadeirinhas para crian&ccedil;as com mais de 2 anos; apenas disse que elas n&atilde;o s&atilde;o, necessariamente, mais seguras que o cinto. Mesmo depois de mostrar isso, o chefe do departamento disse em seu discurso: &ldquo;Como av&ocirc; de quatro netos e chefe do departamento de tr&acirc;nsito, tenho o dever de manter a popula&ccedil;&atilde;o segura na estrada&rdquo; e pronto, tudo continua igual. O que ele deveria ter dito &eacute;: &ldquo;Porque sou um av&ocirc; de quatro netos e chefe do departamento de tr&acirc;nsito e tenho o dever de manter a popula&ccedil;&atilde;o segura na estrada &eacute; que n&atilde;o tive tempo de olhar os dados, portanto admito que precisamos pensar mais sobre isso&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Se os n&uacute;meros n&atilde;o s&atilde;o suficientes para mudar comportamentos, o que ser&aacute;s?<\/strong><\/p>\n<p>Eu estou cada vez mais inclinado a acreditar em novas tecnologias. Se voc&ecirc; tem um problema, n&atilde;o tente convencer as pessoas; descubra uma tecnologia capaz de resolver a situa&ccedil;&atilde;o. No caso da corrup&ccedil;&atilde;o, por exemplo, se houvesse uma nova tecnologia capaz de evit&aacute;-la, teria muito mais impacto que tentar convencer as pessoas com fatos. Uma possibilidade seria ter toda conversa entre governante e cidad&atilde;o gravada e, automaticamente, transcrita para a internet. Isso provavelmente faria mais pelo fim da corrup&ccedil;&atilde;o do que qualquer outra coisa, mesmo a democracia.<\/p>\n<p><strong>Mas voc&ecirc; acredita que, de alguma forma, seus textos, discursos e livros ajudam na educa&ccedil;&atilde;o financeira das pessoas?<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o, de maneira alguma. Nos Estados Unidos n&oacute;s quase n&atilde;o levamos educa&ccedil;&atilde;o financeira &agrave;s crian&ccedil;as nas escolas e, em geral, &eacute; mais f&aacute;cil ensinar as crian&ccedil;as do que os adultos. Mas n&atilde;o acho que o que fa&ccedil;o tenha essa fun&ccedil;&atilde;o ou que algu&eacute;m que tenha lido meu trabalho esteja em melhor posi&ccedil;&atilde;o para tomar uma decis&atilde;o sobre alguma coisa. Na verdade, em minha opini&atilde;o, a sa&iacute;da para boas maneiras financeiras est&aacute; em tirar das pessoas m&eacute;dias seu poder de decis&atilde;o. Se o governo acredita que elas gastam muito em coisas de que n&atilde;o precisam, ent&atilde;o deve achar maneiras n&atilde;o de obrig&aacute;-las, mas de incentiv&aacute;-las a guardar dinheiro. A dificuldade de poupar &eacute; algo universal, porque poupar simplesmente n&atilde;o &eacute; algo natural ao ser humano. Todo mundo pensa sobre hoje, e n&atilde;o sobre o futuro. O &uacute;nico lugar onde as pessoas poupam &eacute; onde n&atilde;o t&ecirc;m nada para comprar, como na antiga R&uacute;ssia comunista.<\/p>\n<p><strong>Mas, economicamente, sempre ouvimos a m&aacute;xima de que vale a pena poupar.<\/strong><\/p>\n<p>Depende. Voc&ecirc; quer ser rico no futuro? Um dos meus conselhos aos jovens professores que come&ccedil;am na Universidade de Chicago &eacute; gastar mais dinheiro. Quando estudantes, eles vivem como graduandos, com uma rotina realmente barata, e, quando se tornam professores, tendem a viver ainda como graduandos, embora sua renda esteja bem maior. O que quero dizer &eacute; que voc&ecirc; passa um tempo guardando dinheiro, mas em algum ponto tem de gastar. Provavelmente o que voc&ecirc; quer &eacute; gastar muito quando &eacute; jovem, guardar l&aacute; pelos 30 anos de idade e voltar a gastar quando estiver velho.<\/p>\n<p><strong>Depois de dois livros de sucesso, um site e at&eacute; programa de r&aacute;dio, qual o seu mais novo projeto?<\/strong><\/p>\n<p>Bom, eu geralmente trabalho em mais de um projeto ao mesmo tempo, porque a maior parte deles acaba falhando. Mas o mais, digamos, ambicioso &eacute; um que envolve uma escola para alunos e pais na periferia de Chicago. Estamos tentando descobrir se podemos ensinar os pais a serem melhores pais e, ao mesmo tempo, estamos tentando fazer com que eles sejam menos relevantes na vida dos filhos. S&atilde;o crian&ccedil;as bem jovens &agrave;s quais estamos tentando oferecer professores muito bons, &oacute;timos modelos, para que elas possam se desenvolver de qualquer jeito, apesar dos pais.<\/p>\n<p><strong>E por que resolveu trabalhar com essa quest&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p>Basicamente, pais ruins s&atilde;o ruins para seus filhos. Pais que n&atilde;o investem, n&atilde;o se importam com seus filhos, quase garantem que eles n&atilde;o ter&atilde;o uma sa&iacute;da na vida. No fim, o que estamos tentando provar &eacute; que, se voc&ecirc; pegar essas crian&ccedil;as e der a elas a oportunidade, independentemente de como sejam seus pais, elas v&atilde;o se dar bem. &Eacute; claro que &eacute; s&oacute; uma tentativa. Quem sabe 15% ou 20% deles falhem, mas se um conseguir se sair bem, estamos no lucro. Isso &eacute; economia real.<\/p>\n<p>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3tima entrevista publicada na Gazeta do Povo com o Coautor dos bestsellers Freko\u00adnomics (2005) e Superfreakno\u00admics (2009),  economista Steven Levitt. <\/p>\n<p>A conversa conduzida pela jornalista Fabiane Ziolla Menezes, em Bras\u00edlia, mostra o trabalho do economista de levar a educa\u00e7\u00e3o financeira \u00e0s pessoas, por meio d elivros, artigos, publica\u00e7\u00f5es e palestras, mundo a fora. Confiram!<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":29460,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[7005,118,7004],"class_list":["post-29461","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-economista","tag-entrevista","tag-freaknomics"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29461","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29461"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29461\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29460"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}