{"id":29122,"date":"2011-08-01T00:00:00","date_gmt":"2011-08-01T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/o-maior-desafio-esta-na-politica-por-francisco-rocha-da-silva-rochinha\/"},"modified":"2011-08-01T00:00:00","modified_gmt":"2011-08-01T03:00:00","slug":"o-maior-desafio-esta-na-politica-por-francisco-rocha-da-silva-rochinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/o-maior-desafio-esta-na-politica-por-francisco-rocha-da-silva-rochinha\/","title":{"rendered":"O maior desafio est\u00e1 na pol\u00edtica, por Francisco Rocha da Silva (Rochinha)"},"content":{"rendered":"<p>O chamado mundo desenvolvido vive um momento de grande turbul&ecirc;ncia pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica e social. A fal&ecirc;ncia do modelo neoliberal levou a situa&ccedil;&otilde;es antes impens&aacute;veis, como a quebradeira de pa&iacute;ses europeus e a possibilidade de os Estados Unidos darem o calote em sua d&iacute;vida externa. No antes admir&aacute;vel Primeiro Mundo, a crise social, fruto do desemprego em massa, faz surgir revoltas populares ao mesmo tempo em que alimenta movimentos xen&oacute;fobos de extrema direita.<\/p>\n<p>J&aacute; a Am&eacute;rica Latina, que passou pelos mesmos problemas num passado recente, hoje apresenta outra realidade. Partidos de esquerda assumiram v&aacute;rios governos e romperam com a cartilha neoliberal, reorganizando o Estado e investindo prioritariamente em pol&iacute;ticas sociais. N&atilde;o foi um rompimento tranquilo, mas os resultados mostram o acerto dessa mudan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Todos lembram &ndash; embora alguns gostem de esquecer &ndash; como foram dif&iacute;ceis, no Brasil, os primeiros anos do primeiro mandato do presidente Lula.<\/p>\n<p>Recebemos uma na&ccedil;&atilde;o quebrada, o desemprego batendo recordes, a infla&ccedil;&atilde;o, o d&oacute;lar e os juros disparando, o pa&iacute;s sem cr&eacute;dito no exterior, a ind&uacute;stria paralisada, a especula&ccedil;&atilde;o mandando na economia. A heran&ccedil;a maldita dos anos do neoliberalismo tamb&eacute;m tinha sucateado a m&aacute;quina p&uacute;blica e limitado a a&ccedil;&atilde;o do Estado no combate &agrave;s muitas e hist&oacute;ricas car&ecirc;ncias nacionais.<\/p>\n<p>Superamos estas e outras dificuldades, ajeitamos a casa, restabelecemos o emprego, valorizamos os sal&aacute;rios, combatemos como nunca as desigualdades, criamos oportunidades, fizemos do Brasil um pa&iacute;s mais justo e soberano. Tamb&eacute;m demos in&iacute;cio a um in&eacute;dito ciclo de crescimento com distribui&ccedil;&atilde;o de renda, mudando radicalmente a base da pir&acirc;mide social, e produzimos dezenas de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em parceria com movimentos sociais, valorizando e ampliando mecanismos democr&aacute;ticos de debates e delibera&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Oito anos depois, o pa&iacute;s est&aacute; melhor e tem rumo. Apostando no fortalecimento do Estado, na for&ccedil;a de nosso mercado interno e, sobretudo, na inclus&atilde;o s&oacute;cio-econ&ocirc;mica de milh&otilde;es de brasileiros, fomos uma das &uacute;ltimas na&ccedil;&otilde;es a sentir os efeitos da crise econ&ocirc;mica mundial e uma das primeiras a nos recuperar.<\/p>\n<p>N&atilde;o por acaso, Lula deixou o governo com 80% de aprova&ccedil;&atilde;o e elegeu sua sucessora, a hoje presidenta Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Mas, os desafios ainda s&atilde;o enormes. No cen&aacute;rio internacional, a crise parece longe de acabar e ainda pode trazer reflexos indesej&aacute;veis.<\/p>\n<p>No plano interno, temos o compromisso de continuar avan&ccedil;ando, j&aacute; que, apesar de tudo o que fizemos, e n&atilde;o foi pouco, ainda h&aacute; muito a fazer.<\/p>\n<p>Arrisco dizer que nosso maior desafio est&aacute; na pol&iacute;tica. Nos &uacute;ltimos anos, aperfei&ccedil;oamos a democracia, elegemos um oper&aacute;rio presidente da Rep&uacute;blica e hoje temos, pela primeira vez, uma mulher comandando os destinos do pa&iacute;s. S&atilde;o vit&oacute;rias n&atilde;o apenas do PT e da esquerda, mas de toda a sociedade brasileira, que est&aacute; mais madura, politizada e tolerante. Exemplos claros s&atilde;o as recentes decis&otilde;es do STF a favor da liberdade de express&atilde;o e da uni&atilde;o civil entre pessoas do mesmo sexo.<\/p>\n<p>As for&ccedil;as conservadoras tem sofrido muitas derrotas, mas isso n&atilde;o significa que tenham desaparecido. Pelo contr&aacute;rio. Nunca &eacute; demais lembrar que no nosso principal advers&aacute;rio na campanha presidencial do ano passado, apoiando-se em valores altamente reacion&aacute;rios e trazendo para o centro da discuss&atilde;o temas que nada tinham a ver com uma disputa de car&aacute;ter nacional, conseguiu obter 40 milh&otilde;es de votos.<\/p>\n<p>Nesse in&iacute;cio de governo Dilma, enfraquecida, a oposi&ccedil;&atilde;o e seus porta-vozes na m&iacute;dia mudaram de t&aacute;tica. Agora se valem da intriga, da fofoca e do cinismo para fabricar um falso dissenso entre a presidenta e o PT, estimular rachas na base aliada e opor a figura de Dilma a do ex-presidente Lula. Nessa cruzada, contam, como sempre contaram, com o incessante apoio de setores da imprensa. Os mesmos que fizeram de tudo para que Dilma n&atilde;o fosse eleita, agora tentam convencer a chamada opini&atilde;o p&uacute;blica de que Lula, o PT e os partidos aliados &ldquo;atrapalham&rdquo; o governo, enquanto eles, da oposi&ccedil;&atilde;o, &ldquo;ajudam&rdquo;.<\/p>\n<p>Ora, n&atilde;o pode haver d&uacute;vida, entre n&oacute;s, quanto aos objetivos dessa estrat&eacute;gia: num primeiro momento, enfraquecer o PT e desconstruir o governo Lula; depois, voltar-se contra a pr&oacute;pria Dilma, preparando o caminho para o retorno da direita ao poder.<\/p>\n<p>Para fazer frente a esse movimento, o PT e o governo tem diante de si tarefas que considero urgentes, j&aacute; que o primeiro grande embate se dar&aacute; nas elei&ccedil;&otilde;es municipais do ano que vem.<\/p>\n<p>O governo tem projetos e propostas para o pa&iacute;s, est&aacute; claramente avan&ccedil;ando sobre as bases deixadas por Lula. Mas, s&oacute; a boa gest&atilde;o n&atilde;o basta. Junto devem vir a pol&iacute;tica e a efici&ecirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o com as massas. Nesse ponto, &eacute; fundamental encarar o tema da democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es, trabalhando para garantir a diversidade de opini&atilde;o e o fim dos monop&oacute;lios informativos. A reforma pol&iacute;tica &eacute; outra bandeira que n&atilde;o pode sair da pauta. O fortalecimento dos partidos, a forma&ccedil;&atilde;o de maiorias parlamentares program&aacute;ticas e a diminui&ccedil;&atilde;o da influ&ecirc;ncia do poder econ&ocirc;mico na pol&iacute;tica, entre outras mudan&ccedil;as, s&atilde;o fundamentais para que o pa&iacute;s avance mais rapidamente em v&aacute;rios setores. <\/p>\n<p>Ao PT, principal partido de sustenta&ccedil;&atilde;o do governo e do pr&oacute;prio projeto, n&atilde;o cabe apenas a obriga&ccedil;&atilde;o de manter-se unido e coeso. Neste momento, em que retomamos nossa pauta pol&iacute;tica, temos de formular estrat&eacute;gias que d&ecirc;em conta da nova realidade social brasileira &ndash; refor&ccedil;ando nossos v&iacute;nculos hist&oacute;ricos com os movimentos populares, de um lado, e elaborando pol&iacute;ticas para as classes m&eacute;dias emergentes, de outro.<\/p>\n<p>Em setembro, em nosso 4&ordm; Congresso Extraordin&aacute;rio, iremos concluir o importante processo de reforma do Estatuto partid&aacute;rio &ndash; cujo resultado, em linhas gerais, ser&aacute; o fortalecimento da democracia petista e a cria&ccedil;&atilde;o de mecanismos que reduzam, entre n&oacute;s, a ocorr&ecirc;ncia de personalismos, de desvios &eacute;ticos e outros v&iacute;cios da pol&iacute;tica partid&aacute;ria brasileira.<\/p>\n<p>Para al&eacute;m disso, precisamos tamb&eacute;m melhorar nossa comunica&ccedil;&atilde;o interna e com a sociedade. Hoje, muitas vezes, os gabinetes parlamentares tem mais estrutura, mais capacidade e mais efici&ecirc;ncia, na comunica&ccedil;&atilde;o, do que os diret&oacute;rios municipais e estaduais do PT. N&atilde;o defendo o enfraquecimento dos mandatos em benef&iacute;cio do partido, mas sim que as a&ccedil;&otilde;es dos mandatos sejam tamb&eacute;m instrumento para fortalecer o PT. Mandatos passam; o partido permanece. &Eacute; preciso ter a clareza de que, sem o apoio do partido, todas as posi&ccedil;&otilde;es, mais cedo ou mais tarde, saem enfraquecidas.<\/p>\n<p>Al&eacute;m das quest&otilde;es estatut&aacute;rias, proponho que aproveitemos o 4&ordm; Congresso para definir a pol&iacute;tica de alian&ccedil;as e a estrat&eacute;gia eleitoral para 2012. Diferentemente do ano passado, quando colocamos o projeto nacional acima das quest&otilde;es locais, agora &eacute; hora de trabalhar o crescimento do PT em todo o pa&iacute;s, levando em conta, naturalmente, as possibilidades reais do partido em cada localidade.<\/p>\n<p>Nesse sentido, temos de priorizar as m&eacute;dias e grandes cidades, onde est&aacute; a maior parte das massas trabalhadoras beneficiadas por nosso projeto de pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Nosso desempenho em 2012 formar&aacute; a base pol&iacute;tica para uma discuss&atilde;o democr&aacute;tica e segura a respeito da reelei&ccedil;&atilde;o da presidenta Dilma em 2014. Naturalmente, a oposi&ccedil;&atilde;o neoliberal que aspira voltar ao Planalto tamb&eacute;m sabe disso. N&atilde;o por acaso, recrudesce em setores da m&iacute;dia brasileira (que nada ficam a dever a certos tabl&oacute;ides estrangeiros) a onda de denuncismo contra administra&ccedil;&otilde;es petistas e\/ou candidatos em potencial.<\/p>\n<p>Por isso, a necessidade de estarmos sempre atentos, fortalecendo nossa estrutura, nossa organiza&ccedil;&atilde;o e nossa comunica&ccedil;&atilde;o. A continuidade do projeto que mudou para melhor a vida de milh&otilde;es de brasileiros, e que continuar&aacute; mudando, depende fundamentalmente de nossa capacidade de compreender o processo, de articular a pol&iacute;tica e de nos desviarmos das armadilhas de percurso.<\/p>\n<p>Francisco Rocha da Silva (Rochinha) &eacute; dirigente nacional do PT.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O chamado mundo desenvolvido vive um momento de grande turbul\u00eancia pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social. 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