{"id":27843,"date":"2011-10-11T00:00:00","date_gmt":"2011-10-11T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/taxar-grandes-fortunas-e-mais-do-que-necessario-e-justo-por-zeca-dirceu\/"},"modified":"2011-10-11T00:00:00","modified_gmt":"2011-10-11T03:00:00","slug":"taxar-grandes-fortunas-e-mais-do-que-necessario-e-justo-por-zeca-dirceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/taxar-grandes-fortunas-e-mais-do-que-necessario-e-justo-por-zeca-dirceu\/","title":{"rendered":"Taxar grandes  fortunas \u00e9 mais do que necess\u00e1rio; \u00e9 justo (Por Zeca Dirceu)"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No meu entendimento, um tema que precisa voltar, com certa urg&ecirc;ncia, &agrave; agenda pol&iacute;tica da C&acirc;mara dos Deputados &eacute; o Imposto sobre Grandes Fortunas. Recentemente, a C&acirc;mara dos Deputados aprovou a regulamenta&ccedil;&atilde;o da Emenda Constitucional n&ordm; 29. A proposta seguiu para aprecia&ccedil;&atilde;o no Senado. Se aprovada, a regulamenta&ccedil;&atilde;o determinar&aacute; o que s&atilde;o gastos com sa&uacute;de, facilitando a aplica&ccedil;&atilde;o correta dos recursos destinados para este fim.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No entanto, s&oacute; melhorar a gest&atilde;o e priorizar os recursos j&aacute; existentes &eacute; pouco. &Eacute; necess&aacute;ria nova fonte de financiamento. Hoje, o Brasil gasta com sa&uacute;de o equivalente a 8,4% do PIB, o que representa metade do &iacute;ndice investido pelos Estados Unidos (16%) por exemplo. <\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considero ser priorit&aacute;rio efetivar a previs&atilde;o constitucional do imposto que visa tributar as grandes fortunas, contribuindo para amenizar as desigualdades sociais existentes em nosso Pa&iacute;s, principalmente em decorr&ecirc;ncia da m&aacute; distribui&ccedil;&atilde;o de renda.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A desigualdade social no Brasil &eacute; um fato hist&oacute;rico que, infelizmente, perdura at&eacute; hoje. Apesar do esfor&ccedil;o empreendido pelo Estado e pela sociedade, na &uacute;ltima d&eacute;cada, para mudar esse cen&aacute;rio, ainda h&aacute; um abismo enorme separando os mais ricos dos mais pobres. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econ&ocirc;mica Aplicada (Ipea), divulgado em maio deste ano, revela que os 10% mais ricos concentram 75% da riqueza do Pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para agravar ainda mais o quadro da desigualdade brasileira, os pobres pagam mais impostos do que os ricos! Segundo a pesquisa, os 10% mais pobres do Pa&iacute;s comprometem 33% de seus rendimentos em impostos, enquanto que os 10% mais ricos pagam &ldquo;apenas&rdquo; 23% em impostos.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A l&oacute;gica tribut&aacute;ria no Brasil est&aacute; completamente invertida. Quem ganha mais deveria pagar mais; quem ganha menos, deveria pagar menos. &Eacute; preciso mudar o paradigma. O Pa&iacute;s precisa de um sistema tribut&aacute;rio mais justo, que seja progressivo e n&atilde;o regressivo como &eacute; hoje. Os n&uacute;meros do Ipea mostram que os impostos indiretos (aqueles embutidos nos pre&ccedil;os de produtos e servi&ccedil;os) s&atilde;o os principais indutores dessa desigualdade. Os pobres pagam, proporcionalmente, tr&ecirc;s vezes mais ICMS (Imposto sobre Circula&ccedil;&atilde;o de Mercadorias e Servi&ccedil;os) do que os ricos. Nos impostos diretos (sobre renda e propriedade) a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; menos grave, mas tamb&eacute;m desfavor&aacute;vel aos mais pobres.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Isso &eacute; um absurdo! Precisamos trabalhar a reforma tribut&aacute;ria no Congresso. No Brasil, a carga tribut&aacute;ria &eacute; pesada e injusta. Ela corresponde a 36% do PIB, apena os mais pobres e beneficia os ricos. Precisamos come&ccedil;ar, ent&atilde;o, a pensar em uma tributa&ccedil;&atilde;o maior sobre a riqueza e a propriedade, para tributar menos o sal&aacute;rio e o consumo. Nesse diapas&atilde;o, um bom come&ccedil;o passa pela institui&ccedil;&atilde;o do Imposto sobre Grandes Fortunas, um tributo que corrigir&aacute; graves disparidades econ&ocirc;micas.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Lembro o movimento que vem acontecendo nos EUA e na Fran&ccedil;a, em que os pr&oacute;prios detentores de grandes fortunas pedem a cobran&ccedil;a de mais impostos. Em artigo publicado no New York Times, Warren Buffett, o terceiro homem mais rico do mundo (segundo a classifica&ccedil;&atilde;o da revista Forbes), afirmou: &quot;Enquanto a maior parte dos americanos luta para fazer face &agrave;s despesas, n&oacute;s, os mega-ricos, continuamos a ter isen&ccedil;&otilde;es fiscais extraordin&aacute;rias&quot;. Disse ainda o bilion&aacute;rio americano: &quot;Parem de mimar os super-ricos! J&aacute; &eacute; tempo de o Governo assumir seriedade no que diz respeito &agrave; partilha de sacrif&iacute;cios!&rdquo;<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dentro da mesma l&oacute;gica, a Casa Branca anunciou no &uacute;ltimo dia 12 (de setembro) que pretende financiar parte dos 447 bilh&otilde;es de d&oacute;lares necess&aacute;rios para bancar o plano de empregos do Presidente Barack Obama com limita&ccedil;&otilde;es &agrave;s dedu&ccedil;&otilde;es nos impostos dos mais ricos.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Considero que vem sendo constru&iacute;do um ambiente cada vez mais favor&aacute;vel &agrave; ideia desse imposto. Vivemos um tempo de grandes decis&otilde;es. O momento &eacute; de agir, de atuar com rapidez e de imediato. Aqui, na C&acirc;mara dos Deputados, entre as v&aacute;rias proposi&ccedil;&otilde;es que tramitam a respeito desse assunto, gostaria de real&ccedil;ar o Projeto de Lei Complementar n&ordm; 48, de 2011, do ilustre Deputado Dr. Aluizio (do PV do RJ), que cria a Contribui&ccedil;&atilde;o Social das Grandes Fortunas. Pela proposta, a arrecada&ccedil;&atilde;o da contribui&ccedil;&atilde;o ser&aacute; direcionada exclusivamente para a&ccedil;&otilde;es e servi&ccedil;os de Sa&uacute;de e o valor arrecadado ser&aacute; destinado ao Fundo Nacional de Sa&uacute;de.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Se aprovarmos essa proposi&ccedil;&atilde;o, &ldquo;mataremos dois coelhos com uma s&oacute; cajadada&rdquo;: o desiderato do legislador constituinte de tributar as grandes fortunas e a nobre inten&ccedil;&atilde;o de todos os Parlamentares de garantir um maior aporte de recursos para a Sa&uacute;de. O povo j&aacute; contribuiu ao longo de v&aacute;rios anos para o financiamento da Sa&uacute;de com o pagamento da CPMF. Agora, pela solidariedade social, chegou a vez dos ricos financiarem a sa&uacute;de.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Blindemos o nosso Pa&iacute;s contra crises com uma justa distribui&ccedil;&atilde;o de renda e com o acolhimento fraterno dos menos favorecidos.<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leiam meu artigo sobre a taxa\u00e7\u00e3o de grandes fortunas, tema que, a meu ver, deve voltar urgentemente \u00e0 pauta de debates no Congresso.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":27842,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[981,6125],"class_list":["post-27843","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-artigo","tag-grandes-fortunas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27843","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27843"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27843\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27842"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27843"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27843"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27843"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}