{"id":27663,"date":"2011-10-20T00:00:00","date_gmt":"2011-10-20T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/artigo-significados-da-campanha-da-midia-para-derrubar-ministros-por-eloi-pieta\/"},"modified":"2011-10-20T00:00:00","modified_gmt":"2011-10-20T02:00:00","slug":"artigo-significados-da-campanha-da-midia-para-derrubar-ministros-por-eloi-pieta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/artigo-significados-da-campanha-da-midia-para-derrubar-ministros-por-eloi-pieta\/","title":{"rendered":"Artigo: Significados da campanha da m\u00eddia para derrubar ministros, por El\u00f3i Piet\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: rgb(51, 51, 51); font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; \"><\/p>\n<h2 style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; \">A den&uacute;ncia passou a ser sua arma pol&iacute;tica poderosa, que incide sobre o maior capital eleitoral dos pol&iacute;ticos ou dos partidos, que &eacute; a sua reputa&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n<p><br style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; \" \/><\/p>\n<p style=\"margin-top: 3px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 16px; \">A recente campanha das grandes empresas de m&iacute;dia para derrubar ministros no primeiro ano do governo Dilma &eacute; mais uma demonstra&ccedil;&atilde;o de que elas s&atilde;o fortes agentes autonomeados da pol&iacute;tica. Isso vem de uma longa tradi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 3px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 16px; \">Quando da campanha para derrubar Get&uacute;lio Vargas, que terminou no seu suic&iacute;dio, os grandes &oacute;rg&atilde;os da imprensa brasileira atacavam sistematicamente o seu governo, exceto o jornal &Uacute;ltima Hora. Batalha semelhante foi travada nos epis&oacute;dios que resultaram na deposi&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o Goulart. Nas campanhas presidenciais recentes todos s&atilde;o testemunhas da parcialidade da grande m&iacute;dia. O epis&oacute;dio mais lembrado ocorreu em 1989, quando ap&oacute;s o &uacute;ltimo debate entre Collor e Lula, na v&eacute;spera do segundo turno da elei&ccedil;&atilde;o, a TV Globo editou as cenas do debate a favor de Collor. Tr&ecirc;s anos depois, a mesma m&iacute;dia que ajudou a eleg&ecirc;-lo teve papel decisivo para derrub&aacute;-lo. Tais campanhas pol&iacute;ticas foram de grande import&acirc;ncia, seja na mudan&ccedil;a de governos, e, portanto, na mudan&ccedil;a das pol&iacute;ticas governamentais, seja at&eacute; na instala&ccedil;&atilde;o da ditadura militar. Em 2005 e 2006 ficou evidente o enorme esfor&ccedil;o desta grande m&iacute;dia para impedir a reelei&ccedil;&atilde;o do presidente Lula, e, em conseq&uuml;&ecirc;ncia, para mudar a pol&iacute;tica econ&ocirc;mica e voltar &agrave;s pol&iacute;ticas neoliberais que elas apoiavam e que tinham sido derrotadas pelo voto popular.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 3px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 16px; \">Como se v&ecirc;, h&aacute; na vida nacional uma esp&eacute;cie oculta de organiza&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias sob o manto de denomina&ccedil;&otilde;es de TVs, r&aacute;dios, jornais, revistas, que s&atilde;o comandados por poderosos grupos privados, que det&eacute;m a propriedade cruzada de diversos meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa, exercendo uma enorme influ&ecirc;ncia midi&aacute;tica em todas as regi&otilde;es do pa&iacute;s.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 3px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 16px; \">A den&uacute;ncia passou a ser sua arma pol&iacute;tica poderosa, que incide sobre o maior capital eleitoral dos pol&iacute;ticos ou dos partidos, que &eacute; a sua reputa&ccedil;&atilde;o. A grande m&iacute;dia destr&oacute;i liminarmente este capital. Ela parte da presun&ccedil;&atilde;o de culpa, ao contr&aacute;rio do princ&iacute;pio constitucional de presun&ccedil;&atilde;o da inoc&ecirc;ncia. A si ela atribui o mandato de executar o ju&iacute;zo moral sum&aacute;rio. A m&iacute;dia privada brasileira encontrou este caminho de uma forma n&atilde;o propriamente original. Ela bebeu nas fontes do jornalismo ingl&ecirc;s e norte-americano a miss&atilde;o autoconcedida de corregedores gerais da p&aacute;tria, de guardi&atilde;es da moralidade dos governos. E, a partir da&iacute; evoluiu para se transformar em partidos reais n&atilde;o assumidos.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"margin-top: 3px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 16px; \">As grandes empresas de m&iacute;dia protegem os pol&iacute;ticos que se afinam com seu pensamento sobre a economia e a sociedade, e atacam duramente os que divergem delas. Qualquer observat&oacute;rio da m&iacute;dia h&aacute; de encontrar in&uacute;meros epis&oacute;dios da recente hist&oacute;ria brasileira que provam isso. Este &eacute; o lado partid&aacute;rio da m&iacute;dia. Mas, por se tratarem de empresas diferentes a disputar um mercado, o denuncismo tamb&eacute;m &eacute; fruto da concorr&ecirc;ncia entre elas por um p&uacute;blico sens&iacute;vel a este estilo, especialmente nas classes m&eacute;dias.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 3px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 16px; \">Nem sempre os projetos pol&iacute;ticos futuros destes partidos ocultos s&atilde;o tra&ccedil;ados com anteced&ecirc;ncia e clareza. Mas, o desdobrar dos acontecimentos tende a levar a uma conjun&ccedil;&atilde;o de fatores que favorecem a ado&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia pol&iacute;tica. Vimos isso na trajet&oacute;ria que resultou na derrubada de Vargas em 1954, de Jo&atilde;o Goulart em 1964, de Collor em 1992, e na tentativa de derrubar Lula em 2005.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 3px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 16px; \">O mais recente plano destas empresas privadas na pol&iacute;tica &eacute; a derrubada sistem&aacute;tica de ministros. Quando conseguem a cabe&ccedil;a de um, entra outro na pauta, e abre-se nova campanha. N&atilde;o perdem tempo em aprofundar os fatos que fizeram cair os ministros anteriores. O que importa &eacute; a sequ&ecirc;ncia de quedas e seu resultado pol&iacute;tico (e, de lucro, o prest&iacute;gio do &oacute;rg&atilde;o da m&iacute;dia pai da den&uacute;ncia no mercado da informa&ccedil;&atilde;o). Agora o alvo &eacute; o ministro dos Esportes, Orlando Silva.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 3px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 16px; \">Ao querer a queda do ministro, v&aacute;rios resultados s&atilde;o buscados: um deles, sempre almejado, &eacute; o sistem&aacute;tico desgaste do governo, que n&atilde;o &eacute; o governo que as grandes empresas de m&iacute;dia querem, apesar de a maioria do povo brasileiro querer; outro resultado pretendido no caso &eacute; jogar lenha nas cr&iacute;ticas sobre os atrasos para as obras da Copa do Mundo (quem olha em retrospectiva a a&ccedil;&atilde;o dessas empresas de m&iacute;dia neste tema h&aacute; de notar que na verdade elas n&atilde;o querem o sucesso do governo nas obras da Copa); pode haver outro resultado desejado, talvez favorecer a FIFA na disputa com o governo brasileiro, para depois criticar o governo por ceder &agrave; FIFA.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 3px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 16px; \">Juntando o hist&oacute;rico, os fatos recentes, e os atuais, v&ecirc;-se que h&aacute; um fio condutor de pol&iacute;tica pensada na aparente individualidade de cada fato. H&aacute; uma associa&ccedil;&atilde;o com prop&oacute;sito espec&iacute;fico de concorrentes no mercado da informa&ccedil;&atilde;o, o que se poderia chamar uma coopera&ccedil;&atilde;o antag&ocirc;nica. Sem d&uacute;vida, as grandes empresas privadas de m&iacute;dia, al&eacute;m de mirar pontos no mercado, miram mais adiante o centro do governo. E, talvez, mais profundamente, mirem a deteriora&ccedil;&atilde;o da confian&ccedil;a coletiva na pol&iacute;tica praticada pelos pol&iacute;ticos e pelos partidos formalmente registrados (rivais alguns, aliados outros, dos partidos ocultos da m&iacute;dia privada). Se for isso, h&aacute; uma tentativa de preparar a consci&ecirc;ncia popular para governos fora das regras atuais, de qual tipo n&atilde;o se sabe hoje, pois s&oacute; a aproxima&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es prop&iacute;cias poder&aacute; a eles mesmos esclarecer. Tal meta pareceria imposs&iacute;vel, mas n&atilde;o &eacute;, porque j&aacute; se viu ocorrer no passado. V&aacute;rias destas empresas da comunica&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o faz muito tempo, contribu&iacute;ram para o golpe militar, associaram-se &agrave; ditadura, abandonaram-na no momento em que esta n&atilde;o mais lhes serviu.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 3px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 16px; \">Quando o PT no seu recente 4&ordm; Congresso reafirmou a necessidade do debate sobre a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil, de imediato a grande m&iacute;dia procurou demonizar este debate. As poucas empresas que controlam a comunica&ccedil;&atilde;o de massa, que n&atilde;o querem a democratiza&ccedil;&atilde;o desta &aacute;rea essencial &agrave; sociedade moderna, atacaram a proposta do PT de abrir o debate no Congresso Nacional sobre um marco regulador da comunica&ccedil;&atilde;o social que amplie as possibilidades de livre express&atilde;o do pensamento e amplie o acesso da popula&ccedil;&atilde;o a todos os meios. O PT reafirmou que para si, como para nossa presidenta Dilma, &eacute; quest&atilde;o de princ&iacute;pio repudiar qualquer tentativa de censura &agrave; liberdade de imprensa. Por isso, s&oacute; um projeto claro em debate p&uacute;blico no Congresso Nacional &eacute; que vai esfuma&ccedil;ar os fantasmas que se criam para refrear qualquer tentativa de avan&ccedil;o da democracia na &aacute;rea da comunica&ccedil;&atilde;o de massa. Os fatos recentes da campanha para a derrubada de ministros e a forma como not&iacute;cias seletivas s&atilde;o alardeadas e not&iacute;cias outras s&atilde;o sufocadas, reafirma a atualidade deste debate no Congresso Nacional e na sociedade.<\/p>\n<p style=\"margin-top: 3px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; line-height: 16px; \"><strong style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; \">El&oacute;i Piet&aacute;<\/strong>&nbsp;&eacute; secret&aacute;rio Geral Nacional do PT<\/p>\n<p><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A den\u00fancia passou a ser sua arma pol\u00edtica poderosa, que incide sobre o maior capital eleitoral dos pol\u00edticos ou dos partidos, que \u00e9 a sua reputa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A recente campanha das grandes empresas de m\u00eddia para derrubar ministros no primeiro ano do governo Dilma \u00e9 mais uma demonstra\u00e7\u00e3o de que elas s\u00e3o fortes agentes autonomeados da pol\u00edtica. 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