{"id":27641,"date":"2011-10-23T00:00:00","date_gmt":"2011-10-23T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/a-trajetoria-de-valtinho-prefeito-de-cruzeiro-do-oeste\/"},"modified":"2011-10-23T00:00:00","modified_gmt":"2011-10-23T02:00:00","slug":"a-trajetoria-de-valtinho-prefeito-de-cruzeiro-do-oeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/a-trajetoria-de-valtinho-prefeito-de-cruzeiro-do-oeste\/","title":{"rendered":"A trajet\u00f3ria de Valtinho, prefeito de Cruzeiro do Oeste"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;O empres&aacute;rio e prefeito de Cruzeiro do Oeste Valter Pereira da Rocha, o Valtinho, fez uma pausa em sua agenda para conversar com a reportagem do Ilustrado na &uacute;ltima semana. A proposta de tra&ccedil;ar o perfil do empreendedor de sucesso e pol&iacute;tico de destaque, foi facilitada pela maneira simples, clara e aberta como ele se expressa, fugindo completamente do estere&oacute;tipo que se faz do grande empres&aacute;rio e do gestor p&uacute;blico bem avaliado.&nbsp;<\/p>\n<p>&Agrave; frente da Latco &ndash; que nada mais &eacute; do que a contra&ccedil;&atilde;o de Latic&iacute;nios Cruzeiro do Oeste &ndash; desde o in&iacute;cio da d&eacute;cada de 70, quando sucedeu o pai no comando da empresa, Valtinho &eacute; a terceira gera&ccedil;&atilde;o de uma fam&iacute;lia de empreendedores e j&aacute; formou a quarta. Os filhos Fabr&iacute;cio e Larissa assumem hoje grande parte da responsabilidade de dar continuidade dos neg&oacute;cios de um grupo muito bem posicionado nos competitivos mercados em que atua.&nbsp;<br \/>\nA pol&iacute;tica aconteceu meio que por acaso. Mas ele se preparou para a vida p&uacute;blica quando, j&aacute; pr&oacute;ximo dos 50 anos e realizado como pai de fam&iacute;lia e como empres&aacute;rio, decidiu iniciar uma parceria com um jovem de menos de 30, o ex-prefeito e hoje deputado federal Zeca Dirceu. O resultado foi uma guinada na vida da cidade, que depois de d&eacute;cadas de estagna&ccedil;&atilde;o voltou a crescer e prosperar.&nbsp;<br \/>\nCrescer e prosperar, ali&aacute;s, poderia ser o slogan da vida desse paulista de Ara&ccedil;atuba, 56 anos, quarto de nove filhos de uma fam&iacute;lia que migrou para o Noroeste do Paran&aacute; em 64, instalando-se inicialmente em Umuarama e depois em Cruzeiro do Oeste.<br \/>\nA conversa, em uma manh&atilde; de sexta-feira, durou quase tr&ecirc;s horas, divididas entre o gabinete de trabalho de Valtinho na Prefeitura e uma visita &agrave; Latco e &agrave; Latco Beverage, divis&atilde;o do grupo que em cinco anos se tornou a maior envasadora da norte-americana Tampico no Brasil.<br \/>\nFalamos de fam&iacute;lia, neg&oacute;cios, pol&iacute;tica e economia. A conversa evoluiu da informalidade &agrave; emo&ccedil;&atilde;o que provocam as recorda&ccedil;&otilde;es e os bons prop&oacute;sitos. Um convite &agrave; leitura. Acompanhe:<\/p>\n<p>\nO que trouxe sua fam&iacute;lia ao Paran&aacute;?<br \/>\nMeu pai teve um pequeno latic&iacute;nio como o meu av&ocirc; l&aacute; em Ara&ccedil;atuba at&eacute; &acute;60 e pouco`. Quando fecharam o latic&iacute;nio, ele decidiu vir para o Paran&aacute;, para abrir um pequeno s&iacute;tio que comprou em Santa Eliza. Em 64 ent&atilde;o a fam&iacute;lia chegou em Umuarama, com o objetivo de derrubar o mato &acute;no machado&acute; e iniciar uma vida nova. Eu tinha 10 anos na &eacute;poca.<br \/>\nMeu pai se ocupava do s&iacute;tio, minha m&atilde;e cuidava da fam&iacute;lia e eu logo comecei a trabalhar como office-boy em uma loja de cal&ccedil;ados, a Rainha dos Cal&ccedil;ados, que existe at&eacute; hoje, embora com outros donos.<br \/>\nCome&ccedil;ou cedo&#8230;<br \/>\nCedo. Porque l&aacute; em casa era assim. Eu fui preparado pelo meu pai, que era um homem trabalhador, muito certo com suas coisas e me ensinou pelo exemplo.&nbsp;<br \/>\nNessa &eacute;poca eu &acute;catava&acute; tudo o que pudesse ser vendido como recicl&aacute;vel, garrafas, metal, fios de cobra, pra fazer um dinheirinho. Eu lembro que a primeira cal&ccedil;a comprida que eu usei foi comprada com o meu dinheiro! Ent&atilde;o, assim, eu aprendi a valorizar, a trabalhar e ir busca de algo mais, porque eu sempre quis ter uma vida melhor.<br \/>\nTem uma passagem que eu goste de lembrar tamb&eacute;m &eacute; que, dos meus 10 aos 12 anos, eu ajudava a varrer o cinema, o Cine Guarani, pra assistir os filmes de gra&ccedil;a. At&eacute; hoje gosto muito de cinema. Sempre gostei muito. Este &eacute; o meu hobby, meu passatempo.<br \/>\nFoi assim que o senhor aprendeu a ser empreendedor?&nbsp;<br \/>\nN&atilde;o tenho d&uacute;vida sobre isso! Meus primeiros brinquedos eu mesmo fazia&#8230; de pedacinho de madeira&#8230; de latinha de &oacute;leo (risos). Bolinhas de gude, eu ganhava dinheiro pra comprar meia d&uacute;zia, no m&aacute;ximo! Nunca tive dinheiro para comprar figurinha e &acute;fechar&acute; o &aacute;lbum&#8230; eu conseguia &acute;batendo bafo&acute;, jogando com a mulecada.&nbsp;<br \/>\nEu sempre andava muito com o meu pai e fui estimulado pelo exemplo. Eu vejo assim, n&atilde;o existe uma educa&ccedil;&atilde;o do tipo &acute;fa&ccedil;a o que eu mando e n&atilde;o fa&ccedil;a o que eu fa&ccedil;o`. Quando voc&ecirc; d&aacute; o exemplo, nem preciso mandar, porque o exemplo &eacute; educativo.<br \/>\nE quando surge Cruzeiro do Oeste na sua vida?<br \/>\nEm 66, meu pai quis montar um latic&iacute;nio, uma coisinha pequena. Foi at&eacute; a Prefeitura de Umuarama e l&aacute; foi aconselhado a procurar um outro lugar, porque em Umuarama era praticamente s&oacute; caf&eacute;, n&atilde;o tinha gado de leite. E indicaram Tuneiras, ou Cruzeiro ou Cruzeiro do Oeste, que era onde j&aacute; tinha pecu&aacute;ria.<br \/>\nMeu pai come&ccedil;ou a prospectar, viemos a Cruzeiro, que eu sempre andava com o meu pai, desde muito pequeno, e aqui ele teve uma recep&ccedil;&atilde;o muito boa por parte do prefeito. A&iacute;, ele constitui a firma em 67, um pequeno latic&iacute;nio, e no dia 4 de setembro de 67, come&ccedil;amos a recolher leite&#8230;<br \/>\nEssa data pra mim &eacute; especial e est&aacute; ainda muito viva na minha lembran&ccedil;a. Na primeira sa&iacute;da que demos para recolher o leite, 125 litros, o meu pai, emocionad&iacute;ssimo, falou assim: &acute;o dia que eu tiver 1.500 litros de leite por dia, eu sou um homem rico!`. E a&iacute;, fomos pros 1.500, pros 2.500, pros 5.000 mil, 10 mil, 20 mil&#8230; E eu pensava em 50 mil.<br \/>\nA Latco &eacute; o resultado direto dessa hist&oacute;ria..<br \/>\nMeu pai foi a segunda gera&ccedil;&atilde;o no ramo, eu sou terceira e meus filhos j&aacute; formam a quarta. Hoje, passados 45 anos, n&oacute;s temos oito unidades da empresa no Paran&aacute; e em Santa Catarina, e pegamos leite em 80 munic&iacute;pios, recolhendo em torno de 670 mil litros\/dia. Ent&atilde;o, voc&ecirc; veja, em 45 anos, saltar do sonho de 1.500 litros para uma capta&ccedil;&atilde;o 670 mil litros di&aacute;rios &eacute; resultado de bastante trabalho!&nbsp;<br \/>\nEm que momento o Valtinho assumiu mesmo a dire&ccedil;&atilde;o da Latco?<br \/>\nEu sempre estive lado a lado com o meu pai. E em 73, o Tofinho (Aristofones Hatum) que era prefeito na &eacute;poca, um grande prefeito, talvez incompreendido na &eacute;poca, me procurou e estimulou a montar um projeto maior. Eu levei a id&eacute;ia para o meu pai e come&ccedil;amos a trabalhar na ideia de montar um latic&iacute;nio maior.<br \/>\nAt&eacute; que em determinado momento, em 75, meu pai me chamou e disse: `tudo que precisar assinar, traz que eu assino. Vai atr&aacute;s, eu assino e voc&ecirc; toca`. Assim eu fui atr&aacute;s de financiamento e n&oacute;s mudamos a Latco da Avenida S&atilde;o Paulo para a Rodovia &ndash; na PR-323, onde hoje ainda funciona a f&aacute;brica de queijos -, com a planta j&aacute; preparada para crescer.<br \/>\nE depois disso n&atilde;o parou mais&#8230;<br \/>\nPois &eacute;! Em 81 fomos para Marip&aacute; e em 84 para Pato Bragado, na regi&atilde;o Oeste, em 86 fomos para Realeza e em 89 para Francisco Beltr&atilde;o, no Sudoeste, e assim fomos crescendo.&nbsp;<br \/>\nHoje a gente tem uma grande diversifica&ccedil;&atilde;o de produtos, produzindo o leite longa vida Latco, e tamb&eacute;m o achocolatado, o doce de leite e a linha de queijos com a marca Criolo. Nosso requeij&atilde;o cremoso, inclusive, foi premiado recentemente em um congresso em Juiz de Fora (MG), onde tiramos o primeiro lugar. Pra mim isso &eacute; motiva&ccedil;&atilde;o a mais. Essa &eacute; a vitamina da qual eu me alimento, porque mostra que estamos no caminho correto. Os produtos da Latco s&atilde;o comercializados hoje em 11 estados, em praticamente todas as regi&otilde;es do pa&iacute;s.<br \/>\nE a Tampico?<br \/>\nIsso &eacute; estar no lugar certo, na hora certa. Eu sou uma pessoa que viaja muito, que valoriza muito a participa&ccedil;&atilde;o em congressos, semin&aacute;rios, feiras, procuro estar antenado no que est&aacute; acontecendo. E em 2006, eu e um empres&aacute;rio paulista, o meu amigo Sergio Romeiro, estivemos nos Estados Unidos e conhecemos a Tampico e a oportunidade de trazer a marca para o pa&iacute;s.<br \/>\nHoje somos sete licenciados e a Latco Beverage &ndash; a divis&atilde;o que criamos para essa parceria, se tornou a maior envasadora da Tampico no Brasil. Importamos o &acute;xarope&acute; e produzimos a bebida aqui em Cruzeiro do Oeste, comercializando no Sul do Pa&iacute;s e no Rio de Janeiro.<br \/>\nTrata-se de uma grande multinacional do setor&#8230;<br \/>\nA Tampico &eacute; a segunda bebida mais consumida nos Estados Unidos, est&aacute; presente em toda a Am&eacute;rica Latina e tamb&eacute;m come&ccedil;ando a chegar &agrave; Europa, trabalhando com sucos &agrave; base de frutas.<br \/>\nE qual foi a receita para construir, a partir de Cruzeiro do Oeste, um grupo empresarial t&atilde;o s&oacute;lido?<br \/>\nN&atilde;o tem receita&#8230; Eu me considero um empreendedor. Aprendi isso com o meu pai. Quando eu chegava pra ele e dizia que ia comprar uma m&aacute;quina, um equipamento para aumentar ou melhorar a produ&ccedil;&atilde;o, ele me dizia: &acute;voc&ecirc; tem certeza? Ent&atilde;o porque voc&ecirc; n&atilde;o amplia ainda mais?`. Ele sempre foi muito otimista e a gente tem esse tipo de coisa.<br \/>\nMas &eacute; uma hist&oacute;ria de muito trabalho. De toda a fam&iacute;lia. E aquilo que fazemos, procuramos fazer bem. Sempre foi assim. A gente sempre tem que ter um produto bom. Porque o produto bom pode ser vendido caro, ou barato. J&aacute; o produto ruim, &agrave;s vezes nem barato voc&ecirc; consegue vender. Essa &eacute; minha verdade: sempre procurar ter um bom produto. E n&oacute;s temos uma equipe comprometida em fazer o melhor produto.&nbsp;<br \/>\nE o programa da laranja no Munic&iacute;pio, como nasceu?<br \/>\nIsso j&aacute; foi em decorr&ecirc;ncia da minha entrada na pol&iacute;tica. Eu s&oacute; conhecia latic&iacute;nios, mas me preparando para a campanha pol&iacute;tica (2004), quando aceitei o convite do Zeca, fui estudar o Munic&iacute;pio, conhecer melhor a realidade, e descobri que 65% das pessoas que frequentavam o Posto de Sa&uacute;de, trabalhavam na cana. E fiquei pensando: e l&aacute; por 2015, quando a colheita manual da cana estiver proibida, onde estas pessoas ir&atilde;o trabalhar, qual ser&aacute; o impacto disso na vida dessas pessoas e do Munic&iacute;pio?<br \/>\nE a&iacute;, como vice-prefeito, eu fiquei como gestor de um programa de desenvolvimento econ&ocirc;mico que n&oacute;s chamamos ProGerar, que foi onde n&oacute;s procuramos trabalhar um projeto de vis&atilde;o, que contemplasse esses problemas.<br \/>\nAqui j&aacute; tinha alguns pequenos produtores que viviam da laranja. A&iacute; eu comecei a perguntar, a conhecer melhor e, Eureka!, tive a id&eacute;ia de que a laranja era algo que a gente podia empreender, criar um programa grande pra Cruzeiro do Oeste.<br \/>\nA partir de 2006 fomos reunindo pequenos produtores rurais, levando para conhecer as experi&ecirc;ncias de Rol&acirc;ndia e de Paranava&iacute;, que s&atilde;o os maiores produtores de laranja no Paran&aacute;, at&eacute; que no ano seguinte, como fruto desse trabalho, nasceu a Associa&ccedil;&atilde;o dos Produtores de Laranja de Cruzeiro do Oeste, com 11 pequenos produtores que tinham 27 mil p&eacute;s de laranja.&nbsp;<br \/>\nHoje s&atilde;o 23 produtores e 140 mil p&eacute;s de laranja produzindo.<br \/>\nO senhor tamb&eacute;m se tornou produtor de laranja&#8230;<br \/>\nConhecendo a realidade, eu me convenci realmente que era um bom neg&oacute;cio. T&atilde;o bom neg&oacute;cio que apareceram pessoas interessadas em iniciar uma empresa de maior porte. Assim nasceu a Citrospar, uma sociedade an&ocirc;nima que eu presido e que &eacute; formada por outros nove s&oacute;cios. E a gente acredita tanto nisso que decidimos colocar tamb&eacute;m nossas mulheres e nossos filhos como s&oacute;cios, para que esse empreendimento n&atilde;o pare, para que tenha continuidade, porque a fruticultura &eacute; o grande caminho para os pequenos munic&iacute;pios.<br \/>\nQual a produ&ccedil;&atilde;o da Citrospar?<br \/>\nEste &eacute; o segundo ano de colheita e j&aacute; crescemos 100% em rela&ccedil;&atilde;o a 2010 e em 2012 vamos crescer 150% em rela&ccedil;&atilde;o a este ano, quando nosso pomar de 630 mil p&eacute;s de laranja vai estar produzindo plenamente.<br \/>\nAinda &eacute; pouco, se compararmos com o Estado de S&atilde;o Paulo, onde apenas uma grande empresa tem 10 millh&otilde;es de p&eacute;s. O Paran&aacute; como um todo deve ter pr&oacute;ximo disso, uns 8, 9 milh&otilde;es, mas hoje Cruzeiro do Oeste j&aacute; est&aacute; no mapa, atr&aacute;s apenas de Rol&acirc;ndia e Paranava&iacute;.<br \/>\nE quais as perspectivas desse projeto?<br \/>\nPrimeiro a gente precisa ampliar a produ&ccedil;&atilde;o, tanto na Citrospar como na Associa&ccedil;&atilde;o de Produtores, seguir se especializando, mas sabemos que n&atilde;o podemos ficar apenas na laranja, porque a gente aprendeu com a experi&ecirc;ncia hist&oacute;rica que a monocultura, seja ela qual for, n&atilde;o &eacute; um bom neg&oacute;cio.<br \/>\nAssim a gente tamb&eacute;m est&aacute; buscando a diversifica&ccedil;&atilde;o, com a acerola, o abacaxi, a melancia. E eu n&atilde;o tenho d&uacute;vida de que a atividade vai crescer muito. A fruticultura j&aacute; &eacute; hoje uma grande fonte de arrecada&ccedil;&atilde;o para o Munic&iacute;pio.<br \/>\nNa quest&atilde;o da m&atilde;o de obra, que a gente estava falando, nos pr&oacute;ximos anos a produ&ccedil;&atilde;o de laranja e de outras frutas vai absorver com facilidade os trabalhadores que perder&atilde;o a ocupa&ccedil;&atilde;o nos canaviais, porque com o fim da queima da palha da cana, vai entrar a colheita mecanizada. Na Citrospar, por exemplo, trabalhamos no auge da safra com 100 pessoas na colheita, ser&atilde;o 150 no ano que vem e aproximadamente 300 em 2013.<br \/>\nEnt&atilde;o, foi uma vis&atilde;o de futuro, um empreendimento que deu muito certo. E Isso &eacute; muito estimulante pra mim, que vi na pol&iacute;tica a oportunidade de fazer algo de bom, de ajudar a melhorar a vida das pessoas.<br \/>\nChegamos na quest&atilde;o: como surge o Valtinho pol&iacute;tico?<br \/>\nEu me considero um homem realizado, em todos os sentidos. E j&aacute; tinha tido uma experi&ecirc;ncia em 77, 78, quando fui vereador, mas a maneira como as coisas funcionavam naquela &eacute;poca n&atilde;o me agradou eu fiz a op&ccedil;&atilde;o de cuidar da minha empresa, que estava em um momento de crescimento.<br \/>\nAt&eacute; que um dia, em uma conversa com o Z&eacute;ca, que &eacute; amigo do meu filho Fabr&iacute;cio desde a adolesc&ecirc;ncia, ele fez uma coloca&ccedil;&atilde;o que me fez pensar. Ele me disse: &acute;Valtinho, na sua opini&atilde;o, com a sua experi&ecirc;ncia, onde foi que Cruzeiro do Oeste errou estes anos todos, que deixou de crescer?`.&nbsp;<br \/>\nA&iacute; eu respondi pra ele, Zeca, o grande erro &eacute; que quem ganha na pol&iacute;tica, n&atilde;o leva. Porque quem perde &eacute; amigo do governador ou do deputado e n&atilde;o deixa fazer as coisas. Eu disse isso porque n&oacute;s vivemos aqui uma &eacute;poca em que a primeira coisa que quem perdia fazia era correr pra Curitiba, pra fechar a porta pra cidade. Esse ent&atilde;o era pra mim o grande ponto. Eu achava que, se juntasse todas as for&ccedil;as pol&iacute;ticas, e trabalhasse em cima de um projeto, um programa, poderia dar certo.<br \/>\nE me disse: `voc&ecirc; topa sair como meu candidato a vice, pra gente n&atilde;o repetir os mesmos erros e fazer a coisa certa?`. E foi a&iacute; que vi a possibilidade de ajudar, de fazer parte de uma coisa nova, de contribuir, de ajudar a cidade que acolheu t&atilde;o bem a minha fam&iacute;lia, aonde a gente se instalou e tivemos sucesso.<br \/>\nE a gente tem conseguido fazer aquilo que n&oacute;s propusemos l&aacute; atr&aacute;s. Todas as a&ccedil;&otilde;es que temos feito &eacute; no sentido de melhorar a vida das pessoas.&nbsp;<br \/>\nEu fui vice de 2004 a 2008, novamente vice e acabei assumindo agora em abril de 2010, quando o Zeca se licenciou para a campanha vitoriosa a deputado federal.<br \/>\nO que o senhor destaca nesse per&iacute;odo?<br \/>\nA humaniza&ccedil;&atilde;o. Tudo o que fizemos veio no sentido da valoriza&ccedil;&atilde;o da pessoa humana. Trabalhando bastante para recuperar a auto-estima das pessoas, para que elas voltassem a acreditar na cidade em que vivem. Como gestor p&uacute;blico, eu tenho a minha atua&ccedil;&atilde;o, a Prefeitura faz a sua parte, mas o sucesso depende das pessoas, da popula&ccedil;&atilde;o. A gente trabalha, implanta programas, projetos e investimentos na esfera p&uacute;blica, mas s&atilde;o as pessoas que constroem, que modernizam suas empresas, seus neg&oacute;cios, criam novos empregos, que melhoram seus im&oacute;veis, que fazem uma pintura, uma muro e uma cal&ccedil;ada novos, que d&atilde;o aquele novo ar para a cidade.<br \/>\nMas a partir do momento em que as pessoas v&ecirc;em que a sua cidade est&aacute; bem administrada, ela se sente bem e estimulada a investir. &Eacute; assim que funciona e a gente tem visto acontecer dia a dia.<br \/>\nQuando assumimos, em 2005, a inadimpl&ecirc;ncia do IPTU era de 65, 70%<br \/>\nporque as pessoas n&atilde;o acreditavam na administra&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o acreditavam no Munic&iacute;pio. N&atilde;o acreditava porque n&atilde;o via a&ccedil;&otilde;es que justificassem ela gostar.<br \/>\nHoje, voc&ecirc; lan&ccedil;a o IPTU e com menos de 60 dias o Munic&iacute;pio j&aacute; recebeu mais de 65%. E as pessoas pagam por que est&atilde;o vendo o retorno daquilo que est&atilde;o pagando.<br \/>\nE a partir do momento que isso mudou, a atitude da popula&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m mudou. Essa recupera&ccedil;&atilde;o da auto-estima foi a grande transforma&ccedil;&atilde;o, que n&oacute;s conseguimos, n&atilde;o tenho a menor d&uacute;vida.<br \/>\nO senhor &eacute; candidato nas pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es?<br \/>\nOlha, eu estou bastante entusiasmado! A gente come&ccedil;ou um projeto, conseguimos dar grandes passos, mas ainda tem muito a fazer, principalmente porque a gente planejou l&aacute; frente e tem muita coisa ainda pra acontecer.&nbsp;<br \/>\nO senhor considera que pegou o jeito da coisa?<br \/>\nEstou aprendendo ainda. Respeitando as pessoas, respeitando os partidos&#8230; O que eu posso dizer que aprendi &eacute; que, aquilo que pra mim, &agrave;s vezes, n&atilde;o &eacute; t&atilde;o importante, pra outra pessoa &eacute; muito importante. Ent&atilde;o eu tenho de ajudar as pessoas a realizar, mesmo aquilo que pra mim, pessoalmente, n&atilde;o seja t&atilde;o importante. Isso eu aprendi e a gente vai aperfei&ccedil;oando esse aprendizado. N&oacute;s temos feito a&ccedil;&otilde;es para o pequeno, para o m&eacute;dio e para o grande. Quando eu recebi o convite vi a oportunidade de colocar boas id&eacute;ias em pr&aacute;tica e estamos conseguindo, ent&atilde;o eu posso dizer que eu e o Zeca fomos felizes na nossa parceria com Cruzeiro do Oeste.<br \/>\nE como &eacute; seu dia a dia, com a administra&ccedil;&atilde;o, a fam&iacute;lia e a empresa?<br \/>\nMeu dia &eacute; de 26 horas, porque eu pego com muita dedica&ccedil;&atilde;o. O trabalho &eacute; uma obsess&atilde;o pra mim. Acordo sempre antes das seis e procuro fazer tudo da melhor maneira. &Eacute; claro que pra isso voc&ecirc; tem que contar com uma equipe, com pessoas preparadas pra te ajudar. E eu tenho isso tanto na empresa como na administra&ccedil;&atilde;o.<br \/>\nNa empresa eu tenho minha e fam&iacute;lia e os colaboradores e aqui na Prefeitura n&oacute;s temos uma equipe de secret&aacute;rios comprometidos com o mesmo ideal e o funcion&aacute;rio p&uacute;blico tamb&eacute;m comprometido com a administra&ccedil;&atilde;o. Isso &eacute; fruto de respeito, de tratar bem, de sentir que sua carreira, que sua vida est&aacute; melhorando. Ent&atilde;o a gente tem esse suporte e as coisas ficam mais f&aacute;cil e o sucesso &eacute; de todos.&nbsp;<br \/>\nA &aacute;rea empresarial &eacute; din&acirc;mica, enquanto o setor p&uacute;blico &eacute; mais burocr&aacute;tico. Isso n&atilde;o angustia?<br \/>\nEu aprendi a aceitar. Aprendi a lidar com isso, porque j&aacute; sei que tenho que planejar, preparar. Hoje n&oacute;s estamos executando muitos projetos que foram planejados l&aacute; em 2010&#8230; Hoje j&aacute; n&atilde;o me angustia mais. Tem coisas que eu sei que precisavam acontecer em uma velocidade maior, mas tudo que &eacute; poss&iacute;vel fazer, n&oacute;s estamos fazendo.<br \/>\nComo o senhor se define como pol&iacute;tico?<br \/>\nQuando eu era rapaz, ia nas festas e nas quermesses, e estava ali comendo um peda&ccedil;o de frango, tomando um guaran&aacute;, um coisa que sempre me incomodou era ver as crian&ccedil;as olhando, sem poder comprar. Ent&atilde;o, eu achei que na vida p&uacute;blica eu podia ajudar, n&atilde;o dando as coisas simplesmente, mas viabilizando o trabalho, preparando para o trabalho que &eacute; a base. Sempre foquei muito a quest&atilde;o do emprego. Quem tem trabalho, recebe seu sal&aacute;rio e vive melhor. Eu na minha vida sempre busquei o melhor.<br \/>\nE vejo que foi isso que o Governo Lula conseguiu tamb&eacute;m, assegurando o trabalho e melhorando a renda, o que fez surgir um c&iacute;rculo virtuoso na economia, onde as pessoas trabalham, ganham melhor e consomem mais, o que faz as empresas crescerem e contratarem mais. Ent&atilde;o eu sou muito feliz por fazer parte destas conquistas, que mudaram Cruzeiro do Oeste e o Brasil pra melhor.<br \/>\nE como empres&aacute;rio, como o senhor se define?<br \/>\nMe sinto feliz, realizado e estimulado a continuar. Eu idealizei onde queria chegar e cheguei. N&oacute;s estamos com 45 anos de empresa e, com meu irm&atilde;o e meus filhos, n&oacute;s j&aacute; sabemos onde vamos estar quando a empresa estiver com 50 anos, l&aacute; em 2016. N&oacute;s temos esse planejamento. Isso tudo porque a nossa maneira de trabalhar &eacute; simples, porque as dificuldades hoje s&atilde;o as mesmas de quando n&oacute;s t&iacute;nhamos l&aacute; no in&iacute;cio, quando meu pai recebia 1.500 lts\/dia, que era o sonho do meu pai, e hoje n&oacute;s recebemos 670 mil.<br \/>\n&Eacute; a mesma dificuldade, ampliada. Os le&otilde;es que a gente tinha de matar naquela &eacute;poca, s&atilde;o os mesmos le&otilde;es de hoje. E foi assim, como muito trabalho, que a gente conseguiu crescer de forma cont&iacute;nua, segura, organizada.<\/p>\n<p>&Eacute; essa realiza&ccedil;&atilde;o que deixa o senhor com uma vis&atilde;o otimista?<br \/>\nMuito otimista. Eu n&atilde;o me lembro de ter ca&iacute;do e ter chegado at&eacute; o ch&atilde;o. Antes de bater a cabe&ccedil;a no ch&atilde;o eu j&aacute; me levanto e sempre estou pronto para os desafios. Minha vida tem sido uma vida de muita determina&ccedil;&atilde;o. E assim como eu digo que preparei os meus filhos, &eacute; porque eu tamb&eacute;m de certa maneira fui preparado pelo meu pai.<br \/>\nEnt&atilde;o, nada &eacute; por acaso. Eu fui preparado pelo meu pai e pela minha m&atilde;e, atrav&eacute;s de uma educa&ccedil;&atilde;o muito correta, na fam&iacute;lia da minha mulher tamb&eacute;m foi assim, e n&oacute;s implantamos isso com os nossos filhos e gra&ccedil;as a Deus deu muito certo. Pra mim, o c&eacute;u &eacute; sempre azul.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Sonhos realizados e o ideal de crescer<\/p>\n<p>Valtinho se casou com a esposa Dulcin&eacute;ia em 1975, quando tinha 21 anos. Juntos eles planejaram ter dois filhos e fazer dos filhos os continuadores do resultado do seu trabalho. &ldquo;Esse &eacute; um dos muitos sonhos que eu consegui realizar&rdquo;, diz ele emocionado, contando como a esposa e os filhos o ajudam, junto com o irm&atilde;o, a gerencia a Latco, a Latco Beverage e a Citrospar, um conglomerado que coloca seus produtos em todo o Brasil e emprega perto de mil colaboradores.<br \/>\nE tudo isso &ndash; revela Valtinho &ndash; come&ccedil;ou em um sonho revelado aos amigos, na adolesc&ecirc;ncia.<br \/>\n&ldquo;A gente saia da aula, a noite, e ficava ali na cal&ccedil;ada do antigo Bamerindus, onde hoje &eacute; o HSBC, batendo papo com os amigos. E uma noite, a gente esta conversando sobre as meninas, sobre namorada, e eu disse pra eles: eu quero me casar com uma mulher meiga e carinhosa, e apontei para a Dulcin&eacute;ia, ent&atilde;o uma colega da escola, que estava passando na cal&ccedil;ada do outro lado da rua. Isso me valeu por muitos anos o apelido de &acute;meigo sonhador`, porque eu j&aacute; era meio &acute;feinho&acute; e ela sempre foi uma mulher muito bonita! Mas este meigo sonhador realizou o seu sonho (risos)&rdquo;.<br \/>\nAssim como ele se preparou, os filhos Fabr&iacute;cio, 33, e Larissa com 31 anos, tamb&eacute;m foram preparados para o trabalho e para a vida.&nbsp;<br \/>\n&ldquo;Eles foram bem preparados. Primeiro foram trabalharam fora, em S&atilde;o Paulo, para ganhar musculatura, como eu costumo dizer, para levar tapa na barriga pro couro endurecer. Foi um aprendizado muito grande pra eles. Eu e minha mulher sempre tivemos esse sonho. Nosso projeto de vida era ter um casal de filhos e que os filhos continuassem o nosso trabalho. Ent&atilde;o esse &eacute; um sonho realizado&rdquo;.&nbsp;<br \/>\nFabr&iacute;cio hoje cuida da parte parte gerencial e estrat&eacute;gica da Latco, enquanto Larissa responde pelas compras, RH e Marketing, e a esposa cuida da parte financeira da Tampico. O irm&atilde;o e s&oacute;cio cuida da parte financeira da Latco.<br \/>\nOutro ponto de orgulha para Valtinho &eacute; sua equipe de colaboradores. &ldquo;Minha filha contratou recentemente uma consultoria de recursos humanos para avaliar o grau de satisfa&ccedil;&atilde;o dos funcion&aacute;rios e no final o consultor ficou surpreso. eu n&atilde;o!&rdquo;, diz ele.<br \/>\n&ldquo;N&oacute;s temos funcion&aacute;rios de 30, 25, 20, 15 anos. Isso &eacute; comum na Latco. Temos funcion&aacute;rio que se aposentou e tem seus filhos e seus netos trabalhando conosco. Ent&atilde;o, n&oacute;s acreditamos neles e eles acreditam em n&oacute;s.<br \/>\n&Eacute; como na cultura japonesa, em que o dono da empresa sonha ver seus filhos seguindo o neg&oacute;cio, e o trabalhador sonha ver seus filhos empregados naquela empresa. N&oacute;s conseguimos isso.<br \/>\nE a estas alturas do campeonato, Valtinho ainda teria a palavra final nos neg&oacute;cios? &ldquo;Eu sou ouvido, mas a gente &acute;se bate bem&acute; (risos). Porque tamb&eacute;m eles s&atilde;o muito competentes. Posso ter a palavra final, mas eu tamb&eacute;m sei ouvir e acatar.&nbsp;<br \/>\nE faltavam duas perguntinhas, pra terminar. Al&eacute;m de tudo isso, o que serve de inspira&ccedil;&atilde;o? &ldquo;Ainda adolescente, eu li um livro de Richard Bach chamado &ldquo;Longe &eacute; um lugar que n&atilde;o existe&rdquo;. Essa frase, eu acredito, sintetiza tudo o que eu tenho sido e procuro ser. Tem muito a ver com a minha vida, com a minha personalidade, porque ela mostra que as coisas s&atilde;o poss&iacute;veis, podem ser alcan&ccedil;adas, basta acreditar, trabalhar, ir atr&aacute;s&rdquo;.&nbsp;<br \/>\nE o que Cruzeiro do Oeste pode esperar ainda do Valtinho? A resposta veio r&aacute;pida, sem pestanejar: &ldquo;muito trabalho&rdquo;. E a emo&ccedil;&atilde;o bateu. Hora de terminar.<\/p>\n<p>Fonte: Umuarama Ilustrado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O prefeito Valter Rocha, o Valtinho, de Cruzeiro do Oeste foi entrevistado pelo jornal Umuarama Ilustrado. 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