{"id":25304,"date":"2012-04-08T00:00:00","date_gmt":"2012-04-08T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/doces-memorias-de-pascoas-passadas\/"},"modified":"2012-04-08T00:00:00","modified_gmt":"2012-04-08T03:00:00","slug":"doces-memorias-de-pascoas-passadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/doces-memorias-de-pascoas-passadas\/","title":{"rendered":"Doces mem\u00f3rias de P\u00e1scoas passadas"},"content":{"rendered":"<p>O Jornal Gazeta do Povo traz uma reportagem sobre o significado, doutrina e doces lembran&ccedil;as da P&aacute;scoa. Acompanhem.<\/p>\n<p>Como o Cristo que ressuscita, doces lembran&ccedil;as tamb&eacute;m ressurgem na P&aacute;scoa. Momentos especiais com a fam&iacute;lia, sabores, perfumes e mist&eacute;rios das celebra&ccedil;&otilde;es do passado costumam voltar &agrave; tona quando velhos rituais s&atilde;o postos em pr&aacute;tica, desde o domingo de Ramos, no in&iacute;cio da Semana Santa, at&eacute; hoje, quando se festeja a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPara M&aacute;rio Betiato, professor de teologia da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Paran&aacute; (PUCPR), n&atilde;o &eacute; por acaso que a P&aacute;scoa &eacute; repleta de cerim&ocirc;nias. &ldquo;Se n&atilde;o houvesse a ressurrei&ccedil;&atilde;o, o Natal n&atilde;o teria import&acirc;ncia e Jesus teria sido apenas mais um judeu nascido na Galil&eacute;ia. Por isso a P&aacute;scoa &eacute; o dia lit&uacute;rgico mais importante do calend&aacute;rio crist&atilde;o.&rdquo;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nVale lembrar que a palavra P&aacute;scoa &eacute; de origem hebraica &ndash; vem de pesach, que significa &ldquo;passagem&rdquo; &ndash;, e antes era empregada apenas pelos judeus. O termo se referia &agrave; liberta&ccedil;&atilde;o desse povo do dom&iacute;nio eg&iacute;pcio, gra&ccedil;as a Mois&eacute;s, que os guiou pelo Mar Vermelho.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nS&iacute;mbolo de mudan&ccedil;a de um estado para outro, a P&aacute;scoa &eacute; um per&iacute;odo que pode trazer reflex&otilde;es at&eacute; para quem n&atilde;o tem religi&atilde;o, sugere M&aacute;rio Sanches, coordenador do curso de mestrado em Teologia da PUCPR. &ldquo;O fen&ocirc;meno religioso trata de algo humano, que pode assumir uma conota&ccedil;&atilde;o mais abrangente. Afinal, a P&aacute;scoa expressa a ideia de uma supera&ccedil;&atilde;o constante, de uma luta contra elementos limitantes.&rdquo; Assim como o povo judeu que passou de uma situa&ccedil;&atilde;o menos favorecida para outra melhor e Jesus, que passou da morte para a vida eterna, o homem comum tamb&eacute;m pode se dar conta de passagens marcantes em sua vida.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&ldquo;Quantas pessoas passam por momentos de dor e depois saem transformadas? Isso tamb&eacute;m &eacute; uma experi&ecirc;ncia de P&aacute;scoa, que mostra como o sofrimento e certas situa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o definitivas. &Eacute; poss&iacute;vel passar por tudo isso de forma esperan&ccedil;osa&rdquo;, afirma Sanches.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nTradi&ccedil;&atilde;o preservada<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPara a fam&iacute;lia da professora Odessa Volochtchuk Fucci, 36 anos, P&aacute;scoa &eacute; sin&ocirc;nimo de tradi&ccedil;&atilde;o que se renova. Desde os 6 anos de idade ela j&aacute; confeccionava as p&ecirc;ssankas, os ovos decorados t&iacute;picos da cultura ucraniana e que s&atilde;o dados como presente durante a P&aacute;scoa. Hoje ela v&ecirc; seus filhos Nicolas, 8 anos, e Guilherme, 2, seguirem o mesmo caminho. &ldquo;O Guilherme pega os ovos e risca com canetinha, e o Nicolas agora entende que n&atilde;o d&aacute; pra fazer super-her&oacute;is nas p&ecirc;ssankas. &Eacute; s&oacute; desenho tradicional!&rdquo;, diverte-se Odessa.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAo ver os filhos, a professora relembra da sua inf&acirc;ncia. &ldquo;Eu sempre estava com meus pais, em uma mesa cheia de ovos, fazendo p&ecirc;ssankas e preparando a cesta com alimentos para serem benzidos. Lembro tamb&eacute;m da minha av&oacute; Catarina, que nos deixava ajudar a fazer as kraschankas, ovos cozidos e coloridos que iam para a cesta.&rdquo;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEla explica que, na missa da Igreja Ortodoxa Ucraniana, realizada a partir da meia noite de s&aacute;bado, todos os alimentos e p&ecirc;ssankas s&atilde;o aben&ccedil;oados. E na manh&atilde; de domingo, as fam&iacute;lias se re&uacute;nem para comer esses alimentos num grande caf&eacute; da manh&atilde; e se presentear com as p&ecirc;ssankas. Tais festividades podem coincidir com o calend&aacute;rio da P&aacute;scoa cat&oacute;lica, ou podem variar, como neste ano, em que a P&aacute;scoa dos ortodoxos ser&aacute; rea&shy;&shy;lizada no pr&oacute;ximo fim de semana. Com isso, muitas fam&iacute;lias, como a de Odessa, celebram duas vezes.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO marido dela, Paulo Fucci, 44, conta que incorporou os costumes pascoais da esposa, mesmo n&atilde;o tendo sangue ucraniano. &ldquo;Sou descendente de italianos, alem&atilde;es e portugueses, e na minha fam&iacute;lia n&atilde;o havia tanta celebra&ccedil;&atilde;o assim.&rdquo;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDa sua inf&acirc;ncia, por&eacute;m, Fucci lembra com alegria da busca pelos ovos de chocolate escondidos por sua m&atilde;e na manh&atilde; de domingo. &ldquo;Na verdade eu e meus irm&atilde;os sab&iacute;amos onde ela os escondia, mas fing&iacute;amos o contr&aacute;rio!&rdquo; E recorda ainda da malha&ccedil;&atilde;o de judas no s&aacute;bado: &ldquo;O pessoal ficava preparando o boneco o ano todo! Era muito divertido&rdquo;.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPai coelho<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPara fazer uma crian&ccedil;a sonhar, n&atilde;o &eacute; preciso muito. Tanto que tr&ecirc;s pontas de dedos passadas no talco e encostadas no ch&atilde;o, formando pegadas de coelho, s&atilde;o provas definitivas de que um bichinho orelhudo e peludo passou pela casa, deixando ovos de chocolate. Tal li&ccedil;&atilde;o foi aprendida pela professora aposentada Maria da Gra&ccedil;a Stinglin, 64, que repassou o h&aacute;bito para sua filha Marcele, 37, hoje m&atilde;e de Isadora, 12, e Mariana, 7.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNa base desse e de outros singelos costumes de P&aacute;scoa da fam&iacute;lia est&aacute; o patriarca Le&ocirc;nidas Ferreira Stinglin, falecido em 2007. &ldquo;Minha fam&iacute;lia tem uma origem humilde, mas meu pai sempre dava um jeito de fazer algo diferente na P&aacute;scoa. Ele confeccionava ovinhos do jeito dele e espalhava um monte de papel pela casa, como se o coelho tivesse feito a maior bagun&ccedil;a. At&eacute; os 96 anos, ele continuou com esse costume&rdquo;, conta Maria da Gra&ccedil;a.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNesse domingo, &eacute; com muito gosto que ela prepara um frango assado para a m&atilde;e Cristina e toda a fam&iacute;lia, situa&ccedil;&atilde;o bastante prop&iacute;cia para evocar essas mem&oacute;rias ao redor da mesa. &ldquo;Nessas horas bate uma saudade da inf&acirc;ncia, quando havia aquela coisa inocente de ser crian&ccedil;a e ser paparicada.&rdquo; Ao mesmo tempo, ela se recorda de uma indescrit&iacute;vel sensa&ccedil;&atilde;o de mist&eacute;rio. &ldquo;Lembro da vov&oacute; dizendo que Jesus havia morrido, e aquilo era muito pesado pra gente. Sem falar que a P&aacute;scoa sempre coincide com a chegada do frio, que nos deixa mais introspectivos&rdquo;, opina.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMensagem de f&eacute;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nH&aacute; tr&ecirc;s d&eacute;cadas, enquanto muitos descansam e refletem sobre a ressurrei&ccedil;&atilde;o de Jesus durante a P&aacute;scoa, o ator Aparecido Izabel Massi, 55, trabalha intensamente, inclusive encarnando o pr&oacute;prio Jesus. Massi &eacute; o fundador do grupo teatral Lanteri, que apresenta anualmente espet&aacute;culos da Paix&atilde;o de Cristo na Pedreira Paulo Leminski para um p&uacute;blico m&eacute;dio de 20 mil pessoas. Ao refletir sobre as P&aacute;scoas da sua inf&acirc;ncia, vividas em &Aacute;gua dos C&aacute;gados, ro&ccedil;a localizada no norte do Paran&aacute;, Massi lembra que desde pequeno j&aacute; estava envolvido com as prociss&otilde;es da Semana Santa.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&ldquo;V&aacute;rias vezes eu ficava encarregado de ir na frente da prociss&atilde;o, carregando um crucifixo com um pano roxo em cima. Acho engra&ccedil;ado que, adulto, fui fazer a mesma coisa numa propor&ccedil;&atilde;o diferente.&rdquo;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMas a P&aacute;scoa tamb&eacute;m lhe trazia sofrimento. Seus pais Adriano e Am&eacute;lia seguiam &agrave; risca o preceito de jejuar e n&atilde;o trabalhar na sexta-feira. &ldquo;Por um lado era bom, porque n&atilde;o faz&iacute;amos nada mesmo! Nem varrer a casa, at&eacute; o meio-dia. O ruim &eacute; que eu ficava com fome e fugia para o pasto pra chupar laranja escondido. Eu tamb&eacute;m sentia uma solid&atilde;o e uma tristeza imensa ao ouvir pelo r&aacute;dio as narra&ccedil;&otilde;es sobre a morte de Cristo.&rdquo;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA partir do S&aacute;bado de Aleluia, por&eacute;m, retornava a alegria e o trabalho. Seu pai matava bois e porcos e Massi ficava encarregado de distribuir carne para os vizinhos. &ldquo;Todo mundo ajudava e &iacute;amos no c&oacute;rrego lavar a carne para fazer lingui&ccedil;a. Era um dia de muita festa, em que se tomava guaran&aacute; e se comia o manjar colorido que a m&atilde;e fazia. Pena que o doce n&atilde;o tinha gosto de nada!&rdquo;, conta aos risos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&Eacute; com toda essa viv&ecirc;ncia que Massi entra em cena hoje na Pedreira, &agrave;s 19 horas, novamente como Jesus no musical Sinfonia da Paz. Segundo o ator, &eacute; imposs&iacute;vel n&atilde;o transferir parte da sua personalidade para o personagem, assim como o inverso tamb&eacute;m acontece. &ldquo;Ter sido Jesus por tanto tempo me fez refletir e me cobrar mais. Com o tempo tamb&eacute;m fui fazendo certas cenas de um modo diferente. Se aos 30 anos eu falava &lsquo;atire a primeira pedra, quem nunca pecou&rsquo; de uma forma agressiva, aos 40 eu dizia isso com menos ira, julgando menos os outros.&rdquo;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nSabor de melancolia<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNascida em um S&aacute;bado de Aleluia, a professora de matem&aacute;tica Regina Holtz, 57, sente uma certa melancolia ao recordar das P&aacute;scoas da inf&acirc;ncia, passadas em Tatu&iacute;, interior de S&atilde;o Paulo. Desde o in&iacute;cio da Quaresma, a rotina e o clima da cidade interiorana se alteravam. &ldquo;As pessoas ficavam mais contidas, n&atilde;o se permitiam bailes, e n&oacute;s crian&ccedil;as n&atilde;o pod&iacute;amos cantar muito alto. Eu e minhas irm&atilde;s fic&aacute;vamos muito impressionadas com tudo, especialmente com os santos cobertos com panos roxos a partir de Domingo de Ramos&rdquo;, diz ela, que frequentava diversas prociss&otilde;es sob uma majestosa lua cheia.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPor outro lado, as iguarias t&iacute;picas da Semana Santa eram um deleite para Regina. Seu av&ocirc; Pedro Holtz encarnava um grande mestre-cuca no feriado. O card&aacute;pio especial come&ccedil;ava na quarta-feira, quando ele preparava ovos recheados com sardinha. Quinta era dia de empada de camar&atilde;o e, sexta, da bacalhoada. S&aacute;bado tinha frango e domingo era a vez do cabrito a ca&ccedil;ador. &ldquo;Era sempre a mesma comida! Lembro at&eacute; hoje do cheiro do bacalhau, prato que, ali&aacute;s, preparo at&eacute; hoje na sexta-feira.&rdquo;<br \/>\nS&iacute;mbolos<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNeste dia em que ovos e coelhos de chocolate s&atilde;o trocados, vale a pena lembrar os seus significados:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCoelho: eles n&atilde;o botam ovos, mas eram cultuados pelos povos pag&atilde;os, no in&iacute;cio da primavera no hemisf&eacute;rio norte, como s&iacute;mbolos de fertilidade. &ldquo;Os coelhos depois foram incorporados pelo cristianismo para representar a religi&atilde;o que renasce e se esparrama pelo mundo&rdquo;, diz o professor de Teologia da PUCPR M&aacute;rio Betiato.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nOvos: para os povos pag&atilde;os eram s&iacute;mbolos da vida. &ldquo;Incorporado pelo cristianismo, o ovo de P&aacute;scoa tamb&eacute;m pode ser visto como o t&uacute;mulo de Jesus, que se quebra e o libera para a vida eterna&rdquo;, diz Betiato.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nP&ecirc;ssankas: ovos de galinha decorados pelos ucranianos, trazem s&iacute;mbolos que expressam felicita&ccedil;&otilde;es. Flores e rastelinhos s&atilde;o votos de sorte no casamento, enquanto alces e cavalinhos, por exemplo, significam riqueza e boa sa&uacute;de. H&aacute; quem acredite que as p&ecirc;ssankas s&atilde;o amuletos, capazes de absorver as energias ruins.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<em style=\"margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; list-style-type: none; list-style-position: initial; list-style-image: initial; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-width: initial; border-color: initial; border-image: initial; text-transform: uppercase; color: rgb(113, 113, 113) !important; font-style: normal; font-family: arial; font-size: 10px; \">FRANCO CALDAS FUCHS \/<\/em>Gazeta do Povo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Jornal Gazeta do Povo traz uma reportagem sobre o significado, doutrina e doces lembran\u00e7as da P\u00e1scoa. Acompanhem.<\/p>\n<p>Como o Cristo que ressuscita, doces lembran\u00e7as tamb\u00e9m ressurgem na P\u00e1scoa. 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