{"id":25098,"date":"2012-04-29T00:00:00","date_gmt":"2012-04-29T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/no-bico-da-picareta-a-pista-definitiva-sobre-os-pterossauros-do-parana\/"},"modified":"2012-04-29T00:00:00","modified_gmt":"2012-04-29T03:00:00","slug":"no-bico-da-picareta-a-pista-definitiva-sobre-os-pterossauros-do-parana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/no-bico-da-picareta-a-pista-definitiva-sobre-os-pterossauros-do-parana\/","title":{"rendered":"No bico da picareta, a pista definitiva sobre os \u201cpterossauros do Paran\u00e1\u201d"},"content":{"rendered":"<p>O jornal Ilustrado Umuarama traz, neste domingo, uma reportagem completa sobre o f&oacute;ssil de pterossauro encontrado em Cruzeiro do Oeste. Conhe&ccedil;a a posi&ccedil;&atilde;o de cientistas e a import&acirc;ncia desta descoberta para o estado.<\/p>\n<p>A valeta aberta a picareta na beira da estrada tinha a fun&ccedil;&atilde;o de melhorar o escoamento da &aacute;gua pela estrada, em dias de chuva forte. Mas o que Alexandre Gustavo Dobruski, falecido em 1986, e seu filho Jo&atilde;o Gustavo Dobruski, encontraram no bico das picaretas definitivamente foi mais importante do que a solu&ccedil;&atilde;o para o escoamento de &aacute;gua da chuva. Ali, numa estrada vicinal do pequeno munic&iacute;pio de Cruzeiro do Oeste, surgia para o mundo da ci&ecirc;ncia o primeiro f&oacute;ssil de pterossauro encontrado longe das &aacute;reas litor&acirc;neas.<\/p>\n<p>Corria o distante ano de 1971, mas ainda levaria quatro d&eacute;cadas at&eacute; que aquele pequeno fragmento de osso pneum&aacute;tico fosse identificado como pertencente a um pterossauro da fam&iacute;lia Tapejaridae. Sem ter ideia certa do que fazer com a pedra incrustada de ossos, mas certo de que a pe&ccedil;a poderia ter algum valor cient&iacute;fico, &ldquo;seo&rdquo; Alexandre a guardou na estante de casa por quatro anos.<\/p>\n<p>Em 1975, aproveitando que alguns primos estavam de passagem e iriam voltar para Ponta Grossa, onde moravam e estudavam, Jo&atilde;o Gustavo recolheu mais algumas amostras e pediu que os f&oacute;sseis fossem levados at&eacute; a universidade local, para an&aacute;lise. Meses depois, os parentes informaram que os f&oacute;sseis haviam sido datados com aproximadamente 75 milh&otilde;es de anos, mas n&atilde;o tinham grande import&acirc;ncia cient&iacute;fica.<\/p>\n<p>Descoberta<\/p>\n<p>A espera pela resposta exata dos exames levou exatos 36 anos, e chegou por mais uma daquelas vias tortas da vida, as coincid&ecirc;ncias que marcam as grandes descobertas cient&iacute;ficas. Na tarde do dia 16 de julho de 2011, ao abrir uma das gavetas do arquivo do Departamento de Geoci&ecirc;ncias (DEGEO) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), dois pesquisadores deram de cara com os dois blocos de arenito repletos de ossos pneum&aacute;ticos. A &uacute;nica identifica&ccedil;&atilde;o era uma etiqueta com as palavras &ldquo;Cruzeiro do Oeste&rdquo;.<\/p>\n<p>Imediatamente eles perceberam que estavam diante de uma descoberta importante, pois identificaram um cr&acirc;nio com a morfologia (forma) t&iacute;pica de um pterossauro da fam&iacute;lia Tapejaridae. Mas a incredulidade tomou conta deles ao identificar que o bloco que servia de base para os ossos era formado por um arenito t&iacute;pico do Paran&aacute;, o famoso arenito Caiu&aacute;. E pterossauros &ndash; pelo menos era o que se acreditava at&eacute; ent&atilde;o &ndash; n&atilde;o tinham vivido no Paran&aacute; h&aacute; 100 milh&otilde;es de anos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores que faziam a busca por fragmentos f&oacute;sseis eram Paulo C&eacute;sar Manzig e Luiz Carlos Weinschutz, ligados ao Centro Paleontol&oacute;gico (Cenp&aacute;leo) da Universidade do Contestado, em Mafra (SC). Especialistas no assunto, eles recolhiam material cient&iacute;fico para o livro &ldquo;Museus &amp; F&oacute;sseis da Regi&atilde;o Sul do Brasil&rdquo;.<\/p>\n<p>Intrigados com aquela descoberta incomum, resolveram estender a viagem por dois dias, indo at&eacute; Cruzeiro do Oeste para tentar descobrir a origem daquelas pedras.<br \/>\nE ali, na pequena Cruzeiro do Oeste, mais uma vez a coincid&ecirc;ncia &ldquo;deu as caras&rdquo; para ajudar os pesquisadores. &Agrave; procura de um guia que os levasse at&eacute; as pedreiras da cidade, onde esperavam encontrar mais explica&ccedil;&otilde;es para o mist&eacute;rio, os pesquisadores pediam informa&ccedil;&otilde;es no balc&atilde;o da Prefeitura quando foram surpreendidos pela informa&ccedil;&atilde;o de que um trabalhador de uma concession&aacute;ria de caminh&otilde;es poderia ser a chave para a elucida&ccedil;&atilde;o do caso.<\/p>\n<p>Este trabalhador (ah, a coincid&ecirc;ncia!) era ningu&eacute;m menos que o pr&oacute;prio Jo&atilde;o Gustavo Dobruski. Ao ver as fotos das pe&ccedil;as que havia enviado para Ponta Grossa 36 anos antes, ele n&atilde;o se conteve. &ldquo;Meu Deus! Eu n&atilde;o acredito!&rdquo; foram as palavras pronunciadas diante dos olhos brilhantes dos pesquisadores, segundo descri&ccedil;&atilde;o dos mesmos &agrave; p&aacute;gina 226 do livro &ldquo;Museus &amp; F&oacute;sseis da Regi&atilde;o Sul do Brasil&rdquo;, publicado recentemente com um cap&iacute;tulo inteiramente dedicado ao &ldquo;pterossauro de Cruzeiro do Oeste&rdquo;.<\/p>\n<p>Terminava ali a longa espera de Jo&atilde;o Gustavo Dobruski por respostas consistentes para o mist&eacute;rio dos ossos fossilizados. Seu pai, Alexandre, infelizmente n&atilde;o teve a mesma sorte. Falecido em 1986, n&atilde;o pode usufruir da felicidade de saber que, mesmo involuntariamente, deu uma grande contribui&ccedil;&atilde;o para a ci&ecirc;ncia e o progresso dos estudos sobre os animais que habitaram a nossa regi&atilde;o h&aacute; mais de 100 milh&otilde;es de anos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nFeita a descoberta, agora come&ccedil;am as&nbsp;escava&ccedil;&otilde;es para entender o mist&eacute;rio<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nH&aacute; 100 milh&otilde;es de anos, a regi&atilde;o que hoje abriga o Noroeste do Paran&aacute; era uma imensid&atilde;o des&eacute;rtica. Em meio aos amontoados de dunas, surgiam pequenas aglomera&ccedil;&otilde;es onde a vegeta&ccedil;&atilde;o vicejava e formava arbustos e ajuntamentos de gram&iacute;neas. Era um ambiente adverso, e totalmente inapropriado para a vida de pterossauros frug&iacute;voros, ou seja, que se alimentam basicamente de frutos. Como, ent&atilde;o, os f&oacute;sseis de pterossauro foram parar no subsolo de Cruzeiro do Oeste?<br \/>\nA hip&oacute;tese mais palp&aacute;vel que os pesquisadores Paulo C&eacute;sar Manzig e Luiz Carlos Weinschutz &ndash; ligados ao Centro Paleontol&oacute;gico (Cenp&aacute;leo) da Universidade do Contestado e autores do livro &ldquo;Museus &amp; F&oacute;sseis da Regi&atilde;o Sul do Brasil&rdquo; &ndash; encontraram para esta presen&ccedil;a incomum &eacute; a possibilidade de que a regi&atilde;o de Cruzeiro do Oeste fosse um tipo de &ldquo;o&aacute;sis&rdquo; em meio ao imenso Deserto Caiu&aacute;, concentrando uma umidade que permitisse a prolifera&ccedil;&atilde;o de esp&eacute;cies como o pterossauro.<\/p>\n<p>E agora, com a descoberta feita, come&ccedil;a o desafio da preserva&ccedil;&atilde;o e correta explora&ccedil;&atilde;o do s&iacute;tio arqueol&oacute;gico onde est&atilde;o localizadas as ossadas. Isso porque, se n&atilde;o houver um controle estrito, as provas cient&iacute;ficas podem come&ccedil;ar a se perder diante da sanha invasora de &ldquo;espertalh&otilde;es&rdquo; que coletar&atilde;o amostras para guardar na estante de casa ou, pior, tentar&atilde;o negociar os f&oacute;sseis por qualquer dinheiro que for oferecido.<\/p>\n<p>&ldquo;Estes f&oacute;sseis s&oacute; interessam a museus e centros de pesquisa. Ficar com fragmentos deles na estante de casa, al&eacute;m de ser crime, prejudica a pesquisa que est&aacute; s&oacute; come&ccedil;ando. Por isso, pedimos a quem encontrar estes f&oacute;sseis que encaminhe para a Unipar, que passa a ser parceira deste projeto junto com a Universidade do Contestado (UnC), a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e a Universidade Federal do Paran&aacute; (UFPR)&rdquo;, diz o pesquisador Luiz Carlos Weinschutz.<br \/>\nSegundo ele, as visitas cient&iacute;ficas ao &ldquo;jazigo fossil&iacute;fero&rdquo; de Cruzeiro do Oeste devem come&ccedil;ar dentro de tr&ecirc;s meses. Antes ser&aacute; feito um planejamento das a&ccedil;&otilde;es, bem como a intera&ccedil;&atilde;o entre as universidades envolvidas no projeto. A Prefeitura de Cruzeiro do Oeste j&aacute; anunciou a cria&ccedil;&atilde;o oficial de um s&iacute;tio arqueol&oacute;gico no local, para ajudar na preserva&ccedil;&atilde;o do terreno que abriga os ossos de pterossauro.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; preciso assegurar que este patrim&ocirc;nio permane&ccedil;a na regi&atilde;o e que a descoberta desse s&iacute;tio paleontol&oacute;gico reflita em contribui&ccedil;&otilde;es efetivas para Cruzeiro do Oeste, sobretudo nas &aacute;reas de educa&ccedil;&atilde;o e geoconserva&ccedil;&atilde;o, e que proporcione a m&eacute;dio prazo capacita&ccedil;&atilde;o de pessoal novo na paleontologia e &aacute;reas afins&rdquo;, dizem os pesquisadores no &uacute;ltimo par&aacute;grafo do cap&iacute;tulo dedicado ao &ldquo;pterossauro de Cruzeiro do Oeste&rdquo; no livro &ldquo;Museus &amp; F&oacute;sseis da Regi&atilde;o Sul do Brasil&rdquo;.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nComo eram os pterossauros<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nOs pterossauros (do latim cient&iacute;fico Pteurosauria) constituem uma ordem extinta da classe Reptilia (ou Sauropsida), que corresponde aos r&eacute;pteis voadores do per&iacute;odo Mesoz&oacute;ico. Embora sejam seus contempor&acirc;neos, estes animais n&atilde;o eram dinossauros. O grupo surgiu no Tri&aacute;ssico Superior e desapareceu h&aacute; 65 milh&otilde;es de anos.<\/p>\n<p>Os primeiros pterossauros tinham mand&iacute;bulas cheias de dentes e uma cauda longa, enquanto que as esp&eacute;cies do Cret&aacute;ceo quase n&atilde;o possu&iacute;am dentes numa mand&iacute;bula que parecia um bico e a cauda estava bastante reduzida. Alguns dos melhores f&oacute;sseis de pterossauros v&ecirc;m do planalto de Araripe, no Brasil.<\/p>\n<p>Os primeiros f&oacute;sseis de pterossauros foram descobertos em 1784 pelo naturalista italiano Cosimo Collini, que os interpretou como sendo de um animal aqu&aacute;tico. Foi s&oacute; no s&eacute;culo XIX que Georges Cuvier sugeriu se tratarem de animais voadores.<\/p>\n<p>As asas dos pterossauros eram constitu&iacute;das por membranas d&eacute;rmicas, fortalecidas por fibras, ligadas a partir do quarto dedo, que era desproporcionalmente longo. O pulso cont&eacute;m um osso extra, o pter&oacute;ide, que ajuda a suportar esta membrana. As asas dos pterossauros terminavam nos membros posteriores, ao contr&aacute;rio dos morcegos atuais, onde as asas s&atilde;o bra&ccedil;os modificados.<\/p>\n<p>Outras adapta&ccedil;&otilde;es para o voo inclu&iacute;am ossos ocos (como as aves modernas) e um esterno em forma de quilha, pr&oacute;prio para a fixa&ccedil;&atilde;o dos m&uacute;sculos usados no voo. Os pterossauros n&atilde;o tinham penas, mas h&aacute; evid&ecirc;ncias de que algumas esp&eacute;cies pudessem ter o corpo coberto de pelos (no entanto, diferente do dos mam&iacute;feros). O estilo de vida destes animais sugere que fossem de sangue quente (endot&eacute;rmicos). (Fonte: Wikip&eacute;dia)<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nUmuarama Ilustrado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornal  Ilustrado Umuarama traz, neste domingo, uma reportagem completa sobre o f\u00f3ssil de pterossauro encontrado em Cruzeiro do Oeste. 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