{"id":25018,"date":"2012-05-07T00:00:00","date_gmt":"2012-05-07T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/a-midia-a-direita-e-o-jornalismo-de-esgoto\/"},"modified":"2012-05-07T00:00:00","modified_gmt":"2012-05-07T03:00:00","slug":"a-midia-a-direita-e-o-jornalismo-de-esgoto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/a-midia-a-direita-e-o-jornalismo-de-esgoto\/","title":{"rendered":"A m\u00eddia, a direita e o jornalismo de esgoto"},"content":{"rendered":"<div>\n\tLeiam artigo de Jos&eacute; Dirceu sobre como a rela&ccedil;&atilde;o de alguns setores da m&iacute;dia com alas direitistas da pol&iacute;tica s&atilde;o prejudiciais ao debate imparcial na imprensa.&nbsp;<\/p>\n<p>\tAo ler a Carta Capital que est&aacute; nas bancas neste s&aacute;bado sinto-me com a alma lavada. N&atilde;o s&oacute; pela capa, brilhante, que coloca a foto de Robert Civita com o t&iacute;tulo &ldquo;Nosso Murdoch (voc&ecirc;s v&atilde;o ver logo o porqu&ecirc;), mas pela profundidade e pertin&ecirc;ncia, pela forma inteligente como coloca o debate sobre a quest&atilde;o da m&iacute;dia e do jornalismo no Brasil.<\/p><\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tCome&ccedil;o por uma cita&ccedil;&atilde;o de Lorde Puttnam, membro do Partido Trabalhista ingl&ecirc;s e que foi presidente da comiss&atilde;o do Parlamento que analisou a Lei de Comunica&ccedil;&atilde;o de 2003. N&atilde;o vou transcrever todo o artigo, publicado originalmente no The Observer, sob o t&iacute;tulo &ldquo;Pelo bom jornalismo&rdquo; , que merece ser lido por todos os que t&ecirc;m interesse no fortalecimento da democracia brasileira.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tLorde Puttnam escreve exatamente sobre como os pol&iacute;ticos transformaram-se em ref&eacute;ns de uma m&iacute;dia que, praticando um tipo de jornalismo de esgoto, gra&ccedil;as &agrave; fragilidade da regula&ccedil;&atilde;o e &agrave; tibieza dos pr&oacute;prios pol&iacute;ticos, acabaram facilitando o trabalho de Murdoch e fortalecendo a direita.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tDois trechos do artigo de Lord Puttnam<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tO primeiro, que situa o problema: &ldquo;Nos &uacute;ltimos 30 anos o imp&eacute;rio Murdoch tentou minar e desestabilizar governos eleitos e reguladores independentes, em nome de uma agenda pol&iacute;tica que, enquanto se ocultava por tr&aacute;s da cortina de fuma&ccedil;a da ortodoxia do livre-mercado, n&atilde;o &eacute; nada menos que uma tentativa sofisticada de maximizar o poder e a influ&ecirc;ncia da News Corporation e sua agenda populista de direita&rdquo;.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tO segundo, onde buscar a solu&ccedil;&atilde;o: &ldquo;Eu afirmaria que a lei da concorr&ecirc;ncia, em um setor &aacute;gil como a m&iacute;dia, deve ser capaz de levar em conta e fazer julgamentos com base em um dom&iacute;nio do mercado &ldquo;altamente prov&aacute;vel&rdquo;, assim como &ldquo;real&rdquo;. Isso exige uma clara estrutura regulat&oacute;ria que incentive e na verdade permita o florescimento da pluralidade da m&iacute;dia. N&atilde;o podemos, por exemplo, legislar pelo bom jornalismo, mas podemos legislar pelas condi&ccedil;&otilde;es sob as quais o melhor jornalismo &eacute; nutrido e sustentado. Podemos criar estruturas em que cada nova tecnologia se torne um incentivo &agrave; diversidade, e n&atilde;o um instrumento de sua eros&atilde;o&rdquo;.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tOs esgotos, l&aacute; e aqui<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tO texto de Lord Puttnam &eacute; o coroamento da edi&ccedil;&atilde;o que Carta Capital faz envolvendo os esc&acirc;ndalos da m&iacute;dia l&aacute; e aqui. L&aacute;, o assunto est&aacute; em andamento. N&atilde;o adiantou Murdoch fechar seu jornal de fofocas, o News of the World. Ele foi obrigado a prestar um depoimento de 10 horas devido ao chamado inqu&eacute;rito Levenson (utiliza&ccedil;&atilde;o ilegal de escutas telef&ocirc;nicas). No depoimento sa&iacute;ram comprometidas figuras como os ex-secret&aacute;rio de estado para a Cultura, Jeremy Hunt, o ex-primeiro ministro Tony Blair, assim como os atuais primeiros ministros da Inglaterra, David Cameron, e da Esc&oacute;cia, Alex Salmond. N&atilde;o &eacute; pouca coisa!<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tAqui, em reportagem de Cynara Menezes, com o t&iacute;tulo &ldquo;Os desinformantes&rdquo;, explica-se, afinal, por que a capa com Roberto Civita como o &ldquo;nosso Murdoch&rdquo;. A reportagem traz &agrave; luz as engrenagens de um sistema em que a revista de maior circula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s se prestou a promover os interesses do bicheiro Carlos Cachoeira. Traz, de forma mais esmiu&ccedil;ada, o que j&aacute; mostramos aqui: a troca de telefonemas entre o chefe da sucursal da revista em Bras&iacute;lia e a turma de Cachoeira; como se montaram reportagens de capa como aquela de 31 de agosto de 2011 em que se pretendeu juntar minha imagem &agrave; de um mafioso, com minha foto e o t&iacute;tulo &ldquo;O poderoso chef&atilde;o&rdquo;; a entrevista nas p&aacute;ginas amarelas com o senador Dem&oacute;stenes Torres, a&ccedil;&atilde;o dentro da estrat&eacute;gia de transform&aacute;-lo, quem sabe, em ministro do STF (sic); e como Cachoeira era transformado pela revista em um verdadeiro pauteiro e editor: al&eacute;m de indicar os conte&uacute;dos de notas e reportagens, era consultado tamb&eacute;m sobre onde deveriam ser publicadas, se na coluna Radar, ou ent&atilde;o na Veja.online ou, quem sabe e outro espa&ccedil;o mais &lsquo;nobre&rsquo;&#8230;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;Um &lsquo;olho&rsquo; revelador<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tAo lado da reprodu&ccedil;&atilde;o da capa com minha foto e da abertura da entrevista de Dem&oacute;stenes Torres, a edi&ccedil;&atilde;o de Carta Capital traz o seguinte &lsquo;olho&rsquo;: &ldquo;Den&uacute;ncias sem sustenta&ccedil;&atilde;o serviram para acuar os advers&aacute;rios do esquema criminoso&rdquo;.&nbsp;<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tA frase em destaque explica minha alma lavada. At&eacute; agora nenhuma publica&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica havia feito a rela&ccedil;&atilde;o. Para mim, que tenho uma hist&oacute;ria de milit&acirc;ncia pol&iacute;tica de esquerda, que tenho uma vida p&uacute;blica e um patrim&ocirc;nio moral a defender &ndash; minha pr&oacute;pria vida &ndash;, &eacute; importante que a verdade apare&ccedil;a no ambiente do jornalismo, que tem suas t&eacute;cnicas e sua &eacute;tica pr&oacute;pria, que s&oacute; pode prestar o servi&ccedil;o &agrave; sociedade quando exercita a busca pela verdade.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tVeja, um caso s&eacute;rio. Mas n&atilde;o &uacute;nico<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tComplementa o foco da edi&ccedil;&atilde;o de Carta Capital nos problemas da m&iacute;dia e do jornalismo brasileiros os textos do editor especial da revista publicado sob o t&iacute;tulo &ldquo;Veja, um caso s&eacute;rio&rdquo;, e o editorial de Mino Carta, que pergunta: &ldquo;Por que a m&iacute;dia nativa fecha-se em copas diante das rela&ccedil;&otilde;es entre Carlinhos Cachoeira e a revista Veja?&rdquo; (leia a &iacute;ntegra)<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tO pr&oacute;prio Mino responde: porque o jornalismo brasileiro sempre serviu &agrave; casa-grande, mesmo porque seus donos moravam e moram nela. Quanto a isso, ningu&eacute;m precisa se perder em explica&ccedil;&otilde;es mais detalhadas.<\/div>\n<div>\n\t&nbsp;<\/div>\n<div>\n\tMas at&eacute; quando continuar&aacute; assim? Os parlamentares que integram a CPMI podem ajudar a jogar luz nos mecanismos de como a m&iacute;dia e a direita (que, n&atilde;o por acaso, se confunde com os moradores da casa grande) se servem do mau jornalismo para esconder a verdade. E podem come&ccedil;ar convocando a dire&ccedil;&atilde;o da Veja para explicar como foi armado o conluio com a turma de Carlos Cachoeira. Ser&aacute; um bom come&ccedil;o para se pensar sobre o que e como fazer para, a exemplo do que diz Lorde Puttnam na Gr&atilde; Bretanha, criar por aqui tamb&eacute;m &ldquo;uma clara estrutura regulat&oacute;ria que incentive e na verdade permita o florescimento da pluralidade da m&iacute;dia&rdquo;.<br \/>\n\t&nbsp;<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leiam artigo de Jos\u00e9 Dirceu sobre como a rela\u00e7\u00e3o de alguns setores da m\u00eddia com alas direitistas da pol\u00edtica s\u00e3o prejudiciais ao debate imparcial na imprensa.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":25017,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2601,2960,776],"class_list":["post-25018","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-direita","tag-jornalismo","tag-midia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25018","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25018"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25018\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25017"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25018"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25018"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25018"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}