{"id":17119,"date":"2014-10-20T00:00:00","date_gmt":"2014-10-20T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/das-bombas-e-repressao-ate-o-dialogo-para-um-pacto-federativo\/"},"modified":"2024-12-10T17:46:49","modified_gmt":"2024-12-10T20:46:49","slug":"das-bombas-e-repressao-ate-o-dialogo-para-um-pacto-federativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/das-bombas-e-repressao-ate-o-dialogo-para-um-pacto-federativo\/","title":{"rendered":"Bolsa Fam\u00edlia chega aos 11 anos como refer\u00eancia mundial de distribui\u00e7\u00e3o de renda"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify\">O trabalho &aacute;rduo na ro&ccedil;a sempre fez parte da vida da agricultora S&ocirc;nia de Lurdes Nascimento Sobreira, 45 anos. Na luta contra a fome e o desemprego, ao lado do marido e dos quatro filhos, ela teve a vida transformada, em 2003, quando se tornou benefici&aacute;ria do programa Bolsa Fam&iacute;lia. A moradora da zona rural de S&atilde;o Sebasti&atilde;o da Lagoa da Ro&ccedil;a, no interior da Para&iacute;ba, integra o grupo de 50 milh&otilde;es de brasileiros assistidos pela iniciativa que completa 11 anos de exist&ecirc;ncia, nesta segunda-feira (20).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Casada h&aacute; 22 anos com o tamb&eacute;m agricultor Clodoaldo Olimpo Sobreira, S&ocirc;nia recorda a labuta exaustiva do casal no dia a dia. Ambos estudaram at&eacute; a quarta s&eacute;rie do ensino fundamental e sonham com um futuro melhor para os filhos, atualmente, com 4, 6, 16 e 20 anos de idade, respectivamente.A mudan&ccedil;a de vida teve in&iacute;cio h&aacute; 11 anos, quando S&ocirc;nia soube pela televis&atilde;o do programa Bolsa Fam&iacute;lia e come&ccedil;ou a acessar o benef&iacute;cio. O recurso do programa tem ajudado na compra de alimentos, roupas, transporte e material escolar para os filhos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&ldquo;Antes, a gente n&atilde;o tinha oportunidade de nada. Meu sonho &eacute; ver meus filhos estudando e bem de vida, com emprego, para n&atilde;o sofrer tanto como a gente sofreu&rdquo;, afirma. E este sonho est&aacute; se tornando realidade. A filha mais velha dos agricultores, Dayane Nascimento Sobreira, ser&aacute; a primeira pessoa da fam&iacute;lia a concluir o ensino superior.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Por meio do Sistema de Sele&ccedil;&atilde;o Unificada (Sisu), a jovem ingressou na Universidade Federal da Para&iacute;ba (UFPB), onde se formar&aacute; em Hist&oacute;ria no final do ano e far&aacute; p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Hoje, o filho do pobre consegue ser doutor. Meu maior sonho &eacute; ter um diploma de doutorado e ser professora em uma institui&ccedil;&atilde;o federal. Quero contribuir para um pa&iacute;s melhor&rdquo;, conta a estudante.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Retomada da esperan&ccedil;a &ndash; Realidades como a da fam&iacute;lia de S&ocirc;nia foram registradas de perto pelo cineasta S&eacute;rgio Machado. Ele dirigiu o filme &ldquo;Cidade Baixa&rdquo; e participou da produ&ccedil;&atilde;o, entre 1996 e 2001, de outros como &ldquo;Central do Brasil&rdquo; e &ldquo;Abril Despeda&ccedil;ado&rdquo;, de Walter Sales. Em 2012, junto ao diretor Fernando Coimbra, Machado iniciou a produ&ccedil;&atilde;o do document&aacute;rio &ldquo;Aqui deste Lugar&rdquo;, sobre os brasileiros e brasileiras beneficiados pelo programa Bolsa Fam&iacute;lia. A obra tem lan&ccedil;amento previsto para o in&iacute;cio de 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Segundo o cineasta, fome, mis&eacute;ria, estradas esburacadas, crian&ccedil;as pedindo esmolas, falta de &aacute;gua e energia el&eacute;trica, integravam o cen&aacute;rio desolador das regi&otilde;es do Nordeste visitadas por ele, em meados da d&eacute;cada de 1990. &ldquo;A sensa&ccedil;&atilde;o era de estar entrando num t&uacute;nel do tempo, de estar andando um s&eacute;culo para tr&aacute;s. Em alguns lugares, as pessoas n&atilde;o sabiam nem o que era um aparelho de televis&atilde;o e quem era o presidente&rdquo;, recorda.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Em 2012, com o intuito de gravar o novo filme, o cineasta visitou as mesmas regi&otilde;es nordestinas e teve grandes surpresas: as casas possu&iacute;am energia el&eacute;trica, n&atilde;o havia fome, muitas pessoas contavam com eletrodom&eacute;sticos, internet, aparelhos de telefone e celulares. Naquele momento, Machado decidiu iniciar o document&aacute;rio &ldquo;Aqui deste Lugar&rdquo;. Viajou desde a floresta Amaz&ocirc;nica at&eacute; a fronteira do Rio Grande do Sul para saber se as mudan&ccedil;as eram semelhantes em todas as regi&otilde;es brasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Foram realizadas centenas de entrevistas com benefici&aacute;rios do programa e uma das constata&ccedil;&otilde;es de Machado foi a quebra do ciclo geracional de pobreza nas fam&iacute;lias. &ldquo;N&atilde;o &eacute; como antes, em que a filha de uma empregada dom&eacute;stica era praticamente destinada a ser empregada dom&eacute;stica. Hoje ela tem perspectiva e possibilidade de sonhar com um futuro melhor&rdquo;, comenta.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Novos horizontes&nbsp;&ndash; Este &eacute; o caso de Analice Oliveira Souza, 46 anos, benefici&aacute;ria do Bolsa Fam&iacute;lia, de 2003 a 2008. Antes de receber o benef&iacute;cio, a moradora de S&atilde;o Vicente (SP) enfrentava longas jornadas de trabalho como empregada dom&eacute;stica para sustentar a fam&iacute;lia, composta por tr&ecirc;s filhos e o marido, Rosalvo da Concei&ccedil;&atilde;o Souza, ent&atilde;o desempregado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O recurso, pago no final do m&ecirc;s, a auxiliava na compra de alimentos para a casa, al&eacute;m de material e transporte escolar para os filhos. Com o programa, Analice passou a vislumbrar um futuro melhor para os filhos e para si mesma. &ldquo;Eu chamei minhas filhas e disse: eu passei a minha vida trabalhando como empregada dom&eacute;stica e n&atilde;o quero voc&ecirc;s trabalhando assim, eu quero voc&ecirc;s doutoras&rdquo;, relembra.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Por problemas de sa&uacute;de, atualmente Analice tem se dedicado apenas ao lar. O marido trabalha como ajudante de pedreiro. Os filhos est&atilde;o empregados ou estudando. Ricardo, 23, trabalha na Petrobras; Vanessa, 20, cursa a faculdade de Direito financiada pelo Fies, na Unicamp; e Vit&oacute;ria, 18, ingressou, pelo Sisu, na Universidade Federal de Santos, onde cursa Fisioterapia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">As mudan&ccedil;as vivenciadas pela fam&iacute;lia e a melhoria na condi&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica ajudaram a realizar reformas na antiga casa de madeira onde viviam, que sofria inunda&ccedil;&otilde;es nos tempos de chuva. Al&eacute;m de ver os filhos encaminhados e empregados, Analice tamb&eacute;m quer realizar, no in&iacute;cio de 2015, um sonho individual: voltar a estudar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Revolu&ccedil;&atilde;o feminina&nbsp;&ndash; Segundo o Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Social e Combate &agrave; Fome, 93% dos titulares do cart&atilde;o do programa s&atilde;o mulheres. Para a pesquisadora e soci&oacute;loga, Walquiria Domingues Le&atilde;o R&ecirc;go, isso deu a elas mais independ&ecirc;ncia no n&uacute;cleo familiar e na sociedade. Em conjunto com o fil&oacute;sofo italiano Alessandro Pinzani, Walquiria escreveu o livro Vozes do Bolsa Fam&iacute;lia &ndash; Autonomia, dinheiro e cidadania, lan&ccedil;ado em 2013.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A publica&ccedil;&atilde;o abrange um trabalho de pesquisa realizado entre os anos de 2006 e 2011, nas regi&otilde;es do sert&atilde;o de Alagoas, periferia de Recife, al&eacute;m dos estados do Maranh&atilde;o, Piau&iacute; e no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Das mais de 300 entrevistas realizadas com benefici&aacute;rias do programa, 150 foram utilizadas no livro, que concorreu, neste ano, ao Pr&ecirc;mio Jabuti, o mais importante do meio liter&aacute;rio brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&ldquo;Foi impressionante como as benefici&aacute;rias ganharam um pouco mais de liberdade pessoal, dignidade e habilidades para administrar o recurso&rdquo;, comenta a soci&oacute;loga. Segundo ela, al&eacute;m de promover maior autonomia, o programa tamb&eacute;m ajudou a reduzir os &iacute;ndices de mortalidade infantil e contribuiu para o crescimento saud&aacute;vel das crian&ccedil;as assistidas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">M&atilde;e e solteira, a dona de casa Andreia de Castro Reis, 31, &eacute; uma das milh&otilde;es de mulheres que tiveram no programa o amparo necess&aacute;rio para sustentar os filhos. Atualmente, ela vive com a filha de 5 anos de idade, dois g&ecirc;meos de 11 meses e com a m&atilde;e, Efig&ecirc;nia Nunes, 56, em Teresina, no Piau&iacute;. Segundo ela, o benef&iacute;cio que recebe h&aacute; dois anos &eacute; de grande ajuda para alimentar as crian&ccedil;as, pois, no momento, ela est&aacute; desempregada.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&ldquo;As pessoas que n&atilde;o usam o Bolsa Fam&iacute;lia acham que as mulheres s&oacute; t&ecirc;m filhos para ter o benef&iacute;cio. Esse benef&iacute;cio n&atilde;o &eacute; para a gente, ele ajuda a suas crian&ccedil;as a terem coisas que voc&ecirc; n&atilde;o pode dar&rdquo;, comenta. Atualmente, Andreia sonha em conseguir um emprego, ver os filhos formados e ter uma casa pr&oacute;pria.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Supera&ccedil;&atilde;o do preconceito&nbsp;&ndash; Desde que foi criado, o programa Bolsa Fam&iacute;lia e seus benefici&aacute;rios enfrentam preconceitos e estere&oacute;tipos. Para a pesquisadora Walquiria Le&atilde;o, atitudes como essa s&atilde;o causadas por uma cultura do desprezo aos pobres no pa&iacute;s. &ldquo;Quando se estuda pobreza no Brasil n&atilde;o podemos nos esquecer de que houve 300 anos de escravid&atilde;o impune na hist&oacute;ria e na mem&oacute;ria. A escravid&atilde;o criou h&aacute;bitos, condutas, modos de pensar, de viver e de olhar os pobres, muito duros&rdquo;, analisa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Segundo ela, &eacute; necess&aacute;rio inverter este longo processo de exclus&atilde;o de domina&ccedil;&atilde;o, causa do tratamento degradante dispensado &agrave; popula&ccedil;&atilde;o pobre brasileira. &ldquo;Os m&uacute;ltiplos efeitos desse programa n&atilde;o podem ser amesquinhados ou vistos de maneira preconceituosa. O Bolsa Fam&iacute;lia foi uma grande experi&ecirc;ncia social que precisa ser rediscutida e complementada por outras pol&iacute;ticas p&uacute;blicas&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Durantes as viagens realizadas para a grava&ccedil;&atilde;o do document&aacute;rio &ldquo;Aqui deste Lugar&rdquo;, o cineasta S&eacute;rgio Machado constatou que os benefici&aacute;rios da iniciativa n&atilde;o se acomodam por receber o dinheiro do Bolsa Fam&iacute;lia. &ldquo;Est&aacute; na cara que esse programa teve efeito e que &eacute; uma pol&iacute;tica de sucesso. Para mim, &eacute; bem claro que n&atilde;o existe acomoda&ccedil;&atilde;o, porque o dinheiro &eacute; o m&iacute;nimo para as pessoas se alimentarem&rdquo;, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Para ele, muito al&eacute;m de garantir renda, o programa aumentou a autoestima da popula&ccedil;&atilde;o. De acordo com o cineasta, essa e outras iniciativas de inclus&atilde;o social e de promo&ccedil;&atilde;o do acesso a bens e servi&ccedil;os precisam ser ainda mais ampliadas no pa&iacute;s. &ldquo;O programa Bolsa Fam&iacute;lia e outros como o Minha Casa, Minha Vida e Luz Para Todos, mudaram bastante a cara do Brasil. Falta muito para chegarmos ao pa&iacute;s que a gente quer e merece, mas acho que j&aacute; caminhamos bastante nesses &uacute;ltimos 12 anos e espero que, nos pr&oacute;ximos 12 anos, a gente n&atilde;o volte para tr&aacute;s&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Fonte: Ag&ecirc;ncia PT de Not&iacute;cias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atualmente, 50 milh\u00f5es de pessoas s\u00e3o beneficiadas pelo programa criado pelo PT e copiado em todo o mundo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18018,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1723,876,75,1900,902],"class_list":["post-17119","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-auxilio-financeiro","tag-bolsa","tag-familia","tag-miseria","tag-pobreza"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17119"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17119\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18018"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}