{"id":16926,"date":"2014-08-25T00:00:00","date_gmt":"2014-08-25T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/inauguracao-de-creche-em-formosa-do-oeste\/"},"modified":"2024-12-10T17:47:53","modified_gmt":"2024-12-10T20:47:53","slug":"inauguracao-de-creche-em-formosa-do-oeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/inauguracao-de-creche-em-formosa-do-oeste\/","title":{"rendered":"Os 60 anos do tiro que mudou a hist\u00f3ria do Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify\">Mais longevo presidente brasileiro, com 18 anos e meio de mandatos em dois per&iacute;odos distintos, entre os anos de 1937 e 1954, Get&uacute;lio Dornelles Vargas suicidou-se em 24 de agosto de 1954. Hoje, a morte tr&aacute;gica do presidente completa 60 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&ldquo;Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na hist&oacute;ria&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O primeiro mandato de Vargas teve 15 anos ininterruptos (de 1930 a 1945) e o segundo, com tr&ecirc;s anos e meio, de 31 de janeiro de 1951 at&eacute; a sua morte. Ele ficou conhecido como o &lsquo;pai dos pobres&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O tiro que ele disparou contra o pr&oacute;prio cora&ccedil;&atilde;o durante a madrugada, dentro do seu quarto no Pal&aacute;cio do Catete, ent&atilde;o resid&ecirc;ncia oficial da presid&ecirc;ncia ainda no Rio de Janeiro, foi planejado em detalhes. Horas antes de materializar sua pr&oacute;pria morte, ele redigiu a carta-testamento que dirigiu ao povo brasileiro para justificar o gesto extremo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&ldquo;Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofere&ccedil;o a minha morte. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na Hist&oacute;ria&rdquo;, registrou em carta antes de suicidar-se.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O estopim da crise que levou o ga&uacute;cho Vargas a se matar foi aceso 19 dias antes, quando o jornalista Carlos Lacerda, declarado inimigo do presidente desde a campanha presidencial em 1950, na madrugada de 5 de agosto, sofreu um atentado &agrave; bala na rua dos Toneleros, seu endere&ccedil;o em Copacabana.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">As dificuldades pol&iacute;ticas que Get&uacute;lio teve desde a sua posse, ap&oacute;s vencer elei&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas pelo voto direto para um segundo mandato (1951-1954), &eacute; que ajudaram a compor e formar o quadro de condi&ccedil;&otilde;es que o levariam ao atentado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Vargas j&aacute; n&atilde;o suportava as press&otilde;es que lhe faziam setores empresariais e pol&iacute;ticos, especialmente a Uni&atilde;o Democr&aacute;tica Nacional (UDN), partido de Lacerda, autor de ferrenhos e mordazes ataques ao presidente pelas p&aacute;ginas do seu jornal (fundado em 1949), Tribuna da Imprensa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ira &#8211;&nbsp;Vargas conquistou a ira do empresariado por ter concedido reajuste de 100% ao sal&aacute;rio m&iacute;nimo naquele ano de 54 e por ter, ap&oacute;s a vitoriosa campanha &ldquo;o petr&oacute;leo &eacute; nosso&rdquo;, fundado a Petrobr&aacute;s em outubro do ano anterior. Os empres&aacute;rios rejeitavam a exclus&atilde;o da iniciativa privada do projeto de nacionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o do petr&oacute;leo com a funda&ccedil;&atilde;o da empresa estatal.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&ldquo;N&atilde;o me acusam, insultam; n&atilde;o me combatem, caluniam, e n&atilde;o me d&atilde;o o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha a&ccedil;&atilde;o, para que eu n&atilde;o continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes&rdquo;, escreveu Get&uacute;lio.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Lacerda foi atingido no atentado diante de sua casa, mas a &uacute;nica v&iacute;tima foi o major da Aeron&aacute;utica Rubens Vaz, seu acompanhante e protetor. O militar fazia parte de um grupo de jovens militares que passaram a proteg&ecirc;-lo de um poss&iacute;vel atentado &ndash; que efetivamente se confirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ferido no p&eacute; e medicado, Lacerda partiu para o ataque e passou a acusar o Pal&aacute;cio do Catete de abrigar o mandante do crime. As investiga&ccedil;&otilde;es do Inqu&eacute;rito Policial Militar (IPM) aberto por ordem do governo, por press&atilde;o da m&iacute;dia e da opini&atilde;o p&uacute;blica, acabou levando &agrave; pris&atilde;o dos autores do ataque e envolveram o chefe da guarda pessoal de Get&uacute;lio Vargas, Greg&oacute;rio Fortunato, e o irm&atilde;o dele, Benjamin Vargas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A conclus&atilde;o do IPM indicou a exist&ecirc;ncia de s&oacute;lidos ind&iacute;cios da participa&ccedil;&atilde;o da guarda no atentado. O presidente passou a ser pressionado tamb&eacute;m por pol&iacute;ticos e militares. O vice-presidente Caf&eacute; Filho aderiu aos opositores para fazer com que Vargas renunciasse ao cargo. O epis&oacute;dio produziu no presidente a rea&ccedil;&atilde;o que ainda ecoa na hist&oacute;ria do Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&ldquo;Nada mais vos posso dar, a n&atilde;o ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de algu&eacute;m, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofere&ccedil;o em holocausto a minha vida&rdquo;, registrou o ent&atilde;o presidente da Rep&uacute;blica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Mas a como&ccedil;&atilde;o e indigna&ccedil;&atilde;o com o suic&iacute;dio levou a opini&atilde;o p&uacute;blica a uma avalia&ccedil;&atilde;o reversa dos acontecimentos e obrigou Carlos Lacerda a fugir do pa&iacute;s. Ele temia a f&uacute;ria da popula&ccedil;&atilde;o, ao tornar-se o principal respons&aacute;vel pela morte de Vargas. At&eacute; hoje Get&uacute;lio &eacute; reverenciado por partidos pol&iacute;ticos e suas realiza&ccedil;&otilde;es inspiram seguidores e seus seguidores, como Leonel Brizola, morto h&aacute; 10 anos, em 21 de abril de 2004.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Leia a &iacute;ntegra carta testamento:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&ldquo;Mais uma vez, as for&ccedil;as e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. N&atilde;o me acusam, insultam; n&atilde;o me combatem, caluniam, e n&atilde;o me d&atilde;o o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha a&ccedil;&atilde;o, para que eu n&atilde;o continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Sigo o destino que me &eacute; imposto. Depois de dec&ecirc;nios de dom&iacute;nio e espolia&ccedil;&atilde;o dos grupos econ&ocirc;micos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolu&ccedil;&atilde;o e venci. Iniciei o trabalho de liberta&ccedil;&atilde;o e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos bra&ccedil;os do povo. A campanha subterr&acirc;nea dos grupos internacionais aliou-se &agrave; dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordin&aacute;rios foi detida no Congresso. Contra a justi&ccedil;a da revis&atilde;o do sal&aacute;rio m&iacute;nimo se desencadearam os &oacute;dios. Quis criar liberdade nacional na potencializa&ccedil;&atilde;o das nossas riquezas atrav&eacute;s da Petrobr&aacute;s e, mal come&ccedil;a esta a funcionar, a onda de agita&ccedil;&atilde;o se avoluma. A Eletrobr&aacute;s foi obstaculada at&eacute; o desespero. N&atilde;o querem que o trabalhador seja livre.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">N&atilde;o querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacion&aacute;ria que destru&iacute;a os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcan&ccedil;avam at&eacute; 500% ao ano. Nas declara&ccedil;&otilde;es de valores do que import&aacute;vamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milh&otilde;es de d&oacute;lares por ano. Veio a crise do caf&eacute;, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu pre&ccedil;o e a resposta foi uma violenta press&atilde;o sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Tenho lutado m&ecirc;s a m&ecirc;s, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma press&atilde;o constante, incessante, tudo suportando em sil&ecirc;ncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a n&atilde;o ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de algu&eacute;m, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofere&ccedil;o em holocausto a minha vida.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater &agrave; vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por v&oacute;s e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a for&ccedil;a para a rea&ccedil;&atilde;o. Meu sacrif&iacute;cio vos manter&aacute; unidos e meu nome ser&aacute; a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue ser&aacute; uma chama imortal na vossa consci&ecirc;ncia e manter&aacute; a vibra&ccedil;&atilde;o sagrada para a resist&ecirc;ncia. Ao &oacute;dio respondo com o perd&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vit&oacute;ria. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo n&atilde;o mais ser&aacute; escravo de ningu&eacute;m. Meu sacrif&iacute;cio ficar&aacute; para sempre em sua alma e meu sangue ser&aacute; o pre&ccedil;o do seu resgate. Lutei contra a espolia&ccedil;&atilde;o do Brasil. Lutei contra a espolia&ccedil;&atilde;o do povo. Tenho lutado de peito aberto. O &oacute;dio, as inf&acirc;mias, a cal&uacute;nia n&atilde;o abateram meu &acirc;nimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofere&ccedil;o a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na Hist&oacute;ria. Get&uacute;lio Vargas&rdquo;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Por M&aacute;rcio Morais, da Ag&ecirc;ncia PT de Not&iacute;cias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente Vargas ficou no poder por mais de 18 anos e trouxe reformas que ainda hoje beneficiam os trabalhadores brasileiros<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18206,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2567,801,2565,950,2566],"class_list":["post-16926","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-2567","tag-anos","tag-getulio","tag-presidente","tag-vargas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16926","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16926"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16926\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18206"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16926"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16926"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16926"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}