{"id":16710,"date":"2014-07-10T00:00:00","date_gmt":"2014-07-10T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/governo-federal-libera-r-475-mil-para-obras-de-abastecimento-em-quatro-pontes\/"},"modified":"2024-12-10T17:49:08","modified_gmt":"2024-12-10T20:49:08","slug":"governo-federal-libera-r-475-mil-para-obras-de-abastecimento-em-quatro-pontes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/governo-federal-libera-r-475-mil-para-obras-de-abastecimento-em-quatro-pontes\/","title":{"rendered":"L\u00edder do governo \u00e9 condenado por propaganda il\u00edcita"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify\">O l&iacute;der do governador Beto Richa (PSDB) na Assembleia legislativa, deputado Ademar Traiano (PSDB), foi condenado pela Justi&ccedil;a Eleitoral por propaganda il&iacute;cita.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nA decis&atilde;o do desembargador Guido D&ouml;beli, que atende a pedido da candidata a governadora pela coliga&ccedil;&atilde;o Paran&aacute; Olhando Pra Frente, Gleisi Hoffmann (PT), condena o deputado tucano ao pagamento de multa de R$ 5 mil.<\/p>\n<p>\nNos meses que antecederam o in&iacute;cio da campanha eleitoral, Traiano utilizou um blog na internet para atacar a candidata petista.<\/p>\n<p>\nDe acordo com o magistrado, o l&iacute;der do governo violou o artigo 36 da Lei Eleitoral (9.504\/97) que prev&ecirc; que &ldquo;a propaganda eleitoral somente &eacute; permitida ap&oacute;s o dia 5 de julho do ano da elei&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>\nEm seu despacho, o desembargador afirma que &ldquo;ao contr&aacute;rio do que sustenta o representado, os textos por ele publicados &#8211; por conter palavras ofensivas &agrave; honra da representada &#8211; n&atilde;o revelam apenas a ocorr&ecirc;ncia de cr&iacute;ticas mais acirradas&rdquo;.<\/p>\n<p>\nO coordenador jur&iacute;dico da campanha de Gleisi, Luiz Fernando Pereira, explica que a propaganda eleitoral positiva ou negativa antecipada &eacute; ilegal. &ldquo;A legisla&ccedil;&atilde;o &eacute; clara. O deputado n&atilde;o pode alegar desconhecimento. J&aacute; v&iacute;nhamos monitorando este tipo de pr&aacute;tica h&aacute; alguns meses&rdquo;, completa.<\/p>\n<p>\nDespacho&nbsp;&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Decis&atilde;o Monocr&aacute;tica com resolu&ccedil;&atilde;o de m&eacute;rito em 09\/07\/2014 &#8211; RP N&ordm; 14263 DES. GUIDO JOS&Eacute; D&Ouml;BELI<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Representante: Gleisi Helena Hoffmann&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Representado: Ademar Luiz Traiano<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">I &#8211; RELAT&Oacute;RIO<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Trata-se de Representa&ccedil;&atilde;o proposta por GLEISI HELENA HOFFMANN, pr&eacute;-candidata ao governo do Estado pelo Partido dos Trabalhadores (&agrave; &eacute;poca da distribui&ccedil;&atilde;o do feito), em face de ADEMAR LUIZ TRAIANO, Deputado Estadual e ent&atilde;o pr&eacute;-candidato &agrave; reelei&ccedil;&atilde;o, visando apurar a realiza&ccedil;&atilde;o de suposta propaganda eleitoral antecipada negativa, em viola&ccedil;&atilde;o ao disposto no artigo 36 da Lei n&ordm; 9.504\/97.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Afirma a representante que Ademar Luiz Traiano estaria veiculando em sua coluna localizada no blog&nbsp;www.esmaelmorais.com.br, mat&eacute;rias de cunho eleitoral voltadas &agrave; desconstru&ccedil;&atilde;o de sua imagem com o objetivo de prejudicar sua futura candidatura, uma vez que se consubstanciam em antecipa&ccedil;&atilde;o do pleito, pois sugerem que n&atilde;o se vote na representada; Alega, ademais, a representante que a imunidade parlamentar n&atilde;o possibilita a realiza&ccedil;&atilde;o de ofensas pessoais desconexas com o exerc&iacute;cio do mandato e produzidas fora da Assembl&eacute;ia Legislativa. Frisa que o objeto central da presente representa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o as inj&uacute;rias e sim a propaganda negativa realizada antes do per&iacute;odo permitido, pelo que pede a condena&ccedil;&atilde;o do representado nas penas do art. 36, &sect;3&ordm; da Lei 9.504\/97 em seu grau m&aacute;ximo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Em resposta de fl. 57\/60, o representado sustenta inexistir propaganda eleitoral antecipada tendo em vista que, com esteio no art. 36-A, V, da Lei 9.504\/97, realizou critica &agrave; atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da pr&eacute;-candidata enquanto Senadora e Ministra Chefe da Casa Civil, no exerc&iacute;cio do direito &agrave; livre manifesta&ccedil;&atilde;o; Argumenta que a despeito de realizar a divulga&ccedil;&atilde;o em raz&atilde;o do mandato que exerce, n&atilde;o seria necess&aacute;rio invocar a imunidade parlamentar j&aacute; que enquanto cidad&atilde;o estaria apto a manifestar seu pensamento, mas que a qualidade de deputado federal lhe confere maior legitimidade para defender os interesses do Estado, expondo publicamente sua opini&atilde;o; Alega que a representada h&aacute; muito vem se apresentando como pr&eacute;-candidata, mas que tenta blindar-se das cr&iacute;ticas a que est&aacute; exposta enquanto figura pol&iacute;tica, judicializando o debate eminentemente pol&iacute;tico, utilizando-se da Justi&ccedil;a Eleitoral como ferramenta para evitar manifesta&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias aos seus interesses.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nSalienta que a maioria das cr&iacute;ticas objeto da representa&ccedil;&atilde;o referem-se ao bloqueio de empr&eacute;stimos ao Estado do Paran&aacute;, fato amplamente divulgado pela imprensa; assevera que h&aacute; espa&ccedil;o no pr&oacute;prio blog do Esmael para que os deputados do Partido dos Trabalhadores respondam &agrave;s publica&ccedil;&otilde;es; lembra que a acridez &eacute; intr&iacute;nseca ao debate pol&iacute;tico e arremata pedindo a improced&ecirc;ncia da representa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nO ilustre Procurador Regional Eleitoral Auxiliar manifestou-se pela legitimidade ativa de pr&eacute;-candidatos para o ajuizamento de representa&ccedil;&otilde;es eleitorais e, no m&eacute;rito, pela proced&ecirc;ncia da Representa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n&Eacute; o relat&oacute;rio.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">II &#8211; FUNDAMENTA&Ccedil;&Atilde;O<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Trata-se de Representa&ccedil;&atilde;o proposta por Gleisi Helena Hoffmann em face de Ademar Luiz Traiano, fulcrada no art. 36 da Lei 9.504\/97, sob alega&ccedil;&atilde;o de que o representado veiculou propaganda eleitoral antecipada negativa em desfavor da representante, por meio de publica&ccedil;&otilde;es em sua coluna no blog&nbsp;www.esmaelmorais.com.br&nbsp;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Segundo narra a representante, enquanto busca respeitar as limita&ccedil;&otilde;es de exposi&ccedil;&atilde;o de seu nome, o representado faz campanha negativa e depreciativa antecipando o debate acerca das futuras Elei&ccedil;&otilde;es com objetivo eleitoreiro na medida em que, para al&eacute;m da cr&iacute;tica permitida avan&ccedil;a para a ofensa pessoal, denegrindo sua imagem induzindo o eleitor a t&ecirc;-la como inapta para o cargo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nDa legitimidade ativa da representante:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nEmbora se trate de preliminar n&atilde;o suscitada pelo representado, parto da an&aacute;lise do tema considerando a manifesta&ccedil;&atilde;o da Procuradoria Regional Eleitoral Auxiliar pela assun&ccedil;&atilde;o do p&oacute;lo ativo, caso se considerasse ileg&iacute;tima a representante, em raz&atilde;o de n&atilde;o ostentar a qualidade de candidata por ocasi&atilde;o da propositura da demanda.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Sabe-se que, com a inser&ccedil;&atilde;o do artigo 36-A na Lei 9.504\/97, promovida pela Lei 12.034\/2009, a legisla&ccedil;&atilde;o eleitoral reconheceu a exist&ecirc;ncia do pr&eacute;-candidato na medida em que, colhendo da realidade que as pr&eacute;-candidaturas proliferam de maneira natural muito antes das conven&ccedil;&otilde;es, estabeleceu regras que viabilizam a conviv&ecirc;ncia entre a natural exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; m&iacute;dia da figura do pr&eacute;-candidato e a proibi&ccedil;&atilde;o expressa de propaganda eleitoral antes do per&iacute;odo de campanha.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nNa mesma esteira, tal como salientado pela Procuradoria Regional Eleitoral Auxiliar, a jurisprud&ecirc;ncia tem avan&ccedil;ado para possibilitar o controle a posteriori da Justi&ccedil;a Eleitoral sobre divulga&ccedil;&atilde;o de material de conte&uacute;do eleitoreiro, ainda que em per&iacute;odo anterior ao das conven&ccedil;&otilde;es partid&aacute;rias, quando verificado conte&uacute;do ofensivo &agrave; honra e &agrave; dignidade de futuro candidato, em franco transpasse dos limites do livre exerc&iacute;cio da liberdade de express&atilde;o, de informa&ccedil;&atilde;o ou de cr&iacute;tica &agrave; atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Da mesma forma h&aacute; que se reconhecer que embora a literalidade do artigo 36 da lei 9.504\/97 mencione a figura do candidato dentre os legitimados para a&nbsp;propositura das Representa&ccedil;&otilde;es por seu descumprimento, n&atilde;o se pode privar da mesma tutela o pr&eacute;-candidato, principalmente porque sua insurg&ecirc;ncia provavelmente decorre de propaganda negativa tamb&eacute;m anterior ao registro das candidaturas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nDestarte, reconhe&ccedil;o a legitimidade ativa da pr&eacute;-candidata representante Gleisi Helena Hoffmann.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nDo m&eacute;rito:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">No m&eacute;rito, tenho que o ponto fulcral para o deslinde da quest&atilde;o est&aacute; em estabelecer, primeiro, a possibilidade de acobertamento das manifesta&ccedil;&otilde;es do representado pelo manto da imunidade parlamentar e, uma vez superada a quest&atilde;o, verificar a aplicabilidade &agrave; hip&oacute;tese da regra permissiva do art. 36-A, V, da Lei 9.504\/97 (inclu&iacute;do pela Lei 12.891\/2013) diante da alegada manifesta&ccedil;&atilde;o pessoal sobre quest&otilde;es pol&iacute;ticas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Acerca da alegada imunidade parlamentar, cumpre-me destacar que a cl&aacute;usula constitucional da inviolabilidade (CF, art. 53, &quot;caput&quot;) destina-se a viabilizar o exerc&iacute;cio independente do mandato representativo, de modo que protege o parlamentar, desde que as suas manifesta&ccedil;&otilde;es guardem conex&atilde;o ou tenham sido proferidas em raz&atilde;o do desempenho da fun&ccedil;&atilde;o legislativa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Nesse sentido, a doutrina tem pacificado que, para legitimamente proteger o parlamentar, a imunidade material sup&otilde;e a exist&ecirc;ncia do necess&aacute;rio nexo entre as declara&ccedil;&otilde;es moralmente ofensivas e a pr&aacute;tica inerente ao of&iacute;cio legislativo, de modo que n&atilde;o se estende a palavras, nem a manifesta&ccedil;&otilde;es do congressista estranhas ao exerc&iacute;cio do mandato.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Veja-se, a respeito, doutrina de Alexandre de Moraes:&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">&quot;A imunidade material exige rela&ccedil;&atilde;o entre as condutas praticadas pelo parlamentar e o exerc&iacute;cio do mandato. Assim, haver&aacute; integral aplicabilidade desta inviolabilidade, desde que as palavras, votos e opini&otilde;es decorram do desempenho das fun&ccedil;&otilde;es parlamentares, e n&atilde;o necessariamente exige-se que sejam praticadas nas comiss&otilde;es ou no plen&aacute;rio do Congresso Nacional. Ressalte-se, por&eacute;m, ainda, que as manifesta&ccedil;&otilde;es dos parlamentares forem feitas fora do exerc&iacute;cio estrito do mandato, mas, em conseq&uuml;&ecirc;ncia deste, estar&atilde;o abrangidas pela imunidade material&quot; .<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Na mesma esteira, leciona Gilmar Ferreira Mendes:&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">&quot;A imunidade tem alcance limitado pela pr&oacute;pria finalidade que a enseja. Cobra-se que o ato, para ser tido como imune &agrave; censura penal e c&iacute;vel, tenha sido praticado pelo congressista em conex&atilde;o com o exerc&iacute;cio do seu mandato. Apurado que o acontecimento se inclui no &acirc;mbito da imunidade material n&atilde;o cabe sequer indagar se o fato, objetivamente, poderia ser tido como crime.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Se a manifesta&ccedil;&atilde;o oral ocorre no recinto parlamentar, a jurisprud&ecirc;ncia atual d&aacute; como assentada a exist&ecirc;ncia da imunidade. Se as palavras s&atilde;o proferidas fora do Congresso, haver&aacute; a necessidade de se perquirir o seu v&iacute;nculo com a atividade de representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&quot; . Grifo nosso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">A prop&oacute;sito, arremata Pedro Lenza:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">&quot;(&#8230;) N&atilde;o importa, pois, a denomina&ccedil;&atilde;o que se d&ecirc;. O importante &eacute; saber que a imunidade material (inviolabilidade) impede que o parlamentar seja condenado penal, civil, pol&iacute;tica e administrativamente (disciplinarmente). Trata-se de irresponsabilidade geral, desde que, &eacute; claro, tenha ocorrido o fato em raz&atilde;o do exerc&iacute;cio do mandato e da fun&ccedil;&atilde;o parlamentar (&#8230;).&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">A imunidade material prevista no art. 53, caput, da CF (`Os Deputados e Senadores s&atilde;o inviol&aacute;veis por suas opini&otilde;es, palavras e votos&iquest;) alcan&ccedil;a a responsabilidade civil decorrente dos atos praticados por parlamentares no exerc&iacute;cio de suas fun&ccedil;&otilde;es. &Eacute; necess&aacute;rio, entretanto, analisar-se, caso a caso, as circunst&acirc;ncias dos atos questionados para verificar a rela&ccedil;&atilde;o de pertin&ecirc;ncia com a atividade parlamentar.(..).&quot;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">A an&aacute;lise de express&otilde;es extra&iacute;das de pequenas passagens nas colunas do representado, veiculadas no blog do Esmael, tais como &quot;dama do trambique&quot; , &quot;doida demais&quot; e &quot;musa do mensal&atilde;o&quot; , revela posicionamento pessoal do representado, sem correla&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica com a sua atua&ccedil;&atilde;o como deputado estadual.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nA respeito do tema, cabe destacar a orienta&ccedil;&atilde;o do Supremo Tribunal Federal acerca da viola&ccedil;&atilde;o das regras eleitorais ou ofensa ao direito dos participantes do processo eleitoral:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&quot;EMENTA: EMBARGOS DECLARAT&Oacute;RIOS CONVERTIDOS EM AGRAVO REGIMENTAL. INDENIZA&Ccedil;&Atilde;O POR DANOS MORAIS. DEN&Uacute;NCIAS APRESENTADAS POR DEPUTADO EM CAMPANHA ELEITORAL PARA CARGO DIVERSO. IMUNIDADE PARLAMENTAR. ART. 53, DA CONSTITUI&Ccedil;&Atilde;O. N&Atilde;O ABRANG&Ecirc;NCIA. ENUNCIADO 279 DA S&Uacute;MULA\/STF. Quando as palavras desabonadoras s&atilde;o proferidas fora do recinto destinado &agrave; representa&ccedil;&atilde;o parlamentar, a jurisprud&ecirc;ncia do STF exige um liame entre as declara&ccedil;&otilde;es questionadas e o exerc&iacute;cio de atividade pol&iacute;tica relacionada ao mandato, ainda que com este n&atilde;o guardem correla&ccedil;&atilde;o formal. No caso em apre&ccedil;o, as graves den&uacute;ncias imputadas pelo deputado-agravante ao magistrado-agravado foram apresentadas em com&iacute;cios eleitorais, quando aquele agia, n&atilde;o no exerc&iacute;cio de suas t&iacute;picas fun&ccedil;&otilde;es pol&iacute;tico-parlamentares, mas na qualidade de candidato a cargo de Prefeito, interessado exclusivamente em inviabilizar candidatura alheia. Disso decorre a aus&ecirc;ncia do liame necess&aacute;rio &agrave; incid&ecirc;ncia da imunidade. Do contr&aacute;rio, transmutar-se-ia a garantia em ileg&iacute;tima vantagem eleitoral em face dos advers&aacute;rios do ofensor. Precedentes. (..) Agravo regimental a que se nega provimento&quot; .( AI 657235 ED \/ MA &#8211; MARANH&Atilde;O. EMB.DECL. NO AGRAVO DE INSTRUMENTO, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA. Julgamento: 07\/12\/2010. &Oacute;rg&atilde;o Julgador: Segunda Turma. DJe-020 DIVULG 31-01-2011 PUBLIC 01-02-2011. EMENT VOL-02454-07 PP-01790)<\/p>\n<p>\n&quot;E M E N T A: INTERPELA&Ccedil;&Atilde;O JUDICIAL &#8211; PEDIDO DE EXPLICA&Ccedil;&Otilde;ES AJUIZADO CONTRA DEPUTADO FEDERAL (CP, ART. 144) &#8211; POSSIBILIDADE DESSA MEDIDA CAUTELAR, N&Atilde;O OBSTANTE A GARANTIA DA IMUNIDADE PARLAMENTAR, POR SE TRATAR DE CONGRESSISTA-CANDIDATO &#8211; IMPUTA&Ccedil;&Otilde;ES ALEGADAMENTE OFENSIVAS &#8211; AUS&Ecirc;NCIA, NO ENTANTO, DE DUBIEDADE, EQUIVOCIDADE OU AMBIG&Uuml;IDADE &#8211; INEXIST&Ecirc;NCIA DE D&Uacute;VIDA OBJETIVA EM TORNO DO CONTE&Uacute;DO MORALMENTE OFENSIVO DAS AFIRMA&Ccedil;&Otilde;ES &#8211; INVIABILIDADE JUR&Iacute;DICA DO AJUIZAMENTO DA INTERPELA&Ccedil;&Atilde;O JUDICIAL, POR FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL &#8211; RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO. COMPET&Ecirc;NCIA PENAL ORIGIN&Aacute;RIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PARA O PEDIDO DE EXPLICA&Ccedil;&Otilde;ES. (..) A garantia constitucional da imunidade parlamentar em sentido material (CF, art. 53, &quot;caput&quot;) &#8211; destinada a viabilizar a pr&aacute;tica independente, pelo membro do Congresso Nacional, do mandato legislativo de que &eacute; titular &#8211; n&atilde;o se estende ao congressista, quando, na condi&ccedil;&atilde;o de candidato a qualquer cargo eletivo, vem a ofender, moralmente, a honra de terceira pessoa, inclusive a de outros candidatos, em pronunciamento motivado por finalidade exclusivamente eleitoral, que n&atilde;o guarda qualquer conex&atilde;o com o exerc&iacute;cio das fun&ccedil;&otilde;es congressuais. Precedentes. &#8211; O postulado republicano &#8211; que repele privil&eacute;gios e n&atilde;o tolera discrimina&ccedil;&otilde;es &#8211; impede que o parlamentar-candidato tenha, sobre seus concorrentes, qualquer vantagem de ordem jur&iacute;dico-penal resultante da garantia da imunidade parlamentar, sob pena de dispensar-se, ao congressista, nos pronunciamentos estranhos &agrave; atividade legislativa, tratamento diferenciado e seletivo, capaz de gerar, no contexto do processo eleitoral, inaceit&aacute;vel quebra da essencial igualdade que deve existir entre todos aqueles que, parlamentares ou n&atilde;o, disputam mandatos eletivos. (&iquest;)&quot;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">(Pet 4444 AgR \/ DF &#8211; DISTRITO FEDERAL.&nbsp;AG.REG.NA&nbsp;PETI&Ccedil;&Atilde;O. Relator(a): Min. CELSO DE MELLO. Julgamento: 26\/11\/2008. &Oacute;rg&atilde;o Julgador: Tribunal Pleno. DJe-241 DIVULG 18-12-2008 PUBLIC 19-12-2008.) grifo nosso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Como se depreende dos precedentes citados, inaplic&aacute;vel, no caso, a imunidade parlamentar por se tratar de manifesta&ccedil;&atilde;o proferida fora do recinto parlamentar e sem qualquer conex&atilde;o com o exerc&iacute;cio das fun&ccedil;&otilde;es.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Superado o cabimento da imunidade parlamentar, passo a analisar a invoca&ccedil;&atilde;o do art. 36-A, V, da Lei 9.504\/97, (inclu&iacute;do pela Lei n&ordm; 12.891\/2013), inova&ccedil;&atilde;o legislativa que imuniza as manifesta&ccedil;&otilde;es de pensamento em redes sociais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Conforme entendimento firmado pelo Tribunal Superior Eleitoral ao responder a Consulta de n&ordm; 100075, na sess&atilde;o administrativa de 24\/06\/2014, a chamada minirreforma eleitoral promovida pela Lei n&ordm; 12.891\/2013 n&atilde;o &eacute; aplic&aacute;vel &agrave;s Elei&ccedil;&otilde;es Gerais de 2014, pois foi aprovada em dezembro de 2013, ou seja, menos de um ano antes da data de realiza&ccedil;&atilde;o do pleito, que ocorrer&aacute; em 5 de outubro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Disp&otilde;e o artigo 16 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, &quot;A lei que alterar o processo eleitoral entrar&aacute; em vigor na data de sua publica&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se aplicando &agrave; elei&ccedil;&atilde;o que ocorra at&eacute; um ano da data de sua vig&ecirc;ncia&quot; , devendo a legisla&ccedil;&atilde;o eleitoral observar os princ&iacute;pios da anterioridade e anualidade.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Ora, inaplic&aacute;vel a nova lei, desnecess&aacute;rio at&eacute; perquirir se blog estaria inserido no conceito de rede social.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Assim, cabe verificar se a publica&ccedil;&atilde;o objeto da presente representa&ccedil;&atilde;o refere-se, realmente, a livre manifesta&ccedil;&atilde;o de pensamento, ou se transborda o exerc&iacute;cio desse direito.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">&Agrave; primeira vista, poder-se-ia dizer que as publica&ccedil;&otilde;es ora questionadas s&atilde;o inerentes &agrave; atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da representada, a qual deve se sujeitar por ter uma vida p&uacute;blica, estando exposta a coment&aacute;rios sobre seus acertos e desacertos, os quais decorreriam da livre manifesta&ccedil;&atilde;o do pensamento, assegurada pela chamada &quot;Constitui&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde;&quot; .<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">&Eacute; cedi&ccedil;o que a atua&ccedil;&atilde;o da representante no cen&aacute;rio pol&iacute;tico &#8211; tanto como senadora quanto Ministra Chefe da Casa Civil, implicou em b&ocirc;nus e &ocirc;nus &agrave; sua futura campanha, de forma que as eventuais cr&iacute;ticas ou elogios s&atilde;o inerentes &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o da sua figura p&uacute;blica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Nesse sentido, adoto o entendimento do ilustre jurista Jos&eacute; Jairo Gomes:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">&quot;(&#8230;) Dada a natureza de suas atividades, o c&oacute;digo moral seguido pelo pol&iacute;tico certamente n&atilde;o se identifica com o da pessoa comum em sua faina diuturna. Tanto &eacute; que os direitos &agrave; privacidade, ao segredo e &agrave; intimidade sofrem acentuada redu&ccedil;&atilde;o em sua tela protetiva. Afirma&ccedil;&otilde;es e aprecia&ccedil;&otilde;es desairosas, que, na vida privada, poderiam ofender a honra objetiva e subjetiva de pessoas, chegando at&eacute; mesmo a caracterizar crime, perdem esse matiz quando empregadas no debate pol&iacute;tico-eleitoral. Assim, n&atilde;o s&atilde;o de estranhar assertivas apimentadas, cr&iacute;ticas contundentes, den&uacute;ncias constrangedoras, cobran&ccedil;as e questionamentos agudos. Tudo isso insere-se na dial&eacute;tica democr&aacute;tica.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">O pr&oacute;prio homem p&uacute;blico &eacute; disso respons&aacute;vel. Ao imergir na realidade do jogo pol&iacute;tico, termina por alienar-se da moral comum. Assim &eacute; que, de olho exclusivamente nos seus interesses &#8211; ou nos do grupo de quem recebe apoio &#8211; torna-se infiel a sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria, curvando-se a um amontoado de demandas impr&oacute;prias, por vezes inconfess&aacute;veis, transfigura-se em palat&aacute;vel objeto de consumo; faz promessas, ciente de que jamais ser&atilde;o cumpridas; alia-se de bom grado a inimigos de outrora, coloca em pr&aacute;tica id&eacute;ias que sempre combateu, olvidando-se dos motivos de sua vit&oacute;ria nas urnas.&quot;&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Ainda que seja poss&iacute;vel uma cr&iacute;tica mais &aacute;cida ou descort&ecirc;s, que ofenderiam o homem m&eacute;dio, mas n&atilde;o o &quot;pol&iacute;tico calejado&quot; , tenho como inadmiss&iacute;vel a ofensa &agrave; honra pessoal, pena de caracterizar propaganda eleitoral antecipada negativa por denegrir a imagem do futuro candidato frente ao eleitorado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Pois bem.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A Lei n&ordm; 9.504\/97 &eacute; prof&iacute;cua em vedar a degrada&ccedil;&atilde;o ou ridiculariza&ccedil;&atilde;o de candidatos (ou pr&eacute;-candidatos), sujeitando a manifesta&ccedil;&atilde;o de pensamento &#8211; que n&atilde;o &eacute; livre e absoluta &#8211; ao regramento eleitoral.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">No caso concreto, de toda a cr&iacute;tica manifestada pelo representado, pin&ccedil;o a express&atilde;o &quot;dama do trambique&quot; , por extrapolar os limites aceit&aacute;veis do livre exerc&iacute;cio da liberdade de express&atilde;o e de informa&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">O termo &quot;trambique&quot; segundo o Dicion&aacute;rio Aur&eacute;lio, significa neg&oacute;cio fraudulento, do que decorre que o representado referiu-se &agrave; representante como &quot;dama do neg&oacute;cio fraudulento&quot; , ofendendo-lhe a honra, buscando transmitir aos leitores e eleitores a id&eacute;ia de que Gleisi &eacute; uma trambiqueira, em verdadeira propaganda eleitoral antecipada negativa, vedada pela legisla&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Nessa linha, segue a jurisprud&ecirc;ncia dessa Corte Regional e do Egr&eacute;gio Tribunal Superior Eleitoral:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">&quot;EMENTA &#8211; Propaganda eleitoral extempor&acirc;nea. Enfoque negativo. San&ccedil;&atilde;o: multa do artigo 36, &sect; 3&ordm;, da Lei n&ordm; 9.504\/1997.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">A cr&iacute;tica que extrapola as raias do toler&aacute;vel e cria cen&aacute;rios enganosos, desbordando os limites da liberdade de informa&ccedil;&atilde;o, caracteriza propaganda eleitoral negativa pun&iacute;vel e sujeita o infrator &agrave; multa prevista no artigo 36, &sect; 3&ordm;, da Lei n&ordm; 9.504\/1997.&quot; (TRE-PR. RE n&ordm; 385-63. Rel. Dr. JEAN CARLO LEECK. Ac&oacute;rd&atilde;o n&ordm; 44.487, de 19\/09\/2012)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">&quot;AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. NEGATIVA DE SEGUIMENTO. RECURSO ESPECIAL. PROPAGANDA ELEITORAL NEGATIVA. MAT&Eacute;RIA JORNAL&Iacute;STICA. REPRODU&Ccedil;&Atilde;O EM BLOG. PROPAGANDA EXTEMPOR&Acirc;NEA. CARACTERIZA&Ccedil;&Atilde;O. DIREITO &Agrave; INFORMA&Ccedil;&Atilde;O. VIOLA&Ccedil;&Atilde;O. N&Atilde;O OCORR&Ecirc;NCIA. FUNDAMENTOS N&Atilde;O INFIRMADOS. DESPROVIMENTO.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">(&#8230;) 2. Consoante orienta&ccedil;&atilde;o jurisprudencial deste Tribunal Superior, a propaganda eleitoral extempor&acirc;nea configura-se quando evidenciado o esfor&ccedil;o antecipado de influenciar eleitores, o que ocorre com a divulga&ccedil;&atilde;o de argumentos que busquem denegrir a imagem de candidato advers&aacute;rio pol&iacute;tico ou de sua legenda. 3. A proibi&ccedil;&atilde;o de divulga&ccedil;&atilde;o de cr&iacute;ticas em propaganda, cujo &uacute;nico objetivo &eacute; denegrir a imagem de advers&aacute;rios pol&iacute;ticos, n&atilde;o viola o direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, &agrave; liberdade de imprensa, tampouco o direito &agrave; livre manifesta&ccedil;&atilde;o de pensamento por n&atilde;o serem direitos de car&aacute;ter absoluto. (&#8230;)&quot; (TSE. AgR-AI &#8211; Agravo Regimental em Agravo de Instrumento n&ordm; 744. Rel. Min. Luciana Christina Guimar&atilde;es L&oacute;ssio. Ac de 07\/11\/2013)<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n&quot;AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ELEI&Ccedil;&Otilde;ES 2012. PROPAGANDA ELEITORAL NEGATIVA. INTERNET. MULTA. ASTREINTES. DESPROVIMENTO.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">1. Na esp&eacute;cie, a irregularidade consistiu na divulga&ccedil;&atilde;o, em sitio da internet, de material calunioso e ofensivo &agrave; honra e &agrave; dignidade do agravado, conte&uacute;do que transbordou o livre exerc&iacute;cio da liberdade de express&atilde;o e de informa&ccedil;&atilde;o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">2. O ac&oacute;rd&atilde;o recorrido est&aacute; alinhado com a jurisprud&ecirc;ncia do TSE, no sentido de que a livre manifesta&ccedil;&atilde;o do pensamento, a liberdade de imprensa e o direito de cr&iacute;tica n&atilde;o encerram direitos ou garantias de car&aacute;ter absoluta, atraindo a san&ccedil;&atilde;o da lei eleitoral, a posteriori, no caso de ofensa a outros direitos, tais como os de personalidade. Precedentes: Rp 1975-05\/DE, Rei. Mm. Henrique Neves, PSESS de 2.8.2010 e AgRg-Al 800533, Rei. Min. NancyAndrighi, DJe de 20.5.2013. (&#8230;)&quot; (TSE. AgR-AI &#8211; Agravo Regimental em Agravo de Instrumento n&ordm; 4224. Rel. Min. Jos&eacute; De Castro Meira. Ac&oacute;rd&atilde;o de 17\/09\/2013).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><span style=\"line-height:1.6em\">Tome-se como base, ainda, o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal da ADI 4451, proposta pela Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e Televis&atilde;o &#8211; ABERT que, ao refutar a censura pr&eacute;via no intuito de resguardar a liberdade de express&atilde;o e de informa&ccedil;&atilde;o, concluiu que a preserva&ccedil;&atilde;o desses direitos fundamentais n&atilde;o pode ensejar a supress&atilde;o dos demais direitos de mesma envergadura, igualmente previstos na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, como a honra e a dignidade das pessoas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nNesse julgamento, o Supremo Tribunal Federal ressaltou que o direcionamento de cr&iacute;ticas ou mat&eacute;rias jornal&iacute;sticas que impliquem propaganda eleitoral favor&aacute;vel &agrave; determinada candidatura, com a consequente quebra da isonomia no pleito, permanecem sujeitas ao controle, ainda que posterior, pelo Poder Judici&aacute;rio, restando evidente que a propaganda negativa est&aacute; sujeita ao mesmo controle.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">Concluo alinhado com a jurisprud&ecirc;ncia do TSE, de que a livre manifesta&ccedil;&atilde;o do pensamento, a liberdade de imprensa e o direito de cr&iacute;tica n&atilde;o encerram direitos ou garantias de car&aacute;ter absoluto, atraindo a san&ccedil;&atilde;o da lei eleitoral no caso de ofensa a outros direitos, tais como os de personalidade:&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ELEI&Ccedil;&Otilde;ES 2012. PROPAGANDA ELEITORAL NEGATIVA. INTERNET. MULTA. ASTREINTES. DESPROVIMENTO.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<span style=\"line-height:1.6em\">1. Na esp&eacute;cie, a irregularidade consistiu na divulga&ccedil;&atilde;o, em sitio da internet, de material calunioso e ofensivo &agrave; honra e &agrave; dignidade do agravado, conte&uacute;do que extrapolou o exerc&iacute;cio da liberdade de express&atilde;o e de informa&ccedil;&atilde;o. 2. O ac&oacute;rd&atilde;o recorrido est&aacute; em conson&acirc;ncia com a jurisprud&ecirc;ncia do TSE, de que a livre manifesta&ccedil;&atilde;o do pensamento, a liberdade de imprensa e o direito de cr&iacute;tica n&atilde;o encerram direitos ou garantias de car&aacute;ter absoluto, atraindo a san&ccedil;&atilde;o da lei eleitoral, a posteriori, no caso de ofensa aos direitos de personalidade. Precedentes: Rp 1975-05\/DF, Rel. Min. Henrique Neves, PSESS de 2.8.2010 e AgRg-AI 800533, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe de 20.5.2013. (&#8230;) (AI &#8211; 27776. Relator MIn. JO&Atilde;O OT&Aacute;VIO DE NORONHA. DJE &#8211; Di&aacute;rio de justi&ccedil;a eletr&ocirc;nico, Data 25\/03\/2014, P&aacute;gina 54) Grifo nosso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nNesse sentido, ao contr&aacute;rio do que sustenta o representado, os textos por ele publicados &#8211; por conter palavras ofensivas &agrave; honra da representada &#8211; n&atilde;o revelam apenas a ocorr&ecirc;ncia de cr&iacute;ticas mais acirradas. N&atilde;o se trata, pois, de simples censura &agrave; sua atua&ccedil;&atilde;o em suposto bloqueio na libera&ccedil;&atilde;o de empr&eacute;stimos ao Estado do Paran&aacute;, como alegado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nN&atilde;o calha, ainda, a alega&ccedil;&atilde;o do candidato de que h&aacute; espa&ccedil;o no pr&oacute;prio blog para resposta. Ora, se a legisla&ccedil;&atilde;o eleitoral pro&iacute;be a realiza&ccedil;&atilde;o de propaganda eleitoral antes de 5 de julho, positiva ou negativa, proibida tamb&eacute;m &eacute; a transforma&ccedil;&atilde;o da rede mundial de computadores num palco de debates, o que caracterizaria burla &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o eleitoral e suas penalidades.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nUma vez caracterizada a ocorr&ecirc;ncia de propaganda eleitoral antecipada negativa, especialmente por meio do emprego da express&atilde;o dama do trambique, resta quantificar o valor da multa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nA Lei n&ordm; 9.504\/97 traz expressamente o seguinte:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n&iquest;Art. 36. A propaganda eleitoral somente &eacute; permitida ap&oacute;s o dia 5 de julho do ano da elei&ccedil;&atilde;o.<br \/>\n(&#8230;).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n&sect; 3o A viola&ccedil;&atilde;o do disposto neste artigo sujeitar&aacute; o respons&aacute;vel pela divulga&ccedil;&atilde;o da propaganda e, quando comprovado o seu pr&eacute;vio conhecimento, o benefici&aacute;rio &agrave; multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais), ou ao equivalente ao custo da propaganda, se este for maior&quot;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nA representante, por sua vez, pleiteia a condena&ccedil;&atilde;o &agrave; pena m&aacute;xima imposta pelo par&aacute;grafo terceiro. Ocorre que, as peculiaridades do caso concreto levam, ao meu ver, &agrave; condena&ccedil;&atilde;o pelo valor m&iacute;nimo. Vejamos:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nO desconforto da representante com os coment&aacute;rios do blog do Esmael vem muito tempo depois do in&iacute;cio de sua veicula&ccedil;&atilde;o na rede (que ocorreu a partir do m&ecirc;s de abril). Ademais, a aus&ecirc;ncia de pedido expresso de retirada da divulga&ccedil;&atilde;o das ditas refer&ecirc;ncias ofensivas relativiza e mitiga a insurg&ecirc;ncia esbo&ccedil;ada na representa&ccedil;&atilde;o para fins de condena&ccedil;&atilde;o &quot;no grau m&aacute;ximo&quot; .<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nAssim, tenho como razo&aacute;vel a aplica&ccedil;&atilde;o da multa no valor m&iacute;nimo, qual seja, de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) nos termos do &sect; 3&ordm; do artigo 36 da Lei n&ordm; 9.504\/97.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">III. DISPOSITIVO<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A vista do exposto e do mais que consta dos autos, julgo PARCIALMENTE PROCEDENTE a presente Representa&ccedil;&atilde;o promovida por Gleisi Helena Hoffmann em face de Ademar Luiz Traiano e, limitado pelo requerido na inicial, condeno o representado Ademar Luiz Traiano ao pagamento da pena pecuni&aacute;ria no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por infra&ccedil;&atilde;o ao artigo 36 da Lei n&ordm; 9.504\/97.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nPublique-se. Intimem-se.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nCuritiba, 9 de julho de 2014.<\/p>\n<p>GUIDO JOS&Eacute; D&Ouml;BELI&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O l\u00edder do governador Beto Richa (PSDB) na Assembleia legislativa, deputado Ademar Traiano (PSDB), foi condenado pela Justi\u00e7a Eleitoral por propaganda il\u00edcita.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18420,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2608,2613,2614,394,564],"class_list":["post-16710","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-condenacao","tag-eleitoral","tag-ilicita","tag-justica","tag-psdb"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16710","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16710"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16710\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18420"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16710"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16710"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16710"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}