{"id":15828,"date":"2014-04-12T00:00:00","date_gmt":"2014-04-12T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/governo-federal-assegura-r-4931-mil-para-pavimentacao-em-cidade-gaucha\/"},"modified":"2024-12-10T17:54:01","modified_gmt":"2024-12-10T20:54:01","slug":"governo-federal-assegura-r-4931-mil-para-pavimentacao-em-cidade-gaucha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/governo-federal-assegura-r-4931-mil-para-pavimentacao-em-cidade-gaucha\/","title":{"rendered":"A crise dos munic\u00edpios"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify\">A situa&ccedil;&atilde;o de pen&uacute;ria dos munic&iacute;pios brasileiros &eacute; mais que conjuntural. Conjunturalmente, o fraco desempenho da economia brasileira desde 2009 vem minando direta e indiretamente a arrecada&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios e principalmente os repasses para o FPM &ndash; Fundo de Participa&ccedil;&atilde;o dos Munic&iacute;pios, embora este n&atilde;o seja nem o &uacute;nico e nem o principal motivo da crise. Existe um componente estrutural que est&aacute; relacionado &agrave;s crescentes atribui&ccedil;&otilde;es e responsabilidades que se transferem para a al&ccedil;ada municipal, cujo ritmo n&atilde;o &eacute; acompanhado pelas receitas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nNa pr&aacute;tica, o que estamos vendo &eacute; o sub financiamento dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos, que conjunturalmente &eacute; agravado pelas condi&ccedil;&otilde;es macroecon&ocirc;micas, que erodem o FPM de duas formas: Pela queda natural da arrecada&ccedil;&atilde;o do Imposto de Renda, fruto da perda do dinamismo econ&ocirc;mico, e pela perda da receita do IPI &#8211; &nbsp;Imposto sobre Produtos Industrializados, em virtude das desonera&ccedil;&otilde;es implementadas com o intuito de estimular alguns setores da economia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Dois fatos chamam a aten&ccedil;&atilde;o neste ambiente de crise: Primeiro, porque atinge aos entes governamentais mais pobres, os que mais dependem do FPM, transfer&ecirc;ncias intergovernamentais. Segundo, que esta crise tem a ver com o enorme crescimento da carga tribut&aacute;ria, passando de 30,9% do PIB em 2009 para 37,3% em 2012. Assim, apesar de o Estado brasileiro arrecadar mais tributos da sociedade, a contrapartida em servi&ccedil;os p&uacute;blicos n&atilde;o acompanha esta evolu&ccedil;&atilde;o, porque os munic&iacute;pios &#8211; respons&aacute;veis por prestarem estes servi&ccedil;os aos cidad&atilde;os &ndash; recebem apenas 20,0% da arrecada&ccedil;&atilde;o tribut&aacute;ria.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ali&aacute;s, a forma clara de examinar esse problema &eacute; comparar os fundos constitucionais com a evolu&ccedil;&atilde;o das receitas da Uni&atilde;o. No primeiro ano da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, o FPM era composto por apenas 20,5% do IPI e do IR, mas consumia &nbsp;15.0% da denominada receita administrada pela Receita Federal. Em 2012, &nbsp;a participa&ccedil;&atilde;o evoluiu para 23,5% e consumiu apenas 10,0%. Ou seja, apesar do aumento, a participa&ccedil;&atilde;o dos munic&iacute;pios diminuiu, o que &eacute; explicado pelos artif&iacute;cios tribut&aacute;rios implantados pelo Governo Federal, que infelizmente foram chancelados pelos nossos parlamentares, sem o devido cuidado de preservar o ente federado munic&iacute;pio.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Foram decis&otilde;es e projetos que constitu&iacute;ram alguns tributos, contribui&ccedil;&otilde;es e desonera&ccedil;&otilde;es que ficaram somente para os cofres da Uni&atilde;o, ficando Estados e Munic&iacute;pios sem participa&ccedil;&atilde;o nestas receitas. Citando exemplo: apenas um artif&iacute;cio recente criado, que impacta brutalmente os munic&iacute;pios, s&atilde;o as desonera&ccedil;&otilde;es levadas a efeito pela a Uni&atilde;o, em tributos como o IPI. Bondade que a Uni&atilde;o faz com chap&eacute;u alheio. &Eacute; um modelo federativo no qual medidas que retiram receitas dos munic&iacute;pios s&atilde;o levadas a cabo sem consult&aacute;-los e sem o seu manifesto de consentimento. Estudos s&eacute;rios da CNM &ndash; Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional dos Munic&iacute;pios d&atilde;o conta de que, de 1995 a 2012, se fosse mantida a participa&ccedil;&atilde;o na receita dos tributos IPI\/IR pelos munic&iacute;pios, eles teriam recebidos 274 bilh&otilde;es a mais de repasses federais. Isso d&aacute; uma id&eacute;ia dos preju&iacute;zos causados pelas pol&iacute;ticas fiscais implementadas por Bras&iacute;lia. A t&iacute;tulo de compara&ccedil;&atilde;o, somente as desonera&ccedil;&otilde;es de 2009 a 2014 somam 11 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A situa&ccedil;&atilde;o financeira dos munic&iacute;pios s&oacute; n&atilde;o &eacute; pior porque, ao contr&aacute;rio do que &eacute; propagado, os munic&iacute;pios t&ecirc;m conseguido aumentar suas receitas pr&oacute;prias em ritmo superior ao FPM. Contudo, este privil&eacute;gio tem sido de munic&iacute;pios mais abastados e n&atilde;o os mais pobres, que s&atilde;o os que mais carecem de recursos para atenderem &agrave;s demandas da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Por essas e outras raz&otilde;es, a AMP &ndash; Associa&ccedil;&atilde;o dos Munic&iacute;pios do Paran&aacute;, irmanada com a CNM &ndash; Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional dos Munic&iacute;pios, est&atilde;o engajadas na luta para que os munic&iacute;pios se recuperem da situa&ccedil;&atilde;o falimentar em que se encontram, encampando de imediato a bandeira &nbsp;de acr&eacute;scimo de dois ponto percentuais no FPM, defendendo a aprova&ccedil;&atilde;o imediata de emendas constitucionais que est&atilde;o tramitando na C&acirc;mara &nbsp;e no Senado PEC 341 e 39\/13 respectivamente, que determinam o aumento de 23.5% para 25,5% na arrecada&ccedil;&atilde;o do IPI e do IR. Aprovadas, elas representam 7,4 bilh&otilde;es a mais nos cofres dos munic&iacute;pios, que, somente aqui no Paran&aacute;, beneficiar&aacute; setenta por cento das prefeituras, que t&ecirc;m no FPM sua receita principal.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&Eacute; sabido tamb&eacute;m que a aprova&ccedil;&atilde;o desse aumento n&atilde;o ser&aacute; a solu&ccedil;&atilde;o definitiva das prefeituras brasileiras. Trata-se de um paliativo. Cedo ou tarde, o desafio da Reforma Tribut&aacute;ria, da Reforma Fiscal, da Reforma do Pacto Federativo ter&aacute; de ser enfrentado. &Eacute; ineg&aacute;vel a crise sist&ecirc;mica do arcabou&ccedil;o tribut&aacute;rio, fiscal, nascido na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988. Temos umas das maiores e mais complexas cargas tribut&aacute;ria dos pa&iacute;ses em desenvolvimento, que distorce as rela&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas e inibe os investimentos privados.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ao mesmo tempo, n&atilde;o consegue satisfazer as demandas sociais b&aacute;sicas, como educa&ccedil;&atilde;o e sa&uacute;de de qualidade para a nossa popula&ccedil;&atilde;o. Para resolver essa equa&ccedil;&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio mais que medidas pontuais. &Eacute; preciso n&atilde;o s&oacute; reformar o ICMS, como tamb&eacute;m avan&ccedil;ar na unifica&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios tributos federais que hoje concorrem com o Imposto Estadual. O IPI, o PIS e &nbsp;COFINS s&atilde;o exemplos disso. &Eacute; preciso ampliar a base de partilhamento de receitas da Uni&atilde;o com Estados e Munic&iacute;pios. Ainda no caso do ICMS, &eacute; preciso acabar com a guerra fiscal, respons&aacute;vel pela retirada de 20 bilh&otilde;es dos munic&iacute;pios, como tamb&eacute;m alterar a forma de distribui&ccedil;&atilde;o aos munic&iacute;pios, priorizando os consumidores &#8211; onde os cidad&atilde;os vivem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&Eacute; preocupante ainda a aus&ecirc;ncia na agenda das reformas constitucionais, por exemplo, no crit&eacute;rio que destina 75,0% do ICMS aos munic&iacute;pios produtores. Como sempre, os interesses do ente federado menor, o munic&iacute;pio, ficam em segundo plano no debate da reforma tribut&aacute;ria, discuss&atilde;o que envolve o pacto fiscal e as regras que permeiam as transfer&ecirc;ncias intergovernamentais. O atual regime federativo &eacute; duplamente injusto. Primeiro, porque sempre prioriza as esferas superiores de governo, que s&atilde;o as que menos prestam servi&ccedil;os &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. Segundo, porque a distribui&ccedil;&atilde;o est&aacute; eivada de distor&ccedil;&otilde;es que acentuam as desigualdades entre ricos e pobres, vide o caso dos Royalties do petr&oacute;leo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Lutar contra as injusti&ccedil;as fiscais da federa&ccedil;&atilde;o brasileira &eacute; fundamental na atual conjuntura de crise dos munic&iacute;pios. No momento em que faltam recursos para os servi&ccedil;os p&uacute;blicos elementares, n&atilde;o podemos ser coniventes com um sistema que concentra receitas na esfera Uni&atilde;o, Estados e muitos munic&iacute;pios privilegiados, que s&atilde;o aquinhoados pelas atuais regras do ICMS e royalties. Enfim n&atilde;o haver&aacute; mudan&ccedil;as significativas que n&atilde;o des&aacute;guem no debate de um novo pacto federativo. Precisamos ter coragem e incorporarmos os avan&ccedil;os de outras federa&ccedil;&otilde;es modernas, como a equaliza&ccedil;&atilde;o fiscal, traduzindo buscar a justi&ccedil;a fiscal para a garantia de equidade e qualidade de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&Eacute; bem verdade que os problemas n&atilde;o se limitam somente &nbsp;&agrave; &nbsp;distribui&ccedil;&atilde;o equitativa dos recursos arrecadados. Temos a reforma pol&iacute;tica, que tamb&eacute;m ter&aacute; de ser implementada. O calend&aacute;rio eleitoral atual acaba prejudicando quando um esfera de governo est&aacute; assumindo outra est&aacute; finalizando. Portanto, n&atilde;o podemos conviver com elei&ccedil;&otilde;es de dois em dois anos. Esta pr&aacute;tica custa caro e faz com os or&ccedil;amentos das esferas de governo n&atilde;o dialoguem, atrapalha o planejamento, sem contar que os gestores est&atilde;o muitas vezes trabalhando com or&ccedil;amentos que n&atilde;o elaboraram. Outro tema importante a ser examinado &eacute; o financiamento p&uacute;blico de campanha, para afastar interfer&ecirc;ncias de interesses privados. Enfim, estamos em volta com desafios de toda ordem, que num ou em outro momento ter&atilde;o de ser enfrentados.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Fonte: AMP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A situa\u00e7\u00e3o financeira dos munic\u00edpios s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 pior porque os munic\u00edpios t\u00eam conseguido aumentar suas receitas pr\u00f3prias em ritmo superior ao FPM. 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