{"id":15335,"date":"2014-02-12T00:00:00","date_gmt":"2014-02-12T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/ampere-inaugura-quadra-poliesportiva-e-obras-de-pavimentacao-asfaltica\/"},"modified":"2024-12-10T17:57:00","modified_gmt":"2024-12-10T20:57:00","slug":"ampere-inaugura-quadra-poliesportiva-e-obras-de-pavimentacao-asfaltica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/ampere-inaugura-quadra-poliesportiva-e-obras-de-pavimentacao-asfaltica\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a do Absurdo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify\">No dia 24 de janeiro, o ministro Ricardo Lewandovski deu parecer favor&aacute;vel ao pedido de Jos&eacute; Dirceu, que pretende exercer o direito legal de trabalhar fora da Papuda, para onde foi encaminhado no cinematogr&aacute;fico voo de 15 de novembro. Embora fosse uma decis&atilde;o de um ministro do STF, o juiz Bruno Ribeiro, da Vara de Execu&ccedil;&otilde;es Penais, n&atilde;o deu encaminhamento imediato, permitindo que Dirceu ficasse preso, em regime fechado, num prazo absurdo que completar&aacute; 90 dias na semana que vem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ontem, depois de voltar aos trabalhos,&nbsp; Joaquim Barbosa revogou a decis&atilde;o de Lewandosvski.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;O direito de Dirceu trabalhar &eacute; legalmente indiscut&iacute;vel. Foi questionado depois que surgiu a vers&atilde;o, nascida numa conversa ouvida por um rep&oacute;rter na mesa ao lado de um restaurante de Salvador, de que um secretario de Jacques Wagner, governador da Bahia, havia conseguido falar com o ex-ministro atrav&eacute;s de um aparelho celular.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Comprovou-se, em investiga&ccedil;&atilde;o oficial no pres&iacute;dio, que a hist&oacute;ria era uma pura cascata do secret&aacute;rio &#8212; conhecido entre colegas de governo por um comportamento falastr&atilde;o &ndash; que foi divulgada sem o devido cuidado. No dia em que isso teria acontecido, sequer houve visitas na Papuda. O pr&oacute;prio Dirceu nem saiu da cela. Embora a investiga&ccedil;&atilde;o j&aacute; tivesse se encerrado, t&atilde;o banal que foi poss&iacute;vel terminar antes do prazo, o juiz Bruno Ribeiro n&atilde;o deu curso a liminar de Lewandovski, alegando que havia tempo para novas apura&ccedil;&otilde;es. Essa decis&atilde;o permitiu que Barbosa retornasse do recesso e revogasse a liminar. Detalhe: Barbosa fez isso contrariando parecer da procuradora da Rep&uacute;blica M&aacute;rcia Milhomens Corr&ecirc;a se manifestou favoravelmente ao pedido de trabalho de Jos&eacute; Dirceu. Sexta-feira passada Milhomem deu parecer favor&aacute;vel.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A decis&atilde;o criou uma situa&ccedil;&atilde;o nova no STF. N&atilde;o se compreende por que raz&atilde;o o juiz Bruno descumpriu a decis&atilde;o de Lewandovski, que falava em nome da mais alta corte do pa&iacute;s<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Tamb&eacute;m n&atilde;o se compreende por que Joaquim Barbosa n&atilde;o deixou que o plen&aacute;rio do STF tomasse a decis&atilde;o, como &eacute; recomend&aacute;vel em situa&ccedil;&otilde;es desse tipo. Embora j&aacute; tenham ocorrido antecedentes, existe a interpreta&ccedil;&atilde;o de que o regimento interno do STF diz que s&oacute; o juiz que prolatou a decis&atilde;o tem direito de revog&aacute;-la.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A &uacute;nica forma de compreender a situa&ccedil;&atilde;o criada pela decis&atilde;o do presidente do STF &eacute; pol&iacute;tica, tra&ccedil;o principal do julgamento da AP 470, conclu&iacute;do com penas fortes para provas fracas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Para ouvir uma opini&atilde;o fundamentada a respeito, entrevistei o professor de Direito Luiz Moreira, doutor em direito pela UFMG, membro do Conselho Nacional do Minist&eacute;rio P&uacute;blico e um dos principais cr&iacute;ticos da&nbsp;&ldquo;judicializa&ccedil;&atilde;o,&rdquo; aquele processo em que os tribunais ocupam &nbsp;espa&ccedil;os que os regimes democr&aacute;ticos reservam a luta pol&iacute;tica. Leia a entrevista: &nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nPERGUNTA: COMO EXPLICAR A DECIS&Atilde;O DE JOAQUIM BARBOSA?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<br \/>\nRESPOSTA: Explica-se a partir de uma falta de identidade do Supremo Tribunal Federal. Com a redemocratiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, tentou-se construir a ideia de que o STF era o tribunal dos direitos fundamentais. Mas isso tem se mostrado falso, como se viu no julgamento. Veja bem, apareceram muitas contradi&ccedil;&otilde;es e incoer&ecirc;ncias, como mostra o caso do ex Ministro Jos&eacute; Dirceu. Ele est&aacute; preso em regime fechado h&aacute; noventa dias. E a decis&atilde;o de Joaquim Barbosa cristaliza uma situa&ccedil;&atilde;o de absoluto desrespeito ao sistema jur&iacute;dico que ele, Ministro do STF, deveria proteger. Fosse ele um juiz dos direitos fundamentais deveria, de of&iacute;cio, conceder ao Ministro Jos&eacute; Dirceu o regime condizente com sua pena.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<p>PERGUNTA : O QUE OS MINISTROS DEVERIAM FAZER?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">RESPOSTA: Um Ministro do STF tem todas as garantias poss&iacute;veis para imprimir &agrave; atua&ccedil;&atilde;o do Tribunal uma postura condizente com a defesa m&iacute;nima dos direitos dos condenados. Jos&eacute; Dirceu est&aacute; preso, est&aacute; sob a tutela do Estado. O Judici&aacute;rio n&atilde;o pode fazer de conta que ele n&atilde;o tem direitos. H&aacute; um jogo de faz de conta em curso. Pretende-se fazer de Jos&eacute; Dirceu um trof&eacute;u. Qualquer coisa pode ser feita para garantir que tal objetivo seja alcan&ccedil;ado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<p>PERGUNTA : QUAL A MEDIDA CONCRETA?&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nRESPOSTA &#8212; A sa&iacute;da jur&iacute;dica para estancar esta sangria dos direitos &eacute; o Habeas Corpus. No caso dele, o processo de autoriza&ccedil;&atilde;o para ele trabalhar se exauriu. A burocracia da VEP j&aacute; se manifestou; o Minist&eacute;rio P&uacute;blico deu parecer favor&aacute;vel. Como Jos&eacute; Dirceu passaria a cumprir sua pena em regime semi aberto, Joaquim Barbosa providenciou, com sua decis&atilde;o, que o condenado n&atilde;o fosse submetido ao que prescreve a lei penal. Quer dizer, ocorre com ele o que acontece em Guant&acirc;namo. A mensagem &eacute; clara: Jos&eacute; Dirceu n&atilde;o pode sequer ter direito a cumprir sua pena. Seus direitos s&atilde;o boicotados por quem caberia exigir que sua pena fosse efetivamente cumprida. Este n&atilde;o &eacute; o papel de um Juiz.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<p>PERGUNTA : O QUE SE PODE FAZER NUMA SITUA&Ccedil;&Atilde;O&nbsp; COMO ESTA?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nRESPOSTA : A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; muito delicada. Todos parecem fugir de suas responsabilidades. H&aacute; um clima de absoluta covardia institucional. Onde est&aacute; o Minist&eacute;rio P&uacute;blico? Onde est&aacute; a Defensoria P&uacute;blica? H&aacute; Comiss&otilde;es de Direitos Humanos? Tudo se justifica se tratar de uma vingan&ccedil;a contra Jos&eacute; Dirceu?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">PERGUNTA : COMO SE CHEGOU A ESSE PONTO?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">RESPOSTA : Com a AP 470, o moralismo assumiu um protagonismo s&oacute; existente nos Estados de Exce&ccedil;&atilde;o. No est&aacute;gio em que vivemos a pol&iacute;tica &eacute; a grande perdedora. O messianismo patri&oacute;tico que antes era exercido pela militares &eacute; hoje exercido por figuras oriundas dos &oacute;rg&atilde;os de controle. Joaquim Barbosa e outros personagens s&atilde;o exemplos desse messianismo que tenta produzir sa&iacute;das a partir do direito penal m&aacute;ximo.<\/p>\n<p>PERGUNTA: ESTAMOS FALANDO DE UMA POSTURA QUE AMEA&Ccedil;A A DEMOCRACIA &#8230;&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nRESPOSTA: O &nbsp;caso do cinegrafista morto revela este paradoxo. N&atilde;o se pode querer que a morte de um profissional que cobria uma manifesta&ccedil;&atilde;o se transforme na criminalizar&atilde;o das manifesta&ccedil;&otilde;es. A resposta h&aacute; de ser cir&uacute;rgica. H&aacute; duas responsabilidades em jogo. As empresas de comunica&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m que dotar seus funcion&aacute;rios de equipamentos de seguran&ccedil;a (colete, capacetes etc.). Cabe a pol&iacute;cia encontrar os respones&aacute;veis pelo crime, que devem ser entregues a Justi&ccedil;a. O resto &eacute; populismo penal.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">PERGUNTA : D&Aacute; PARA EXPLICAR ESSA SITUA&Ccedil;&Atilde;O?&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nRESPOSTA : O moralismo quer fingir que n&atilde;o vivemos conflitos pr&oacute;prios &agrave;s sociedades como &agrave; brasileira, que pleiteia direitos. Ent&atilde;o a pol&iacute;tica p&uacute;blica n&atilde;o pode ter um vi&eacute;s de direito penal, mas de direito social.<\/p>\n<p>PERGUNTA: H&Aacute; NESSAS RESPOSTAS UMA PERSPECTIVA MORALISTA?&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nRESPOSTA: Sem d&uacute;vida. A pena de Jos&eacute; Dirceu, por exemplo, deixou de ser jur&iacute;dica para ser moralista. Por isso contra ele vale tudo. No caso do cinegrafista morto n&atilde;o se discute o que as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o devem fazer para proteger seus funcion&aacute;rios, nem que infelizmente mortes em manifesta&ccedil;&otilde;es s&atilde;o geralmente produzidas pelos &oacute;rg&atilde;os de seguran&ccedil;a. Ao contr&aacute;rio, procura-se crimininalizar os movimentos sociais, classificando como terrorista suas a&ccedil;&otilde;es.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">PERGUNTA &ndash; D&Aacute; PARA ENXERGAR O QUE VEM POR A&Iacute;?&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;RESPOSTA&nbsp;&nbsp;&#8212; Fica claro que h&aacute; uma clara constru&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica de deslegitimacao da pol&iacute;tica e a entroniza&ccedil;&atilde;o do sistema de justi&ccedil;a (Minist&eacute;rio P&uacute;blico e STF), que caminha para a criminalizar&atilde;o dos Partidos e do Congresso Nacional. Com isso, o sistema de justi&ccedil;a sufocar&aacute; os movimentos sociais, impossibilitar&aacute; o surgimento de lideran&ccedil;as populares e se constituir&aacute; como Poder Moderador, acima dos Poderes e da democracia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Fonte: Paulo Moreira Leite &ndash; Colunista da Revista <em>Isto &eacute; Independente&nbsp;<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira a coluna do jornalista Paulo Moreira Leite. Ele entrevistou Luiz Moreira, membro do Conselho Nacional do Minist\u00e9rio P\u00fablico, sobre a decis\u00e3o de Barbosa em impedir Jos\u00e9 Dirceu  de trabalhar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19796,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[181],"class_list":["post-15335","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-stf"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15335","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15335"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15335\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19796"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15335"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15335"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15335"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}