{"id":15329,"date":"2014-02-12T00:00:00","date_gmt":"2014-02-12T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/governo-federal-garante-r-100-mil-para-saude-de-santa-izabel-do-oeste\/"},"modified":"2024-12-10T17:57:02","modified_gmt":"2024-12-10T20:57:02","slug":"governo-federal-garante-r-100-mil-para-saude-de-santa-izabel-do-oeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/governo-federal-garante-r-100-mil-para-saude-de-santa-izabel-do-oeste\/","title":{"rendered":"O copo"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Luiza Trajano &eacute; uma empres&aacute;ria respeitada e admirada no pa&iacute;s. Dias atr&aacute;s, acusada em programa de televis&atilde;o de ser otimista demais em rela&ccedil;&atilde;o ao Brasil, ela deu uma aula de bom-senso. N&oacute;s, brasileiros, disse ela, temos o h&aacute;bito de olhar sempre a parte vazia do copo e nunca a cheia.<\/p>\n<p>\nH&aacute;, sem d&uacute;vida, um tumulto generalizado no mercado internacional, nada favor&aacute;vel aos pa&iacute;ses emergentes, Brasil inclu&iacute;do. As causas s&atilde;o claras. A primeira &eacute; a redu&ccedil;&atilde;o do ritmo de compra de t&iacute;tulos da d&iacute;vida americana pelo banco central dos EUA. A segunda, a desconfian&ccedil;a sobre a economia chinesa, vigoroso motor do crescimento global.<\/p>\n<p>\nNessas condi&ccedil;&otilde;es, houve fuga de investidores dos mercados emergentes. Essa debandada desvalorizou as moedas desses pa&iacute;ses, e v&aacute;rios bancos centrais elevaram os juros para proteg&ecirc;-las. O BC do Brasil foi o primeiro a fazer isso, e os efeitos do arrocho monet&aacute;rio j&aacute; s&atilde;o sentidos na economia &#8211;a produ&ccedil;&atilde;o da ind&uacute;stria caiu 3,5% em dezembro.<\/p>\n<p>\nEsses s&atilde;o os fatos. N&atilde;o h&aacute; como neg&aacute;-los. Mas eles n&atilde;o obrigam o brasileiro a se engajar no coro catastrofista espalhado pelos mercados financeiros.<\/p>\n<p>\nN&atilde;o devemos olhar s&oacute; o lado vazio do copo, o observador ver&aacute; que o pa&iacute;s apresentou, nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos, um baixo crescimento m&eacute;dio anual do PIB, da ordem de 2%, n&iacute;vel inferior &agrave; m&eacute;dia mundial. Isso preocupa, porque, para continuar emergindo, o pa&iacute;s precisa crescer a taxas superiores &agrave;s m&eacute;dias mundiais. E dados recentes, como o da ind&uacute;stria em dezembro, n&atilde;o s&atilde;o animadores.<\/p>\n<p>\nMas, ao olhar com cuidado a outra parte do copo, a cheia, ver&aacute; que o pa&iacute;s teve uma taxa m&eacute;dia de desemprego bastante baixa em 2013, de 5,4% da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa &#8211;na zona do euro, a taxa foi 12%. Em dezembro, esse indicador estava em 4,6%, um dos mais baixos do mundo. Ou seja, apesar do lento crescimento, o pa&iacute;s est&aacute; longe de uma crise de emprego como a verificada na Europa.<\/p>\n<p>\nOutro exemplo: o Brasil teve em janeiro deficit recorde na balan&ccedil;a comercial, de US$ 4 bilh&otilde;es. Foi mal, porque isso confirma uma constante perda de exporta&ccedil;&otilde;es do setor manufatureiro, cuja rentabilidade cresceu apenas 0,2% no ano passado, apesar da desvaloriza&ccedil;&atilde;o cambial.<\/p>\n<p>\nMas esse tamb&eacute;m &eacute; o lado vazio do copo nas contas externas. O lado cheio mostra que o pa&iacute;s n&atilde;o tem uma situa&ccedil;&atilde;o muito ruim nessa &aacute;rea. Acumula reservas de US$ 375 bilh&otilde;es, suficientes para cobrir 18 meses de importa&ccedil;&otilde;es, uma medida de solv&ecirc;ncia muito superior &agrave; de outros emergentes &#8211;a Coreia do Sul tem oito meses; a Turquia, cinco meses; a Argentina, quatro; a &Aacute;frica do Sul, 15 dias; e o M&eacute;xico, hoje o queridinho do mercado, cinco meses.<\/p>\n<p>\nAl&eacute;m disso, a entrada de investimentos diretos no Brasil atingiu US$ 63 bilh&otilde;es em 2013 e, apesar da forte queda das a&ccedil;&otilde;es, o fluxo de capital estrangeiro na Bolsa foi positivo em R$ 11 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>\nS&atilde;o frequentes as cr&iacute;ticas &agrave; pol&iacute;tica fiscal brasileira, muitas corretas. H&aacute; gastos correntes excessivos e recursos reduzidos para investimentos. O superavit prim&aacute;rio, feito para pagar juros da d&iacute;vida, ficou muito abaixo do esperado no ano passado e, com isso, o deficit nominal dos governos atingiu 3,1% do PIB.<\/p>\n<p>\nAqui tamb&eacute;m se est&aacute; olhando s&oacute; a parte vazia do copo. A cheia mostra que o resultado de 3,1% &eacute; muito bom, melhor que o de EUA (4,1%), Jap&atilde;o (8,2%), Reino Unido (6,7%), Espanha (7,1%), Fran&ccedil;a (4,1%), It&aacute;lia (3,3%) e muitos outros pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>\nA infla&ccedil;&atilde;o brasileira est&aacute; elevada? Sim, est&aacute; acima do centro da meta de 4,5% ao ano. E, para control&aacute;-la, al&eacute;m de aumentar absurdamente os juros, o governo se rende &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de segurar alguns pre&ccedil;os, como o dos combust&iacute;veis, com preju&iacute;zos para a Petrobras e seus investimentos. Mas aqui tamb&eacute;m se deve olhar a parte cheia do copo, porque a infla&ccedil;&atilde;o, embora alta, nunca ultrapassou o teto da meta nos &uacute;ltimos dez anos.<\/p>\n<p>\nV&aacute;rios outros copos parcialmente cheios poderiam ser destacados, como o do crescimento real dos sal&aacute;rios, da queda da inadimpl&ecirc;ncia, da redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades e do aumento do cr&eacute;dito.<\/p>\n<p>\nEsses s&atilde;o os fatos. O tumulto no mercado internacional vai continuar e n&atilde;o d&aacute; para saber at&eacute; quando. O que n&atilde;o se pode admitir &eacute; que os pr&oacute;prios brasileiros ajudem a propagandear s&oacute; o retrato da parte vazia do copo. Bons brasileiros devem retratar e divulgar tamb&eacute;m a parte cheia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>-BENJAMIN STEINBRUCH &ndash;&nbsp;Jornalista da <em>Folha de S. Paulo<\/em>&nbsp;<em>(Texto na &iacute;ntegra)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira na \u00edntegra o texto do jornalista da Folha de S. Paulo, Benjamin Steinbruch. A coluna traz apontamentos sobre a entrevista da empres\u00e1ria Luiza Trajano em um programa de televis\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19802,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[83,118,3035,3034,995],"class_list":["post-15329","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-brasil","tag-entrevista","tag-luiza","tag-pessimismo","tag-trajano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15329","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15329"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15329\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19802"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15329"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15329"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15329"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}