{"id":14971,"date":"2013-12-14T00:00:00","date_gmt":"2013-12-14T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/educadores-do-parana-definem-inicio-da-greve-para-17-de-outubro\/"},"modified":"2024-12-10T17:58:51","modified_gmt":"2024-12-10T20:58:51","slug":"educadores-do-parana-definem-inicio-da-greve-para-17-de-outubro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/educadores-do-parana-definem-inicio-da-greve-para-17-de-outubro\/","title":{"rendered":"O Estado delinquente"},"content":{"rendered":"<p>Todo criminoso deve ser punido. Cabe ao Poder Judici&aacute;rio conden&aacute;-lo, ap&oacute;s o devido processo legal e respeitada a ampla defesa. &Eacute; o que determina a lei suprema (artigo 5&ordm;, incisos LIV e LV).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas democracias, o processo penal objetiva defender o acusado, e n&atilde;o a sociedade, que, do contr&aacute;rio, faria a justi&ccedil;a com as pr&oacute;prias m&atilde;os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O condenado deve cumprir a sua pena nos estabelecimentos penais institu&iacute;dos pelo Estado, em que o respeito &agrave; dignidade humana necessita ser assegurado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando isso n&atilde;o ocorre, o Estado nivela-se ao criminoso. Age como tal, equiparando-se ao delinquente, da mesma forma que este agiu contra sua v&iacute;tima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A fun&ccedil;&atilde;o dos estabelecimentos penais &eacute; a reeduca&ccedil;&atilde;o do condenado, para que, tendo pago sua pena perante a comunidade, retorne &agrave; sociedade preparado para ser-lhe &uacute;til.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os c&aacute;rceres privados constituem crime. Quem encarcera pessoas, tirando-lhes a liberdade, deve ser punido e sofrer pena que o levar&aacute; a experimentar o mesmo mal que imp&ocirc;s a outrem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E o c&aacute;rcere p&uacute;blico? Quando um criminoso j&aacute; cumpriu o prazo de sua pena e tem direito &agrave; liberdade, mas o Estado o mant&eacute;m encarcerado, torna-se o ente estatal um delinquente como qualquer fac&iacute;nora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todo condenado deve cumprir sua pena, mas nunca al&eacute;m daquela para a qual foi condenado. Se o Estado o mant&eacute;m no c&aacute;rcere al&eacute;m do prazo, torna-se respons&aacute;vel e deve ser punido por seu ato. Como n&atilde;o se pode encarcerar o Estado, deve-se pelo menos pagar indeniza&ccedil;&otilde;es &agrave; v&iacute;tima pelos danos morais causados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A tese vale tamb&eacute;m para aqueles que forem condenados a regimes abertos ou semiabertos e acabarem por cumprir a pena em regimes fechados, por falta de estrutura estatal, pois estar&atilde;o pagando &agrave; sociedade algo que lhes n&atilde;o foi exigido, com viol&ecirc;ncia a seu direito de n&atilde;o permanecerem atr&aacute;s das grades. Nesses casos, devem tamb&eacute;m receber indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A tese de que todos s&atilde;o iguais e n&atilde;o deve haver privil&eacute;gio seria correta se o Estado mantivesse estabelecimentos que permitissem um tratamento pelo menos com um m&iacute;nimo de respeito &agrave; dignidade humana. Como isso n&atilde;o ocorre, a tese de que todos devem ser iguais e, portanto, devem &quot;gozar&quot; das p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es que o Estado oferece &eacute; simplesmente a&eacute;tica, para n&atilde;o dizer algo pior. Em vez de o Estado dar exemplo de reeduca&ccedil;&atilde;o dos detentos, a tese da igualdade passa a ser garantir a todos tratamento com &quot;igual indignidade&quot;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto a Anistia Internacional esteve no Brasil, pertenci &agrave; entidade. Lut&aacute;vamos, ent&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; contra a tortura, mas contra todo o tratamento indigno aos encarcerados, pois n&atilde;o cabe &agrave; sociedade nivelar-se a eles, mas dar-lhes o exemplo e tentar recuper&aacute;-los.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por isso, ocorreu-me uma ideia que sugiro aos advogados penalistas e civilistas &#8211;n&atilde;o atuo em nenhuma das duas &aacute;reas&#8211;, qual seja, a cria&ccedil;&atilde;o de uma associa&ccedil;&atilde;o, semelhante &agrave;quela que Marilena Lazzarini criou em defesa dos consumidores, para apresentar a&ccedil;&otilde;es de indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais em nome das pessoas que: a) cumpram penas superiores &agrave;quelas para as quais foram condenadas; b) cumpram penas em regimes fechados, quando deveriam cumpri-las em regime aberto ou semiaberto; c) cumpram penas em condi&ccedil;&otilde;es inadequadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Talvez assim o Estado aprendesse a n&atilde;o nivelar-se aos delinquentes. Sofrendo o impacto de tais a&ccedil;&otilde;es, quem sabe poderia esfor&ccedil;ar-se por melhorar as condi&ccedil;&otilde;es dos estabelecimentos penais, respeitar prazos e ofertar dignidade no cumprimento das penas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todo criminoso deve cumprir sua pena, mas nos estritos limites da condena&ccedil;&atilde;o e em condi&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o se assemelhem &agrave;s dos campos de concentra&ccedil;&atilde;o do nacional-socialismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ives Gandra &eacute; presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio &#8211; SP.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo em 13\/12\/13, p&aacute;g. A&nbsp;03.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um artigo escrito por Ives Gandra Martin, que vale muito a pena ler! O Estado deve indenizar por danos morais todo criminoso que n\u00e3o tiver direito a cumprir sua pena nos estritos limites da condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20144,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[981,3105,3104],"class_list":["post-14971","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-artigo","tag-gandra","tag-ives"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14971","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14971"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14971\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20144"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}