{"id":14671,"date":"2013-11-06T00:00:00","date_gmt":"2013-11-06T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/governo-age-nas-sombras-para-doar-r-100-bilhoes-as-teles\/"},"modified":"2024-12-10T18:00:30","modified_gmt":"2024-12-10T21:00:30","slug":"governo-age-nas-sombras-para-doar-r-100-bilhoes-as-teles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/governo-age-nas-sombras-para-doar-r-100-bilhoes-as-teles\/","title":{"rendered":"Direito \u00e0 vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify\"><strong>Por Lula<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Em todo o mundo, seja nos pa&iacute;ses ricos, em desenvolvimento ou pobres, o acesso a tratamentos m&eacute;dicos mais avan&ccedil;ados est&aacute; cada vez mais desafiador.<br \/>\nMuitos dos doentes n&atilde;o conseguem se beneficiar dos medicamentos que poderiam cur&aacute;-los ou pelo menos prolongar as suas vidas.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; mais se existe cura para uma doen&ccedil;a &mdash; porque, em muitos casos, ela existe &mdash; mas de saber se &eacute; poss&iacute;vel para o paciente pagar a conta do tratamento. Milh&otilde;es de pessoas encontram-se hoje nessa situa&ccedil;&atilde;o dram&aacute;tica, desesperadora: sabem que h&aacute; um rem&eacute;dio capaz de salv&aacute;-las e aliviar o seu sofrimento, mas n&atilde;o conseguem utiliz&aacute;-lo, devido ao seu custo proibitivo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<p>H&aacute; uma frustrante e desumana contradi&ccedil;&atilde;o entre admir&aacute;veis descobertas cient&iacute;ficas e o seu uso restritivo e excludente.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nDe um lado, temos as empresas farmac&ecirc;uticas, que desenvolvem novas drogas, com investimentos elevados e testes sofisticados e onerosos. De outro, temos aqueles que financiam os tratamentos m&eacute;dicos: os governos, nos sistemas p&uacute;blicos, e as empresas de planos de sa&uacute;de, na &aacute;rea privada. No centro de tudo, o paciente, lutando pela vida com todas as suas for&ccedil;as, mas que n&atilde;o tem condi&ccedil;&atilde;o de pagar para sobreviver.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<p>Nos Estados Unidos, onde o presidente Barack Obama trava h&aacute; anos uma batalha com a oposi&ccedil;&atilde;o conservadora para estender a cobertura de sa&uacute;de a milh&otilde;es de pessoas. Na Europa, mesmo em pa&iacute;ses ricos o sistema p&uacute;blico muitas vezes n&atilde;o consegue garantir o pleno acesso aos novos medicamentos. No Brasil, cada vez o governo precisa de mais recursos para os medicamentos que compra e fornece gratuitamente, inclusive alguns de nova gera&ccedil;&atilde;o. E na &Aacute;frica, o HIV atinge contingentes enormes da popula&ccedil;&atilde;o, ao mesmo tempo que doen&ccedil;as tropicais como a mal&aacute;ria, perfeitamente evit&aacute;veis, continuam causando muitas mortes e deixaram de ser priorizadas pelas pesquisas dos grandes laborat&oacute;rios.&nbsp;<\/p>\n<p>Um v&iacute;deo que circula na Internet, feito por uma companhia de celular, tem emocionado o mundo ao mostrar os dramas entrela&ccedil;ados de um garoto pobre da Tail&acirc;ndia que tem que roubar para obter rem&eacute;dios para sua m&atilde;e, e o de uma jovem tendo que lidar com as contas astron&ocirc;micas de hospital para salvar o seu pai.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p>Conhe&ccedil;o o drama de ter entes queridos sem um tratamento de sa&uacute;de digno. Em 1970, perdi minha primeira esposa e meu primeiro filho numa cirurgia de parto, devido ao mau atendimento hospitalar. Os anos que se seguiram, de luto e dor, foram dos mais dif&iacute;ceis da minha vida.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nPor outro lado, em 2011, j&aacute; como ex-presidente, enfrentei e superei um c&acirc;ncer gra&ccedil;as aos modernos recursos de um hospital de excel&ecirc;ncia, cobertos pelo meu plano privado de sa&uacute;de. O tratamento foi longo e doloroso, mas a compet&ecirc;ncia e aten&ccedil;&atilde;o dos m&eacute;dicos, e o uso dos medicamentos de ponta, me permitiram vencer o tumor.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<p>&Eacute; f&aacute;cil ver as empresas farmac&ecirc;uticas como as vil&atilde;s desse processo, mas isso n&atilde;o resolve a quest&atilde;o. Quase sempre s&atilde;o empresas de capital aberto, que se financiam principalmente atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es nas bolsas de valores, competindo entre si e com outras corpora&ccedil;&otilde;es, de diversos setores econ&ocirc;micos, para financiar os custos crescentes das pesquisas e testes com novas drogas. O principal atrativo que oferecem aos investidores &eacute; a lucratividade, mesmo que essa se choque com as necessidades dos doentes.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<p>Para dar o retorno pretendido, antes que a patente expire, a nova droga &eacute; vendida a pre&ccedil;os absolutamente fora do alcance da maioria das pessoas. H&aacute; tratamentos contra o c&acirc;ncer, por exemplo, que chegam a custar 40 mil d&oacute;lares cada aplica&ccedil;&atilde;o. E, ao contr&aacute;rio do que se poderia imaginar, a concorr&ecirc;ncia n&atilde;o est&aacute; favorecendo a redu&ccedil;&atilde;o gradativa dos pre&ccedil;os, que s&atilde;o cada vez mais altos a cada nova droga que &eacute; produzida. Sem falar que esse modelo, guiado pelo lucro leva as empresas farmac&ecirc;uticas a privilegiarem as pesquisas sobre doen&ccedil;as que d&atilde;o mais retorno financeiro.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<p>O alto custo desses tratamentos tem feito com que planos privados muitas vezes busquem justificativas para n&atilde;o dar acesso a eles, e que gestores de sistemas p&uacute;blicos de sa&uacute;de se vejam, em fun&ccedil;&atilde;o dos recursos finitos de que disp&otilde;em, frente a um dilema: melhorar o sistema de sa&uacute;de como um todo, baseado em padr&otilde;es m&eacute;dios de qualidade, ou priorizar o acesso aos tratamentos de ponta, que muitas vezes s&atilde;o justamente os que podem salvar vidas?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p>O pre&ccedil;o absurdo dos novos medicamentos tem impedido a chamada economia de escala: em vez de poucos pagarem muito, os rem&eacute;dios se pagariam &mdash; e seriam muito mais &uacute;teis &mdash; se fossem acess&iacute;veis a mais pessoas.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\nA solu&ccedil;&atilde;o, obviamente, n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, mas n&atilde;o podemos nos conformar com o atual estado de coisas. At&eacute; porque ele tende a se agravar na medida em que mais e mais pessoas reivindicam, com toda a raz&atilde;o, a democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso aos novos medicamentos. Quem, em s&atilde; consci&ecirc;ncia, deixar&aacute; de lutar pelo melhor tratamento para a doen&ccedil;a do seu pai, sua m&atilde;e, seu c&ocirc;njuge ou seu filho, especialmente se ela traz grande sofrimento e risco de vida?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p>Trata-se de um problema t&atilde;o grave e de tamanho impacto na vida &mdash; ou na morte &mdash; de milh&otilde;es de pessoas, que deveria merecer uma aten&ccedil;&atilde;o especial dos governos e dos &oacute;rg&atilde;os internacionais, e n&atilde;o s&oacute; de suas ag&ecirc;ncias de sa&uacute;de. N&atilde;o pode na minha opini&atilde;o continuar sendo tratado apenas como uma quest&atilde;o t&eacute;cnica ou de mercado. Devemos transform&aacute;-lo em uma verdadeira quest&atilde;o pol&iacute;tica, mobilizando as melhores energias dos setores envolvidos, e de outros atores sociais e econ&ocirc;micos, para equacion&aacute;-lo de um modo novo, que seja ao mesmo tempo vi&aacute;vel para quem produz os medicamentos e acess&iacute;vel para todos os que precisam utiliz&aacute;-los.&nbsp;<\/p>\n<p>N&atilde;o exer&ccedil;o hoje nenhuma fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, falo apenas como um cidad&atilde;o preocupado com o sofrimento desnecess&aacute;rio de tantas pessoas, mas acho que um desafio pol&iacute;tico e moral dessa import&acirc;ncia deveria ser objeto de uma confer&ecirc;ncia internacional convocada pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de, com urg&ecirc;ncia, na qual os v&aacute;rios segmentos interessados discutam francamente como compartilhar os custos da pesquisa cientifica e industrial com o objetivo de reduzir o pre&ccedil;o do produto final, colocando-o ao alcance de todos que necessitam dele.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<br \/>\nN&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que todos os setores vinculados &agrave; medicina avan&ccedil;ada devem ter os seus interesses levados em conta. Mas a decis&atilde;o entre a vida e a morte n&atilde;o pode depender de pre&ccedil;o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\n<p>&nbsp;Fonte: PT Paran&aacute;&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-presidente e grande amigo, Lula divulgou na \u00faltima ter\u00e7a-feira (5), o seu novo artigo publicado no jornal The New York Times. Confira o texto!<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20440,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1824,170,3,6],"class_list":["post-14671","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-hospitalar","tag-lula","tag-medicos","tag-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14671","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14671"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14671\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20440"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14671"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14671"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14671"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}