{"id":14350,"date":"2013-10-08T00:00:00","date_gmt":"2013-10-08T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/uopeccan-comemora-um-ano-de-atividades\/"},"modified":"2024-12-10T18:02:08","modified_gmt":"2024-12-10T21:02:08","slug":"uopeccan-comemora-um-ano-de-atividades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/uopeccan-comemora-um-ano-de-atividades\/","title":{"rendered":"Tucanoduto: Investiga\u00e7\u00f5es apontam a hierarquia da quadrilha do PSDB"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify\">As investiga&ccedil;&otilde;es sobre o esc&acirc;ndalo do Metr&ocirc; em S&atilde;o Paulo entraram num momento crucial. Seguindo o rastro do dinheiro, a Pol&iacute;cia Federal e procuradores envolvidos na apura&ccedil;&atilde;o do caso conclu&iacute;ram que o esquema do propinoduto tucano come&ccedil;ou a ser montado na &aacute;rea de energia, ainda no governo de M&aacute;rio Covas (1995-2001), se reproduziu no transporte p&uacute;blico &ndash; trens e metr&ocirc; &ndash; durante as gest&otilde;es tamb&eacute;m de Geraldo Alckmin (2001-2006) e de Jos&eacute; Serra (2007-2010) e drenou ao menos R$ 425 milh&otilde;es dos cofres p&uacute;blicos. Para as autoridades, os dois esc&acirc;ndalos est&atilde;o interligados. H&aacute; semelhan&ccedil;as principalmente no modo de opera&ccedil;&atilde;o do pagamento de propina por executivos da multinacional francesa Alstom a pol&iacute;ticos e pessoas com tr&acirc;nsito no tucanato para obten&ccedil;&atilde;o de contratos vantajosos com estatais paulistas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Nos dois casos, os recursos circulavam por meio de uma sofisticada engenharia financeira promovida pelos mesmos lobistas, que usavam offshores, contas banc&aacute;rias em para&iacute;sos fiscais, consultorias de fachadas e funda&ccedil;&otilde;es para n&atilde;o deixar rastros. A partir dessas constata&ccedil;&otilde;es, a PF e o MP conseguiram chegar ao topo do esquema. Ou seja, em nomes da alta c&uacute;pula do PSDB paulista que podem ter tido voz ativa e poder de decis&atilde;o no esc&acirc;ndalo que foi o embri&atilde;o da m&aacute;fia dos transportes sobre trilhos. S&atilde;o eles os tucanos Andrea Matarazzo, ministro do governo FHC e secret&aacute;rio estadual nas gest&otilde;es Serra e Covas, Henrique Fingermann e Eduardo Jos&eacute; Bernini, ex-dirigentes da Empresa Paulista de Transmiss&atilde;o de Energia El&eacute;trica (EPTE). Serrista de primeira hora, Matarazzo &eacute; acusado de corrup&ccedil;&atilde;o por ter se beneficiado de &ldquo;vantagens oferecidas pela Alstom&rdquo;. De acordo com relat&oacute;rio do MP, as opera&ccedil;&otilde;es aconteciam por meio dos executivos Pierre Chazot e Philippe Jaffr&eacute;, representantes da Alstom no esquema que teria distribu&iacute;do mais de US$ 20 milh&otilde;es em suborno no Pa&iacute;s. &Eacute; a chamada conex&atilde;o franco-tucana.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Para avan&ccedil;ar ainda mais nas investiga&ccedil;&otilde;es e conseguir esquadrinhar com precis&atilde;o o papel de cada um no esquema, a procuradoria da Rep&uacute;blica obteve judicialmente a quebra dos sigilos banc&aacute;rios e fiscais dos tr&ecirc;s l&iacute;deres tucanos e de mais oito pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Constam da lista lobistas, intermedi&aacute;rios e secret&aacute;rios ou presidentes de estatais durante a gest&atilde;o de M&aacute;rio Covas (PSDB) em S&atilde;o Paulo. A ordem judicial tamb&eacute;m solicitou informa&ccedil;&otilde;es sobre o paradeiro dos dois executivos franceses. As investiga&ccedil;&otilde;es conduzidas at&eacute; agora j&aacute; produziram avan&ccedil;os importantes. Conclu&iacute;ram que parte da propina paga pela Alstom abasteceu os cofres do PSDB paulista.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Documentos e depoimentos obtidos tamb&eacute;m j&aacute; foram considerados suficientes para Milton Fornazari J&uacute;nior, delegado da Pol&iacute;cia Federal, estabelecer que as ordens dos executivos franceses Pierre Chazot e de Philippe Jaffr&eacute; eram suficientes para convencer os mais altos escal&otilde;es do governo estadual a conceder a Alstom vit&oacute;rias em contratos superfaturados para o fornecimento de equipamentos no setor de energia. Eles usavam aquilo que um executivo da empresa francesa qualificou de &ldquo;pol&iacute;tica de poder pela remunera&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Uma s&eacute;rie de evid&ecirc;ncias demonstra que a m&aacute;fia na &aacute;rea de energia serviu como uma esp&eacute;cie de embri&atilde;o do cartel dos trens. Ao elencar os motivos do pedido de quebra de sigilo, o procurador da Rep&uacute;blica Rodrigo de Grandis faz a liga&ccedil;&atilde;o entre os dois esquemas ao destacar a exist&ecirc;ncia de &ldquo;contratos de consultoria fict&iacute;cios utilizados para o pagamento, entre abril e outubro de 1998, quando a Alstom T&amp;D (por meio do cons&oacute;rcio franco-brasileiro Gisel) e a Eletropaulo negociavam um contrato aditivo &agrave; obra de reforma e expans&atilde;o do Metr&ocirc; de S&atilde;o Paulo&rdquo;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Os m&eacute;todos para acobertar os pagamentos de suborno utilizados pela Alstom se assemelham aos de outras empresas do cartel dos trens, a exemplo da Siemens. Como ISTO&Eacute; mostrou em julho, a multinacional alem&atilde;, por meio de sua matriz ou filial brasileira, contratava as offshores uruguaias Leraway Consulting S\/A e Gantown Consulting S\/A, controladas pelos lobistas Arthur Teixeira e S&eacute;rgio Teixeira, falecido.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;Os irm&atilde;os ficavam encarregados de intermediar ou distribuir o dinheiro da propina. Por&eacute;m, o n&uacute;mero de empresas em para&iacute;sos fiscais usadas pela Alstom para encobrir o pagamento dos subornos pode ter sido bem maior. Pelo menos cinco j&aacute; foram identificadas: a MCA, comandada por Romeu Pinto J&uacute;nior e com sede no Uruguai, a Taltos, a Andros, a Janus e a Splendore. Elas eram operadas pelos franceses Pierre Chazot e Philippe Jaffr&eacute;, ent&atilde;o executivos da Alstom, por meio de procura&ccedil;&otilde;es. Eles abriam contas nos Estados Unidos e na Su&iacute;&ccedil;a e distribu&iacute;am os recursos. Foi atrav&eacute;s dessa engrenagem que o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e homem forte do governo M&aacute;rio Covas, Robson Marinho, recebeu cerca de US$ 1 milh&atilde;o em uma conta na Su&iacute;&ccedil;a. O montante encontra-se bloqueado pela Justi&ccedil;a do pa&iacute;s europeu.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Se algu&eacute;m preferisse receber no Brasil, os executivos da francesa Alstom tamb&eacute;m se encarregavam de fazer o caminho de volta por um doleiro. Em depoimento ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico, Romeu Pinto J&uacute;nior confirmou que recebia os valores em notas e que o executivo Pierre Chazot &ldquo;lhe ordenava entregar os pacotes com dinheiro em esp&eacute;cie a pessoas&rdquo;. Por&eacute;m, inacreditavelmente, declarou &ldquo;que desconhece a identidade&rdquo; daqueles que foram os destinat&aacute;rios dos polpudos envelopes. Parte do dinheiro que chegou &agrave;s m&atilde;os de Romeu veio pelo doleiro Luiz Filipe Malh&atilde;o e Sousa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ele assumiu para as autoridades ter feito duas remessas de contas da MCA do Exterior para o Brasil. &ldquo;A primeira no valor de US$ 209.659,57&rdquo;, destaca documento do MPF. &ldquo;A segunda no valor de US$ 298.856,47&rdquo;, consta em outro trecho. A origem de ambas as opera&ccedil;&otilde;es era uma conta da MCA no banco Union Bacaire Priv&eacute;e, de Zurique, na Su&iacute;&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Assim como outras empresas do cartel, o conglomerado franc&ecirc;s tamb&eacute;m lavava o dinheiro da propina em territ&oacute;rio nacional. O esquema consistia em contratar empresas brasileiras que emitiam notas de servi&ccedil;os que nunca foram prestados. Em troca de comiss&atilde;o, os valores pagos eram repassados pelos contratados a pol&iacute;ticos e servidores p&uacute;blicos, sempre seguindo as ordens dos executivos do grupo franc&ecirc;s. Era esse servi&ccedil;o que a Acqua Lux Engenharia e Empreendimentos, com um &uacute;nico funcion&aacute;rio, desempenhava. &ldquo;A principal origem de receitas (da Acqua Lux) adv&eacute;m de servi&ccedil;os prestados &agrave; Alstom T&amp;D Ltda.&rdquo;, destaca documento do MPF. &ldquo;Os peritos verificaram a possibilidade de a empresa, nos anos 2000 e 2001, n&atilde;o ter prestado efetivamente servi&ccedil;os para a Alstom&rdquo;, diz o MP em outro trecho. O propriet&aacute;rio da companhia, Sabino Indelicato, figura entre os indiciados pela Pol&iacute;cia Federal. Na Siemens, a encarregada dessa fun&ccedil;&atilde;o era a MGE Transportes, dirigida por Ronaldo Moriyama. De acordo com uma planilha de pagamentos do conglomerado alem&atilde;o, j&aacute; revelada por ISTO&Eacute;, a empresa alem&atilde; pagou &agrave; MGE R$ 2,8 milh&otilde;es at&eacute; junho de 2006. Desse total, pelo menos R$ 2,1 milh&otilde;es foram sacados na boca do caixa por representantes da MGE para serem distribu&iacute;dos a pol&iacute;ticos e diretores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;Tamb&eacute;m chama a aten&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal e do Minist&eacute;rio P&uacute;blico o fato de os dois esc&acirc;ndalos utilizarem lobistas e consultores em comum. Um deles &eacute; Jorge Fagali Neto. Ex-secret&aacute;rio de Transportes Metropolitanos do Estado de S&atilde;o Paulo (1994) e diretor dos Correios na gest&atilde;o Fernando Henrique Cardoso, Fagali Neto &eacute; conhecido pelo seu bom tr&acirc;nsito entre os tucanos. Seu irm&atilde;o Jos&eacute; Jorge Fagali foi presidente do Metr&ocirc; na gest&atilde;o de Jos&eacute; Serra e &eacute; investigado pelo MP e pelo Tribunal de Contas Estadual por fraudar licita&ccedil;&otilde;es e assinar contratos superfaturados &agrave; frente do estatal.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;Em 2009, autoridades su&iacute;&ccedil;as sequestraram uma conta conjunta com US$ 7,5 milh&otilde;es de Fagali Neto com Jos&eacute; Geraldo Villas Boas &ndash; tamb&eacute;m indiciado pela PF. A quantia depositada no banco Leumi Private Bank AG teve como origem o caixa da francesa Alstom. Agenda e e-mails entregues por uma ex-funcion&aacute;ria de Fagali Neto ao MP mostram que ele prestava servi&ccedil;os tamb&eacute;m a outras empresas da &aacute;rea de transporte sobre trilhos relacionadas ao cartel. Entre elas, a canadense Bombardier e Tejofran.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O seu interesse pelo setor &eacute; tamanho que, por e-mail, ele recebeu irregularmente planilhas de um projeto ainda em desenvolvimento de Pedro Benvenuto, dirigente da Secretaria de Transportes Metropolitanos de S&atilde;o Paulo demitido nas esteiras das acusa&ccedil;&otilde;es. Em outra troca de mensagens com agentes p&uacute;blicos, Fagali Neto tamb&eacute;m mostra preocupa&ccedil;&atilde;o com a obten&ccedil;&atilde;o de financiamento junto ao Banco Mundial (Bird), BNDES ou JBIC para as obras das linhas 2 e 4 do Metr&ocirc; paulista. Tamanha interliga&ccedil;&atilde;o entre os esquemas, segundo o Minist&eacute;rio P&uacute;blico e a Pol&iacute;cia Federal, n&atilde;o &eacute; mera coincid&ecirc;ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reportagem da revista Isto \u00c9 afirma: l\u00edderes tucanos operaram junto com franceses para montar o propinoduto. Acordos come\u00e7aram na \u00e1rea de energia e se reproduziram no transporte em SP.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20731,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2168,3244,2521,1421],"class_list":["post-14350","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-metro","tag-propino","tag-sp","tag-tucanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14350","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14350"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14350\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20731"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14350"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14350"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14350"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}