{"id":14263,"date":"2013-09-29T00:00:00","date_gmt":"2013-09-29T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/fnde-repassa-recursos-para-construcao-de-creche-em-vere\/"},"modified":"2024-12-10T18:02:38","modified_gmt":"2024-12-10T21:02:38","slug":"fnde-repassa-recursos-para-construcao-de-creche-em-vere","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/fnde-repassa-recursos-para-construcao-de-creche-em-vere\/","title":{"rendered":"Lula: N\u00e3o foi julgamento, mas sim linchamento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:justify\">S&atilde;o Paulo &#8211; A casa discreta no tradicional bairro do Ipiranga em nada lembra os pal&aacute;cios de Bras&iacute;lia mas seu principal inquilino ali trabalha cerca de 10 horas por dia, com a mesma disposi&ccedil;&atilde;o que, nos oito anos em que governou o Brasil, extenuava auxiliares &#8211; hoje reduzidos a uma pequena equipe.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O ex-presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva levanta-se em S&atilde;o Bernardo do Campo &agrave;s seis horas da manh&atilde;, faz duas horas de exerc&iacute;cios f&iacute;sicos, toma caf&eacute; e chega ao instituto que leva seu nome por volta das 9h, raramente saindo antes das 20h. Ali recebe pol&iacute;ticos, empres&aacute;rios, sindicalistas, intelectuais, agentes sociais e personalidades em busca de seu apoio a uma causa ou projeto. Quase tr&ecirc;s anos ap&oacute;s deixar a Presid&ecirc;ncia e depois da vit&oacute;ria contra o c&acirc;ncer, Lula declara-se completamente &quot;desencarnado&quot; do cargo e com a sa&uacute;de restaurada, o que a voz, agora limpa das sequelas do tratamento, confirma.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Por telefone, ele &eacute; alcan&ccedil;ado tamb&eacute;m por interlocutores de diferentes pa&iacute;ses, por convites para viagens e palestras no Brasil e no exterior. No ano que vem, o ritmo vai cair, pois ele vai ajudar, &quot;como puder&quot;, na campanha da sucessora Dilma pela reelei&ccedil;&atilde;o. &quot;Se ela n&atilde;o puder ir para o com&iacute;cio num determinado dia, eu vou no lugar dela. Se ela for para o Sul, eu vou para o Norte. Se ela for para o Nordeste, eu vou para o Sudeste&quot;, disse o ex-presidente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Nas instala&ccedil;&otilde;es simples da casa no Ipiranga, o que denuncia o inquilino s&atilde;o as fotografias nas paredes, de momentos especiais da Presid&ecirc;ncia, selecionadas pelo fot&oacute;grafo Ricardo Stuckert, que continua a seu lado, assim como os assessores Clara Ant, Luiz Dulci e Paulo Okamoto. Na sala de trabalho, em vez das cigarrilhas, chicletes sabor canela. Foi l&aacute; que, na quinta, 26, Lula recebeu o Correio para uma entrevista de duas horas em que n&atilde;o parou de falar. Da vida no poder e fora dele, da disputa eleitoral do ano que vem, passando por espionagem, Mais M&eacute;dicos, mensal&atilde;o e novos partidos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Lula tamb&eacute;m falou, pela primeira vez, sobre a Opera&ccedil;&atilde;o Porto Seguro, a investiga&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal, que revelou um esquema de favorecimentos em altos cargos do governo federal e provocou a demiss&atilde;o de Rosemary Noronha, a ex-chefe do gabinete da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica em S&atilde;o Paulo. E disse ter saudades de Bras&iacute;lia: &quot;O nascer e o p&ocirc;r do sol no Alvorada s&atilde;o inesquec&iacute;veis&quot;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Considerado um eleitor de 58 milh&otilde;es de votos por conta do total de apoios conquistados na &uacute;ltima elei&ccedil;&atilde;o que disputou, em 2006, Lula confessou, sem dissimula&ccedil;&atilde;o, que deixar o poder foi &quot;como se me tivessem desligado da tomada&quot;. E que n&atilde;o foi f&aacute;cil aprender a ser ex-presidente. Para evitar a tenta&ccedil;&atilde;o de dar palpites sobre o novo governo, disse que decidiu visitar 32 pa&iacute;ses nos primeiros 10 primeiros meses de 2011, at&eacute; que o c&acirc;ncer foi descoberto, no dia de seu anivers&aacute;rio, 27 de outubro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Vencido o calv&aacute;rio do tratamento, ele voltou &agrave; rotina no Instituto, vacinou-se contra o &quot;Volta Lula&quot;, antecipando o lan&ccedil;amento da candidatura Dilma, e agora se prepara para mais uma campanha eleitoral. Ele acha que a presidente ser&aacute; reeleita, lamenta o desenlace da alian&ccedil;a com Eduardo Campos, embora reconhe&ccedil;a as qualidades do governador para a disputa, evita especular sobre o destino dos votos de Marina Silva, caso ela saia da corrida, e parece revelar prefer&ecirc;ncia por Jos&eacute; Serra como advers&aacute;rio tucano, ao dizer que o PSDB ter&aacute; mais trabalho para tornar A&eacute;cio Neves conhecido. Uma contradi&ccedil;&atilde;o com o que ele mesmo fez, ao lan&ccedil;ar uma tamb&eacute;m desconhecida Dilma como candidata em 2010. Uma coisa &eacute; certa. &quot;Desencarnado&quot; e em plena forma, Lula ser&aacute; um &quot;grande eleitor&quot; em 2014.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Deixar de ser presidente trouxe al&iacute;vio ou pesar?&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil falar sobre isso. Eu achava que seria simples deixar a Presid&ecirc;ncia. O (Jo&atilde;o) Figueiredo, que saiu pela porta dos fundos, at&eacute; pediu para ser esquecido. Quando a pessoa n&atilde;o sai bem, quer esquecer mesmo. Mas eu sa&iacute; no momento mais auspicioso da vida de um governante. Eu brincava com o Franklin (Martins): se eu ficar mais alguns meses, vou ultrapassar os 100% de aprova&ccedil;&atilde;o. Foi como se me desligassem de uma tomada. Num dia voc&ecirc; &eacute; rei, no outro dia n&atilde;o &eacute; nada. Depois de entregar o cargo, cheguei a S&atilde;o Bernardo e havia um com&iacute;cio, organizado por amigos e pessoas do sindicato. O Sarney me acompanhou. Antes, visitei o Z&eacute; Alencar, choramos juntos. Eu fiquei danado da vida porque achava que ele devia ter ido &agrave; posse e subido a rampa de maca, mas os m&eacute;dicos n&atilde;o deixaram. Participei do com&iacute;cio e quando deu 11 horas da noite eu subi para o apartamento. Ao me despedir dos que trabalharam comigo na seguran&ccedil;a e voltariam a Bras&iacute;lia, o general me disse: &quot;Olha presidente, daqui a tr&ecirc;s dias os celulares da Presid&ecirc;ncia ser&atilde;o desligados e os carros ser&atilde;o recolhidos&quot;. Mas levaram apenas tr&ecirc;s minutos para me desconectarem. Este &eacute; o lado hil&aacute;rio da coisa. Mas ser ex-presidente &eacute; um aprendizado sobre como se comportar, evitando interferir no novo governo. Quem sai precisa limpar a cabe&ccedil;a, assimilar que n&atilde;o &eacute; mais presidente. Mas &eacute; dif&iacute;cil sair de um dia a dia alucinante, acordar de manh&atilde; e perguntar: e agora?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Mas como conseguiu resolver o &quot;desligamento&quot;?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Entre mar&ccedil;o de 2011 e a descoberta do meu c&acirc;ncer, em outubro, eu fiz 36 viagens internacionais, visitei dezenas de pa&iacute;ses africanos e latino-americanos. Eu queria ficar fora do Brasil para vencer a tenta&ccedil;&atilde;o de ficar dando palpites. Decidi voltar para o Instituto, que eu j&aacute; tinha, e comecei a trabalhar aqui. No dia do meu aniversario fui levar a Marisa para fazer um exame mas acabaram descobrindo o c&acirc;ncer em mim. E a&iacute; foi um ano de tortura. Nunca pensei que fosse t&atilde;o dif&iacute;cil fazer quimioterapia e radioterapia. A doen&ccedil;a, a interna&ccedil;&atilde;o, o fato de n&atilde;o poder falar ajudaram no desligamento. Fui desencarnando e hoje isso est&aacute; bem resolvido na minha cabe&ccedil;a. Este ano, no evento dos 10 anos de governos do PT, quando eu disse que a Dilma era minha candidata, eu queria tirar de vez da minha cabe&ccedil;a a hist&oacute;ria de voltar a ser candidato. Antes que os outros insistissem, antes que o PT viesse com gracinhas, antes que os advers&aacute;rios da Dilma viessem para o meu lado, eu resolvi dar um basta e fim de papo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Mesmo com eventuais &quot;Volta Lula&quot;, com manifesta&ccedil;&otilde;es, crises?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Mesmo. Hoje h&aacute; pessoas defendendo o fim da reelei&ccedil;&atilde;o. Eu sempre fui contra a reelei&ccedil;&atilde;o mas hoje posso dizer que ela &eacute; um beneficio, uma das poucas coisas boas que copiamos dos americanos. Em quatro anos, voc&ecirc; n&atilde;o consegue realizar uma &uacute;nica obra estruturante no pais. Depois, o eleitor pode julgar o governante no meio do per&iacute;odo. Bush pai n&atilde;o se reelegeu, Carter n&atilde;o se reelegeu. Mas foi bom para os Estados Unidos o Clinton ter governado oito anos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>O senhor n&atilde;o ficou tentado a buscar o terceiro mandato, quando o deputado Devanir apresentou aquela emenda?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Eu fui contra. Chamei o partido e disse: n&atilde;o quero brincar com a democracia. Se eu conseguir o terceiro, amanh&atilde; vir&aacute; algu&eacute;m querendo o quarto, o quinto. Sou amplamente favor&aacute;vel &agrave; altern&acirc;ncia no poder, de pessoas e de segmentos sociais. Comigo, pela primeira vez um oper&aacute;rio chegou &agrave; presid&ecirc;ncia. Com a Dilma, a primeira mulher. Quer mais mudan&ccedil;a do que isso? Quero que o povo continue mudando. Para errar ou acertar, n&atilde;o importa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Deixar o poder traz mais liberdade?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Eu nunca tive liberdade, nem antes nem depois. Fiquei oito anos em Bras&iacute;lia sem ir a um restaurante, a um aniversario, a um casamento, porque tinha medo daquele mundo futriqueiro de Bras&iacute;lia. Mesmo hoje, prefiro passar o final de semana em casa, de bermudas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Mas afora os problemas do poder, alguma saudade de Bras&iacute;lia?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Olha, o nascer e o p&ocirc;r do sol no Alvorada s&atilde;o para mim inesquec&iacute;veis. Todos os domingos de manh&atilde;, eu e Marisa pesc&aacute;vamos. H&aacute; um lago no Torto, outro no Alvorada, e h&aacute; o Lago Parano&aacute;. Houve um dia em que a Marisa pegou 26 tucunar&eacute;s, ali no p&iacute;er onde fica o barco da Presid&ecirc;ncia. Disso eu tenho saudade. N&atilde;o pude conviver, por precau&ccedil;&atilde;o minha. Mas o c&eacute;u de Bras&iacute;lia &eacute; muito bonito. O clima &eacute; extraordin&aacute;rio, o padr&atilde;o de vida do Plano Piloto &eacute; invej&aacute;vel. N&atilde;o &eacute; mais aquela cidade criticada porque n&atilde;o tinha esquinas. O povo soube fazer suas esquinas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>O que considera como mudan&ccedil;as importantes deixadas por seu governo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">As coisas que foram feitas, se em algum momento foram negadas, a verdade foi mais forte que a vers&atilde;o. A ONU acaba de reconhecer, com dados irrefut&aacute;veis, que o Brasil foi o pais que mais combateu e reduziu a pobreza nos &uacute;ltimos 10 anos. Eu queria provar que quando o Estado assume a responsabilidade de cuidar dos pobres, isso tem efeitos. Tenho muito orgulho de ter sido um presidente que, sem ter diploma universit&aacute;rio, foi o que mais criou universidades no Brasil, o que mais fez escolas t&eacute;cnicas, o que colocou mais pobres na universidade&#8230; J&aacute; houve presidentes da Rep&uacute;blica que tinham diplomas e mais diplomas, fizeram muito pouco pela educa&ccedil;&atilde;o. N&oacute;s provamos que era poss&iacute;vel fazer porque decidimos que educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o era gasto, era investimento. A outra coisa de que muito orgulho &eacute; de ter sido o primeiro presidente que fez com que o povo se sentisse na Presid&ecirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>E o qu&ecirc; o senhor considera o maior erro de seu governo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Certamente cometi muitos erros. Os advers&aacute;rios devem se lembrar mais deles do que eu. Mas fiz as coisas que achava que poderia fazer. H&aacute; quem me pergunte se n&atilde;o me arrependo de ter indicado tais pessoas para a Suprema Corte. Eu n&atilde;o me arrependo de nada. Se eu tivesse que indicar hoje, com as informa&ccedil;&otilde;es que eu tinha na &eacute;poca, indicaria novamente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>E com as informa&ccedil;&otilde;es atuais?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Eu teria mais crit&eacute;rio. Um presidente recebe listas e mais listas com nomes, indicados por governadores, deputados, senadores, advogados, ministros de tribunais. E &eacute; preciso ter quem ajude a pesquisar e avaliar as pessoas indicadas. Eu tinha o M&aacute;rcio Tomas Bastos no Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, o (Dias) Toffoli na Casa Civil&#8230; Uma coisa que lamento &eacute; n&atilde;o ter aprovado a reforma tributaria, e tentei duas vezes. Hoje estou convencido de que n&atilde;o poder&aacute; ser feita como pacote, mas fatiada, tema por tema. Eu mandava um projeto com apoio de todo mundo mas as for&ccedil;as ocultas de que falava o J&acirc;nio se apresentavam nas comiss&otilde;es do Congresso e paravam tudo. Eu receava tamb&eacute;m que segundo mandato fosse repetitivo, com ministros n&atilde;o querendo trabalhar. Foi a&iacute; que tivemos a ideia do PAC. Mas acho que poucos conseguir&atilde;o repetir o que fizemos entre 2007 e 2010. Era o time do Barcelona jogando. Tudo fluiu bem. Posso ter errado mas n&atilde;o tenho arrependimentos. Tenho frustra&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o ter feito mais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Voltando &agrave; indica&ccedil;&atilde;o dos ministros do STF. Hoje, se o senhor pudesse voltar no tempo&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Nem podemos pensar nisso. Eu n&atilde;o sou mais presidente, eles j&aacute; est&atilde;o indicados e ir&atilde;o se aposentar l&aacute;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>O senhor continua fazendo palestras?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Tenho feito mas vou reduzir. No ano que vem vou me dedicar um pouco &agrave; campanha. Voc&ecirc;s sabem que um ex-presidente da Republica n&atilde;o tem aposentadoria. N&atilde;o tendo aposentadoria de outra origem, ter&aacute; que ser mantido pelo partido dele ou ter&aacute; que se virar. Mas voc&ecirc; s&oacute; &eacute; convidado para fazer palestras se tiver sido exitoso no governo. O Fernando Henrique inovou e passou a fazer palestras. O PT ofereceu-me um sal&aacute;rio e eu agradeci. Eu mesmo ia tratar da minha sobreviv&ecirc;ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>O que acha das criticas de que existiria conflito de interesses quando as empresas t&ecirc;m contratos com o governo?&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Acho uma cretinice. Primeiro porque n&atilde;o fa&ccedil;o nada al&eacute;m do que eu fazia como presidente. Eu tinha orgulho de chegar a qualquer pais e falar da soja, do etanol, da carne, da fruta, da engenharia, dos avi&otilde;es da Embraer&#8230; Eu vendia isso com o maior prazer do mundo. Com orgulho. Eu achava que isso era papel do presidente da Republica. Quando Bush veio aqui, fomos a um posto que vendia etanol. E havia l&aacute; um carro da Ford e outro da GM. Chamei o Bush para tirarmos uma foto e ele disse que n&atilde;o podia fazer merchandising de carro americano. S&oacute; que ele estava com um capacete da Petrobras na cabe&ccedil;a. Eu falei: &quot;Ent&atilde;o fica voc&ecirc; aqui que eu vou l&aacute;&quot;. Se eu puder vender as empresas brasileiras na Nig&eacute;ria, no Catar, na L&iacute;bia, no Iraque, na &Aacute;frica, eu vou vender. Estas cr&iacute;ticas tamb&eacute;m refletem o complexo de vira-lata. &Eacute; n&atilde;o compreender o sentido disso. Tenho orgulho de saber que quando cheguei &agrave; Presid&ecirc;ncia n&atilde;o havia uma s&oacute; fabrica brasileira na Col&ocirc;mbia e hoje existem 44. Havia duas no Peru e hoje s&atilde;o 66. De termos ampliado nossa presen&ccedil;a na Argentina ou na &Aacute;frica. Se n&atilde;o formos n&oacute;s, ser&atilde;o os chineses, os ingleses, os franceses. E n&atilde;o s&atilde;o apenas empresas de engenharia. Hoje temos f&aacute;brica de retro virais em Mo&ccedil;ambique, SENAI e escolinhas de futebol do Corinthians em mais de 13 pa&iacute;ses africanos. Agora mesmo me pediram para tentar levar o v&ocirc;lei para a &Aacute;frica, onde o esporte n&atilde;o existe. E vou ajudar com o maior prazer. S&oacute; n&atilde;o vou jogar porque tenho bursite. Mas veja a malandragem. Todas as empresas, inclusive as de jornais e de televis&atilde;o, t&ecirc;m lobistas em Bras&iacute;lia. Mas s&atilde;o chamados de diretor corporativo ou institucional. Agora, se algu&eacute;m faz pelo pais, &eacute; lobista. Faz parte da pequenez brasileira. Veja o caso da Copa do Mundo. Todo pa&iacute;s quer sediar uma Copa do Mundo. O Brasil n&atilde;o pode. Ah, porque temos problemas de sa&uacute;de e moradia! Todos os pa&iacute;ses t&ecirc;m problemas, e por n&atilde;o pode ter Copa do Mundo e Olimp&iacute;ada? E o quanto uma na&ccedil;&atilde;o ganha com isso, do ponto de vista cultural, do ponto de vista do desenvolvimento? Qual &eacute; a den&uacute;ncia contra as obras?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Nos protestos, a cr&iacute;tica era ao custo das obras&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ora, se em 1960 o Brasil p&ocirc;de fazer um est&aacute;dio para a Copa do Mundo, em 2013 n&atilde;o podemos fazer outros? Pergunto qual &eacute; a denuncia? Eu deixei dois decretos, um sobre a Copa outro sobre a Olimp&iacute;ada, que est&atilde;o no site da CGU. Perguntem ao Jorge Hage onde tem corrup&ccedil;&atilde;o na Copa. O TCU designou um ministro, o Valmir Campelo, encarregado de fiscalizar especificamente os gastos com a Copa. Perguntem a ele onde h&aacute; corrup&ccedil;&atilde;o. A Copa est&aacute; marcada e tem que ser feita com a maior grandeza. Se algu&eacute;m praticar corrup&ccedil;&atilde;o, que seja posto na cadeia. J&aacute; conversei com os patrocinadores sobre a necessidade de uma narrativa diferente para a Copa do Mundo. Vi na TV pessoas chorando no Jap&atilde;o, que vai sediar uma Olimp&iacute;ada. E vi um jornalista dizer que tudo bem, o Jap&atilde;o est&aacute; retomando o crescimento, diferentemente do Brasil, que ainda &eacute; pobre. Ent&atilde;o Olimp&iacute;ada &eacute; s&oacute; para pa&iacute;ses doG-8? E ainda que fosse, o Brasil est&aacute; no G-6. N&atilde;o me conformo com o complexo de vira lata e com o denuncismo infundado. Precisamos de uma lei que puna tamb&eacute;m o autor de den&uacute;ncia falsa.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Falando nas manifesta&ccedil;&otilde;es, o que mudou com elas no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Eu acho que fizeram muito bem ao Brasil. Com exce&ccedil;&atilde;o dos mascarados. Todas as reivindica&ccedil;&otilde;es que apresentaram, um dia n&oacute;s tamb&eacute;m pedimos. Veja o discurso de (Fernando) Haddad na campanha de S&atilde;o Paulo: &quot;Da porta da casa para dentro a vida melhorou, mas da porta para fora ainda precisa melhorar.&quot; Hoje muito mais gente anda de carro mas o transporte p&uacute;blico n&atilde;o melhorou. Eu andava de &ocirc;nibus lotados como latas de sardinha em 1959, e continua a mesma coisa. O Haddad agora me disse: &quot;Precisando de tanto dinheiro, conseguimos reduzir em 50 minutos o tempo de viagem s&oacute; com latas de tinta&quot;. As faixas exclusivas para &ocirc; &ocirc;nibus tiveram uma aprova&ccedil;&atilde;o de 93% das pessoas. O povo nos disse o seguinte: &quot;J&aacute; conquistamos algumas coisas e queremos mais&quot;. As pessoas querem mais, mais sal&aacute;rio, mais transporte, melhorarias na rua, e isso &eacute; extraordin&aacute;rio. Nem d&aacute; mais para ficar dividindo tarefa: isso &eacute; com o prefeito, isso com o governador, aquilo com o presidente. Agora &eacute; tudo junto.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Haddad n&atilde;o errou, quando demorou a recuar na tarifa?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Houve muita gente ponderando para o Haddad que era preciso recuar. Se ele tivesse dado o aumento em janeiro, n&atilde;o tinha acontecido o que aconteceu. Ele e o prefeito do Rio foram convencidos de que, adiando o aumento, ajudariam no controle da infla&ccedil;&atilde;o. Eles concordaram e tudo caiu nas costas deles. Meu primeiro movimento foi mostrar ao Haddad que aquilo n&atilde;o era contra ele, que ainda estava muito novo no cargo: &quot;Haddad, levante a cabe&ccedil;a, tira proveito disso, que bom que o povo esta se manifestando&quot;. Acho que ele demorou uns dois ou tr&ecirc;s dias mas foi correto. E o transporte &eacute; caro mesmo&#8230; Enfim, as manifesta&ccedil;&otilde;es nos ensinaram que o desejo do povo de mudar as coisas &eacute; infinito. N&oacute;s todos queremos sempre mais. Quem consegue um aumento de 10% nos sal&aacute;rios e logo depois quer outro. Quem consegue comprar carne de segunda passa a querer carne de primeira. T&iacute;nhamos 48 milh&otilde;es de pessoas que andavam de avi&atilde;o em 2007. Em 2012, eram 103 milh&otilde;es. Hoje tem gente que entra no avi&atilde;o e n&atilde;o sabe nem guardar a mala. Alguns acham isso ruim. Eu acho &oacute;timo. Tem mais gente indo a restaurantes, a museus, a institutos de beleza, e isso &eacute; um bom sinal. A &uacute;nica coisa que eu critico &eacute; a nega&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica. Ela sempre resulta em algo pior, como o fascismo, o nazismo. Tenho dito ao PT para enfrentar o debate. Vamos perguntar aos tucanos por que eles derrotaram a CPMF, tirando 40 bilh&otilde;es da sa&uacute;de por ano em meu governo, achando que iam me prejudicar. E eu disse: quem vai pagar &eacute; o povo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>E o programa Mais m&eacute;dicos, &eacute; uma boa solu&ccedil;&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&Eacute; uma coisa fant&aacute;stica mas vai fazer com que o povo fique ainda mais exigente com a sa&uacute;de. O sujeito vai subir o primeiro degrau. Vai ter um m&eacute;dico que vai lhe pedir os primeiros exames, e a sa&uacute;de vai ser problema outra vez. Discutir sa&uacute;de sem discutir dinheiro, n&atilde;o acredito. E n&atilde;o adianta dizer, como fazem os hip&oacute;critas, que o problema &eacute; s&oacute; de gest&atilde;o. Chamem os 10 melhores gestores do planeta e perguntem como oferecer tomografia, resson&acirc;ncia, tratamento de c&acirc;ncer, sem dinheiro. O hip&oacute;crita diz: &quot;Eu pago caro por um plano de sa&uacute;de, porque o SUS ao me entende&quot;. Mas quando ele vai fazer a declara&ccedil;&atilde;o de renda, desconta tudo do imposto a pagar. Ent&atilde;o quem paga a alta complexidade para ele &eacute; o povo brasileiro. E a&iacute; vem a FIESP fazer campanha para acabar com a CPF. N&atilde;o foi para reduzir custos mas para tirar do governo o instrumento de combate &agrave; sonega&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>O Mais M&eacute;dicos &eacute; uma marca de governo para Dilma?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Os m&eacute;dicos brasileiros que protestaram sabem que cometeram um erro grav&iacute;ssimo. O (Alexandre) Padilha tem dito, corretamente: &quot;N&atilde;o queremos tirar o emprego de m&eacute;dico brasileiro. Queremos trazer m&eacute;dicos para atender nos locais onde faltam m&eacute;dicos brasileiros&quot;. Em vez de protestar, eles deveriam ter feito um comit&ecirc; de recep&ccedil;&atilde;o aos colegas estrangeiros. E Deus queira que um dia o Brasil forme tantos m&eacute;dicos que possa mandar m&eacute;dicos os para um pais africano. &Eacute; admir&aacute;vel que um pais pequeno como Cuba, que sofre um embargo comercial h&aacute; 60 anos, tenha m&eacute;dicos para nos ceder. Hoje h&aacute; maquinas que descobrem o c&acirc;ncer com menos de um mil&iacute;metro. Mas quantos t&ecirc;m acesso a isso? Sa&uacute;de boa e barata e n&atilde;o existe, algu&eacute;m tem que pagar a conta. Num pa&iacute;s em constru&ccedil;&atilde;o, como o nosso, sempre haver&aacute; protestos. Temos de consolidar a democracia, sabendo que ela n&atilde;o pode ser exercitada fora da pol&iacute;tica. Tem gente que diz &quot;eu n&atilde;o sou pol&iacute;tico&quot; e come&ccedil;a a dar palpite na pol&iacute;tica. Esse &eacute; o pior pol&iacute;tico. Como eu fui ignorante, dou meu exemplo. Em 1978, no auge das greves do ABC, eu achava o m&aacute;ximo dizer: &quot;N&atilde;o gosto de pol&iacute;tica nem de quem gosta de pol&iacute;tica&quot;. A imprensa paulista me tratava como her&oacute;i. Eu era &quot;o metal&uacute;rgico&quot;. Dois meses depois, eu estava fazendo campanha para Fernando Henrique, que disputava o Senado por uma sublegenda do MDB. Dois anos depois, eu estava criando um partido pol&iacute;tico. Ningu&eacute;m deve ser como o analfabeto pol&iacute;tico do Bertolt Brecht. N&atilde;o se muda o pa&iacute;s sem pol&iacute;tica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Segunda parte<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">S&atilde;o Paulo &#8211; Em segunda parte de entrevista exclusiva concedida ao Correio , o ex-presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva afirma que Marina Silva tem o direito de ser candidata &agrave; Presid&ecirc;ncia. Por&eacute;m, o l&iacute;der hist&oacute;rico do PT afirma que, caso o projeto da ex-colega de partido d&ecirc; errado, &eacute; necess&aacute;rio brigar pelos votos que ela receberia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Al&eacute;m disso, Lula tamb&eacute;m falou sobre temas sens&iacute;veis, como a reforma pol&iacute;tica, a divis&atilde;o interna do Partido dos Trabalhadores e sobre o esc&acirc;ndalo envolvendo a ex-chefe do Gabinete da Presid&ecirc;ncia em S&atilde;o Paulo, Rosemary Noronha.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Na semana passada, foram criados dois novos partidos pol&iacute;ticos, houve um grande troca-troca de deputados, para l&aacute; e para c&aacute;. Como voc&ecirc; v&ecirc; isso?&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O fato de voc&ecirc; legalizar um partido &eacute; o menos importante. Levar 10, 15 deputados, tamb&eacute;m. Eu quero saber &eacute; se na pr&oacute;xima elei&ccedil;&atilde;o estes partidos passar&atilde;o pelo teste das urnas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Marina Silva talvez n&atilde;o consiga registrar o partido dela.. .<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Quando n&oacute;s fomos construir o PT, as exig&ecirc;ncias legais eram at&eacute; maiores. Na primeira elei&ccedil;&atilde;o, eu achava que seria eleito governador de S&atilde;o Paulo. Eu era uma figura estranha, um metal&uacute;rgico, levava muita gente aos com&iacute;cios. Fiquei em quarto lugar. O Estad&atilde;o fez uma pesquisa, dizendo que eu tinha 10%. Eu logo xinguei a imprensa burguesa (risos). E eu tive exatamente 10% (risos). Ent&atilde;o, essas pessoas que est&atilde;o criando partidos v&atilde;o ter de trabalhar muito. E precisamos evitar as legendas de aluguel. N&atilde;o serei contra, depois de tudo que fiz pela cria&ccedil;&atilde;o do PT. Eu n&atilde;o sei se a Marina vai cumprir as exig&ecirc;ncias legais. Ela &eacute; uma personalidade pol&iacute;tica do pa&iacute;s, tem todo direito de criar um partido. Agora, tem de ter coragem de dizer que &eacute; partido, n&atilde;o tem que inventar outro nome, dizer que n&atilde;o &eacute; partido, &eacute; uma rede. &Eacute; partido e vai ter deputado, como todo partido. Mas o que vai contar nas elei&ccedil;&otilde;es de 2014 s&atilde;o os partido existentes, o PT, o PMDB, o PSB, o PSDB e outros mais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Agora, sem a candidatura de Marina, a disputa presidencial se alteraria, n&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ela ainda tem tempo. Ela tem de assistir o dia final do julgamento com a ficha de um outro partido do lado. Eu acho que a Marina tem o direito de ser candidata. Marina &eacute; um quadro pol&iacute;tico importante para o pa&iacute;s. Caso ela n&atilde;o consiga o partido e n&atilde;o seja candidata, ser&aacute; importante saber para onde ir&atilde;o os votos dela. Ningu&eacute;m pode perder o p&eacute; da realidade do pa&iacute;s, achar-se melhor que o Congresso, que l&aacute; s&oacute; tem corrupto, como vejo alguns dizerem.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>O senhor mesmo j&aacute; falou, quando disse que no Congresso havia 300 picaretas&#8230;<\/strong>&nbsp;<br \/>\nO Congresso &eacute; a cara da sociedade brasileira. Ulysses Guimar&atilde;es dizia: &quot;Toda vez que a sociedade come&ccedil;a a falar em muita mudan&ccedil;a no Congresso, o Congresso piora&quot;.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Quase 300, na realidade 280 deputados, foram respons&aacute;veis de alguma forma pela absolvi&ccedil;&atilde;o do deputado Natan Donadon em plen&aacute;rio&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Veja que eu n&atilde;o errei. O que acontece no Congresso acontece num clube de futebol, acontece no condom&iacute;nio que a gente mora, na sauna&#8230; Voc&ecirc; tem gente de qualidade, voc&ecirc; tem gente de menos qualidade, gente comprometida com os setores mais &agrave; esquerda, gente comprometida com os setores mais &agrave; direita. Se as pessoas fossem de direita ou de esquerda era melhor do que serem simplesmente fisiol&oacute;gicas. O que eu acho que mata na pol&iacute;tica &eacute; o fisiologismo. E voc&ecirc; n&atilde;o vai acabar com isso. &Eacute; uma cultura pol&iacute;tica que est&aacute; estabelecida no mundo, n&atilde;o &eacute; s&oacute; no Brasil. E n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o nacional, sen&atilde;o a It&aacute;lia n&atilde;o tinha o Berlusconi.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Mas o senhor defende a reforma pol&iacute;tica, n&atilde;o &eacute; buscando superar estes problemas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Eu defendo a reforma pol&iacute;tica mas acho que ela s&oacute; vir&aacute; quando tivermos Constituinte pr&oacute;pria para faz&ecirc;-la. O Congresso n&atilde;o vai aprovar. Pode fazer uma mudan&ccedil;a aqui, outra ali, mas n&atilde;o uma reforma profunda. Defendo o financiamento p&uacute;blico porque eu acho que &eacute; a forma mais barata e mais honesta de fazer campanha. Por que os empres&aacute;rios n&atilde;o defendem o financiamento p&uacute;blico? N&atilde;o seria melhor para eles, n&atilde;o ter que dar dinheiro para candidato? Mas eles preferem que os pol&iacute;ticos dependam deles. Eu li a biografia do Juscelino, os dois volumes do (Get&uacute;lio) Vargas, do Lira Neto (escritor cearense), estou lendo a biografia de Napole&atilde;o Bonaparte e a do Padre C&iacute;cero. A pol&iacute;tica &eacute; sempre a mesma. Nos Estados Unidos, Abraham Lincoln precisou vencer os mesmo obst&aacute;culos. Penso que com partidos mais s&eacute;rios e valorizados, com mais seriedade nas campanhas, a pol&iacute;tica ir&aacute; se qualificando e motivando mais. Eu sempre digo aos jovens: mesmo que voc&ecirc; n&atilde;o acredite em mais ningu&eacute;m, e ache que todos s&atilde;o corruptos, n&atilde;o desista. O pol&iacute;tico honesto que voc&ecirc; procura pode estar dentro de voc&ecirc;. Ao inv&eacute;s de negar a pol&iacute;tica, entre na pol&iacute;tica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>O momento mais delicado da Dilma ocorreu durante as manifesta&ccedil;&otilde;es. E naquele momento, o PMDB, o principal aliado do PT, tentou emparedar a presidente no Congresso&#8230;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O ideal de um partido pol&iacute;tico &eacute; eleger um presidente da Rep&uacute;blica, eleger a maioria dos governadores, eleger a maioria dos senadores, a maioria dos deputados federais. Isso &eacute; o ideal. N&atilde;o parece maravilhoso? Pois bem, em 1987, o PMDB teve isso. O PMDB elegeu 306 constituintes e 23 governadores. O (Jos&eacute;) Sarney teve moleza? N&atilde;o teve. O principal advers&aacute;rio do Sarney era Ulysses Guimar&atilde;es. Por isso eu prezo a democracia. Eu fico imaginando se o PT tivesse 400 deputados, 79 senadores. Iria ser f&aacute;cil? Temos de aprender a lidar com a realidade. Angela Merkel acabou de ganhar as elei&ccedil;&otilde;es na Alemanha mas, para governar, ter&aacute; que fazer alian&ccedil;a.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>E a divis&atilde;o interna dentro do PT, entre lulistas e dilmistas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Se houver algu&eacute;m que se diz lulista e n&atilde;o dilmista, eu o dispenso de ser lulista. A Dilma &eacute; a presidenta da Rep&uacute;blica e ela representa o PT. Eu n&atilde;o estou pedindo que as pessoas gostem de Dilma. Eu quero que as pessoas a respeitem na fun&ccedil;&atilde;o institucional e saibam que o PT est&aacute; l&aacute; para apoi&aacute;-la. O povo de Bras&iacute;lia votou no (Jos&eacute; Roberto) Arruda porque acreditou que o Arruda ia fazer as mudan&ccedil;as prometidas. N&atilde;o deu certo. Voc&ecirc; vai dizer que o eleitor do Roriz era pior do que o eleitor do Agnelo? N&atilde;o era. O eleitor vota esperando que as coisas melhorem. Se tivermos agora como candidatos Dilma, A&eacute;cio, Eduardo Campos e Marina, o Brasil est&aacute; qualificado. Todos candidatos de centro-esquerda para a esquerda.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>O senhor tentou evitar o rompimento de Eduardo Campos com o governo . Agora que aconteceu, como ficar&aacute; este relacionamento. Ele pode sair do campo de sua influ&ecirc;ncia, o campo da esquerda?&nbsp;<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Eu n&atilde;o tenho influ&ecirc;ncia. Mas eu gostaria que n&atilde;o tivesse acontecido o que aconteceu.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Quem errou?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">N&atilde;o sei, acho que todo mundo errou. E eu posso estar errado tamb&eacute;m. Pode ser que o governo e o Eduardo estejam certos no rompimento, e eu errado. Mas eu n&atilde;o dou de barato que o Eduardo &eacute; candidato. Ele tem potencial? Ele tem estrutura, sabedoria pol&iacute;tica? Tem. Ele pode ser candidato, como o A&eacute;cio, a Marina. Eu s&oacute; acho que foi um preju&iacute;zo para a gente ter o PSB, e sobretudo o Eduardo Campos, do outro lado. Isso aconteceu apenas quando o Garotinho foi candidato contra mim, em 2002. Se ele vai ser candidato, n&oacute;s temos de ter uma regra de comportamento. Se a elei&ccedil;&atilde;o n&atilde;o terminar no primeiro turno, poderemos ter alian&ccedil;a no segundo turno. Ma eu n&atilde;o dou de barato que as coisas est&atilde;o definidas na elei&ccedil;&atilde;o. Nem para o Eduardo Campos ser candidato, nem para o A&eacute;cio ser candidato. Sabe-se l&aacute; o que o Serra vai tramar contra o A&eacute;cio? Nem para a Marina. Eu acho que a gente tem de ver o seguinte: temos de esperar, at&eacute; mar&ccedil;o do pr&oacute;ximo ano. S&atilde;o mais seis meses pela frente, at&eacute; as pessoas anunciarem de fato suas candidaturas. Sei apenas que, entre todos, a Dilma &eacute; a que tem mais credenciais e &eacute; mais qualificada para governar o Brasil. Eu vou percorrer o Brasil como se eu fosse candidato.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Qual ser&aacute; a diferen&ccedil;a, na disputa com o PSDB, em ter o A&eacute;cio como candidato, e n&atilde;o o Serra?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Eu acho que vai trazer mais dificuldades para o PSDB. O A&eacute;cio vai ter que se tornar conhecido. O Serra j&aacute; &eacute; conhecido, tem o recall de outras disputas. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil criar um candidato novo num pa&iacute;s do tamanho do Brasil. Ent&atilde;o eu n&atilde;o sei como o PSDB vai conseguir se livrar do Serra ou se o Serra vai conseguir provar que tem mais qualidades para ser candidato. Mas o PT n&atilde;o pode escolher advers&aacute;rio . Tem que enfrentar quem aparecer, e acho que pode ganhar dos dois.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Sua participa&ccedil;&atilde;o na campanha da Dilma agora ser&aacute; diferente da que teve em 2010?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Tem de ser diferente. Em 2010 a Dilma n&atilde;o era conhecida. Fizemos uma campanha para que ela se tornasse conhecida, e para mostrar ao eleitor o grau de confian&ccedil;a que eu tinha nela. Obviamente que depois de quatro anos de governo a Dilma passou a ser muito conhecida e conseguiu construir a sua pr&oacute;pria personalidade. Ent&atilde;o j&aacute; tem muita gente que vai votar na Dilma independentemente do Lula pedir. Naquilo que eu tiver influ&ecirc;ncia, nas pessoas que eu tiver influ&ecirc;ncia, eu vou pedir para votar na Dilma. O que eu vou fazer na campanha depende dela. Eu n&atilde;o quero estar na coordena&ccedil;&atilde;o, eu quero ser a metamorfose ambulante da Dilma. Estou disposto. Se ela n&atilde;o puder ir para o com&iacute;cio num determinado dia, eu vou no lugar dela. Se ela for para o Sul, eu vou para o Norte. Se ela for para o Nordeste, eu vou para o Sudeste. Isso quem vai determinar &eacute; ela. Eu tenho vontade de falar, a garganta est&aacute; boa. Eu estou com mais disposi&ccedil;&atilde;o, mais jovem. Apesar da idade, eu estou fisicamente mais preparado. Estou com muita saudade de falar. Faz tempo que eu n&atilde;o pego um microfone na rua para falar. Conversar um pouco com o povo brasileiro. Vou ajudar. Se for importante ficar quieto, eu vou ficar quieto. A &uacute;nica que coisa que eu n&atilde;o vou fazer &eacute; cantar, porque eu sou desafinado, mas no resto, ela pode contar comigo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>A prorroga&ccedil;&atilde;o do julgamento do mensal&atilde;o, levando as pris&otilde;es de petistas no pr&oacute;ximo ano, em plena campanha, pode atrapalhar os candidatos do PT e a pr&oacute;pria Dilma?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Eu n&atilde;o acredito, n&atilde;o. As pessoas t&ecirc;m o h&aacute;bito de menosprezar a intelig&ecirc;ncia do povo. A hist&oacute;ria n&atilde;o &eacute; contada no dia seguinte, a hist&oacute;ria &eacute; contata 50 anos depois. E eu acho que a hist&oacute;ria vai mostrar de que mais do que um julgamento, o que n&oacute;s tivemos foi um linchamento, por uma parte da imprensa brasileira, no julgamento. Eu tenho me recusado a falar disso porque sou ex-presidente, indiquei os ministros. Vou falar quando o julgamento terminar. Uma coisa eu n&atilde;o posso deixar de criticar. Se pegar o ultimo julgamento agora (dos embargos infringentes), o que a imprensa fez com o Celso de Mello foi uma coisa desrespeitosa &agrave; institui&ccedil;&atilde;o da Suprema Corte, que &eacute; o &uacute;ltimo voto. Ou seja, depois dela, ningu&eacute;m mais pode falar. Eu fiquei irritado certa vez, quando eu era presidente, o (Sep&uacute;lveda) Pertence tomou uma decis&atilde;o e algu&eacute;m escreveu que Jos&eacute; Dirceu tinha ganho no tapet&atilde;o, sem nenhum respeito a uma figura como o Pertence. Veja a arrog&acirc;ncia e a petul&acirc;ncia de algumas pessoas. Elas amanh&atilde; poder&atilde;o ser julgadas e v&atilde;o querer o direito de defesa. A sociedade brasileira j&aacute; aprendeu a separar o joio do trigo, inclusive pelo que tentaram fazer comigo em 2006, na campanha. Ningu&eacute;m poderia ter sido mais violento comigo do que foi o (Geraldo) Alckmin. Todo mundo sabe o que aconteceu na v&eacute;spera da elei&ccedil;&atilde;o, quando o delegado da Pol&iacute;cia Federal mentiu que tinham roubado a fita (na realidade, um CD), sendo que ele mesmo fez a entrega para quatro jornalistas. (Aqui, Lula se refere ao &quot;Esc&acirc;ndalo dos aloprados&quot; e ao vazamento das fotos de fotos do dinheiro usado para comprar falsos dossi&ecirc;s contra Jos&eacute; Serra e Geraldo Alckmin). Todo mundo sabe o que houve na elei&ccedil;&atilde;o do (Fernando) Haddad. Aquele julgamento (do mensal&atilde;o) no meio da elei&ccedil;&atilde;o, qual era o objetivo? Tudo isso o povo percebe.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Ent&atilde;o o senhor acha que n&atilde;o ter&aacute; efeito?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O povo sabe separar as coisas. Agora, o que n&atilde;o se pode &eacute; negar o direito das pessoas de exigirem provas. Eu sinceramente tenho muita vontade de falar, mas eu preciso me calar. Alguns companheiros est&atilde;o condenados. Se amanh&atilde; a Justi&ccedil;a falar que absolveu, estar&atilde;o condenados do mesmo jeito. Ningu&eacute;m se d&aacute; conta do que aconteceu com a fam&iacute;lia das pessoas, com os filhos das pessoas. Esta substitui&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o pela vers&atilde;o que interessa n&atilde;o pode ser adequada &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de um pa&iacute;s democr&aacute;tico.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Voltando &agrave; quest&atilde;o eleitoral, o senhor disse em determinado momento que n&atilde;o podia trincar a rela&ccedil;&atilde;o com o PMDB, mas ela tem problemas. O senhor est&aacute; ajudando a montar essas alian&ccedil;as nos estados?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">N&atilde;o. N&atilde;o sou eu. O PT vai ter as coordena&ccedil;&otilde;es regionais, a coordena&ccedil;&atilde;o de campanha e a dire&ccedil;&atilde;o nacional. Ali&aacute;s, o PT sozinho n&atilde;o pode cuidar disso. Tem de ser cuidado junto com o PMDB. N&atilde;o &eacute; a primeira vez que a gente faz uma campanha com dois palanques. Houve estados a que n&atilde;o fui durante determinada campanha porque tinha problemas entre os aliados. Em 2010, em Pernambuco, por exemplo, constru&iacute;mos uma coisa sui generis, que foi colocar dois candidatos no mesmo palanque. Eu ia l&aacute; e falava com os dois do meu lado. Se fosse poss&iacute;vel repetir isso sem tiroteio, seria &oacute;timo. Mas eu acho que vamos ter problemas em v&aacute;rios estados. Temos que dar tempo ao tempo, esperar as diverg&ecirc;ncias diminu&iacute;rem para a gente poder construir a unidade. Em mar&ccedil;o, o quadro estar&aacute; mais claro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>No Rio de Janeiro inclusive?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Sim. N&oacute;s temos de saber quem s&atilde;o os nossos advers&aacute;rios e construir a partir da&iacute; as nossas alian&ccedil;as regionais. Mas como &eacute; que voc&ecirc; vai convencer uma pessoa que quer ser candidato a governador a n&atilde;o ser candidato?<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Isso vale para o senador Lindbergh Farias?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">N&atilde;o &eacute; s&oacute; o Lindbergh. Vamos entrar na cabe&ccedil;a do Lindbergh. Ele tem o mandato de oito anos e tem um intervalo agora no meio. Se concorrer, ele n&atilde;o perde nada, ele s&oacute; ganha. Como funciona a cabe&ccedil;a dele: se n&atilde;o for candidato agora, em 2018 ter&aacute; de disputar com o Eduardo Paes ou com o S&eacute;rgio Cabral, sei l&aacute;. Ele acha ent&atilde;o que o momento dele &eacute; agora. Como voc&ecirc; vai tentar convenc&ecirc;-lo? O cara tem oito anos de mandato, n&atilde;o tem nada a perder&#8230; Na pior das hip&oacute;teses, se ele perder, estar&aacute; fazendo campanha para ele mesmo ao Senado em 2018. Isso vale para todos. Vai convencer no Par&aacute; que o cidad&atilde;o n&atilde;o deve ser candidato. Ele pode ter 1% nas pesquisas e fala (Lula bate no peito): &quot;Eu vou ganhar&quot;. Em janeiro do ano passo, eu estava em casa todo inchado, quase sem poder falar, e implorei ao Humberto Costa n&atilde;o ser candidato a prefeito em Recife. &quot;Humberto, pelo amor de Deus, o povo te elegeu senador. &Eacute; um mandato de oito anos, voc&ecirc; vai virar uma figura nacional. O PT precisa de voc&ecirc;. Voc&ecirc; quer voltar para Recife para fazer o qu&ecirc;, Humberto?&quot; Ele ent&atilde;o disse: &quot;Se &eacute; assim que o senhor pensa, n&atilde;o serei candidato&quot;. E quem foi o candidato? Humberto. Foi candidato na pior situa&ccedil;&atilde;o (Humberto perdeu no primeiro turno para Geraldo J&uacute;lio, do PSB). Quando a pessoa quer, &eacute; dif&iacute;cil evitar. Voc&ecirc;s acham que eu aprovei o Wellington (Dias) ter sido candidato a prefeito de Teresina? Um cara que saiu com quase 80% de aprova&ccedil;&atilde;o, que o povo elegeu para senador, que desgra&ccedil;a ele tinha de ser candidato a prefeito de Teresina? Mas ele foi. A&iacute;, quando toma a porrada que tomou, ele fala: &quot;(Lula faz careta e imita voz chorona) &Eacute;, voc&ecirc; tinha raz&atilde;o&quot;. Ent&atilde;o vamos dar tempo ao tempo. A &uacute;nica certa &eacute; que a Dilma &eacute; uma candidata com amplas condi&ccedil;&otilde;es de ganhar as elei&ccedil;&otilde;es. Ela vai ter mais o que mostrar. A economia vai estar numa situa&ccedil;&atilde;o melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>O tema econ&ocirc;mico da hora s&atilde;o as concess&otilde;es. Na elei&ccedil;&atilde;o, a oposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ir&aacute; explor&aacute;-las como uma forma de privatiza&ccedil;&atilde;o feita pelo PT, que combateu as privatiza&ccedil;&otilde;es tucanas?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">N&atilde;o &eacute; privatiza&ccedil;&atilde;o. Deixa eu dizer uma coisa: &eacute; urgente mudar a lei 8666\/93,que regula as licita&ccedil;&otilde;es nesse pa&iacute;s, se quisermos que as coisas aconte&ccedil;am. Hoje, para fazer uma obra, s&atilde;o tantos os obst&aacute;culos, como eu j&aacute; disse&#8230;TCU, Ibama, CGU, Iphan&#8230;Uma verdadeira m&aacute;quina de fiscaliza&ccedil;&atilde;o que emperra a m&aacute;quina da execu&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o, &eacute; melhor passar pelo crivo uma s&oacute; vez e entregar o servi&ccedil;o para o servi&ccedil;o para a iniciativa privada explorar, com mais facilidade e rapidez. A segunda coisa &eacute; que o Estado tamb&eacute;m n&atilde;o tem recursos. As concess&otilde;es s&atilde;o um convite &agrave; iniciativa privada, que pode suprir a defici&ecirc;ncia do Estado para investir. A Dilma estava na casa Civil, n&oacute;s reun&iacute;amos os ministros e &oacute;rg&atilde;os envolvidos nos projetos. Eu falava todos os palavr&otilde;es que tinha de falar mas as coisas n&atilde;o andavam. Um problema aqui, outro ali. Temos que encontrar uma solu&ccedil;&atilde;o. A Dilma anunciou as concess&otilde;es em junho do ano passado e os leil&otilde;es s&oacute; est&atilde;o saindo agora. Se estiv&eacute;ssemos em 1955, come&ccedil;ando a construir Bras&iacute;lia, nem a picada para o avi&atilde;o do JK pousar tinha sa&iacute;do.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Como o senhor avalia a decis&atilde;o da CGU de pedir a destitui&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o p&uacute;blico da ex-chefe do Gabinete da Presid&ecirc;ncia de S&atilde;o Paulo, Rosemary Noronha, por 11 irregularidades, incluindo propina, tr&aacute;fico de influ&ecirc;ncia e falsifica&ccedil;&atilde;o de documentos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ela j&aacute; estava demitida. O que a CGU fez foi confirmar o que todo mundo j&aacute; sabia o que ia acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Mas tudo ocorreu dentro de um escrit&oacute;rio da Presid&ecirc;ncia, em S&atilde;o Paulo&#8230;<\/strong>&nbsp;<br \/>\nDeixa eu falar uma coisa. A CGU julgou um relat&oacute;rio feito pela Casa Civil. E pelo o que eu vi do relat&oacute;rio, ele confirma as conclus&otilde;es da Casa Civil. Todo servidor que comete algum il&iacute;cito tem de ser exonerado. O que valeu para o escrit&oacute;rio vale para qualquer lugar no Brasil, no setor p&uacute;blico. Vale para banco, vale para a Receita Federal. Vejo isso com muita tranquilidade. (Lula se vira para o assessor de imprensa e pergunta). &quot;N&atilde;o foi exonerado esses dias um companheiro que trabalhava com a Ideli (Salvatti)? (Lula se refere ao assessor da Subchefia de Assuntos Federativos, Ida&iacute;lson Vilas Boas Macedo, ap&oacute;s not&iacute;cias de que faria parte do esquema de lavagem de dinheiro descoberto pela Pol&iacute;cia Federal na Opera&ccedil;&atilde;o Miqueias).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>O que o senhor achou da rea&ccedil;&atilde;o do governo brasileiro em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; espionagem norte-americana?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Dilma agiu certo. O que n&atilde;o podia aceitar a ideia que o (Barack) Obama tentou passar, de que n&atilde;o aconteceu nada. Com aquele jeit&atilde;o imperial do Obama falar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Quase tr&ecirc;s anos depois de deixar a Presid&ecirc;ncia, como o senhor gostaria de ser lembrado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O que me importa &eacute; a forma como serei lembrado pelas pessoas. Algo que me marcou foi meu &uacute;ltimo encontro com os cantadores de material reciclado e moradores de rua de S&atilde;o Paulo. Uma menina, afro-descendente, pegou o microfone e perguntou: &quot;presidente, voc&ecirc; sabe o que mudou na minha vida nestes oito anos?&quot; Eu n&atilde;o sabia. E ela disse: &quot;N&atilde;o foi o dinheiro que eu ganhei, nem as cooperativas que organizei. Foi o direito de andar de cabe&ccedil;a erguida que o senhor me restituiu. Hoje, n&atilde;o tenho vergonha de andar com o carrinho catando papel&atilde;o na rua. Me sinto t&atilde;o importante quanto os que passam de carro ao meu lado&quot;. Nada &eacute; mais gratificante que isso. Foi o que me inspirou a pedir ao Fernando Morais para tentar fazer uma biografia do meu governo, conversando com quem ele quiser: banqueiro, dono de jornal, metal&uacute;rgico, banc&aacute;rio, catador de papel. Ouvir o que as pessoas pensam &eacute; mais importante, pois todo mundo tem tend&ecirc;ncia a falar bem de si mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Foto: Brasil 247 &nbsp;e Folha Press<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, o ex-presidente Lula falou sobre a Reforma Pol\u00edtica, avaliou o Programa Mais M\u00e9dicos e fez uma an\u00e1lise a respeito do julgamento da A\u00e7\u00e3o Penal 470, que chamou de &#8220;linchamento&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20820,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[601,3261,170,7,3,3260,508,178,371,510],"class_list":["post-14263","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-dilma","tag-linchamento","tag-lula","tag-mais","tag-medicos","tag-mensalao","tag-partido","tag-politica","tag-reforma","tag-trabalhadores"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14263","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14263"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14263\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20820"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}