{"id":13879,"date":"2013-08-20T00:00:00","date_gmt":"2013-08-20T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/entrega-de-equipamentos-para-ubs-e-realizada-em-planalto\/"},"modified":"2024-12-10T18:04:38","modified_gmt":"2024-12-10T21:04:38","slug":"entrega-de-equipamentos-para-ubs-e-realizada-em-planalto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/entrega-de-equipamentos-para-ubs-e-realizada-em-planalto\/","title":{"rendered":"Tucanos e Alstom: Superfaturamento de R$ 48 milh\u00f5es em licita\u00e7\u00e3o dos Correios no governo FHC"},"content":{"rendered":"<p>Em meio ao esc&acirc;ndalo do chamado propinoduto tucano, denunciado pela Siemens, empresas fornecedoras de equipamentos e de servi&ccedil;os em trens e metr&ocirc; nas gest&otilde;es Mario Covas, Jos&eacute; Serra e Geraldo Alckmin&nbsp;que superfaturaram R$ 577 milh&otilde;es, outros casos est&atilde;o sendo investigados, comprova&ccedil;&atilde;o de que as empresas Siemens e Alstom s&atilde;o velhas companheiras de esquemas do PSDB.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>At&eacute; 2005, repousou em uma gaveta do empres&aacute;rio catarinense Edson Maur&iacute;cio Brockveld um envelope lacrado de papel pardo. Em uma das faces do inv&oacute;lucro est&atilde;o registradas cinco assinaturas de membros da Comiss&atilde;o Especial de Licita&ccedil;&atilde;o dos Correios. Dentro, segundo ele, est&aacute; &agrave; prova de que a corrup&ccedil;&atilde;o na ECT come&ccedil;ou no governo de Fernando Henrique Cardoso.&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dono da Brockveld Equipamentos e Ind&uacute;stria Ltda., o empres&aacute;rio esperou at&eacute; 2005, ocasi&atilde;o da CPMI dos Correios, para abrir publicamente o envelope. Seu objetivo era provar ter sido preterido em uma concorr&ecirc;ncia, em 2000, em favor de duas empresas estrangeiras, a alem&atilde; Siemens e a francesa Alstom, com propostas supostamente superfaturadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Brockveld alega ter calculado em R$ 48 milh&otilde;es o contrato de compra de equipamentos de movimenta&ccedil;&atilde;o e triagem de carga interna oferecido &agrave; ECT. A dupla vencedora cobrou quase o dobro. De quebra, diz o empres&aacute;rio, as escolhidas passaram a gerenciar outros tr&ecirc;s contratos no valor de US$ 100 milh&otilde;es (R$ 230 milh&otilde;es).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 22 de dezembro de 1999, a ECT abriu a concorr&ecirc;ncia internacional 016\/99 para compra e manipula&ccedil;&atilde;o de equipamentos de sistemas de movimenta&ccedil;&atilde;o e triagem interna de carga. Interessado no neg&oacute;cio, Edson Brockveld conta que, nos dois anos anteriores &agrave; licita&ccedil;&atilde;o, desenvolveu, junto ao setor de engenharia dos Correios, diversos equipamentos e realizou testes em parceria com as empresas Portec e Buschman, ambas dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo ele, a pedido da diretoria da ECT, a Brockveld Equipamentos chegou a trazer engenheiros americanos para fazer as demonstra&ccedil;&otilde;es e, assim, ganhar a confian&ccedil;a da dire&ccedil;&atilde;o da estatal. O presidente da empresa era Hassan Gebrin, ligado aos grupos pol&iacute;ticos do ent&atilde;o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB), e do ex- senador e ex-governador tamb&eacute;m do Distrito Federal Jos&eacute; Roberto Arruda (PFL-DF).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A indica&ccedil;&atilde;o havia sido avalizada pelo ent&atilde;o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, Pimenta da Veiga. Para garantir uma boa posi&ccedil;&atilde;o no processo licitat&oacute;rio, a Brockveld fez um cons&oacute;rcio com a japonesa NEC, uma das gigantes mundiais do setor de tecnologia de ponta. Pelo acordo, cada empresa seria respons&aacute;vel por um setor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A empresa brasileira cuidaria do maquin&aacute;rio de movimenta&ccedil;&atilde;o postal e a NEC dos equipamentos de comunica&ccedil;&atilde;o e seguran&ccedil;a. Dois dias antes da licita&ccedil;&atilde;o, no entanto, sem nenhum sinal pr&eacute;vio, conta Edson, o ent&atilde;o diretor da NEC no Brasil, Marcos Sakamoto, informou &agrave; Brockveld que n&atilde;o poderia participar da licita&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alegou, segundo o empres&aacute;rio catarinense, atender a um pedido da dire&ccedil;&atilde;o da Siemens, que n&atilde;o queria a participa&ccedil;&atilde;o das duas empresas na licita&ccedil;&atilde;o. No dia da abertura das propostas, Edson Brockveld diz ter sido diretamente convidado pelas empresas Mannesmann Dematic Rapistan, Siemens e Alstom a n&atilde;o participar da concorr&ecirc;ncia da ECT, pois estaria tudo certo que as duas &uacute;ltimas seriam as vencedoras da licita&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Brockveld alega ter ignorado a oferta e participado, assim mesmo, do processo. No dia da licita&ccedil;&atilde;o, o edital previa que fossem abertos os envelopes relativos &agrave; habilita&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica e comercial. Por&eacute;m, ao ser constatado que a Brockveld Equipamentos iria participar da licita&ccedil;&atilde;o, e pelo fato de os concorrentes n&atilde;o saberem se a empresa estava ou n&atilde;o com os documentos em ordem, foi feita uma proposta &agrave; ECT de emiss&atilde;o de um parecer &uacute;nico da proposta t&eacute;cnica e de habilita&ccedil;&atilde;o, em desacordo com o estabelecido no edital de licita&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Feito isso, a Brockveld e a Mannesmann acabaram sumariamente inabilitadas tecnicamente. A Mannesmann imediatamente recorreu, mas teve o pedido indeferido. Ambas receberam, lacrados, os envelopes com as propostas de volta. Siemens e Alstom foram &agrave;s escolhidas. Detalhe: a empresa francesa embolsou US$ 15 milh&otilde;es e deu o cano na ECT, por este motivo foi processada pelos Correios e substitu&iacute;da em seguida, pela NEC.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Logo depois, a dire&ccedil;&atilde;o da Brockveld foi procurada pelas empresas vencedoras. Teriam pedido para que ela n&atilde;o entrasse com recurso administrativo. Em troca, os executivos da Siemens e da Alstom dariam parte do projeto para a perdedora. Ou seja, comprariam da empresa brasileira os equipamentos previstos no contrato.<\/p>\n<p>Com a Alstom, o acordo foi assinado na noite do dia 23 de fevereiro de 2000. A empresa foi representada, segundo Edson Brockveld, por um diretor chamado Jean Bernard Devraignes. A Siemens, no entanto, esperou a data-limite para entrada de recurso, 24 de fevereiro de 2000, para assinar o acordo, em Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naquele dia, para ter certeza de que tudo sairia conforme combinado, H&eacute;lcio Aunh&atilde;o, diretor da Siemens, foi ao aeroporto da capital federal encontrar com Brockveld, ent&atilde;o disposto a entrar com o recurso administrativo contra o resultado da licita&ccedil;&atilde;o, o que nunca aconteceu. Depois de assinados os contratos, no entanto, as empresas vencedoras n&atilde;o honraram os acordos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Edson Brockveld, ent&atilde;o, esperou o momento certo de se vingar. A crise desencadeada a partir das den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o, justamente nos Correios, lhe pareceu &agrave; oportunidade ideal. O empres&aacute;rio foi ao Congresso Nacional para entregar toda a documenta&ccedil;&atilde;o sobre o caso a ent&atilde;o senadora, hoje ministra Ideli Salvatti.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Disse a ela ter tomado a iniciativa de denunciar o caso cinco anos depois porque, impedido de participar da licita&ccedil;&atilde;o e tra&iacute;do por empresas internacionais, achava que a CPMI dos Correios iria se interessar pelo caso. Por isso havia decidido ir pessoalmente ao Senado. Ele disse &agrave; senadora que, em princ&iacute;pio, n&atilde;o teria interesse em entrar em briga judicial contra a ECT, mas pretendia acionar a Siemens e a Alstom por quebra de contrato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O diretor-regional de Vendas da Siemens no Brasil, H&eacute;lcio Aunh&atilde;o, negou, na Sub-relatoria de Contratos da CPMI dos Correios, as acusa&ccedil;&otilde;es de que a empresa teria feito conluio com a Alstom para que a Brockveld se retirasse da licita&ccedil;&atilde;o do sistema de triagem interna de cargas dos Correios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aunh&atilde;o confirmou ter assinado termos de inten&ccedil;&atilde;o de compra de alguns equipamentos com a Brockveld, transa&ccedil;&atilde;o que, segundo Edson Maur&iacute;cio, serviria para compensar a empresa que se retirou, mas disse que a compra n&atilde;o foi realizada porque a empresa fornecedora n&atilde;o teria cumprido as condi&ccedil;&otilde;es estipuladas no contrato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sub-relator, ent&atilde;o deputado federal, hoje Ministro da Justi&ccedil;a Jos&eacute; Eduardo Cardozo, afirmou na audi&ecirc;ncia que a CPMI iria solicitar ao MP&nbsp;o aprofundamento da investiga&ccedil;&atilde;o sobre o caso.<\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio P&uacute;blico brasileiro obteve de autoridades da Su&iacute;&ccedil;a, este ano, a confirma&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia de contas do operador do esquema junto ao Metr&ocirc; de S&atilde;o Paulo, Roberto Marinho, no exterior. Agora, espera-se no MP a chegada de novas informa&ccedil;&otilde;es, vindas do Principado de Liechtenstein, vizinho &agrave; Su&iacute;&ccedil;a, de forma a rastrear o tr&acirc;nsito de grandes recursos no circuito de empresas e bancos do para&iacute;so fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo as autoridades o alimentador desse esquema seria a multinacional Alstom, que teria feito &ldquo;acordo&rdquo;, com os tucanos antes mesmo da Siemens e em rela&ccedil;&atilde;o ao Metr&ocirc; de S&atilde;o Paulo, ou seja, no per&iacute;odo que ocorreu &agrave;s irregularidades no Correios, quando Pimenta da Veiga era Ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es de FHC.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na multinacional alem&atilde;, o presidente no Brasil, Peter Loscher, foi afastado do cargo, numa responsabiliza&ccedil;&atilde;o indireta sobre a gest&atilde;o que teria participado de um cartel formado por 15 empresas, todas participantes de um esquema de pagamento de propinas aos tucanos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com informa&ccedil;&otilde;es:&nbsp;<strong>amoralnato<\/strong>.<a href=\"http:\/\/blogspot.com\/\" target=\"_blank\">blogspot.com\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s o caso de superfaturamento da Siemens, outras gest\u00f5es tucanas est\u00e3o sendo investigadas. Confira o texto.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21169,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1187,3340,3317,3339,1421],"class_list":["post-13879","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-empresas","tag-investigados","tag-siemens","tag-superfaturamento","tag-tucanos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13879","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13879"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13879\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21169"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}