{"id":13582,"date":"2013-07-15T00:00:00","date_gmt":"2013-07-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/em-terra-roxa-zeca-dirceu-se-reune-com-liderancas-e-comunidade-para-debater-reforma-politica\/"},"modified":"2024-12-10T18:06:18","modified_gmt":"2024-12-10T21:06:18","slug":"em-terra-roxa-zeca-dirceu-se-reune-com-liderancas-e-comunidade-para-debater-reforma-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/em-terra-roxa-zeca-dirceu-se-reune-com-liderancas-e-comunidade-para-debater-reforma-politica\/","title":{"rendered":"Sa\u00fade integrada de qualidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O sistema de sa&uacute;de brasileiro vive hoje um paradoxo insustent&aacute;vel: embora a Constitui&ccedil;&atilde;o garanta cobertura universal e atendimento integral, o padr&atilde;o de financiamento &eacute; orientado para o mercado.<\/p>\n<p>A constata&ccedil;&atilde;o parte da m&eacute;dica e professora de Sa&uacute;de P&uacute;blica L&iacute;gia Bahia, respeitada especialista no assunto. N&atilde;o por acaso as reivindica&ccedil;&otilde;es de rua v&ecirc;m cobrando dos governantes, entre outras demandas, mais investimentos nos servi&ccedil;os p&uacute;blicos de Sa&uacute;de.<\/p>\n<p>De acordo com dados do IBGE, os governos federal, estaduais e municipais s&atilde;o respons&aacute;veis por 42% dos gastos com Sa&uacute;de no pa&iacute;s, ao passo que as fam&iacute;lias e institui&ccedil;&otilde;es privadas respondem pelos 58% restantes. Enquanto os gastos p&uacute;blicos em sa&uacute;de representam 3,6% do PIB, os do setor privado alcan&ccedil;am 4,9%.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS), sistemas de cobertura universal demandam 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB). A corre&ccedil;&atilde;o dessas propor&ccedil;&otilde;es, atrav&eacute;s da expans&atilde;o dos gastos p&uacute;blicos, est&aacute; no cerne das mudan&ccedil;as de que o sistema precisa para avan&ccedil;ar e oferecer mais e melhores servi&ccedil;os &agrave; popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Segundo L&iacute;gia, a constitucionaliza&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; Sa&uacute;de possui um car&aacute;ter simb&oacute;lico e pr&aacute;tico, tanto em termos de bandeiras de luta quanto em termos de assist&ecirc;ncia. Hoje, os brasileiros sabem que o atendimento &agrave; sua Sa&uacute;de &eacute; um direito &mdash;e n&atilde;o um favor do Estado&mdash; o que contribui para que se organizem e lutem em busca de assegurar esse direito em sua integralidade.<\/p>\n<p>Antes da Reforma Sanit&aacute;ria Brasileira, da qual decorrem as principais diretrizes do SUS, o que se via era um sistema de sa&uacute;de excludente, pautado na concep&ccedil;&atilde;o de seguro, estabelecido na rela&ccedil;&atilde;o direta entre contribui&ccedil;&atilde;o, v&iacute;nculo trabalhista e direito &agrave; assist&ecirc;ncia, deixando &agrave; indig&ecirc;ncia parcelas expressivas da popula&ccedil;&atilde;o. O SUS veio para universalizar este atendimento, mas, para isso, precisa ser adequadamente financiado.<\/p>\n<p>A especialista &eacute; enf&aacute;tica ao afirmar que a falha principal decorre das experi&ecirc;ncias de tentar atribuir ao SUS a l&oacute;gica do mercado. Para ela, essa irracionalidade faz com que o SUS ainda seja visto como um sistema suplementar, inclusive aos planos privados de sa&uacute;de, e n&atilde;o como o sistema principal &mdash;uma situa&ccedil;&atilde;o bastante conveniente para os empres&aacute;rios da Sa&uacute;de.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a rede privada, que cresce de forma acelerada, n&atilde;o consegue fazer a cobertura adequada. Basta a informa&ccedil;&atilde;o de que os planos de sa&uacute;de figuram entre os maiores alvos de reclama&ccedil;&otilde;es nos Procons. Em 2012, essas empresas, que t&ecirc;m 48,7 milh&otilde;es de clientes, faturaram mais de R$ 80 bilh&otilde;es. O reajuste concedido aos planos de sa&uacute;de, no ano passado, foi de at&eacute; 7,93%, acima da infla&ccedil;&atilde;o, que ficou em 6,5%.<\/p>\n<p>O sistema p&uacute;blico de sa&uacute;de ainda &eacute; a &uacute;nica possibilidade de atendimento para milh&otilde;es de brasileiros. &Eacute; no SUS que s&atilde;o feitas as cirurgias de alta complexidade, os transplantes e a maior parte dos tratamentos de c&acirc;ncer. A totalidade da popula&ccedil;&atilde;o a ele recorre no caso de pol&iacute;ticas fundamentais, como vacina&ccedil;&atilde;o e tratamento para a Aids. &Eacute; este sistema, portanto, que deve ser subsidiado, fortalecido e consolidado, por meio de recursos compat&iacute;veis com a sua imensa tarefa.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s tantos anos de esfor&ccedil;o e constru&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso reconhecer as dificuldades que ainda s&atilde;o enfrentadas pela sa&uacute;de p&uacute;blica e continuar trabalhando para que ela cumpra o seu car&aacute;ter universal e integral. Afinal, sa&uacute;de p&uacute;blica se faz com gest&atilde;o eficiente e n&atilde;o com empresas disputando mercado.<\/p>\n<p>Recentemente, ao propor ao pa&iacute;s um pacto para atender &agrave;s principais reivindica&ccedil;&otilde;es colocadas nas ruas, a presidenta, Dilma Rousseff, deu um passo importante nesse sentido. Al&eacute;m de pedir aos governadores e prefeitos para acelerarem os investimentos na &aacute;rea da Sa&uacute;de, a presidenta confirmou que o governo ir&aacute; incentivar a ida de m&eacute;dicos para as cidades que mais necessitam de atendimento.<\/p>\n<p>A ideia de preencher vazios sanit&aacute;rios com a contrata&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos estrangeiros, apesar das in&uacute;meras contesta&ccedil;&otilde;es corporativistas e sem fundamento que recebeu, continua sendo a melhor alternativa. O Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de abrir&aacute; 35 mil vagas para m&eacute;dicos no SUS at&eacute; 2015 e mais de 12 mil vagas de resid&ecirc;ncia m&eacute;dica ser&atilde;o criadas at&eacute; 2017 para formar especialistas em &aacute;reas priorit&aacute;rias, como pediatria, anestesiologia, radiologia e psiquiatria.<\/p>\n<p>Mas se o Brasil conta com d&eacute;ficit de 54 mil profissionais &mdash;nossa m&eacute;dia &eacute; de 1,8 m&eacute;dico a cada mil habitantes&mdash; como preencher essas vagas? Dados do Minist&eacute;rio revelam que 22 Estados brasileiros est&atilde;o abaixo desta m&eacute;dia, superada apenas no Distrito Federal, Esp&iacute;rito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e S&atilde;o Paulo. Em Estados como Acre, Amap&aacute;, Maranh&atilde;o, Par&aacute; e Piau&iacute; a situa&ccedil;&atilde;o se agrava: h&aacute; apenas um m&eacute;dico para cada mil habitantes.<\/p>\n<p>O Programa de Valoriza&ccedil;&atilde;o do Profissional de Aten&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica (Provab), que estimula a ida de m&eacute;dicos &agrave;s periferias do pa&iacute;s, apesar de oferecer cerca de 13 mil vagas e uma bolsa mensal de R$ 8 mil, conta com apenas 3,5 mil profissionais. Portanto, n&atilde;o cabe mais a discuss&atilde;o sobre se faltam ou n&atilde;o m&eacute;dicos para atender a popula&ccedil;&atilde;o brasileira. Evidente que o preenchimento das vagas deve priorizar profissionais brasileiros, mas n&atilde;o havendo interesse destes por ocup&aacute;-las, precisamos buscar solu&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m para aumentar o n&uacute;mero de m&eacute;dicos na rede p&uacute;bica, o governo anunciou nesta semana, no &acirc;mbito do programa Mais M&eacute;dicos, uma amplia&ccedil;&atilde;o do ciclo de gradua&ccedil;&atilde;o dos estudantes que ingressarem nos cursos de medicina a partir de 2015: ap&oacute;s os seis anos de forma&ccedil;&atilde;o, todos ter&atilde;o que atuar dois anos no SUS, supervisionados pelas escolas m&eacute;dicas, atendendo na aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica e nos servi&ccedil;os de urg&ecirc;ncia e emerg&ecirc;ncia. A medida garantir&aacute; ao SUS cerca de 20 mil m&eacute;dicos a mais em 2021 e mais 20 mil no ano seguinte.<\/p>\n<p>Como ressaltou o ministro Alexandre Padilha, se o pa&iacute;s quer ter um sistema p&uacute;blico universal, precisamos de mais e melhores hospitais e de mais m&eacute;dicos. H&aacute; uma s&eacute;rie de a&ccedil;&otilde;es em curso para valorizar e formar profissionais, mas enquanto n&atilde;o se conclui essa forma&ccedil;&atilde;o, &eacute;, sim, preciso atrair m&eacute;dicos de outros pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>A aprova&ccedil;&atilde;o de 25% dos royalties do petr&oacute;leo para a &aacute;rea pode representar um refor&ccedil;o or&ccedil;ament&aacute;rio importante &agrave; melhoria da gest&atilde;o e do atendimento b&aacute;sico, suprindo equipamentos, permitindo maior valoriza&ccedil;&atilde;o profissional e garantindo mais recursos para programas de sa&uacute;de, com destaque para a a&ccedil;&atilde;o preventiva.<\/p>\n<p>E foi nesse sentido que Dilma anunciou, na Marcha em Defesa dos Munic&iacute;pios, a transfer&ecirc;ncia de mais recursos tanto para o pagamento dos sal&aacute;rios dos m&eacute;dicos que ser&atilde;o contratados, quanto para a constru&ccedil;&atilde;o de 6.000 postos de sa&uacute;de e 225 Unidades UPAS (Unidades de Pronto Atendimento) em todo o pa&iacute;s.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso se empenhar na dire&ccedil;&atilde;o de proporcionar aos cidad&atilde;os n&atilde;o a mera possibilidade de serem clientes e consumidoras de produtos de Sa&uacute;de e de Educa&ccedil;&atilde;o, mas contarem com servi&ccedil;os p&uacute;blicos de qualidade. Essa &eacute; uma bandeira antiga do PT e, como se v&ecirc;, exig&ecirc;ncia imediata do povo nas ruas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo escrito pelo meu pai, Jos\u00e9 Dirceu, e publicado recentemente no portal Brasil 247.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21462,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[361,4,2504,6],"class_list":["post-13582","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-dirceu","tag-educacao","tag-jose","tag-saude"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13582","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13582"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13582\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21462"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13582"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13582"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13582"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}