{"id":13440,"date":"2013-06-24T00:00:00","date_gmt":"2013-06-24T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/nota-sobre-o-reitor-luiz-carlos-cancellier-de-olivo\/"},"modified":"2024-12-10T18:07:11","modified_gmt":"2024-12-10T21:07:11","slug":"nota-sobre-o-reitor-luiz-carlos-cancellier-de-olivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/nota-sobre-o-reitor-luiz-carlos-cancellier-de-olivo\/","title":{"rendered":"A TV organiza a massa"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n\t<span style=\"font-size: 12px;\">Publicado&nbsp;originalmente na Rede Brasil Atual, o artigo do soci&oacute;logo e jornalista&nbsp;Laurindo Lalo Leal Filho analisa o papel da TV, que nos &uacute;ltimos dias tem conduzido a massa pelas ruas, em manifesta&ccedil;&otilde;es que inicialmente foram consideradas&nbsp;atos de&nbsp;vandalismo.<\/span><\/p>\n<p>\n\t<em>A TV, chamada de &ldquo;Pr&iacute;ncipe Eletr&ocirc;nico&rdquo; pelo soci&oacute;logo Octavio Ianni, est&aacute; conduzindo as massa pelas ruas brasileiras. &Agrave; internet coube o papel de convocar, &agrave; TV de conduzir.&nbsp;Ao perceber que o movimento n&atilde;o tinha dire&ccedil;&atilde;o e poderia assumir bandeiras progressistas, as emissoras de TV, com a Globo &agrave; frente, passaram a conduzi-lo.<\/em><\/p>\n<p>\t<em>Nos primeiros dias, para as TVs, eram v&acirc;ndalos que estavam nas ruas e precisavam ser reprimidos. Reproduziam em linguagem popular o que pediam os editoriais da m&iacute;dia impressa. N&atilde;o esperavam, no entanto, que o movimento ganhasse as propor&ccedil;&otilde;es que ganhou. Longos anos de neoliberalismo exaltando o consumo e o individualismo tiraram de algumas gera&ccedil;&otilde;es o prazer de fazer pol&iacute;tica voltada para a solidariedade e a transforma&ccedil;&atilde;o social.<\/em><\/p>\n<p>\n\t<em>Os partidos que poderiam ser eficientes canais de participa&ccedil;&atilde;o passaram a se preocupar mais com o jogo do poder do que com debate e o esclarecimento pol&iacute;tico, t&atilde;o necess&aacute;rio na forma&ccedil;&atilde;o dos jovens. Tudo isso estava engasgado. O movimento do passe livre serviu de destape. Reprimido com viol&ecirc;ncia como queria a m&iacute;dia, ele cresceu. Milh&otilde;es foram &agrave;s ruas em rep&uacute;dio ao vandalismo policial daquela quinta-feira (13).<\/em><\/p>\n<p>\n\t<em>As bandeiras, ao se multiplicarem, dilu&iacute;ram. A hist&oacute;ria registra o surgimento, nesses momentos, de l&iacute;deres carism&aacute;ticos ou de militares bem armados para levar as massas &agrave; tr&aacute;gicas aventuras. Alemanha nos anos 1930 e o Brasil em 1964 s&atilde;o apenas dois exemplos. Em 2013, quem assumiu esse papel foi a TV. Percebendo a grandeza f&iacute;sica do movimento, mudou o discurso e passou a exaltar a &ldquo;beleza&rdquo; das manifesta&ccedil;&otilde;es. Ofereceu para elas as suas bandeiras voltadas para assediar o poder central.<\/em><\/p>\n<p>\n\t<em>O grito gen&eacute;rico contra a corrup&ccedil;&atilde;o ecoa a tentativa de golpe contra o governo Lula em 2005, ensaiado pelos mesmos agentes de hoje. Naquela &eacute;poca o esfor&ccedil;o era maior. A TV tinha de convencer a massa a ir para a rua. Em 2013 ela j&aacute; estava caminhando, era s&oacute; entregar as bandeiras. &Eacute; o que est&atilde;o fazendo com todo empenho. A exalta&ccedil;&atilde;o ao povo que &ldquo;acordou&rdquo; foi s&oacute; o come&ccedil;o. O JN, na sexta-feira (14), censurou uma entrevista dada no Rio por uma integrante do Movimento do Passe Livre, Mayara Vivian.<\/em><\/p>\n<p>\n\t<em>Enquanto ela falava dos &ocirc;nibus, tudo bem. Mas a parte em que ela defendia a reforma agr&aacute;ria, a reforma pol&iacute;tica e o fim do latif&uacute;ndio no Brasil foi cortada pela censura global. Esses temas n&atilde;o fazem parte das bandeiras da fam&iacute;lia Marinho. A mudan&ccedil;a da grade de programa&ccedil;&atilde;o, com a troca da novela pelas manifesta&ccedil;&otilde;es &ldquo;ao vivo&rdquo;, na &uacute;ltima quinta (20), &eacute; ainda mais emblem&aacute;tica. Sinalizou para o telespectador que algo de muito grave estava ocorrendo e ele deveria ficar &ldquo;ligado na Globo&rdquo; para &ldquo;entender&rdquo; a situa&ccedil;&atilde;o.<\/em><\/p>\n<p>\n\t<em>Tanto entenderam que &agrave;s 20h30 centenas, se n&atilde;o milhares de pessoas, continuavam a sair das esta&ccedil;&otilde;es do Metr&ocirc; na Avenida Paulista. Iam se juntar aos &ldquo;apol&iacute;ticos&rdquo; que hostilizavam os militantes partid&aacute;rios insuflados por &ldquo;pitbulls&rdquo; (jovens parrudos) estrategicamente postados ao longo da avenida. Pela minha cabe&ccedil;a passaram imagens das brigadas nazistas vistas no cinema.<\/em><\/p>\n<p>\n\t<em>Os cartazes tinham de tudo. Algu&eacute;m disse que era um &ldquo;facebook&rdquo; real. Cada um &ldquo;postava&rdquo; na cartolina a sua reivindica&ccedil;&atilde;o. E a TV at&eacute; disso se aproveitou. Na sexta pela manh&atilde;, Ana Maria Braga ensinava como as m&atilde;es deveriam orientar seus filhos na confec&ccedil;&atilde;o desses cartazes. Como o Movimento pelo Passe Livre j&aacute; disse que n&atilde;o iria mais convocar novas manifesta&ccedil;&otilde;es, parece que a Globo assumiu o comando. Quando ser&aacute; o pr&oacute;ximo ato? Saiba na Globo.<\/em><\/p>\n<p>\n\t<em>Fustigado nas ruas e nas telas, o governo para responder, tem de se valer da mesma TV que o ataca. Julgou, como julgaram outros governos, que isso seria poss&iacute;vel e por isso n&atilde;o constituiu canais alternativos de r&aacute;dio e TV capazes de equilibrar a disputa informativa (a presidente Cristina Kirchner n&atilde;o entrou nessa).<\/em><\/p>\n<p>\n\t<em>Sem falar na regulamenta&ccedil;&atilde;o dos meios eletr&ocirc;nicos cujo projeto formulado ao final do governo Lula est&aacute; engavetado. Se houvesse sido enviado ao Congresso e aprovado, outras vozes estariam no ar. Ter&iacute;amos mais chance de evitar o golpe anunciado.<\/em><br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tLaurindo Lalo Leal Filho, soci&oacute;logo e jornalista, &eacute; professor de Jornalismo da ECA-USP.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O professor da USP, Laurindo Lalo, publicou um interessante ponto de vista de como a grande m\u00eddia brasileira vem pautando manifesta\u00e7\u00f5es nas ruas do nosso pa\u00eds. Vale a pena conferir.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21600,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[83,1103,776,3478,1315,1678,1833],"class_list":["post-13440","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-brasil","tag-manifestacoes","tag-midia","tag-papel","tag-partidos","tag-ruas","tag-tv"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13440","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13440"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13440\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21600"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13440"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13440"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13440"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}