{"id":12430,"date":"2013-02-05T00:00:00","date_gmt":"2013-02-05T02:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.zecadirceu.com.br\/ampere-tem-r-100-mil-empenhado-para-aquisicao-de-maquinas-e-implementos-agricolas\/"},"modified":"2024-12-10T18:12:26","modified_gmt":"2024-12-10T21:12:26","slug":"ampere-tem-r-100-mil-empenhado-para-aquisicao-de-maquinas-e-implementos-agricolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/ampere-tem-r-100-mil-empenhado-para-aquisicao-de-maquinas-e-implementos-agricolas\/","title":{"rendered":"Entrevista com Julian Assange: &#8220;H\u00e1 seis fam\u00edlias que controlam 70% da imprensa no Brasil&#8221;"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n\tA Internet est&aacute; se transformando no maior instrumento de vigil&acirc;ncia j&aacute; criado e a liberdade que ela representa estaria seriamente amea&ccedil;ada. A avalia&ccedil;&atilde;o &eacute; de Julian Assange, criador do Wikileaks e que, h&aacute; sete meses, vive na embaixada do Equador em Londres. Para ele, a web redefiniu as rela&ccedil;&otilde;es de poder no mundo, se transformou no &ldquo;sistema nervoso central hoje das sociedades&rdquo; e chega a ser mais determinante que armas. O problema, segundo ele, &eacute; que esse poder est&aacute; agora se virando contra as popula&ccedil;&otilde;es.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tO australiano recebeu a reportagem do Estado para uma entrevista sobre seu livro &ldquo;Cypherpunks, Liberdade e o Futuro da Internet&rdquo;, que est&aacute; sendo lan&ccedil;ado no Brasil nesta semana pela Boitempo Editorial.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tApesar de aparentar relaxado, n&atilde;o escondia a palidez de sete meses dentro de um escrit&oacute;rio. Em junho de 2012, ele optou por pedir asilo ao Equador, diante de sua iminente deporta&ccedil;&atilde;o para a Su&eacute;cia, onde &eacute; acusado de ass&eacute;dio sexual. Segundo ele, sua decis&atilde;o de pedir ref&uacute;gio ao governo de Quito tem como meta evitar sua extradi&ccedil;&atilde;o da Su&eacute;cia para os EUA, onde seria julgado pela difus&atilde;o de documentos secretos. O Equador lhe concedeu asilo. Mas a pol&iacute;cia brit&acirc;nica indicou que, assim que ele pisar para fora da embaixada em dire&ccedil;&atilde;o ao aeroporto, seria detido. O resultado tem sido um confinamento sem data para acabar.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tMas essa situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o o deixou menos pol&ecirc;mico. Segundo ele, ao colocar informa&ccedil;&otilde;es em redes sociais, internautas pelo mundo est&atilde;o fazendo um trabalho de gra&ccedil;a para a CIA. &ldquo;Hoje, o Google sabe mais sobre voc&ecirc; que sua m&atilde;e&rdquo;, disse. &ldquo;Esse &eacute; o maior roubo da hist&oacute;ria&rdquo;.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange ainda defendeu seu anfitri&atilde;o, o presidente equatoriano Rafael Correa, diante de sua a&ccedil;&atilde;o contra jornais no Equador e que chegou a ser criticado pela ONU.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tSobre o futuro do Wikileaks, Assange j&aacute; prometeu que, em 2013, um milh&atilde;o de novos documentos ser&atilde;o publicados. Ao Estado, ele garantiu: &ldquo;haver&aacute; muita coisa sobre o Brasil&rdquo;&rdquo;. Ao aparecer para a entrevista, Assange vestia uma camisa da sele&ccedil;&atilde;o brasileira, num claro esfor&ccedil;o de criar simpatia no Brasil e numa opera&ccedil;&atilde;o de imagem cuidadosamente trabalhada.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tEis os principais trechos da entrevista e as fotos de Joao Castelo Branco, as primeiras publicadas por um jornal brasileiro desde que o australiano pediu asilo ao Equador.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tChade &ndash; A Internet &eacute; o s&iacute;mbolo da emancipa&ccedil;&atilde;o para muitos e foi apresentada como a maior revolu&ccedil;&atilde;o j&aacute; feita. Mas agora o sr. traz a ideia de que h&aacute; uma contra-ofensiva a isso tudo. O sr. considera que a Internet est&aacute; em uma encruzilhada ?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange &ndash; Diferentes tecnologias produzem mais poder para estruturas existentes ou indiv&iacute;duos e isso tem sido a hist&oacute;ria do desenvolvimento tecnol&oacute;gico, ao ponto que podemos ver a hist&oacute;ria da civiliza&ccedil;&atilde;o humana como a hist&oacute;ria do desenvolvimento de diferentes armas de diferentes tipos. Por exemplo, quando rifles, que podiam ser obtidos por pequenos grupos, eram as armas dominantes em seu dia, ou navios de guerra ou bombas at&ocirc;micas. E isso define a rela&ccedil;&atilde;o de poder entre diferentes grupos de pessoas pelo mundo. Desde 1945, a rela&ccedil;&atilde;o entre as superpot&ecirc;ncias dominantes tem sido definida por quem tem acesso &agrave;s armas at&ocirc;micas. Mas o que ocorre agora &eacute; que Internet &eacute; t&atilde;o significativa que est&aacute; come&ccedil;ando a redefinir as rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a que antes eram definidas pelos diferentes sistemas de armas que um pa&iacute;s tinha. Isso porque todas as sociedades que tem qualquer desenvolvimento tecnol&oacute;gico, que s&atilde;o as sociedades influentes, se fundiram totalmente com a Internet. Portanto, n&atilde;o h&aacute; uma separa&ccedil;&atilde;o entre o que n&oacute;s pensamos normalmente que &eacute; uma sociedade, indiv&iacute;duos, burocracia, estados e internet. A internet &eacute; o alicerce da sociedade, suas art&eacute;rias, os nervos e est&aacute; conectando os estados por cima das fronteiras. A Internet &eacute; um centro, se n&atilde;o for o centro, da nossa sociedade. Ela est&aacute; envolvida na forma que uma sociedade se comunica consigo mesmo, como se comunica entre elas. N&atilde;o &eacute; s&oacute; simplesmente um sistema de armas ou fonte energia. N&atilde;o &eacute; certo pensar como se fosse o sangue da sociedade. &Eacute; o sistema nervoso central da socidade. Portanto, se h&aacute; um problema na Internet, h&aacute; um problema com o sistema nervoso da sociedade. Agora, v&iacute;amos antes a internet como uma for&ccedil;a liberatadora, que garantia &agrave;s pessoas que n&atilde;o tinham informa&ccedil;&atilde;o com informa&ccedil;&atilde;o e, mais importante ainda, com conhecimento. Conhecimento &eacute; poder. Outras coisas tambem s&atilde;o poder. Mas ela deu muito poder a pessoas que antes n&atilde;o tinham poder. E n&atilde;o apenas mudou a rela&ccedil;&atilde;o entre os que tem poder e aquelas que n&atilde;o tem, dando conhecimento &agrave;queles que n&atilde;o tinham conhecimento. Mas tamb&eacute;m fez todo o sistema funcionar de forma mais inteligente. Todos passaram a poder tomar decis&otilde;es mais inteligentes e puderam passar a cooperar de forma mais inteligente. Agindo contr&aacute;rio a essa for&ccedil;a est&aacute; a vigil&acirc;ncia em massa criada por parte do estado.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tChade &ndash; De que forma estaria ocorrendo essa vigil&acirc;ncia em massa?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange &ndash; As sociedades se fundiram com a internet, diante do fato de que comunica&ccedil;&otilde;es entre os indiv&iacute;duos ocorrem pela Internet, os sistemas de telefone est&atilde;o na Internet, bancos e transa&ccedil;&otilde;es usam a Internet. Estamos colocando nossos pensamentos mais &iacute;ntimos na Internet, detalhes de comunica&ccedil;&otilde;es e mesmo entre marido e muher, nossa posi&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica. Enfim, tudo est&aacute; sendo exposto na Internet. Isso signifca que grupos que est&atilde;o envolvidos em vigil&acirc;ncia em massa tem conseguido realizar uma transferencia em massa de conhecimento em sua dire&ccedil;&atilde;o. Os grupos que j&aacute; tinham muito conhecimento agora tem mais. Esse &eacute; o maior roubo que de fato j&aacute; ocorreu na hist&oacute;ria. Essa transfer&ecirc;ncia de conhecido, de todas as comunica&ccedil;&otilde;es interceptadas para ag&ecirc;ncias nacionais de seguran&ccedil;a e seus amigos corporativos. A tecnologia est&aacute; sendo desenvolvida para essa vigil&acirc;ncia em massa est&aacute; sendo vendida por empresas de pa&iacute;ses, como a Fran&ccedil;a, que vendeu um sistema de vigil&acirc;ncia para o regime de Kadafi. Na &Aacute;frica do Sul, h&aacute; um sistema desenhado para gravar de forma permanente todas as liga&ccedil;&otilde;es que entram e saem do pa&iacute;s e as estocam por apenas US$ 10 milh&otilde;es por ano. Est&aacute; ficando muito barato. A popula&ccedil;&atilde;o mundial dobra a cada 20 anos. O custo de vigil&acirc;ncia est&aacute; caindo pela metade a cada 18 meses.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tChade &ndash; Mas, justamente o sr. citou Kadafi. Muito acreditam que a Primavera &Aacute;rabe s&oacute; ocorreu gra&ccedil;as &agrave; Internet. N&atilde;o teria sido esse o caso?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange &ndash; H&aacute; uma s&eacute;rie de hist&oacute;rias tradicionais de um longo trabalho de ativistas, de sindicatos e at&eacute; de clubes de futebol que tiveram um papel importante na Tun&iacute;sia e no Egito, os Ultras. O que &eacute; realmente novo? Bom, algumas coisas: o ativismo pan-ar&aacute;bico &eacute; algo novo e potenciado pela web. Diferentes ativistas em diferentes pa&iacute;ses se conectaram entre si pela web, trocando dicas, identificando quem era bem e quem era mau. O movimento dos Ultras vieram da It&aacute;lia para os clubes da Tun&iacute;sia e Egito. Como? Pela Internet. E ent&atilde;o h&aacute; o Wikileaks, jogando muita informa&ccedil;&atilde;o e essa informa&ccedil;&atilde;o ent&atilde;o foi atacada pelo regime na Tun&iacute;sia e depois pelo Egito. Mas tamb&eacute;m sendo disseminada pelo Egito e Tunisia. Mais importante ainda, essa informa&ccedil;&atilde;o foi disseminada para fora desses pa&iacute;ses, a tal ponto que ficou dif&iacute;cil para os Estados Unidos e Europa defenderem seus tradicionais aliados.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tChade &ndash; O sr. aponta para o poder de redes como Facebook e Google. Confesso que n&atilde;o tenho certeza que Mark Zuckerberg (criador do Facebook) pensou nisso tudo quando estava criando o site. Como &eacute; que se tornaram t&atilde;o poderosos e como &eacute; que s&atilde;o, como o sr. diz, usados contra civis?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange &ndash; Google, essencialmente, sabe o que voc&ecirc; estava pensando. E sabe tamb&eacute;m (o que vc pensou) no passado. Porque quando voc&ecirc; tem algum pensando sobre algo, quer saber algum detalhe, voc&ecirc; busca no Google. Sites que tem Google Adds, que na verdade s&atilde;o todos os sites, registram sua visita. Portanto, Google sabe todos os sites que voc&ecirc; visitou, tudo o que voc&ecirc; buscou, se voc&ecirc; usou gmail ou email. Ent&atilde;o ele te conhece melhor que voc&ecirc; mesmo. Um exemplo: voc&ecirc; sabe o que voc&ecirc; buscou h&aacute; dois dias, h&aacute; tr&ecirc;s meses? N&atilde;o. Mas o Google sabe. Google conhece voc&ecirc; melhor que sua m&atilde;e. Claro, mas algu&eacute;m pode dizer: Google s&oacute; quer vender publicidade. Portanto, quem se importa que eles estejam fazendo isso. Mas, na realidade, todas as ag&ecirc;ncias de intelig&ecirc;ncia americana e de aplica&ccedil;&atilde;o da lei tem acesso ao material do Google. Eles acessaram isso em nosso caso.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tChade &ndash; Como fizeram isso?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange &ndash; Eles usaram instrumentos como cartas da ag&ecirc;ncia de seguran&ccedil;a nacional e mandados para buscar os dados de email das pessoas envolvidas em nossa organiza&ccedil;&atilde;o. Isso saiu do Google, da conta do Twitter, onde pessoas entraram para acompanhar a nossa conta. No caso do Facebook, &eacute; algo impressionante. As pessoas simplesmente est&atilde;o fazendo bilh&otilde;es de centenas de horas de trabalho gratu&iacute;to para a CIA. Colocando na rede todos seus amigos, suas rela&ccedil;&otilde;es com eles, seus parentes, relatando o que est&atilde;o fazendo, dizendo que vi aquela pessoa naquela festa, aquela pessoa naquela loja. &Eacute; um incr&iacute;vel instrumento de controle. Pa&iacute;ses como a Isl&acirc;ndia tem uma penetra&ccedil;&atilde;o do Facebbok de 88%. Mesmo que voc&ecirc; n&atilde;o esteja no Facebook, voc&ecirc; pode ter certeza que teu irm&atilde;o est&aacute; e est&aacute; relatando sobre voc&ecirc;, ou sua namorada est&aacute; relatando sobre voc&ecirc;. N&atilde;o h&aacute; como escapar. Agora, quando uma organiza&ccedil;&atilde;o como Facebook diz que as pessoas querem fazer isso&hellip;<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tChade &ndash; Claro, essa &eacute; justamente a minha quest&atilde;o: como o sr. explica que pessoas de diferentes culturas e religi&otilde;es est&atilde;o dispostas a revelar suas vidas diante da web?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange &ndash; Claro, sobre o que &eacute; que voc&ecirc; est&aacute; paranoico. Voc&ecirc; pode dizer: bom, estou fazendo isso de forma volunt&aacute;ria e &eacute; mais importante estabelecer conex&otilde;es sociais que se preocupar com um aparato de um estado totalit&aacute;rio. O problema &eacute; que isso n&atilde;o &eacute; verdade. As pessoas dizem que querem compartilhar algo apenas com meus amigos e amigos de meus amigos, mas n&atilde;o com meus amigos e com a CIA. &Eacute; uma decep&ccedil;&atilde;o o que est&aacute; ocorrendo. As pessoas est&atilde;o sendo enganadas em desenvolver essa atividade.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tChade &ndash; Entendo esse ponto claramente. Mas estamos vendo tamb&eacute;m censura na China, no Ir&atilde; e em Cuba, pa&iacute;ses que parecem estar de fato mais temerosos da Internet. Isso n&atilde;o mostraria que a web &eacute; mais amea&ccedil;adora para esses regimes que para os civis?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange &ndash; Acho que voc&ecirc; n&atilde;o pode generalizar &ldquo;esses regimes&rdquo;. Temos de olhar cada um deles de forma apropriada. Pessoas censuram por um motivo. Censuram porque tem medo, ou porque querem ter mais poder. Normalmente, eles querem manter seu poder. Porque o Ir&atilde; censura?Bom, porque teme que pessoas dentro do Ir&atilde; sejam influenciadas por material em persa publicado fora do Ir&atilde;. E quem publica isso? Bom, alguns s&atilde;o de dissidentes genu&iacute;nos. Mas tamb&eacute;m h&aacute; empresas de fachada, criadas pelos israelenses, pelos Estados Unidos. Isso &eacute; umm fato. Inclusive pela BBC em Persa. Denunciamnos essas empresas de fachada no Wikileaks e suas estruturas de financiamento, e mesmo empresas israelenses. Agora, &eacute; algo saud&aacute;vel que governos estejam temerosos do que as pessoas pensam. Estranhamente, &eacute; um sinal otimista que a China, com toda sua censura e vigil&acirc;ncia, est&aacute; com medo ainda do que sua popula&ccedil;&atilde;o pense. Por exemplo, a China baniu o Wikileaks em 2007. Pelo que sabemos, foi o primeiro pa&iacute;s a banir. Temos tido uma esp&eacute;cie de guerra para superar o firewall chin&ecirc;s. De alguma forma, &eacute; um sintoma positivo.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tChade &ndash; Porque? Esse racioc&iacute;nio n&atilde;o vai contra seu princ&iacute;pio de liberdade no fluxo de informa&ccedil;&atilde;o?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange &ndash; Sim. Mas &eacute; um bom sintoma. Em um pa&iacute;s onde as rela&ccedil;&otilde;es est&atilde;o t&atilde;o fiscalizadas e a vigil&acirc;ncia est&aacute; enraizada que o poder n&atilde;o precisa se preocupar com o que as pessoas pensam, esse &eacute; o maior problema.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tChade &ndash; Voltando &agrave; quest&atilde;o da liberdade do fluxo de informa&ccedil;&atilde;o. Wikileaks teve um imenso impacto em alguns pa&iacute;ses. Mas h&aacute; quem ainda questione: bem, os documentos foram obtidos de forma ilegal. Qual sua avalia&ccedil;&atilde;o sobre esse argumento de que, por eles terem sido obtidos de forma ilegal, n&atilde;o s&atilde;o informa&ccedil;&otilde;es leg&iacute;timas?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange &ndash; Generais n&atilde;o definem a lei. Ou pelo menos n&atilde;o deveriam. Se falamos da situa&ccedil;&atilde;o ameriana, h&aacute; toda uma s&eacute;rie de leis se queremos falar de legisla&ccedil;&atilde;o e foi perfeitamente legal.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tChade &ndash; A obten&ccedil;&atilde;o dos documentos ?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange &ndash; Sim, a forma que foram obtidos. Militares americanos n&atilde;o tem direitos na lei americana de encobrir crimes. De fato, isso &eacute; algo expl&iacute;cito. N&atilde;o se pode usar apenas a classifica&ccedil;&atilde;o de documentos para manter um crime sigiloso. Mas tamb&eacute;m podemos dizer: quem &eacute; que fez a lei ? Obviamente s&atilde;o os interesses militares. N&oacute;s, como editores, temos de levar essas leis &agrave; s&eacute;rio? N&oacute;s n&atilde;o levamos elas a s&eacute;rio. Quer dizer, &eacute; um conflito em rela&ccedil;&atilde;o a onde voc&ecirc; estabelece uma linha. Muito foi dito sobre isso e muito do que foi dito est&aacute; filosoficamente falido. H&aacute; uma forma simples de entender. N&atilde;o &eacute; Deus que estipula essa fronteira para todos n&oacute;s. Diferentes organismos tem diferentes responsabilidades. As vezes, entidades policiais tem a responsabilidade de manter algo secreto. Uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre a M&aacute;fia, deve ser mantida em sigilo.Outras organiza&ccedil;&otilde;es, como editores e jornais, tem a responsabilidade perante o p&uacute;blico, que &eacute; de publicar nforma&ccedil;&atilde;o que ajude o p&uacute;blico a decidir e entender o mundo. Essas diferentes responsabilidades n&atilde;o devem ser contaminadas uma pela outra.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tChade &ndash; Trazendo esse debate para a Am&eacute;rica Latina, como o sr. avalia o comportamento de governos diante da Internet e da imprensa em geral ?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange &ndash; &Eacute; bem variado e tem v&aacute;rios problemas. Acho que, comparado com o resto do mundo, comparado com Europa, EUA, Sudeste Asi&aacute;tico, a regi&atilde;o est&aacute; bastante bem.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tChade &ndash; Alguns dos cr&iacute;ticos apontam para o fato de que o presidente (do Equador) Rafael Correa ataca a imprensa. Como o sr. se sente sobre isso, e porque escolheu essa embaixada (do Equador) para vir ?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange &ndash; Pelo amor de Deus. Eles deveriam ser atacados com muita frequ&ecirc;ncia. A primeira responsabilidade da imprensa e em primeiro codifo de &eacute;tica &eacute; acuracy. Tudo come&ccedil;a com voc&ecirc; precisando dizer a verdade. Essa precisa ser a primeira coisa. E tamb&eacute;m ser representativa. N&atilde;o &eacute; porque sua organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; de propriedade de alguma fam&iacute;lia. H&aacute; um grande problema na Am&eacute;rica Latina com a concentra&ccedil;&atilde;o na m&iacute;dia. Ainda que, se h&aacute; seis fam&iacute;lias que controlam 70% da imprensa no Brasil, o problema &eacute; muito pior em v&aacute;rios pa&iacute;ses. Na Su&eacute;cia, 60% da imprensa &eacute; controlado por uma editora. Na Austr&aacute;lia &eacute; muito pior, 60% tamb&eacute;m da imprensa escrita &eacute; controlada por Murdoch. Portanto, quando falamos em liberdade de express&atilde;o, temos de incluir a liberdade de distribui&ccedil;&atilde;o, uma distribi&ccedil;&atilde;o adequada e uma das coisas mais importantes que a Internet nos deu &eacute; a liberdade na pr&aacute;tica de distribui&ccedil;&atilde;o, se as pessoas est&atilde;o interessadas no assunto. N&atilde;o quer dizer que voc&ecirc; pode levar algo a um milh&atilde;o de pessoas com publicidade. Mas voc&ecirc; pode montar um blog e, se as pessoas j&aacute; est&atilde;o interessados, podem ler.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tChade &ndash; Uma pergunta pessoal. Para alguns, o sr. &eacute; um her&oacute;i, outros dizem que &eacute; um criminoso, uma amea&ccedil;a internacional, outros dizem que o sr. &eacute; um ativista. Em suas pr&oacute;prias palavras, quem &eacute; o sr. ?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange &ndash; Sou apenas um cara. Todos n&oacute;s vivemos s&oacute; uma vez. Todos temos responsabilidades de viver nossas vidas de acordo com nossos princ&iacute;pios e n&atilde;o disperdi&aacute;cas. Eu s&oacute; estou tentando fazer isso. N&atilde;o acho que &eacute; necess&aacute;rio que me defina. Na verdade, quando as pessoas se definem, na maioria das vezes est&atilde;o mentindo. Mas, no lugar disso, devem olhar as a&ccedil;&otilde;es de uma pessoa e ver se elas s&atilde;o consistentes no longo prazo.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tChade &ndash; Porque &eacute; que o sr. evita ir &agrave; Su&eacute;cia (onde a Justi&ccedil;a o busca por acusa&ccedil;&otilde;es de ass&eacute;dio sexual) ?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange &ndash; Porque eu seria extraditado aos EUA.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tChade &ndash; Por qual motivo exatamente ?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange &ndash; O EUA tem um procedimento contra minha pessoa e contra Wikileaks pelos &uacute;ltimos dois anos. O governo diz em seus pr&oacute;prios documentos internos que a investiga&ccedil;&atilde;o &eacute; de um tamanho e natureza &ldquo;sem precedentes&rdquo;, citando uma investiga&ccedil;&atilde;o &ldquo;de todo o governo&rdquo; americano. &Eacute; algo s&eacute;rio e que envolve mais de uma d&uacute;zia de ag&ecirc;ncias.<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tChade &ndash; Quais s&atilde;o os pr&oacute;ximos passos para o Wikileaks ? O sr. anunciou que vai publicar cerca de um milh&atilde;o de documentos em 2013. Algo sobre o Brasil?<br \/>\n\t&nbsp;<br \/>\n\tAssange &ndash; Sim. Publicaremos muito sobre o Brasil neste ano. Um material muito interessante.<\/p>\n<p>\tFonte: Estad&atilde;o<br \/>\n\tFoto: Estad&atilde;o<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confira nesta entrevista concedida ao jornal &#8216;O Estado de S. Paulo&#8217;, que at\u00e9 Julian Assange, criador da Wikileaks, denuncia a necessidade de democratizar os<br \/>\nmeios de comunica\u00e7\u00f5es no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22596,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1199,75,2409,552,4111,2124,4112],"class_list":["post-12430","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias-zeca-dirceu","tag-etica","tag-familia","tag-imprensa","tag-internet","tag-julian-assange","tag-responsabilidade","tag-wikileaks"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12430","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12430"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12430\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22596"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/teste.bsb.br\/zeca\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}